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CALLISTO PATRIARCA – SOBRE A ORAÇÃO
- O tocador de alaúde oferece um modelo de imitação para quem busca a verdade, pois inclina a cabeça, escuta atentamente o canto e tange as cordas com o plectro, saltando de alegria (halletai) ante a doçura da melodia produzida.
- Um exemplo claro se oferece ao trabalhador diligente da vinha, advertindo contra a incredulidade, pois a alma inteiramente capturada (halousa) pelo eros divino não pode voltar atrás.
- Davi diz: minha alma se apegou a Ti (Sl 62:9)
- O alaúde representa o coração, as cordas os sentidos e o plectro o intelecto (dianoia), que move constantemente o plectro através da razão (to logikon), gerando lembrança constante de Deus e prazer inefável na alma.
- O fechamento dos sentidos do corpo é condição para que brote a fonte de água viva concedida à samaritana, comparável à terra que naturalmente contém água pronta a manar (hallomenon kai pegazon), luz que Adão possuía antes da desobediência.
- a mulher buscava água sensível, mas encontrou em si mesma a água da vida (Jo 4:14)
- A água viva e manante brota perpetuamente da alma, assim como residia na alma de Ignácio o Teóforo, que afirmou não haver em si fogo de amor pelas coisas materiais (philoylon), mas água ativa e que fala.
- citação de Ignácio: não há em mim fogo de amor pelas coisas materiais, mas água ativa e que fala
- A vigilância noética da alma, três vezes bendita, é comparada à água que brota das profundezas do coração, fazendo o homem interior transbordar de orvalho e espírito divino, e tornando o homem exterior fogoso em aparência.
- O intelecto purificado das coisas externas e que subjugou os sentidos pela virtude prática permanece imóvel como o eixo celeste, direcionando sua visão à profundidade do coração como a um centro e extraindo percepções divinas (noemata).
- Aos não iniciados (amyetos) ou aos que ainda precisam de leite (1Co 3:2) não é permitido tocar nestas coisas antes do tempo devido, segundo o juízo dos Santos Padres sobre a confusão que isso gera.
- comparação: é impossível a quem não sabe ler estudar livros
- Aquilo que é movido na alma pelo Espírito Santo em decorrência da luta espiritual aquieta o coração e clama Aba, Pai (Gl 4:6), não tendo figura nem forma (aschematiston e amorphon), mas transfigurando (metaschematizei) e formando (morphopoiei) o homem pela glória e pela chama do Espírito divino.
- O intelecto purificado pela vigilância escurece facilmente se não se desvincular completamente das coisas externas pela lembrança constante de Jesus, enquanto aquele que uniu prática e contemplação já não precisa repelir distrações, pois é ferido pelo eros divino de Cristo.
- referência ao Cântico dos Cânticos: a alma segue Cristo como seu Amado (Ct 5:8)
- Aquietar (stesai) as paixões e impulsos da carne, ou mesmo praticar a quietude (scholazein) com a razão, é possível para os que vivem no mundo, mas apenas a vida solitária pode erradicá-las por completo.
- Salmo 45:11: aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus
- O fluxo da água apresenta correntes rápidas que dificilmente se turvam e correntes lentas que estagnam e exigem repurificação.
- O diabo ataca os principiantes (eisagogikois) com sons distintos ou indistintos, mas aos que se dedicam à contemplação projeta formas imaginárias (eidolopoiei), pintando o ar como luz ou fogo para enganar o atleta de Cristo.
- O objetivo da atenção e da oração revela-se na compunção incessante, no coração contrito e no amor ao próximo, sendo seus opostos os pensamentos de desejo, a maledicência e o ódio ao próximo.
O Paraíso descrito na Escritura é uma Imagem do Homem
- As coisas visíveis são imagens (eikones) das coisas invisíveis do homem, de modo que o jardim do Éden plantado por Deus no Oriente representa o homem interior, sendo o coração a terra e as plantas as contemplações e percepções divinas que ali são livremente (boulomenos) plantadas pelo intelecto criado à imagem de Deus.
