Gichtel Analise Figuras

TEHOSOPHIA PRACTICA — ANÁLISE DAS FIGURAS

Julius Evola: GRUPO UR E KRUR

Toda esta figuração e simbologia expressa o processo de palingenesia sob seu aspecto esotérico, cujo simbolismo geral corresponde àquele de diversas tradições e em particular à tradição hindu. O ponto de partida é um “homem negro feito de pecado” o qual, graças à regeneração, se transformará em um homem de luz. Gichtel toma a via mística mas sem ignorar que a transformação não deve se limitar à alma mas penetrar também o corpo: “Nós não recebemos uma nova alma como Regeneração, mas de fato um novo corpo; de sorte que não se trata para a alma de um novo nascimento mas apenas de uma renovação e de uma conversão, desde o exterior até o interior, a fim que haja RENOVAÇÃO graças a pura divindade” (TP cap. III). O homem novo, recuperado, é aquele que atravessará graus, de um elemento a outro, no interior de seu próprio corpo, operando uma certa transformação até o pleno desabrochar de um novo corpo, o qual “difere tanto do primeiro quanto o sol resplandecente difere da obscura terra; e embora resida no antigo corpo, este permanece para ele inconcebível — por vezes, é mesmo insensível”. Mais adiante: “Este corpo provém do Verbo divino, ou da celeste Sophia que aparece, surgindo do fogo interior sagrado do Amor, e que o desejo, ou a fé, torna presente e concebível. E tudo isto é espiritual, mais SUTIL que o ar, semelhante aos raios do sol que penetram todos os CORPOS”.

Trata-se em outros termos de um novo estado de corporeidade que escapa à sensação ordinária e que só é concebível por meio de um novo tipo de sensibilidade desperta pelo fogo iniciático. Há uma natureza aérea e radiante, quer dizer livre e ativa, diferente do corpo lento e pesado, que a ele se oferece (cf. estado de porosidade e o simbolismo do “orvalho de vida” no Hermetismo e através do qual aparece até tornar possível certos fenômenos tal qual a Transfiguração de Jesus. Noções análogas: “Hábito de Liberdade” dos Gnósticos; o vajrarupa (forma de incorruptibilidade e de raio) do Mahayana; o “corpo irradiante” de Plotino; sekhem dos Egípcios, etc. Por outro lado o que é interessante é que Gichtel reconhece no desenvolvimento de tal corpo a essência mesma da obra sagrada: “Só revestida deste novo hábito que esta (a alma) pode se apresentar diante da Santa Trindade e servir o Deus Muito Santo em espírito e em verdade — a exemplo de Melquisedeque, ministro do Altíssimo — em louvor e adoração” (I). A menção a Melquisedeque é interessante pois vários esoteristas notaram a relação entre esta figura enigmática e a tradição iniciática — anterior à religião de Abraão (VIDE Melquisedeque).

O leitor sabe que se fala em alquimia de um ouro que tem necessidade de ser imerso em “nossa água” para se “dissolver” (se liberar), depois se “fixar” (alcançar a estabilidade iniciática) e produzir a Medicina. Pode ser que também saiba que no esoterismo hindu, diz-se que o princípio divino no homem (Shiva) deve buscar sua contrapartida feminina (shakti) e a ela se unir — sem o qual “permanece incapaz de ação como se fosse um cadáver”. Naturalmente trata-se da mesma coisa. Sophia, a Virgem, é nossa água hermética enquanto “água de acima”, superior ao mundo da individuação. É a “água de vida” que a deusa Ishtar, no simbolismo babilônico, vai buscar no fundo do “Inferno”, para fazer reviver graças a ela Tammuz posto que se trata de uma “água de ressurreição”. Aquele que ela consagra obtém o “segundo nascimento”, quer dizer o “nascimento do alto”, o nascimento sobre a “Terra dos Vivos”.

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