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Carta à monja Xeneia

Philokalia

  1. A vida monástica autêntica considera toda conversação como perturbação da comunhão contínua com Deus, pois a fala dispersa a concentração interior do intelecto que constitui o monge verdadeiro.
  2. A simples expectativa de visitas e conversas perturba a quietude mental, e a escrita impõe ao intelecto preocupações ainda mais exigentes, sobretudo quando a alma ainda necessita de cura pela oração.
    • A oração não deve ser abandonada antes da cura das paixões da alma.
    • A escrita prolonga uma forma de conversação com ausentes e pode cair nas mãos de leitores indesejados.
    • A palavra escrita costuma sobreviver ao autor e expô-lo para além de sua intenção.
  3. Muitos padres dedicados à extrema quietude evitaram escrever, e a censura maliciosa contra escritos espirituais revela uma atenção desviada das realidades divinas para detalhes externos de letras, sílabas e palavras.
  4. A censura sofrida foi justa não por conflito com os padres, mas pela ousadia de tratar realidades espirituais sem dignidade suficiente, e a correção recebida tornou-se instrução providencial, não ira divina.
  5. São João Crisóstomo e São Paulo exemplificam como os ensinamentos santos podem ser deturpados por ignorantes e instáveis, mesmo quando procedem de grande clareza espiritual.
  6. A reverendíssima madre Xênia, embora experiente na obediência, na quietude e nos mandamentos divinos, solicita conselhos movida por um desejo espiritual que nunca se sacia.
  7. A instrução é oferecida por amor cristão, sobretudo em favor das filhas do Imperador sob a direção de Xênia e da monja Sinésis, que se deseja unir a Cristo, o doador da incorruptibilidade.
  8. A alma, embora imortal por natureza, pode sofrer uma morte espiritual causada pelo pecado, conforme ensinam São João, São Paulo, São Pedro e o próprio Senhor ao chamar de mortos os que vivem segundo o mundo vão.
  9. A morte verdadeira da alma consiste em sua separação de Deus, assim como a morte do corpo consiste na separação entre corpo e alma.
  10. A transgressão de Adão produziu a morte interior da alma e tornou também o corpo sujeito ao cansaço, ao sofrimento, à corrupção e à morte.
  11. A ressurreição futura não livrará os ímpios da segunda morte, pois a vida eterna será comunhão no Reino, enquanto a morte futura será castigo interminável.
    • A segunda morte inclui castigo sem fim, verme que não dorme, ranger de dentes, trevas exteriores e fogo inextinguível.
    • São Paulo distingue a vida segundo o Espírito, que conduz à vida, da vida segundo a carne decaída, que conduz à morte.
  12. A violação do mandamento divino é a causa de toda morte, e a verdadeira morte consiste em a alma perder a graça divina e submeter-se ao pecado.
  13. A vida verdadeira da alma é a união com Deus, restabelecida pela obediência aos mandamentos, enquanto a palavra de Cristo se torna vida para os obedientes e juízo para os desobedientes.
  14. A vida concedida por Deus alcança também o corpo, que pela ressurreição se torna imortal, livre da dor, da doença, da tristeza e da condenação futura.
    • A morte da alma é seguida pela morte do corpo e pela descida ao Hades.
    • A ressurreição da alma pela obediência é seguida pela ressurreição do corpo e por sua reunião com a alma.
    • Os justos tornam-se espirituais e habitam nos céus como anjos de Deus.
  15. Cristo morreu corporalmente sem que seu corpo se separasse da divindade, e os que vivem piedosamente serão separados do corpo sem se separarem de Deus, participando da ressurreição, da ascensão e da vida divina.
    • Todos ressuscitarão, mas cada um conforme seu estado interior.
    • Quem mortifica pelo Espírito as inclinações mundanas viverá eternamente com Cristo.
    • Quem amortecer sua vida espiritual pelas paixões será julgado com o diabo e entregue à segunda morte.
  16. A morte verdadeira teve origem no próprio lugar da vida, no paraíso, e por isso a vida verdadeira deve ser adquirida nesta existência mortal por arrependimento e comunhão com Deus.