- referência a Gênesis 2:8 e Gênesis 1:27
- o Sol noético ilumina o Paraíso interior assim como o sol sensível ilumina o Éden sensível
- uma fonte no meio do jardim divide-se em quatro rios principais (eis archas tettaras), regando toda a face da terra, conforme Gênesis 2:6-10
- A fonte única que rega o jardim, sendo de natureza diversa das plantas e do solo, é suficiente para irrigar plantas de composições (kraseos) opostas entre si, assim como o Espírito Vivificante, sendo Uno e Único (monoeides), distribui-se nas quatro virtudes cardeais sem ser da mesma natureza das atividades humanas.
- João 4:14: a água que Eu lhe der se tornará nele uma fonte de água
- as quatro virtudes cardeais são prudência, temperança, justiça e coragem (archas tettaras)
- Romanos 5:5: o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado
- Isaías 11:2 numera o espírito de sabedoria entre as sete energias do Espírito
- 1Pedro 4:8: o amor cobre uma multiplicidade de pecados
- Elias mata sacerdotes vergonhosos pela espada (3Rs 18:40) e Fineias mata uma midianita e um israelita com lança (Nm 25:8), exemplos do espírito de zelo
- Gálatas 5:22: a alegria é fruto do Espírito
- Romanos 11:8: Deus dá a alguns um espírito de contrição
- a Escritura chama o Espírito tanto de fogo quanto de água, e também de fonte e de rios
- A rocha ferida (plegeisan) por Moisés com a vara, da qual brotaram águas supernaturalmente (pegasasan), representa o coração de pedra endurecido pela obstinação que, ao ser tocado por Deus no momento certo (kairios plexe kai katanyxe) com a Palavra em vez da vara, torna-se contrito e deixa brotar livremente o poder do Espírito.
- referência a Êxodo 17:1-7
- a rocha, transportada numa única carroça (amaxa), produziu água suficiente para incontáveis carroças
- A capacidade do coração de receber um fluxo constante e ilimitado do Espírito Santo permanece um mistério, pois o Espírito sopra onde quer e ninguém sabe de onde vem nem para onde vai.
- João 3:8: o Espírito sopra onde quer, e ouves o som dele, mas não sabes de onde vem nem para onde vai (referência a auvtaletheia, a Verdade-em-si-mesma)
- O homem recebeu o privilégio de plantar em si mesmo um paraíso divino à imitação de Deus (theomimetos), reunindo em si as visões e percepções divinas já mencionadas e os ensinamentos teológicos (theologemata), de modo a persuadir Deus pela oração adequada a fazer brotar rios de água viva do coração.
- João 7:38: aquele que crê em Mim, do seu interior fluirão rios de água viva
- João 7:39: o Discípulo Amado explica que isto se referia ao Espírito que os crentes receberiam
Sobre os dons espirituais
- Os dons e graças concedidos por Deus à humanidade superam os dados ao primeiro Adão, a quem foi soprado o fôlego de vida (pnoen zoes), a graça do Espírito Vivificante (zoopoiou Pneumatos), tornando-o uma alma vivente, e não apenas uma alma.
- Gênesis 2:7: o homem se tornou uma alma vivente
- sem o Espírito de Deus, a forma divina (to theoeides) se perde e o homem torna-se semelhante aos animais
- João 15:5: sem Mim nada podeis fazer
- pela presença desse fôlego, Adão recebia glória e brilho divino (theoeikelon eukleian), discernimento (dioratikos) e profecia, sendo um segundo deus pela graça, até que a desobediência fez o Espírito fugir e Adão se tornasse semelhante aos animais irracionais
- Salmo 48:13: tornou-se semelhante a eles
- A compaixão de Deus enviou o Verbo, que traz consigo o Espírito Santo, e todos os que recebem o Verbo pela fé recebem simultaneamente o Espírito de Deus, não apenas externamente como Adão ou os discípulos quando Cristo soprou sobre eles, mas invisível e repentinamente, como um sopro de vento (pnoe).
- Salmo 106:20: Deus enviou Sua Palavra para nos curar
- Salmo 42:3: enviai Vossa luz e Vossa verdade, elas me guiarão ao Vosso monte santo
- Atos 2:2: como um sopro de vento (pnoe)
- João 20:22: Cristo soprou sobre os discípulos
- pela participação no Espírito, o intelecto contempla a união hipostática das naturezas divina e humana e a efusão do Espírito Santo, dons que Adão não viu, conforme 2Pedro 1:4, tornando-se filho adotivo de Deus (Theou thetos)
Sobre a energia divina e humana, e sobre a paz
- A energia natural humana, dependente do impulso (horme) da alma e da vontade (thelesis), não consegue por si só extinguir o apetite (epithymia) e a irascibilidade (thymikon), enquanto a energia supernatural do Espírito Santo no coração opera independentemente da vontade do homem, tornando inativa a parte passível (to pathetikon) da alma e enchendo o intelecto de alegria (euthymein) e vida.
