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Cristo

ROQUES, René. L’ Univers dionysien: structure hiérarchique du monde selon le Pseudo-Denys. Paris: Éditions du Cerf, 1983.

  1. A cristologia dionisiana exige exame próprio porque a doutrina das hierarquias só pode ser compreendida adequadamente após o esclarecimento do lugar e do papel de Cristo.
  2. A cristologia de Dionísio deve ser examinada quanto a seu fundamento, sua formulação e as razões de sua expressão doutrinal.
  3. A doutrina cristológica de Dionísio aparece substancialmente ortodoxa ao afirmar Cristo como Deus e homem, dotado dos atributos divinos de causalidade, bondade, providência, salvação, conhecimento, paz, luz, chefia, modelo, santificação e recompensa.
  4. O Verbo não é apenas Deus, pois também se encarnou e assumiu integralmente a condição humana, de modo que a vida e a atividade de Cristo possuem simultaneamente caráter humano e divino.
  5. A clareza fundamental dos textos dionisianos permite reconhecer em Cristo os atributos da divindade e, exceto o pecado, os atributos da humanidade, embora a sistematização doutrinal dependa de uma análise terminológica rigorosa.
  6. O termo hipóstase designa sobretudo as pessoas divinas e, embora possa aplicar-se aos seres criados como essência, substância ou existência, Dionísio nunca formula uma hipóstase humana do Verbo encarnado.
  7. A encarnação é apresentada como vinda real do Verbo à essência e à natureza humanas, entrada efetiva na condição humana e realização da humanidade segundo a plenitude da essência humana.
  8. O mistério da encarnação conserva a unidade do Verbo ao afirmar que a natureza divina assume a condição humana sem alteração, divisão ou perda de sua superioridade em relação a toda natureza criada.
  9. A unidade rigorosa de Cristo aparece nas denominações dionisianas, pois a comunicação dos atributos impede a separação real entre Jesus e o Verbo e preserva a simplicidade divina do Salvador.
  10. A conclusão da Carta IV concentra a cristologia dionisiana ao afirmar que Jesus não realizou as ações divinas simplesmente como Deus nem as ações humanas simplesmente como homem, mas como Deus feito homem em uma atividade teândrica nova.
  11. A atividade teândrica do Verbo encarnado não constitui compromisso entre divino e humano, mas modo novo de agir próprio de Deus feito homem, sem divisão da pessoa de Cristo.
  12. A unidade de Cristo não exclui composição, pois a divindade assume a humanidade e torna Jesus, que é simples, um ser composto sem que Dionísio aplique tecnicamente a Cristo a linguagem severiana da composição.
  13. A cristologia de Dionísio não desenvolve uma doutrina psicológica ou antropológica da humanidade de Cristo, pois seu interesse permanece concentrado na pessoa divina do Verbo e na encarnação integral e verdadeira.
  14. A unidade de Cristo permanece para Dionísio um mistério inacessível à explicação racional, próprio de revelação e não de análise conceitual.
  15. O Verbo assume a totalidade da essência humana sem coexistência separada com a essência divina, e a atividade humano-divina de Cristo permanece simples, una, indivisa e inalterada.
  16. A questão do monofisismo de Dionísio permanece obscura porque seus escritos não reproduzem de modo claro nem as fórmulas de Calcedônia nem as fórmulas características do monofisismo severiano.
  17. A dificuldade cristológica de Dionísio parece mais verbal que real, pois a recusa de dois sujeitos concretos em Cristo convive com a atribuição integral dos elementos humanos ao Salvador.
  18. A terminologia dionisiana evita classificações doutrinais rígidas e até a linguagem de Cirilo sobre a Mãe de Deus, de modo que certas expressões parecem guiadas mais pela piedade e pela edificação que por uma intenção dogmática precisa.
  19. A letra dos escritos dionisianos não autoriza acusação de monofisismo nem mesmo verbal, pois sua cristologia não se sistematiza contra Calcedônia e permanece substancialmente compatível com uma compreensão ortodoxa da união em Cristo.
  20. A cristologia de Dionísio recebe explicação parcial das influências neoplatônicas, sobretudo pela concepção da encarnação do Verbo segundo esquemas análogos à processão do múltiplo a partir do Uno.
  21. Os temas neoplatônicos de difusão do Bem, distinção do Uno e retorno ao princípio distinguem Dionísio dos Padres da Igreja, embora nele sejam retrabalhados dentro da dialética cristã de expansão e conversão.
  22. A apresentação dionisiana da encarnação não deforma substancialmente o mistério cristão, mas o recoloca em esquemas neoplatônicos sem perder a referência à queda original e à redenção da humanidade pecadora.
  23. A cristologia dionisiana é substancialmente ortodoxa porque afirma Cristo plenamente Deus e plenamente homem, preserva a unidade pessoal do Verbo e não merece propriamente o título de monofisita, embora deixe pouco desenvolvido o elemento humano da encarnação.
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