Apocalipse de João

NOVO TESTAMENTOAPOCALIPSE DE JOÃO

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O testemunho maior da força do apocaliticismo)) entre judeus-cristãos é a Revelação (ou Apocalipse) de João, um centro de controvérsia no cristianismo nascente. Amplamente aceito no segundo século, seu uso por autores suspeitos parece ter provocado uma reação negativa no século III que continuou no Oriente até por volta do ano 500. Não é difícil ver porque o Livro da Revelação levantou tal debate, pois é rico em simbolismo, contém ensinamentos subsequentemente condenados, e adota uma posição fortemente anti-romana que deve ter embaraçado os cristãos dos séculos III e IV. Há um considerável desacordo sobre sua autoria, composição e significado.

Basicamente uma série de visões prefaciada por sete cartas às primeiras comunidades cristãs compõem a Revelação. Tradições tardias advogam que o João que anuncia a si mesmo como o autor seria o discípulo amado de Jesus e o autor do Quarto Evangelho. É pouco provável, como já apontava Dionísio de Alexandria no século III. A escolástica moderna sugere que o estranho grego e o caráter hebraico do livro pode ter sido realmente produto do apóstolo, mais do que o quarto evangelho. Outros creem que foi o misterioso João o Ancião mencionado em algumas fontes do século II. Quem quer que seja, foi um profeta cristão vivendo na Ásia Menor por volta do século I.

A consciência profética do autor é de especial importância. Como escolásticos recentes apontam, o profetismo experienciou um renascimento no judaísmo tardio e nas primeiras comunidades cristãs, mas deixou poucas obras com exceção da Revelação.

A Revelação é tão associada ao significado da tradição apocalíptica cristã que qualquer simples caracterização é impossível. O livro é ao mesmo tempo um sumário da literatura que o precede, uma apropriação do gênero em um novo nível, e o ponto de partida para muitos comentários e expansões subsequentes. As principais correntes de interpretação são: escatológica, lidando com o ((fim do mundo; histórica, refletindo eventos contemporâneos através do vaticinium ex eventu; mitológica, como compêndio de material legendário; literária, afirmando a mentalidade simbólica criativa do autor. (Bernard McGinn, VISIONS OF THE END)

Jean Canteins: MYSTÉRES ET SYMBOLES CHRISTIQUES

As reviravoltas mais espetaculares são reportadas no início do Livro do Apocalipse, quer dizer do Livro do Desvelamento ou da Revelação definitiva (da Verdade, de Deus, etc.), isso anunciado a todos os homens e cuja universalidade transcende todo os individualismo ou particularismos. Trata-se do «voltar-se» de João à busca da Voz que lhe dita sua visão (Apocalipse 1,12-13). O Vidente de Patmos se voltando para descobrir esta voz inspirada, vê sete lâmpadas de ouro… sem se perturbar João nos descreve em detalhes sua visão produzindo um dos textos espirituais mais belos e impressionantes da humanidade, cuja escrita vem coroar sua função providencial anunciadora de uma nova era.


Theosophos
Swedenborg: APOCALYPSIS REVELATA

Muitos têm trabalhado arduamente para explicar o Apocalipse, mas, como o sentido espiritual da Palavra foi ignorado até agora, eles não puderam ver os arcanos que ali se encontram ocultos, porque somente o sentido espiritual os revela. Por isso, os explicadores têm conjeturado muitas coisas, aplicando a maior parte de seu conteúdo aos estados dos impérios e também misturando coisas concernentes às matérias eclesiásticas. mas o Apocalipse, assim como toda a Palavra, não trata, em seu sentido espiritual, de coisas mundanas, mas sim de coisas celestes; por conseguinte, não trata de impérios nem reinos, mas do céu e da Igreja.



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