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Atributos da Mente e do Corpo

Nicodemos o Hagiorita — MANUAL DE ACONSELHAMENTO ESPIRITUAL

  1. Deus criou o mundo invisível e o visível, e por último o homem, composto de alma invisível e corpo visível, constituindo-o não como um microcosmos dentro do mundo maior, mas como um macrocosmos, um “mundo maior” dentro do pequeno, devido à posse de faculdades como razão, espírito e vontade, ausentes no mundo visível, sendo também chamado de “grande mundo” em comparação com o mundo angélico, pois contém em si tanto o visível quanto o invisível.

O Corpo É Como um Palácio Real e a Mente como um Rei que Habita Nele

  1. Para melhor compreensão, o corpo é comparado a um palácio real, cujo aposento superior é a cabeça, a câmara interior é o coração, os mensageiros são os pensamentos, as passagens são os nervos e as portas são os cinco sentidos, enquanto a alma, ou mente purificada, é como um rei sustentado pelas faculdades do espírito, da mente e da vontade, encontrando-se em todo o corpo, assim como o fogo está no ferro em brasa, tendo o cérebro como órgão da atividade mental e a razão e a vontade essencialmente no coração, possuindo ainda um mapa, a imaginação, para registrar o que entra pelos sentidos.

A Mente Antes e Depois do Santo Batismo

  1. A mente, por natureza, é luz simples, pura e racional; antes do Batismo, fica obscurecida pelo pecado original, mas depois dele torna-se toda luz, refletindo a luz sobrenatural da graça divina, brilhando mais que os raios do sol, desde que permaneça longe da escuridão do pecado voluntário, conforme interpretação de São João Crisóstomo sobre a transformação na glória do Senhor, embora essa glória inefável permaneça apenas um ou dois dias, sendo extinta pelas preocupações mundanas.

Os Atributos Naturais da Mente e do Corpo. O Corpo é Governado pela Mente

  1. O atributo essencial da mente é ocupar-se com as coisas espirituais, imateriais e imortais, encontrando nisso seu nutriente e prazer, enquanto o atributo natural do corpo é inclinar-se para as coisas corpóreas, materiais e pseudo-boas; embora o corpo seja naturalmente inclinado ao prazer físico, ele é conduzido e controlado pela mente racional, pois a alma racional lidera e governa o corpo e os sentidos, ao contrário da alma irracional, e foi determinado por Deus que o racional domine o irracional, de modo que o corpo não age por desejo sem a obstrução da mente hegemônica.

O Propósito Inicial dos Sentidos

  1. Como a mente está encerrada no corpo como em uma prisão escura, Deus criou os cinco sentidos como aberturas para o mundo exterior, com o propósito de a mente receber, primariamente, nutrição e prazer espiritual, podendo, primeiro, conhecer a criação visível e as Escrituras; segundo, ser guiada pelo pensamento racional à sabedoria e perfeições do Criador discerníveis na criação e na Bíblia; e terceiro, elevar-se ao conhecimento e visão do próprio Deus, conforme atestado por Salomão, São Paulo e São Pedro.

Através da Visão da Criação a Mente se Eleva ao Conhecimento e Amor do Criador

  1. Ao olhar para o céu, a imagem é impressa na retina e transmitida pelo nervo ao cérebro, despertando a mente para ver o céu; então, exercendo o pensamento racional, maravilha-se com seus atributos e, neles, vê a sabedoria, o poder e a beleza do Criador, raciocinando que, se o céu criado é tão belo e luminoso, muito mais belo e luminoso é o seu Criador, elevando-se assim ao conhecimento de Deus e excitando o coração e a vontade para amá-Lo, conforme ensinaram São Basílio e Teodoro de Jerusalém, que consideram a meditação sobre a natureza dos seres criados como purificadora e reveladora do que está além da beleza.

A Mente Pode se Elevar através das Sagradas Escrituras para Conhecer e Amar Aquele que Falou as Escrituras

  1. Ao ouvir palavras da Escritura, a vibração do ar atinge o ouvido e o tímpano, movendo o nervo acústico e despertando a mente para ouvir; após isso, a mente distingue a graça, a verdade e a sabedoria da mensagem e, por meditação, conclui que, se as palavras são tão verdadeiras e sábias, muito mais verdadeiro, sábio e gracioso é Deus que as proferiu, elevando-se ao conhecimento de Deus e inflamando a vontade para amá-Lo, funcionando de maneira análoga com os outros sentidos, pois o grau de conhecimento determina o grau de vontade.
  2. Em suma, a mente pode usar todas as coisas criadas e as Escrituras como degraus para ascender do sensível ao racional, dos efeitos às causas, e das imagens aos protótipos originais, pois as coisas visíveis são tipos e imagens das invisíveis, e assim a mente se eleva do criado ao Criador e das Escrituras a quem as falou, cumprindo o propósito para o qual Deus criou os portais dos sentidos: para que a mente seja superintendente da criação visível e iniciada nos mistérios do mundo invisível, vendo o Criador na criação como o sol refletido na água, e para que, através deles, chegue ao seu alimento e deleite racional, sendo este o verdadeiro combate: vigiar para deleitar-se nas coisas espirituais, sem se distrair com a percepção sensorial em si mesma.
  3. É Errado e Antinatural Contemplar a Natureza, Ler as Escrituras e Não se Elevar ao Conhecimento e Amor de Deus
  4. Há aqueles que não usam os sentidos e a meditação sobre a criação e a Escritura para se elevarem ao conhecimento e amor de Deus, mas os utilizam para engrandecimento humano, prazer da beleza corruptível ou outros fins corporais, ou permanecem no nível dos propósitos limitados das criaturas e das Escrituras, negligenciando assim o verdadeiro fim para o qual foram dados.
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