Evangelho de Tomé – Logion 112

Pla

Jesus disse: Ai da carne que depende da alma! Ai da alma que depende da carne!.

Puech

Suarez

Meyer

Canônicos


Roberto Pla

Os dois “Ais” do logion sugerem a mesma resposta: é necessário que a carne e a alma não tenham mútua dependência uma da outra.

É verdade que a carne quando está só, não tem tendências, nem tentações, porque não vêm da carne mas da alma; e também é verdade que a alma quando não trabalha sobre a carne não produz frutos de morte, porque não são dela, mas engendrados por seu viver na carne.

A dificuldade sobrevém quando a consciência do homem planeia sobre sua carne ao invés de descansar sob o espírito. Então a alma troca em paixão seu viver harmonioso e a carne se enche de tendência até a morte, que não são suas.

Isso é o que queria dizer Jesus quando na hora de sua agonia pedia a seus discípulos: “Vigiai e orai para que não caias em tentação; que o espírito está pronto, mas a carne é débil”.

Colocada a alma ente a resposta pronta do espírito e a debilidade que confere a carne, o estar alerta, vigilante, em adoração da “presença” invisível, garante não só a resposta do espírito, senão não queda na dependência da carne.

Para a alma que vive segundo a carne, o espírito parece se alijar até restar convertido em somente o nome de um vento que não existe, que não sopra nunca sobre a alma; e a carne, vem a ser uma fogueira onde se incendeiam por si só as paixões.

Isto é algo muito simples, mas resulta bastante afastado das postulações do viver de hoje, e talvez convenha olhar os fatores de interdependência da carne e da alma sobre os que funda seus “ais” o logion. (vide epithymetikon).

Suarez

Gillabert

Ivan Miroshnikov