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Guarda do olfato

Nicodemos o Hagiorita — MANUAL DE ACONSELHAMENTO ESPIRITUAL

  1. O terceiro sentido, o olfato, deve ser guardado e mantido puro, evitando deixar-se levar pelas fragrâncias de mirras e perfumes, pois elas enfraquecem o caráter viril da alma, dando-lhe um ar efeminado, e podem incitar a alma à fornicação e a outras licenciosidades morais, uma vez que os assaltos externos aos sentidos provocam tendências e mudanças correspondentes no corpo, e as mudanças no corpo afetam mudanças correspondentes na alma.
  2. O exemplo de Veros, o eparca da Sicília, que se entregava às fragrâncias e, da mesma forma, à licenciosidade, a ponto de nunca querer ficar sem rosas e ter uma rede cheia delas sempre à sua frente para cheirar continuamente, confirma que a busca do prazer olfativo pode levar à escravidão aos prazeres hedônicos, e esse hábito tolo e insensato foi superado por Marco Aurélio, que se banhava em uma piscina de água de rosas e usava mirra preciosa em suas lâmpadas para sentir o prazer do aroma enquanto queimavam.
  3. A tentativa de agradar todos os sentidos através do uso de fragrâncias, adicionando substâncias aromáticas a alimentos, bebidas, roupas e colchões, é uma tolice, pois o corpo vivo é um receptáculo de odores, mas após a morte torna-se alimento para vermes e fede, e, por isso, São Gregório, o Teólogo, advertiu para não deixar o olfato ser efeminado nem honrar o luxo dos perfumes.
  4. O profeta Amós criticou severamente aqueles que se ungiam com os melhores óleos e não se entristeciam com a ruína de José, e o profeta Isaías profetizou que, em vez de perfumes, haveria podridão e vergonha para as filhas altivas de Sião, e, para evitar essa maldição, o grande Santo Arsênio treinou-se para suportar humildemente até mesmo os maus odores, nunca trocando a água em que mergulhava as folhas de tamareira para que se tornasse fétida, como forma de compensar pelos perfumes que desfrutara no mundo.
  5. O Décimo Sexto Cânon do Sétimo Concílio Ecumênico decretou que bispos e clérigos que usam perfumes devem corrigir esse hábito impróprio e, se persistirem, receber penitência, e, para que o corpo seja fragrante e exale odor agradável, recomenda-se não ficar ocioso, mas fazer prostrações e reverências diárias, pois a atividade do corpo gera calor que evapora líquidos desnecessários, tornando-o mais seco, vital e, consequentemente, de odor agradável, conforme a ciência natural e os exemplos do corpo de Alexandre e dos ascetas.
  6. É necessário lembrar-se do mau hábito, presente não apenas entre leigos, mas também entre clérigos e bispos, do uso do tabaco, uma planta descoberta na América do Norte e introduzida na França, e deve-se evitar imitar aqueles que o usam indevidamente, seja fumando ou cheirando, por três razões: é contrário ao modo de vida virtuoso, é impróprio ao alto caráter do sacerdócio e é prejudicial à saúde.
  7. O uso do tabaco é contrário à vida virtuosa porque ultrapassa o limite do comportamento adequado ao causar abominação aos que veem e imaginam o que os usuários fazem, como o ato de assoar o nariz na presença de outros ou o de espirrar como uma trombeta, e a prática de colocar tabaco em pó no nariz provoca espirros violentos que causam alarme, sendo ainda mais abominável fumar em um cachimbo e exalar fumaça pela boca e narinas como uma chaminé fumegante.
  8. Fumar é um hábito impróprio e inconveniente ao caráter espiritual do sacerdócio, pois o hierarca é um tipo de Deus e um ícone de Cristo Jesus, e todos os seus hábitos devem ser cristãos, solenes, que tragam benefícios e não escândalos ao povo, e é escandaloso ver um clérigo com um cachimbo entre os dentes exalando fumaça fétida, quando ele deveria exalar uma fragrância espiritual, como o aroma de Cristo, conforme São Paulo, e por isso no piedoso Reino da Rússia há uma lei que proíbe todos os clérigos e monges de usar tabaco publicamente.
  9. O uso excessivo de tabaco é prejudicial à saúde do corpo, pois muitos usuários crônicos foram encontrados após a morte com os pulmões e o cérebro escurecidos e queimados, e é difícil encontrar um usuário regular que não admita que seu uso é mais um mal do que uma necessidade, e os filósofos morais, sem exceção, condenam o uso regular do tabaco em público como algo abominável e grosseiro.
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