Homem
BETTENSON, Henry (ORG.). The early Christian Fathers: a selection from the writings of the Fathers from St Clement of Rome to St Athanasius. Oxford: Oxford University Press, 1996.
(a) A Queda: sem conexão com o sexo
Ele — Júlio Cassiano, gnóstico encratita que atacava o matrimônio — torce a afirmação de Paulo “Temo que, assim como a serpente enganou Eva” etc., para significar que a geração humana surgiu desse engano. Mas o Senhor veio, admitidamente, ao “que se extraviava”, não ao que “se extraviava” de uma esfera superior para o nascimento na terra. Pois a geração é parte da criação do Onipotente, e Ele não degradaria a alma de um estado superior para um pior. Antes, foi a nós, que nos havíamos extraviado em nossas mentes, que o Salvador veio, mentes que tinham sido corrompidas porque, por nosso amor ao prazer, desobedecemos aos mandamentos. Pode ser que o primeiro homem criado tenha antecipado nosso tempo e, antes do tempo da graça do matrimônio, tenha desejado e pecado. Stromateis, III, xiv (94, 1)
(b) Ausência de poluição herdada
Digam eles onde a criança recém-nascida cometeu fornicação, ou como pode ter caído sob a maldição de Adão aquilo que ainda não realizou nenhuma ação. Deveriam logicamente prosseguir e dizer que não apenas o nascimento do corpo é mau, mas também o da alma da qual o corpo depende. Quando David diz: “Fui concebido em pecados, e em iniquidade minha mãe me gerou”, refere-se profeticamente a Eva como sua mãe. Mas Eva era “a mãe de todos os viventes”, e, se ele foi concebido em pecado nesse sentido, ainda assim ele próprio não está em pecado, nem é ele próprio pecado. Stromateis, III, xvi (100, 5)
(c) O pecado devido à ignorância
Está em nosso poder crer e obedecer, mas pode-se tomar como causa do mal a fraqueza da matéria, o impulso involuntário da ignorância e as compulsões irracionais que surgem da falta de conhecimento. O gnóstico se eleva acima delas. Ibid. VII, iii (16)
(d) Pecado e responsabilidade
A ação involuntária não é julgada, quer se deva à ignorância, quer à compulsão. Ibid. I, xiv (60)
As ações que não resultam do livre-arbítrio não são imputadas. Ibid. II, xv (66)
