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5ª CENTÚRIA SOBRE TEOLOGIA
Resumo dos parágrafos
- Quem conhece por meio da prática e pratica com conhecimento torna-se trono e escabelo de Deus, pois o intelecto purificado das imagens materiais pode ser entendido como céu adornado pelas razões divinas das realidades inteligíveis.
- O filósofo piedoso, guardado por virtude e conhecimento, só encontra em Deus a libertação contra a potência maligna que se levanta por meio das paixões, recebendo como auxílio uma razão superior de sabedoria.
- Todo movimento passional começa por um objeto sensível ou por um demônio que, mediante esse objeto, excita as potências da alma ao pecado.
- A resistência elimina a realização do mal, enquanto a destruição remove também o pensamento mau e os movimentos interiores que o acompanham.
- As realidades sensíveis e inteligíveis situam-se entre Deus e os homens, mas o intelecto as transcende pela prática e pela contemplação em direção a Deus.
- A criação acusa os ímpios porque, por suas razões e leis naturais, anuncia o Criador e ensina a virtude, enquanto a negligência intelectual mantém a alma na ignorância e nas paixões contra a natureza.
- A oferta de dons a Deus manifesta a bondade divina, pois Deus aceita como nosso aquilo que já é dele e se reconhece como devedor por aquilo que recebemos dele.
- A consideração das razões espirituais das coisas visíveis ensina que há um Criador, mas não permite investigar a natureza dele, pois isso ultrapassa as possibilidades humanas.
- A ira de Deus é a sensação penosa pela qual o intelecto inflado por virtude e conhecimento é humilhado mediante penas inesperadas e reconduzido à consciência de sua fraqueza.
- A ira do Senhor é a suspensão dos carismas divinos, útil ao intelecto soberbo que trata os dons de Deus como conquistas próprias.
- O intelecto amante de Deus possui prática e contemplação, figuradas por Judá e Jerusalém, mas sofre abandono quando atribui a si mesmo a vitória concedida por Deus.
- A providência corrige por adversidades os ingratos que receberam bens, para que reconheçam a potência divina e não transformem a virtude e o conhecimento em ocasião de soberba.
- A lei divina da providência ensina a gratidão pela privação de bens àqueles que, na abundância, haviam esquecido o Doador.
- Quem presume ter alcançado o termo da virtude deixa de buscar a Causa dos bens, enquanto quem percebe sua pobreza natural corre incessantemente para Deus.
- Quem reconhece a infinitude da virtude nunca interrompe sua corrida, para não perder Deus, princípio e fim de todo movimento zeloso.
- O abandono permitido ao intelecto soberbo pelos demônios durante a contemplação é uma cólera pedagógica que o reconduz à humildade e ao reconhecimento da graça divina.
- Quem não se corrige pela primeira cólera do abandono recebe a segunda, que retira a operação dos carismas e deixa a alma sem a proteção antes recebida.
- A insensibilidade diante da perda das virtudes conduz à impiedade, pois quem se habituou a desobedecer por prazeres carnais pode renegar Deus quando surge a ocasião.
- Toda experiência do intelecto envolve também sua prática e sua contemplação, pois elas participam dos movimentos do intelecto como disposições que nele se encontram.
- Quem, como Ezequias, vence os demônios pela oração e pela sabedoria recebida de Deus não deve atribuir a si a vitória, mas render graças proporcionalmente à salvação recebida.
- O intelecto deve ser iluminado por conceitos divinos, e o corpo deve tornar-se instrumento racional da virtude pela rejeição das paixões não governadas pela razão.
- Quem se exalta pelos carismas recebidos sofre a cólera pedagógica que permite ao diabo perturbar sua prática e sua contemplação, a fim de reconhecer sua fraqueza e reconciliar-se com Deus.
- A guerra permitida por Deus aos demônios contra o intelecto soberbo é uma cólera salvífica que revela o verdadeiro Doador das virtudes.