- Gálatas 5:22: amor, alegria, paz, paciência, bondade e generosidade são frutos do Espírito
- o espírito de ilusão e falsidade, por contraste, agita a alma e não produz amor, alegria ou paz
- Sob a graça, a alma contempla a Deus em paz, tranquilidade e impassibilidade (apatheia), alcançando o conhecimento da beleza inefável e deslumbrante (oraiotes) divina, regozijando-se de modo indizível num Pai infinito e incompreensível que já desde o presente se torna sua herança.
- A admiração se volta à luz alegre dessa paz maravilhosa, perguntando-se como o homem ainda vive para si mesmo e não para Aquele que o tocou de modo inefável em Sua bondade infinita.
- 2Coríntios 5:15: viver não mais para si mesmo
- a mulher que tocou apenas a borda do manto de Cristo foi curada de uma enfermidade grave (Mt 9:21-22)
- Pedro teve a febre de sua sogra extinta ao toque de Cristo, levantando-se para servi-Lo (Mc 1:30-31)
- A glória pertence Àquele que glorifica os humildes tornando-os ainda mais humildes, pois Ele afirma estar enraizado num povo glorificado, elevando-Se como um cedro do Líbano e estendendo Seus ramos como um terebinto.
- Eclesiástico 24:12-13: como um cedro no Líbano fui elevado (hypsothen)
- Eclesiástico 24:16: meus ramos são ramos de glória e graça
- Cântico dos Cânticos 2:3: a alma senta-se à sombra Dele e prova a doçura de Seu fruto
- 2Coríntios 2:16: Paulo torna-se para alguns o aroma da morte e para outros o aroma da vida
- Mateus 5:8: os puros de coração verão a Deus
- a doçura e a glória divinas se manifestam apenas aos que possuem sentidos noéticos (aistheseis noerai) e praticam a quietude
- a fuga do mundo, a reclusão e a quietude criam espaço para a compaixão divina habitar na alma, gerando frutos como amor, alegria, paz, longanimidade, bondade e mansidão (Gl 5:22)
Sobre a vida contemplativa, e o que o contemplativo necessita; a oração é um aspecto da contemplação; os Padres contam a contemplação como oração
- A vida contemplativa e a oração sagrada são companheiras inseparáveis, dois brotos divinamente favorecidos (theocharitotoi) e deificantes (theopoioi) da parte noética da alma, unidos sob o termo único de prática (praxis) e contemplação (theoria) do intelecto.
- Isaac afirma que a ação do intelecto consiste no refinamento, na meditação contínua sobre Deus e na oração incessante, ocorrendo na parte desiderativa (epithymetikon) da alma, sendo chamada contemplação
- Máximos afirma que o intelecto não pode ser purificado sem a contemplação de Deus e a comunhão (homilias) com Ele na oração
- Máximos também afirma que o afastamento do mundo, a contemplação e a oração diminuem e depois eliminam o desejo
- Máximos acrescenta que a parte racional da alma se move propriamente quando atraída a Deus pela contemplação espiritual e pela oração
- Máximos exorta a dar alas à parte racional da alma pela leitura, contemplação e oração
- O intelecto que ora sem a faculdade contemplativa é chamado pelos Padres de ave sem alas (ornis apteros), pois não consegue ascender plenamente a Deus nem abandonar as coisas terrenas.
- Máximos: a contemplação purifica o intelecto, enquanto o estado perfeito da oração o apresenta despido diante de Deus
- o intelecto se torna puro pela revelação dos mistérios, sendo a pureza a perfeição no retorno (en te anastrophe) da contemplação celestial
Sobre o versículo, Deus é Espírito, e os que O adoram devem adorá-Lo em espírito e verdade (Jo 4:24)
- A fórmula no plural, aqueles que O adoram, é adequada Àquele que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade, preparando muitas moradas para serem gozadas de modo variado, segundo a condição (hexis) e o livre-arbítrio (proairesis) de cada um.
