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Demônios
ANTOINE E CLAIRE GUILLAUMONT
- A demonologia ocupa lugar central no Tratado Prático de Evágrio, porque os logismoi e os demônios se encontram tão estreitamente ligados que os dois termos às vezes parecem equivalentes, embora os demônios sejam concebidos como seres pessoais e distintos, dotados de existência e personalidade próprias; por isso, a seção prática da demonologia evagriana descreve concretamente o combate espiritual do monge contra esses adversários.
- A praktiké aparece como luta contra os pensamentos, mas esses pensamentos são apenas os meios utilizados pelos demônios para combater os monges, de modo que a vida ascética é essencialmente um combate contra os demônios, conforme a tradição bíblica e monástica que vê o deserto como domínio demoníaco e entende a retirada do monge para o ermo como confronto direto, corpo a corpo, com inimigos espirituais.
- A tática preferida dos demônios consiste na astúcia, pois eles fingem recuar para observar quais virtudes o monge negligencia e, em seguida, atacam subitamente a alma por meio dos sinais exteriores das afeições interiores, aprendendo por hábito e experiência a decifrar palavras, movimentos corporais e manifestações visíveis que revelam se seus pensamentos foram acolhidos ou rejeitados.
- O monge aprende a combater os demônios por uma observação espiritual das sugestões que eles inspiram, reconhecendo suas tensões, relaxamentos, momentos, sucessões e estratégias, até que, com o progresso na praktiké, passe da experiência empírica à verdadeira ciência do combate, fundada na contemplação dos logoi da guerra espiritual e capaz de desmascarar com prudência as manobras dos adversários.
- Os demônios descritos no Tratado Prático são sobretudo aqueles que se opõem à praktiké e procuram impedir o monge de atingir a impassibilidade, excitando as paixões por meio dos pensamentos que sugerem; por isso, a vigilância sobre os pensamentos e sua expulsão imediata tornam ineficaz a ação demoníaca e conduzem ao estado em que nenhuma paixão é posta em movimento, isto é, à apatheia.
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