- O intelecto bem-aventurado morre louvavelmente a todas as coisas criadas e, após essa morte da vontade, recebe a vida da graça divina e apreende a Causa dos seres.
- Quem orienta a prática ao bem natural e a contemplação à verdade natural penetra em Deus, único bem e única verdade, além de toda essência e intelecção.
- O fim da virtude prática é o bem como cumprimento da operação divina, e o fim da filosofia contemplativa é a verdade como conhecimento simples e indiviso das realidades relativas a Deus.
- Ninguém bendiz verdadeiramente Deus sem santificar o corpo pelas virtudes e iluminar a alma pelos conhecimentos.
- A bem-aventurança consiste em reconhecer que Deus realiza em nós prática, contemplação, virtude, conhecimento, vitória, sabedoria, bondade e verdade, restando ao ser humano apenas a boa disposição da vontade.
- Todas as boas obras dos santos são dons de Deus, possuídos na medida em que são devolvidos ao Senhor com gratidão e afeição.
- O intelecto virtuoso afirma que as virtudes deificantes são fortes, mas a verdade prevalece como Causa única, princípio, reino, potência e glória de todos os seres.
- As mulheres simbolizam o amor como termo das virtudes, enquanto a verdade simboliza o termo de todos os conhecimentos e de todos os objetos conhecidos.
- A verdade, por sua transcendência, manifesta-se como realidade única que ultrapassa toda capacidade de conhecer e ser conhecida, atraindo a si o movimento de todos os seres.
- O intelecto é órgão da sabedoria, a razão é órgão da ciência, a certeza de ambos é órgão da fé, e o amor natural pelos homens é órgão dos carismas de cura.
- Cada pessoa manifesta a operação do Espírito segundo a medida de sua fé, de modo que ninguém deve invejar os carismas alheios.
- A permanência dos bens divinos depende da medida da fé, pois a ação revela a fé e recebe graça proporcional, enquanto a falta de obras manifesta incredulidade.
- Quem ama o bem é conduzido voluntariamente à deificação pela providência, enquanto quem não ama o bem é corrigido contra a própria vontade para ser afastado do mal.
- A verdadeira fé é a verdade que tudo compreende e une, e a boa consciência comunica a potência do amor por estar livre da transgressão dos mandamentos.
- Os sete espíritos repousam sobre o justo como carismas que conduzem do temor, pela rejeição do mal, até a sabedoria, pela união incompreensível com Deus.
- O espírito do temor afasta do mal, a fortaleza move aos mandamentos, o conselho discerne, a ciência conhece o agir virtuoso, o conhecimento percebe as razões dos mandamentos, a inteligência assimila suas razões, e a sabedoria une à Causa divina.
- A ascensão espiritual parte do temor que afasta do mal, passa pela fortaleza, conselho, ciência, conhecimento e inteligência, e chega à contemplação simples da verdade em todas as coisas.
- O temor, embora seja o primeiro bem praticável, aparece como último na ordem escritural por ser princípio da sabedoria e começo da ascensão ordenada até Deus.
- A fé sobe à unidade da sabedoria pelas iluminações do Espírito e pelos degraus das virtudes, sem negligenciar nenhuma obra que mantém abertos seus olhos espirituais.
- Quem abandona os mandamentos arranca os olhos da fé e perde o olhar de Deus, pois as operações do Espírito iluminam somente quando a virtude é praticada.
- A sabedoria é unidade indivisa presente nas múltiplas virtudes e reúne novamente em si as virtudes que dela procedem.
- Quem não pratica os preceitos divinos possui fé cega, pois os mandamentos são luz e sua ausência torna vazia a vocação divina.
- Ninguém pode usar a fraqueza da carne como desculpa para o pecado, pois a união com o Verbo fortaleceu a natureza e tornou indesculpável a adesão voluntária às paixões.
- Quem vence pela fé e pelo amor as concupiscências irracionais ultrapassa a lei da natureza e se transfere para a região dos inteligíveis.
- O conhecimento sem temor de Deus gera soberba, enquanto a prática acompanhada do desejo de Deus conserva a humildade dentro dos próprios limites.
