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6ª CENTÚRIA SOBRE TEOLOGIA

Resumo dos parágrafos

  1. A potência inteligente da alma é inventiva e, quando se afasta da relação com a percepção sensível, abandona o cuidado da carne orientado ao prazer e se ocupa voluntariamente das coisas divinas.
  2. A operação natural do intelecto e a operação da percepção sensível se opõem pela diferença extrema de seus objetos, pois uma apreende essências inteligíveis e incorpóreas, enquanto a outra apreende naturezas corpóreas e sensíveis.
  3. A remoção da alma em relação ao que é segundo a natureza constitui o princípio do prazer sensível, pois a alma voltada aos bens naturais não busca realizar o prazer dos sentidos.
  4. Quando a razão domina a percepção sensível na contemplação das coisas visíveis, a carne é privada de prazer natural e sofre por ser submetida à virtude.
  5. Quando o intelecto toma a percepção sensível como potência própria, prende-se às aparências sensíveis e inventa prazeres carnais por não transcender as coisas visíveis.
  6. O intelecto pode precisar de objetos sensíveis intermediários para ascender ao inteligível, mas decai quando se prende às aparências; se corta desde o início essa aparição sensível, contempla as razões espirituais purificadas e alegra a alma.
  7. O prazer da percepção sensível produz tristeza na alma, enquanto o prazer da alma produz tristeza na percepção sensível, de modo que a esperança cristã traz alegria espiritual e penas corporais.
  8. O intelecto deve entristecer-se quanto à carne pelas penas das tentações e alegrar-se quanto à alma pela esperança dos bens eternos.
  9. A carne pertence à alma e não a alma à carne, e a morte introduzida pelas penas destrói a lei do pecado na carne para abrir a futura vida espiritual.
  10. Quem sofre penas na carne pela virtude alegra-se na alma pela beleza das realidades futuras e possui simultaneamente o prazer salvífico e a tristeza útil.
  11. O prazer salvífico é a alegria da alma pela virtude, e a tristeza útil é a dor da carne pela virtude.
  12. A graça divina não ilumina sem uma potência natural capaz de receber a iluminação, e essa potência natural não ilumina sem o dom da graça.
  13. O Espírito Santo opera sabedoria, conhecimento, fé e carismas apenas em potências naturais capazes de recebê-los, embora nenhuma dessas potências os possua sem a concessão divina.
  14. Quem pede sem paixão recebe a graça da prática virtuosa, quem busca impassivelmente encontra a verdade na contemplação natural, e quem bate sem paixão chega à teologia mística.
  15. Quem busca as realidades divinas de modo impassível alcança o que procura, enquanto quem as busca com paixão fracassa por pedir mal.
  16. O Espírito Santo busca em nós a ciência dos seres não por necessidade própria, mas para operar nos santos mediante a potência natural capaz de investigar.
  17. Assim como o olho precisa da luz solar para distinguir as coisas sensíveis, o intelecto humano precisa da luz espiritual para receber a contemplação do que está além dos sentidos.
  18. As potências humanas de buscar e investigar Deus foram dadas pelo Criador, mas o pecado as prendeu às coisas visíveis até que a graça do Espírito as restaurasse.
  19. A salvação das almas é o termo da fé, que culmina na revelação verdadeira, na participação nas realidades divinas, na deificação e na alegria inefável da união com Deus.
  20. A natureza não possui os princípios do que está além dela nem as leis do que é contra ela, e Deus se une a todos conforme a disposição de cada um.
  21. O Espírito Santo conduz à compreensão aqueles que buscam as razões e modos espirituais da salvação, mantendo ativa a potência humana de investigar as realidades divinas.
  22. A busca consiste no apetite do desejado, e a investigação consiste no modo efetivo pelo qual esse apetite procura o que deseja, especialmente na morte do pecado e na vivificação da virtude.
  23. A salvação exige que o pecado morra para a vontade e a vontade para o pecado, e que a vontade ressuscite para a virtude e a virtude para a vontade.
  24. O pecado e a vontade mortos um para o outro permanecem em insensibilidade recíproca, enquanto a justiça e a vontade vivas uma para a outra se reconhecem mutuamente.
