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Deus Pai

BETTENSON, Henry (ORG.). The early Christian Fathers: a selection from the writings of the Fathers from St Clement of Rome to St Athanasius. Oxford: Oxford University Press, 1996.

Infinito e inexprimível. Apreendido pela graça e pela revelação

Já que a primeira causa de qualquer coisa é extremamente difícil de descobrir, a causa originária e suprema é difícil de descrever — a causa que é a razão do vir a ser e da permanência na existência de todas as coisas. Pois como se poderia falar daquilo que não é gênero, diferença, espécie, indivíduo, número, acidente, sujeito de acidente? Não se poderia descrevê-lo corretamente como o Todo, pois todo é termo aplicado à extensão espacial, e Ele é o Pai do universo inteiro. Tampouco se pode falar dele como tendo partes; pois o Uno é indivisível e, portanto, infinito, não no sentido de ser inesgotável para o pensamento, mas no de ser sem dimensão ou limite. Assim, a divindade é sem forma e sem nome. Embora se lhe atribuam nomes, estes não devem ser tomados em sentido estrito; quando o chamamos Uno, Bem, Mente, Existência, Pai, Deus, Criador, Senhor, não lhe conferimos um nome. Incapazes de fazer mais, usam-se essas denominações de honra, a fim de que o pensamento tenha algo em que repousar e não vague ao acaso.

Essas denominações, tomadas isoladamente, não exprimem o ser de Deus, mas, coletivamente, indicam o poder do Onipotente. As descrições derivam ou das qualidades das coisas, ou de suas relações com outras coisas; nenhuma dessas duas modalidades é aplicável a Deus. Ele não pode ser compreendido pelo conhecimento, que se funda em verdades previamente conhecidas, ao passo que nada pode preceder aquilo que existe por si mesmo. Resta que o Desconhecido seja apreendido pela graça divina e pela Palavra que dele procede… Stromateis, V, xii (82, 4)

Deus é indemonstrável e, portanto, não é objeto de conhecimento. Mas o Filho é Sabedoria, Conhecimento e Verdade, e tudo o que é afim a essas realidades, e admite demonstração e explicação. Todos os poderes do Espírito, isto é, da natureza divina, reunidos na unidade, completam a noção do Filho; mas ele não é completamente expresso por nossa concepção de cada um de seus poderes. Ele não é simplesmente Uno, como unidade, nem Muitos, como se tivesse partes, mas Uno como Tudo. Por isso, ele é Tudo. Pois é o círculo de todos os poderes, que nele são arredondados e unidos. Ibid. IV, xxv (156, 1)

Deus é uno, e além do uno, e acima da própria Mônada. Portanto, o pronome Tu é enfático e indica o único Deus realmente existente, que é, era e será; pois essas três divisões do tempo estão incluídas no nome EU SOU… A bondade de Deus é apreendida a partir de seu caráter de Pai… Seu atributo de justiça deriva da relação mútua do Pai e do Filho — sua Palavra —, que está no Pai. Paedagogus, I, viii (71)

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