- A habitação celeste é o estado de impassibilidade segundo a virtude e o conhecimento não combatido por pensamentos enganosos.
- A fé é princípio das virtudes e encontra seu termo no bem realizado por elas, enquanto o bem é a fé posta em ato e repousa em Deus como princípio e fim.
- A impassibilidade possui quatro formas principais: afastamento das más ações, rejeição dos maus pensamentos, imobilidade da concupiscência diante das paixões e purificação das imagens sensíveis.
- A primeira impassibilidade afasta o corpo do pecado, a segunda purifica pensamentos passionais, a terceira imobiliza a concupiscência, e a quarta remove todas as imagens sensíveis da mente.
- Na filosofia prática, pensamento e mente servem como servo e serva até cumprirem a prática das virtudes, sendo depois libertados para a contemplação espiritual das razões naturais.
- A irascibilidade e a concupiscência devem servir à razão até que a lei da natureza seja absorvida pela lei do Espírito e se transformem em eros divino e fervor espiritual.
- A imagem do reino sem princípio é a imutabilidade do intelecto no conhecimento verdadeiro e a incorruptibilidade da percepção sensível na virtude.
- A concupiscência e a ira, quando submetidas à razão, tornam-se deleite na união com Deus e ardor imaculado pela guarda desse deleite.
- O mal tem princípio no movimento contra a natureza, enquanto o bem não tem princípio, é inteligível, exprimível, incorruptível e deve ser buscado, desejado e guardado por todas as potências da alma.
- O intelecto contemplativo deve permanecer estéril em relação ao mal, para não conceber nem gerar malícia durante a contemplação espiritual dos seres.
- Quem cai na vanglória por virtude ou conhecimento assemelha-se a Absalão, preso à aparência mundana e suspenso entre céu e terra pela presunção vazia.
- A sabedoria é princípio e termo da salvação, começando como temor que afasta do mal e consumando-se como desejo amoroso que une a si quem abandonou todos os seres.
- A sabedoria é temor para os que fogem dela e desejo amoroso para os que a amam, libertando das paixões e habituando o intelecto à visão das realidades futuras.
- Toda confissão humilha a alma, seja ao ensinar que ela foi justificada pela graça, seja ao revelar sua culpa pela negligência da própria vontade.
- A confissão é dupla, pois pode ser ação de graças pelos bens recebidos ou acusação das faltas cometidas, e ambas produzem humildade.
- A soberba nasce da ignorância simultânea do auxílio divino e da fraqueza humana, formando uma falsa afirmação pela negação das duas verdades.
- A vanglória desvia a virtude da finalidade divina para a glória própria e compra, com fadigas, os louvores inconsistentes dos homens.
- A busca de agradar aos homens limita-se à conduta exterior e às palavras aduladoras, reduzindo a virtude ao que aparece aos sentidos.
- A hipocrisia é a simulação do bem sob formas de amizade, justiça, amor ou verdade, cultivada por quem imita a tortuosidade da serpente.
- Deus é a Causa dos seres e dos bens, e quem se exalta pela virtude, busca a própria glória, agrada aos homens ou simula piedade afasta-se dessa Causa.
- Os demônios da soberba, da vanglória e do desejo de agradar não impedem o zelo virtuoso, mas o estimulam para desviá-lo da moderação e da finalidade verdadeira.
- Os demônios não rejeitam práticas ascéticas nem doutrinas elevadas quando o propósito delas se volta para eles e não para Deus.
- Os demônios que parecem colaborar com a virtude só podem ser discernidos pela Palavra viva, que distingue obras da alma e obras do Espírito, intenções profundas e pensamentos do coração.
- A divisão entre alma e espírito indica a diferença entre virtudes naturais e virtudes recebidas como graça no Espírito.
- A Palavra discerne os sentimentos e pensamentos como relações da alma com as razões divinas e como causas invisíveis dessas relações.
- Deus está acima da ciência porque está infinitamente acima de todo intelecto ao qual qualquer conhecimento se subordina.
