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Sacerdócio 3

João Crisóstomo, Sacerdócio Livro III

  1. Como Crisóstomo argumenta que sua recusa ao sacerdócio não foi por arrogância, demonstrando que, se fosse um cargo menor como general ou rei, sua atitude poderia ser questionada, mas, sendo o sacerdócio superior a um reino, ninguém deveria acusá-lo de desdém, pois seria insano desprezar algo pequeno, mas não algo grandioso.
  2. A defesa de Crisóstomo de que, se buscasse glória, teria aceitido o cargo, já que isso lhe traria fama por sua juventude e rápida ascensão, mas, ao recusar, poucos sabem da verdade, e muitos pensam que ele foi rejeitado, o que afasta qualquer acusação de vaidade.
  3. A observação de Basílio de que os que sabem da verdade se admirarão, e Crisóstomo rebate que esses mesmos o acusam falsamente, questionando de onde viria o elogio, já que a maioria ignora os fatos e a minoria os distorce, mas mesmo que todos soubessem, não deveriam condená-lo por orgulho, sob risco de grande perigo.
  4. A descrição da majestade do sacerdócio, instituído pelo próprio Paráclito, que faz os homens representarem o ministério dos anjos na terra, superando em glória as antigas práticas da lei, pois o sacerdote oferece o Senhor sacrificado, invoca o Espírito Santo em vez de fogo, e realiza mistérios tão aterrorizantes que só um louco os desprezaria.
  5. A autoridade divina concedida aos sacerdotes, superior à dos anjos e arcanjos, pois eles ligam e desligam almas no céu, perdoam pecados e administram coisas celestiais na terra, sendo que sem eles ninguém pode obter a salvação, o batismo ou a vida eterna, escapando do fogo do inferno.
  6. A comparação entre pais naturais e sacerdotes, mostrando que estes últimos geram para Deus através do batismo, perdoam pecados não apenas após a regeneração mas também por meio da oração dos presbíteros, e reconciliam com Deus quando sua ira está acesa, de modo que desprezá-los é pior do que a rebelião de Datã.
  7. A referência a Paulo, que, apesar de sua santidade e visões celestiais, temia e tremia pelo governo espiritual, desejando até ser anátema por seus irmãos, e conclui que, se um militar, artesão ou capitão de navio fugisse de um cargo perigoso, ninguém o culparia, mas sim a quem o aceitasse sem competência, como no caso do sacerdócio.
  8. O pedido de Crisóstomo para não ser condenado, pois conhece sua alma fraca e a magnitude do ministério, cujas tempestades são mais violentas que as do mar.
  9. A descrição do rochedo da vaidade, mais perigoso que o das sereias, onde habitam feras como a ira, a inveja, a hipocrisia, o desejo de honra e a bajulação, que escravizam o sacerdote a ponto de agradar mulheres, as quais, excluídas do ministério por Deus, dominam a nomeação e deposição de padres, invertendo a ordem.
  10. A alegação de que nem todos os sacerdotes são culpados desses males, pois muitos são superiores, e a culpa não é do sacerdócio em si, mas dos que o manejam mal, escolhendo homens indignos e inexperientes, o que gera os problemas nas igrejas, sendo que Deus preservou Crisóstomo ao mantê-lo na posição de pés, pois ele não cobiça o cargo e sabe que o apego a ele leva a maiores pecados.
  11. A distinção entre desejar a obra do episcopado, que é boa segundo Paulo, e desejar a autoridade e o poder, que é terrível, pois quem não deseja o poder não teme ser deposto e age com liberdade, enquanto o medo da deposição causa amarga servidão; assim, deve-se extirpar qualquer faísca desse desejo, e Crisóstomo confessa tê-lo em alto grau, o que o levou a fugir.
  12. A admissão de Crisóstomo de que é lento e frouxo, incapaz de cuidar de uma multidão, pois, embora jejuns e vigílias sirvam para quem vive só, para um sacerdote dividido entre muitos é necessária uma alma robusta e vigorosa, qualidades que ele não possui.
  13. A observação de que suportar insultos e zombarias é mais difícil do que privações físicas, e a ira descontrolada causa grandes desastres, sendo que o sacerdote deve evitar essa paixão, pois enquanto falhar em jejum não há ameaça divina, mas a ira sem causa leva ao inferno.
  14. A explicação de que a ira obscurece a razão, destrói os prudentes e tiraniza a alma, tornando o homem arrogante e inimigo irracional, de modo que Crisóstomo, que alcançou a tranquilidade pelo amor ao retiro, não deve ser lançado no abismo dos cuidados pastorais, onde seu defeito se tornaria público e prejudicaria muitos.
  15. A descrição das divisões e intrigas nas eleições eclesiásticas, onde os eleitores escolhem por parentesco, riqueza ou bajulação, não por mérito, e os sacerdotes são assediados por acusações, sendo que Crisóstomo pergunta se o enviariam a tamanha guerra, pois confia mais em seu próprio julgamento sobre suas forças do que no alheio.
  16. A advertência de que nem a piedade nem a idade avançada bastam para qualificar um sacerdote, pois muitos monges, quando entram na vida pública, fracassam ou abandonam a ascese, e a eleição de homens maus ou inúteis, expulsando os capazes, provoca a ira de Deus, sendo que a inveja é a raiz de todos esses males.
  17. A exigência de que o bispo seja digno, formidável, gentil, forte, imparcial e hábil para resistir às tempestades e administrar a igreja, mas Crisóstomo ainda não enumerou todas as razões de sua recusa, incluindo o cuidado com viúvas, virgens, doentes, estranhos e o ofício judicial, cada qual com suas ansiedades e perigos.
  18. O cuidado com virgens, que é ainda mais difícil, pois elas buscam a vida angelical e precisam de proteção contra o inimigo, sendo impossível ao pai natural guardá-las como o bispo deve fazer, enfrentando acusações e o risco de causar dano espiritual se algo der errado.
  19. O ofício judicial do bispo, que envolve perda de tempo, dificuldades e perigo, pois os fracos, ao não obterem patrocínio, podem naufragar na fé, e as visitas, o modo de falar e até o uso dos olhos são rigorosamente criticados, gerando desânimo.
  20. A angústia ao ter que cortar alguém da comunhão, com medo de que a tristeza excessiva o devore, exigindo precisão máxima, pois o médico que aplica mal o remédio responde pelos pecados posteriores do doente, e como os bispos devem dar conta das almas, essas considerações provam que Crisóstomo fugiu por medo e pelo peso do ofício, não por orgulho ou vaidade.
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