  25. Cristo é Deus e homem por natureza, tornando-nos herdeiros de Deus pela graça e coerdeiro conosco pela condescendência de sua humanidade.
  26. O intelecto busca quando se move por desejo à Causa dos seres, e a razão investiga quando examina as razões verdadeiras presentes nos seres.
  27. A busca é o movimento simples do intelecto para sua Causa, e a investigação é o discernimento simples da razão; quando ambas se tornam ardentes, operam com ciência, virtude e desejo fervoroso.
  28. Os profetas buscavam e investigavam ardentemente a salvação das almas, movendo o intelecto para Deus com desejo científico e discernindo prudentemente as obras divinas.
  29. A razão possui uma ciência relativa, feita de conceitos, e uma ciência verdadeira, feita de experiência e participação, que substituirá a primeira na deificação futura.
  30. A ciência conceitual move o desejo para o gozo das realidades conhecidas, enquanto a ciência em ato consiste no fruir experimental das realidades verdadeiras.
  31. O discurso sobre Deus cessa diante da experiência de Deus, assim como a intelecção relativa a ele é superada pela participação nos bens sobrenaturais.
  32. O Criador da essência dos seres tornou-se também, pela graça, operador da deificação deles, pois só Deus conhece previamente as razões das coisas e as revelará aos seres.
  33. O Verbo criou a natureza humana sem prazer nem dor sensíveis, mas o primeiro homem desviou para a percepção sensível o desejo natural do intelecto por Deus.
  34. O prazer e a dor não foram criados com a carne, mas a transgressão gerou o prazer pela corrupção da vontade e recebeu a dor como castigo providencial.
  35. O prazer irracional introduziu a dor racional e a morte, e a destruição perfeita do prazer depende da graça do prazer divino operante no intelecto.
  36. As penas voluntárias e involuntárias removem o prazer em ato, mas não eliminam sua potência natural, pois a virtude produz impassibilidade da vontade e não da natureza.
  37. Toda pena tem origem em um prazer anterior em ato, de modo que a dor natural paga o débito do prazer contra a natureza.
  38. A natureza escravizada ao prazer voluntário e à dor involuntária só pôde ser restaurada porque o Criador se fez homem e assumiu voluntariamente uma dor sem prazer precedente.
  39. A humanidade nascida de Adão estava submetida ao prazer, ao sofrimento e à morte, mas o Verbo encarnado assumiu sofrimento e morte injustos para destruir o princípio injusto do prazer e a justa morte dele decorrente.
  40. O Senhor, sendo sábio, justo e poderoso, curou a humanidade sem ignorar o modo da cura, sem violentar a vontade humana e sem carecer da força para realizá-la.
  41. A sabedoria de Deus aparece no verdadeiro tornar-se homem, sua justiça na assunção da natureza passível, e sua potência na criação da vida eterna mediante sofrimento e morte.
  42. O Senhor revelou sua sabedoria, justiça e potência ao assumir a natureza passível e transformar o sofrimento, a morte e a condenação em armas contra o pecado.
  43. Deus manifestou sua potência ao conceder impassibilidade pela paixão, alívio pelas penas, vida eterna pela morte e deificação sobrenatural pela encarnação.
  44. Deus feito homem instituiu um segundo princípio de geração pelo Espírito Santo, destruindo a geração adâmica fundada no prazer e consumada na morte.
  45. O Senhor retirou o prazer da lei do pecado nos renascidos pela graça, tornando a morte não mais dívida do pecado, mas instrumento providencial contra o pecado e gerador de vida eterna.
  46. A vida humana após a transgressão começa no prazer da geração carnal e termina na dor da morte, mas o Senhor não teve esse princípio nem foi aprisionado por esse fim.
  47. O pecado atraiu Adão ao prazer e, por ele, fixou a condenação da morte em toda a natureza, conforme a maquinação invejosa do diabo contra Deus e contra o homem.
  48. O diabo induziu Adão a pensar que Deus tinha inveja dele, buscando impedir tanto a manifestação da potência deificadora de Deus quanto a participação humana na glória divina.
  49. Em Adão, a morte condena a natureza porque o prazer preside à geração; em Cristo, a morte condena o pecado porque sua geração é pura de prazer precedente.
