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ISAQUE o Sírio — Tratados Místicos
Traduzidos para o inglês por A. J. Wensinck, publicada em 1923
XXVIII UMA DEMONSTRAÇÃO SIMBÓLICA SOBRE A TEORIA DO SÁBADO E DO DOMINGO
O domingo é o símbolo do verdadeiro conhecimento, que não é recebido pela carne e pelo sangue e que representa uma elevação acima da (mera) opinião. Neste mundo, porém, não existe um oitavo dia; mas também não existe um verdadeiro sábado. O fato de Deus ter descansado no sétimo dia é um símbolo do descanso de nossa natureza em relação ao curso desta vida. Pois a sepultura também é de natureza corporal; ela pertence a este mundo. Seis dias são cumpridos a serviço da vida; o sétimo é cumprido na sepultura; o oitavo, ao partir dela. Assim como aqueles que são dignos recebem neste mundo os mistérios do domingo simbolicamente — eles não recebem o dia enquanto estiverem em sua natureza corporal —, assim
203 aqueles que são dignos recebem neste mundo os mistérios do sábado simbolicamente, não o verdadeiro sábado, que é o descanso perfeito das influências perversas. Deus nos concedeu provar uma indicação misteriosa de todas as coisas, mas não decretou que devemos caminhar aqui em comunhão com a verdade real. Pois o sábado real, e não o simbólico, ocorrerá no túmulo, ou seja, o descanso que põe fim aos tormentos dos afetos e ao esforço contra eles. O homem inteiro dá ali descanso ao corpo juntamente com a alma.
Em seis dias, Deus estabeleceu a existência deste mundo e criou os elementos{NOTA DE RODAPÉ()}, bem como os planetas e os signos do zodíaco{NOTA DE RODAPÉ/}, e ligou sua existência à administração de um movimento que nunca repousa, ordenando que eles não descansassem de seu curso antes de sua dissolução. E a partir da força destes, ou seja, dos elementos primitivos, Ele compôs nosso corpo. Ele não concedeu a eles descanso de seus movimentos; nem concedeu ao nosso corpo, sua descendência, descanso do serviço. Como termo de nossa natureza, Ele estabeleceu o descanso, quando seguiremos nossos primeiros antepassados, descanso que consiste na dissolução da vida. Assim, Ele disse a Adão: “Com o suor do teu rosto comerás o pão”. Até quando? Até que retornes ao pó, pois dele foste tirado. Trabalharás a terra, e ela te produzirá espinhos e cardos. Isso denota simbolicamente que este mundo é um mundo de serviço enquanto existir.
Nosso Senhor, desde a noite em que suou, transformou esse suor causado pelo trabalho na terra — que produz espinhos e cardos — no suor que também brota durante a oração e que o homem deve produzir a serviço da justiça. Por cinco mil anos, Ele deixou o homem trabalhar com seu suor, pois o caminho dos santos ainda não havia sido revelado, como diz o Apóstolo. Ele apareceu, porém, com Sua graça nos últimos dias e ordenou que nosso livre arbítrio substituísse o suor pelo suor. De qualquer forma, essa mudança não indica que Ele tenha ordenado o descanso. Mas Ele foi misericordioso conosco por causa de nosso longo e cansativo trabalho na terra. Se, no entanto, desistirmos de suar por esse (serviço espiritual), colheremos necessariamente espinhos; pois desistir disso significa servir à terra material, que produz espinhos e cardos de acordo com sua natureza. Na realidade, os espinhos são os afetos que crescem em nós a partir da semente corporal. Assim como portamos a imagem de Adão, também portamos necessariamente seus afetos. A terra não tem a liberdade de deixar de produzir —, pois ela produz em virtude de sua natureza. A terra é nossa parente, conforme o testemunho de Deus para conosco: “o pó do qual foste tirado”; uma (produz) espinhos; a outra, a terra racional, afetos.
Se agora nosso Senhor tem sido um exemplo simbólico para nós em todos os aspectos, ou seja, em todas as suas diferentes ações — pois até a nona hora da sexta-feira Ele não descansou do trabalho, nem mesmo do trabalho árduo que simbolicamente representa toda a nossa vida; o sábado Ele esperou somente no túmulo — onde, então, estão aqueles que fingem que há um sábado neste mundo, ou seja, descanso dos afetos? Quanto ao domingo, porém, é difícil falar. Nosso sábado é o dia do túmulo. Na realidade, nossa natureza descansa ali. Assim, todos os dias é necessário erradicar os espinhos desta terra enquanto ela existir. Pois o serviço constante faz com que as ervas daninhas diminuam. Mas, mesmo assim, a terra não se torna totalmente pura. Se você relaxar, mesmo que por pouco tempo, nesse aspecto, as ervas daninhas crescerão e cobrirão a superfície da terra, sufocando sua semente e seu trabalho anterior, como se ele nunca tivesse existido. Portanto, é necessário purificar todos os dias; pois uma pausa nesse trabalho produz uma multidão de ervas daninhas.
