Trabalhadores da Vinha
Antonio Orbe: Parábolas Evangélicas em São Irineu
A tradição exegética de Hipólito deve ter sido análoga às de Tertuliano e Clemente. Ele escreve nas Bênçãos de Moisés:
«(Moisés) uniu (em sua bênção) Zabulão e Issacar a fim de justificar de forma tangível os dois chamados à saída em direção a Cristo. E Zabulon é chamado de ‘Dom gracioso’, e Issacar de ‘salário’ (mistos). E aqueles que trabalharam bem (na) vinha receberão de Deus, como dom gratuito e ‘salário’, a Vida Eterna. Conforme, por outro lado, disse (Mt 20,8): ‘Dá-lhes o salário, começando pelos últimos até os primeiros’”.
A saída tem seu mistério. Conforme explica o próprio Hipólito, ela indica o êxodo em santidade deste mundo. Àqueles que saem da vida presente, depois de terem trabalhado bem na vinha, espera-os na carne (com a esperança da ressurreição) a vida eterna.
Hipólito não se detém em outras considerações. Seu testemunho corrobora a antiguidade da exegese denário = vida eterna. E tem o mérito de tê-la relacionado com a ressurreição carnal, apontando o perfil denário = vida eterna segundo a carne.