  50. Quem se tornou casa de Deus pela graça deve suportar sofrimentos por justiça, enquanto os desobedientes ao evangelho permanecem presos à geração adâmica segundo o prazer.
  51. Deus será para os salvos lugar ilimitado e tudo em todos conforme a justiça e os sofrimentos acolhidos com conhecimento, enquanto o ímpio aparecerá privado dessa graça vivificante.
  52. Quem não tem Deus como fundamento do ser-bem não pode permanecer no lugar divino reservado aos dignos, e sua condição é ainda mais grave se nunca realizou a piedade e a virtude.
  53. Deus reunirá todos, anjos e homens, bons e maus, por sua vontade de bem, mas cada um participará dele segundo sua própria medida.
  54. Os que conformaram a vontade ao bem participarão plenamente da vida divina, enquanto os que a tornaram contrária ao ser-bem serão separados de Deus pela deformidade voluntária.
  55. A vontade de cada um será pesada no juízo segundo o princípio da natureza, determinando sua participação na vida divina ou sua permanência no ser-mau.
  56. O mistério da encarnação conserva duas naturezas em uma só hipóstase, sem divisão, mistura ou confusão, preservando a Trindade e a distinção natural entre divindade e humanidade.
  57. Em Cristo não há distinção de hipóstases, pois a Trindade permanece Trindade, mas há distinção de naturezas para que a carne não seja chamada consubstancial ao Verbo.
  58. Quem nega a distinção das naturezas não pode afirmar corretamente que o Verbo se fez carne sem mudança, nem preservar o assumente e o assumido na única hipóstase de Cristo.
  59. Após a união, carne e divindade permanecem distintas por natureza, mas formam uma única hipóstase, na qual o Verbo é um com sua própria carne.
  60. A fé aperfeiçoa o amor a Deus pela esperança, e a boa consciência sustenta o amor ao próximo pela observância dos mandamentos.
  61. Crer manifesta o amor vivo ao Criador, e confessar manifesta a disposição de amor divino ao próximo, ambos como movimentos interiores do coração.
  62. Quem é incapaz de mover-se para o bem move-se facilmente para o mal, mas a união da percepção sensível com a operação do intelecto produz virtude com conhecimento.
  63. O muro de divisão é a lei natural do corpo, e a barreira é a relação passional da carne, que separa a alma do corpo até que a razão da virtude vença esse vínculo.
  64. O Maligno é ladrão quando se apropria da ciência natural de Deus e perjuro quando arrasta a potência prática da alma para o que é contra a natureza.
  65. É ladrão quem fala das razões divinas sem vivê-las pelas obras e usa palavras de conhecimento para mercadejar glória.
  66. É ladrão também quem encobre a malícia interior com costumes exteriores aparentemente justos, roubando os sentidos dos que o veem por meio da hipocrisia.
  67. É perjuro quem promete a Deus uma vida virtuosa e vive de modo contrário, descumprindo o pacto assumido na profissão de piedade.
  68. Quem finge conhecimento rouba a mente dos ouvintes, e quem finge virtude rouba a visão dos observadores, ambos desviando partes da alma alheia para a própria glória.
  69. Quem cumpre verdadeiramente suas promessas feitas a Deus é digno de louvor, enquanto quem as transgride é digno de censura e desonra.
  70. Nem todo homem que vem ao mundo é iluminado pelo Verbo, mas apenas aquele que voluntariamente entra no mundo verdadeiro das virtudes.
  71. As expressões iguais da Escritura não devem ser entendidas sempre da mesma maneira, mas segundo o significado próprio que assumem em cada passagem.
  72. Pessoas, lugares, tempos e coisas mencionados pela Escritura devem ser interpretados de modo diferenciado, segundo o sentido histórico e espiritual conveniente a cada contexto.
  73. Deve-se ensinar a viver segundo a razão, cortar a relação da alma com o corpo e apagar a percepção sensível que deu acesso ao prazer irracional.
  74. A percepção sensível é uma em espécie e se divide em cinco modos, pelos quais leva a alma desviada a amar os objetos sensíveis em vez de Deus.