- Somente quem possui a Palavra divina no coração pode vencer os enganos invisíveis dos demônios da hipocrisia e construir o templo do Senhor sem colaboração impura.
- Ninguém constrói para o Senhor com demônios como colaboradores, pois nesse caso a finalidade das virtudes deixa de ser Deus e passa a ser a paixão.
- Os demônios combatem pela falta de virtude ensinando vícios grosseiros e combatem pelo excesso de virtude ensinando presunção, vanglória e soberba.
- Deve-se recusar a colaboração dos espíritos que, sob aparência de bem, procuram ferir por excesso, pois a queda pela soberba é mais grave que a queda pela fraqueza.
- A virtude é a união da fraqueza humana reconhecida com a potência divina, e o erro se torna mais grave quando a própria fraqueza é apresentada arrogantemente como força.
- A súplica do justo é eficaz quando acompanhada pelas obras do justo ou pela conversão prática daquele que pede sua oração.
- A súplica do justo não aproveita a quem prefere as culpas às virtudes, como mostra o luto inútil de Samuel por Saul.
- A oração compassiva de Jeremias não foi ouvida porque o povo judeu não tornou eficaz a intercessão pela conversão de seu desvio.
- É insensato buscar salvação pela oração dos justos enquanto se permanece voluntariamente nas disposições contrárias que deveriam ser detestadas.
- A súplica do justo pode muito quando é operante pela virtude do justo ou pela mudança de vida daquele que a solicita.
- A exultação nas provas parece paradoxal, pois a alma é chamada a alegrar-se justamente naquilo que a entristece.
- A tristeza possui uma forma oculta na alma e outra manifesta nos sentidos, sendo uma termo do prazer sensível e outra termo da alegria espiritual.
- A tristeza é privação de prazeres e invasão de penas, derivada do abuso de uma potência natural voltada ao que não possui verdadeira subsistência.
- A tristeza da alma nasce do prazer sensível, enquanto a tristeza da carne acompanha o prazer espiritual da alma.
- A tristeza sensível vem da privação dos prazeres corporais, enquanto a tristeza intelectual vem da privação dos bens da alma, conforme as tentações voluntárias ou involuntárias.
- As tentações voluntárias produzem prazeres escolhidos e tristeza da alma, enquanto as involuntárias impõem dores não escolhidas e tristeza da percepção sensível.
- A tentação voluntária entristece a alma e deleita os sentidos, enquanto a tentação involuntária alegra a alma e entristece a carne.
- A oração do Senhor ensina a evitar as tentações voluntárias do prazer, enquanto Tiago ensina a alegrar-se nas tentações involuntárias que produzem paciência.
- O Senhor ensina a pedir livramento das tentações voluntárias, e Tiago exorta à alegria nas tentações involuntárias que retiram prazer da carne e dor da alma.
- É perfeito quem combate as tentações voluntárias pela continência e suporta as involuntárias pela paciência, e é íntegro quem une prática com conhecimento e contemplação com prática.
- Quem busca o prazer da alma e suporta a tristeza sensível torna-se provado, perfeito e íntegro pela continência, pela paciência e pela união da prática com a contemplação.
- Quem conhece tristeza e prazer da carne é provado, quem os vence pela razão é perfeito, e quem conserva prática e contemplação imutáveis pelo desejo de Deus é íntegro.
- A tristeza da alma surge pelos próprios pecados ou pelos pecados alheios, e o prazer da alma nasce da tristeza sensível assumida em favor das virtudes.
- Não há pecado humano sem relação passional da alma com a percepção sensível, e toda tristeza da alma começa no prazer da carne.
- A origem verdadeira da virtude é o afastamento voluntário da alma em relação à carne, pelo qual a carne é domada e a alma se alegra espiritualmente.
- Quando a alma se separa da percepção sensível por amor da virtude, a carne sofre, mas a potência espiritual resiste aos prazeres e às penas sem perder a dignidade divina das virtudes.
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