- 1Timóteo 2:4: Deus deseja que todos os homens sejam salvos
- João 14:2: muitas moradas
- Isaías 9:5-6: o Mensageiro do Grande Conselho
- A fé é espírito, pois fala claramente sobre Deus e as realidades divinas e invisíveis, sendo este o fundamento pelo qual até o iletrado que segue os mandamentos e os mestres experientes adora a Deus em espírito e verdade.
- João 6:63: as palavras que Eu vos falo são espírito e são vida
- Aquele ocupado com o conhecimento da criação e da Escritura procede do visível e verbal ao noético, da carne ao Espírito, e ascende diretamente ao que está acima do intelecto e da verdade, até Deus, adorando assim em espírito e verdade.
- Os que cantam e oram, atentando ao sentido das palavras, e o que vê a Deus de modo concentrado pela luz do conhecimento, e ainda quem reflete em si a luz da glória e da economia de Cristo experimentando a efusão do Espírito Santo do Pai, adoram a Deus em espírito e verdade de modo cada vez mais sublime.
Sobre a oração
- Deus ensina o conhecimento ao homem (Sl 93:10) concedendo a oração por inspiração do Espírito, que sopra sem cessar e manifestamente, tornando a oração um espelho puro pelo qual o intelecto percebe seu desvio, sua errância, seu cativeiro, sua negligência e seu engano, mas também o ar da pureza, o esplendor da contemplação e a chama ardente do eros divino.
- 1Reis 2:9 (referência ao sopro do Espírito)
- 1Tessalonicenses 5:17: orar sem cessar
- pela oração o intelecto conhece os diferentes estados da alma e a influência das paixões, alcançando o discernimento e a vida monástica experimentada pela disciplina (askesis)
Sobre as coisas necessárias para a oração e como ela é digna de tamanha honra
- A oração sagrada e espiritual não apenas ensina e instrui nas obrigações da virtude, mas também exorta para o bem e confere a força necessária para superar a fraqueza humana, comportando três aspectos cruciais: instrução, exortação e o poder que torna leves os mandamentos difíceis (exeumarizousan).
- Atos 1:8: recebereis poder quando o Espírito Santo descer sobre vós
- João 14:26: o Consolador (parakleton) vos ensinará todas as coisas
- 1Coríntios 12:11: o mesmo Espírito distribui dons diferentes a cada um conforme Sua vontade
- 1Coríntios 12:8-9: os dons do Espírito são distinguidos entre si — sabedoria, conhecimento, profecia, curas
- João 15:5: sem Mim nada podeis fazer
- Mateus 23:7-10: não chameis a ninguém na terra de mestre, pois um só é o vosso Mestre, o Cristo
- João 14:9 (referência ao envio do Consolador para permanecer para sempre)
Sobre a oração
- Quando o intelecto adquire pela graça uma concepção clara de Deus, deve examinar sua própria fraqueza e negligência, e somente depois de se humilhar genuinamente deve aproximar-se de Deus pela oração, com confiança fundada na misericórdia incompreensível divina.
- Hebreus 4:16: aproximar-se do trono da graça com confiança
Sobre o versículo, Deus disse a Abrão, Sai da tua terra (Gn 12:1); sobre a contemplação
- O chamado a Abrão, o migrante (to perate), para deixar sua terra, sua parentela e a casa de seu pai e ir para a terra que Deus lhe mostraria, dirige-se de modo mais sublime ao intelecto que se torna migrante, passando das coisas sensíveis para as inteligíveis.
- Gênesis 12:1: sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai
- Êxodo 33:3: terra que mana leite e mel
- Marcos 10:21: vende tudo o que tens e dá aos pobres, toma a tua cruz e segue-Me
- Salmo 50:14 (referência ao Espírito guia)
- O Espírito de Deus é chamado o dedo de Deus, e a terra que mana leite e mel representa a compreensão de Deus, alcançável apenas pela iluminação do Espírito Vivificante refletido pelo Filho.
- Lucas 11:20: se Eu expulso demônios pelo dedo de Deus
- Mateus 12:28: pelo Espírito de Deus
- Êxodo 8:15: este é o dedo de Deus, dito pelos sábios egípcios
- Deus é a Terra Prometida que os mansos herdarão, e o leite e o mel representam as Luzes primordiais (ta proina phota), os Raios gêmeos: o Filho como mel, cuja encarnação adoça toda a raça humana, e o Espírito Santo como leite, simples em forma, não gerado, mas procedente do Pai.