  75. A percepção sensível submetendo o intelecto ensina politeísmo, pois transforma cada objeto sensível amado passionalmente em falsa divindade.
  76. Quem se prende apenas à letra da Escritura vive segundo a carne, porque a letra não compreendida espiritualmente retém o sentido no âmbito da percepção sensível.
  77. A luz divina do conhecimento não deve ser posta sob o limite da letra, mas no candelabro da Igreja, para iluminar a todos pela verdadeira contemplação.
  78. Quem suporta tentações involuntárias como Jó e os mártires é uma lâmpada poderosa, e quem conhece as maquinações do Maligno também é iluminado pela ciência espiritual.
  79. O Espírito Santo purifica por temor, piedade e conhecimento, ilumina por força, conselho e inteligência, e aperfeiçoa pela sabedoria que conduz à deificação.
  80. Temor, piedade e conhecimento produzem a filosofia prática, força, conselho e inteligência realizam a contemplação natural, e somente a sabedoria concede a teologia mística.
  81. A luz dos carismas só permanece acesa quando é nutrida por uma disposição adequada em obras, palavras, costumes, conceitos e pensamentos.
  82. As Escrituras são como o olivo que fornece o óleo dos conceitos divinos, mas é preciso uma disposição receptiva para conservar acesa a luz da ciência.
  83. O olivo da esquerda simboliza o Antigo Testamento, voltado à prática, e o da direita simboliza o Novo Testamento, voltado ao mistério novo e à contemplação.
  84. O Antigo Testamento simboliza a virtude prática e harmoniza o corpo com o intelecto, enquanto o Novo Testamento produz contemplação, conhecimento e iluminação espiritual.
  85. Deus é Pai por graça daqueles que são gerados no Espírito pela virtude e manifestam em suas obras a imagem daquele que os gerou.
  86. A lei natural pertence à esquerda por causa da percepção sensível, enquanto a lei espiritual pertence à direita por causa do intelecto, racionalizando a prática e espiritualizando a percepção.
  87. Quem une conhecimento à prática e prática ao conhecimento realiza a verdadeira obra de Deus, enquanto conhecimento sem prática vira fantasia e prática sem conhecimento vira ídolo.
  88. O mistério da salvação faz da vida demonstração da razão e da razão glória da vida, unindo prática e contemplação em uma única sabedoria.
  89. Assim como alma e corpo formam um homem, prática e contemplação formam uma sabedoria, e Antigo e Novo Testamento formam um único mistério.
  90. Quem compreende o mundo visível contempla o inteligível, transferindo as razões do sensível ao intelecto e as formas do inteligível à percepção sensível.
  91. A cabeça simboliza a razão primária da unidade, enquanto as fendas dos montes, a terra, o abismo e as barras eternas simbolizam estados de ignorância, mal e apego passional.
  92. A paciência dos santos esgota a potência má que os ataca e transforma a fraqueza natural da carne em fundamento da potência superior do Espírito.
  93. A graça atravessa muitas provas para alcançar a natureza humana, como Jonas chegou a Nínive e conduziu a lei natural à penitência, à humildade e à vida segundo Deus.
  94. O rei simboliza a lei natural, o trono simboliza a vida sensível passional, a veste simboliza a vanglória, o saco simboliza a penitência, e a cinza simboliza a humildade.
  95. Quem esquece as paixões da carne e não se ensoberbece pelas boas ações torna-se alguém que não conhece direita nem esquerda, por estar livre da vanglória e da concupiscência.
  96. O conhecimento racional das virtudes produz ignorância total da direita e da esquerda, isto é, do excesso e do defeito contrários à equidade da virtude.
  97. Quem se eleva à razão das virtudes não conhece o que é contra a razão, assim como a fé não comporta incredulidade e a luz não produz trevas.
  98. A incredulidade é negação dos mandamentos, a fé é consentimento a eles, a treva é ignorância do bem, a luz é reconhecimento do bem, Cristo é a subsistência do bem, e o diabo é o estado produtor dos males.
  99. A razão é norma e medida dos seres, e quem se une à razão da virtude não conhece nem o excesso nem o defeito, pois não experimenta nada além ou contra a razão.
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