    • A vida presente é o tempo da penitência, não da retribuição final.
    • Depois desta vida, manifesta-se o juízo justo de Deus.
    • A compaixão divina deve ser experimentada agora pela conversão.
  17. Ninguém deve desesperar enquanto vive, pois a permanência nesta vida indica a possibilidade de retorno a Deus e de escolha livre entre o caminho da vida e o caminho da morte.
  18. A longanimidade de Deus revela sua compaixão, pois Ele não condena imediatamente os desobedientes, mas concede tempo para conversão, filiação divina e união espiritual com Ele.
    • Deus recorda continuamente a possibilidade da vida.
    • O Pai chama os homens à vinha, que é o Filho.
    • Cristo é a videira, e os fiéis são os ramos chamados a produzir obras de vida.
  19. O Pai reconcilia consigo os homens por meio do Filho, chama-os ao trabalho na vinha e recompensa como dívida amorosa o esforço feito em favor da própria salvação.
  20. O Redentor concede vida em plenitude ao fazer dos fiéis seus irmãos e coerdeiros, mas os ramos da videira devem cortar tudo o que impede o fruto digno da eternidade.
    • Devem ser podados riqueza, vida cômoda, honras vãs e paixões da alma e do corpo.
    • Devem ser rejeitados pensamentos, palavras, visões e audições que ferem a alma.
    • Sem a poda cuidadosa do coração, não há fruto apto para a vida eterna.
  21. A pureza também pode ser buscada no matrimônio, mas a virgindade monástica antecipa a condição angélica da ressurreição e evita ocasiões de captura pelo diabo.
  22. A mulher ligada por vínculos naturais ao marido, aos filhos e aos parentes encontra maior dificuldade para alcançar a liberdade, a ausência de preocupações e a tranquilidade próprias da dedicação exclusiva ao Senhor.
  23. A virgem verdadeira, configurada a Cristo nascido da Virgem e esposo das almas virginais, renuncia não apenas ao casamento carnal, mas também aos vínculos mundanos que a reconduzem às afeições terrenas.
    • A renúncia aos pais por causa do Esposo imortal é mais coerente do que a renúncia feita por uma esposa terrena em favor de um esposo mortal.
    • A cidadania celeste impede que a alma se prenda novamente ao parentesco segundo a carne.
    • O amor ao mundo constitui hostilidade contra Deus.
    • As pessoas casadas também são advertidas por São Paulo a viverem como se não estivessem presas ao mundo.
  24. A virgem, como ramo da videira da vida, deve alegrar-se com o cuidado do Pai e obedecer mais perfeitamente ao Esposo, sem desejar a vida das mulheres mundanas nem seus bens passageiros.
    • As casadas honram a virgindade ao desejá-la, mas a virgem se desonra ao desejar a condição das casadas.
    • O contato com os desejos mundanos conduz à riqueza, à fama, à glória e aos prazeres desta vida.
    • Cristo pronuncia ai contra ricos, saciados, zombadores e louvados por todos.
  25. A esposa da vida não possui comunhão com os mortos espirituais, pois o caminho largo do mundo conduz à destruição, enquanto a porta estreita exige abandono da vanglória, da sensualidade e das posses.
  26. O caminho largo não é isento de tristeza, mas é largo porque muitos passam por ele carregados de preocupações materiais, enquanto o caminho estreito da virgindade traz aflição salvífica, consolação e Reino dos céus.
  27. A bem-aventurança dos pobres em espírito ensina que a humildade da alma é a raiz da pobreza santa, e a pobreza corporal só é bendita quando nasce dessa humildade interior.
  28. A pobreza em espírito exclui hipocrisia e vaidade, pois somente o espírito contrito e humilde aceita simplicidade exterior, despojamento e ausência de elogios como estado digno diante de Deus.
  29. Cristo cura primeiro a potência apetitiva da alma, porque o desejo enfermo alimenta a ira e ambos perturbam a inteligência, impedindo a saúde integral da alma.
  30. O amor às posses materiais é o primeiro fruto mau da potência apetitiva, pois não nasce da natureza necessária, mas da escolha, tornando-se raiz de avareza, fraude, rapina, roubo e idolatria da cobiça.