- Mateus 5:5: os mansos herdarão a terra
- Mateus 18:3 e Lucas 10:21 (referência à entrada no Reino dos Céus como crianças)
- Aquele que, pelo poder e energia da Divindade Tri-hipostática, transporta-se das coisas sensíveis ao esplendor unificado e à contemplação da Santa Trindade torna-se pai e produtor (probolevs) de muitas e inefáveis concepções místicas, como muitas nações.
- 1Coríntios 12:3: nenhum pode dizer que Jesus é Senhor exceto pelo Espírito Santo
- Salmo 35:10: em Tua luz veremos a luz
- 1Coríntios 1:29: para que nenhuma carne se glorie diante de Deus
- Abrão significa migrante, e Abraão significa pai de muitas nações
Sobre a humildade e a contemplação
- A causa da exaltação do intelecto torna-se o motivo último da humildade, pois aquilo que infinitamente exalta a alma é exatamente o que a humilha, sendo o início da contemplação a humildade e a perfeição da humildade a contemplação.
- Isaías 58:5: dobrar o pescoço como um aro
- a contemplação que exalta (hypsopoion theorian) distingue-se da contemplação que os gregos possuíam, que não exaltava
- O intelecto deiforme (theoeides) que desceu é também o que ascendeu, e aquele que ascendeu é também o que desceu, pois quando atinge as coisas mais altas pela graça com humildade, rebaixa-se abaixo de todas as coisas.
- Efésios 4:10 (referência àquele que desceu e ascendeu)
- Salmo 130:1-2: Senhor, meu coração não se exaltaria nem meus olhos se elevariam… se eu não fosse humilde
- Gênesis 18:27: terra e cinzas
Sobre o mesmo
- Ao retornar a Deus com o auxílio da graça, o intelecto é inicialmente possuído por um estado de autoacusação (katechetai katastasei katagnoseos), passando por purificação pela quietude e alcançando uma segunda autoacusação mais abundante e constante, da qual nasce uma humildade mais segura e pura.
- mesmo recebendo bênçãos públicas de todos os homens, o intelecto se veria como inferior a todos, e ainda menos que o nada, pois o que não existe ao menos não peca
- Jeremias 1:8: Eu estou contigo
- Salmo 102:10: Ele não nos tratou segundo as nossas iniquidades nem nos retribuiu segundo os nossos pecados
- Efésios 2:5: pela graça somos salvos
- Efésios 2:13: a unidade da fé
- 1Timóteo 2:4: o entendimento da verdade
Sobre a contemplação
- A criação com suas realidades inteligíveis e a Escritura com suas realidades espirituais testemunham a glória, o reino, a sabedoria, o poder e a magnificência de Deus, mas esse testemunho é pequeno como uma gota no oceano (ek pelagous ranida), pois Deus proveu apenas o necessário por abundância de Sua bondade.
- ao formar Adão, Deus contemplava toda a multiplicidade do gênero humano
- a terra, o céu, o sol, o ar e o mar mantêm entre si a proporção e harmonia dadas por Deus
- Caso o Criador não tivesse limitado a criação apenas ao necessário, mas a tivesse feito segundo Seu próprio poder, sabedoria, glória e magnificência, existiriam mundos infinitos, estranhos, supernaturais e incompreensíveis, cuja glória a alma dificilmente poderia suportar.
- Deus quis fazer uma só obra, o ser humano, como rei de tudo na terra e como outro deus posto sobre as criações divinas, produzindo este mundo fácil e instantaneamente para as necessidades do homem, reservando as realidades mais gloriosas para uma era posterior.
- a alma é derramada na morte no crisol (dia choneias) do túmulo para se tornar um homem novo
- a ordem noética dos anjos foi organizada por um único pensamento de Deus, contendo bênção, glória, sabedoria e poder inconcebíveis
- todo o testemunho da criação e da Escritura, comparado ao poder de Deus, é como uma gota diminuta no mar sem fundo, e ainda assim vale a pena espalhar o intelecto a partir dessa gota até o infinito, unindo-se a Deus em unidade transmundana, à imitação dos anjos, pela energia e graça do Espírito
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