  31. As paixões ligadas ao amor às posses são alimentadas pela falta de fé na providência de Deus, que leva a confiar nas riquezas em vez de buscar o Reino celeste e eterno.
    • O desejo de enriquecer já é pernicioso, mesmo quando a riqueza não é obtida.
    • Quem deseja ser rico cai em tentações e laços do diabo.
    • A necessidade nasce do amor desordenado, e esse amor nasce da insensatez.
  32. A busca da riqueza, mesmo sob pretexto de bom fim, revela medo da pobreza e falta de fé naquele que prometeu prover o necessário aos que buscam o Reino de Deus.
    • O verdadeiro comerciante espiritual vende até o necessário para multiplicar o ganho eterno.
    • Quanto menor o celeiro terreno de onde sai a semente, maior se torna a colheita espiritual.
    • O acúmulo de riquezas prende o homem vivo dentro de um túmulo absurdo.
  33. O intelecto do avarento vivo fica sepultado no pó do ouro, e a pobreza voluntária, quando não praticada por ostentação, liberta da paixão mortal e fétida do apego às riquezas.
  34. O monge dominado pelo amor às posses não pode obedecer, nem praticar a quietude, nem perseverar na oração, pois seu intelecto permanece onde está seu tesouro.
    • Giezi e Judas exemplificam a ruína espiritual e corporal causada pela cobiça.
    • A renúncia é o primeiro passo da profissão monástica.
    • A posse terrena impede até a concepção mental do Reino.
  35. A segunda descendência do mau desejo é a autoadulação, manifestada no embelezamento do corpo, nas roupas caras e na vaidade mundana que antecede o amor pelas coisas exteriores.
  36. A cura da vaidade exige conhecimento da glória divina, desejo dessa glória, paciência diante do desprezo humano e atribuição de todo bem a Deus.
    • A virtude deve ser recebida como dom, não como conquista pessoal.
    • A humildade cresce quando os olhos do intelecto permanecem fixos em Deus.
    • O recolhimento, a cela e a consciência da própria fragilidade auxiliam a cura da vanglória.
  37. A autoadulação desonra a alma ao buscar louvor humano por meio da aparência, da linhagem, das roupas vistosas e de sinais exteriores de infantilidade espiritual.
  38. A virtude praticada para receber louvor humano perde sua elevação celeste, cai à terra e produz vergonha, instabilidade de pensamentos, distração e turbulência interior.
    • A paixão pela popularidade é sutilíssima e deve ser repelida já em sua primeira provocação.
    • Quando não é vigiada, essa paixão conduz ao orgulho, queda semelhante à do diabo.
    • A busca de honra humana pode naufragar a própria fé.
  39. A honra humana é vazia, priva da honra verdadeira e gera inveja, que está na origem do primeiro homicídio e da condenação de Cristo.
  40. A vida cristã realiza o bem por Cristo e para a glória de Deus, sem desejo de agradar aos homens, pois o servo de Cristo não busca popularidade.
  41. A terceira descendência do mau desejo é a gula, da qual nasce toda impureza carnal, embora os movimentos naturais do corpo só se tornem paixão quando são usados contra seu fim bom.
    • O intelecto é a primeira vítima das paixões carnais.
    • As imagens sensíveis, sobretudo por meio dos olhos, incitam o intelecto ao mau uso dos corpos.
    • Eva exemplifica como a contemplação complacente da beleza sensível antecede a queda.
  42. A cura das paixões impuras deve começar pelo intelecto, pois jejum e dureza corporal são inúteis sem oração e humildade que cortem a corrente interior dos maus pensamentos.
    • A oração e a humildade santificam a raiz interior e produzem santidade exterior.
    • A alma contemplativa deve cingir a potência apetitiva pela verdade.
    • O corpo também precisa de esforço e abstinência moderada para não dominar a inteligência.
  43. A monja que deseja santidade deve permanecer na cela, suportar fadigas e rezar com humildade, pois o mundo exterior dispersa a alma por sons e visões impuras.
  44. A pobreza em espírito, unida à humildade, ao esforço corporal e ao despojamento, dá domínio sobre as paixões e torna a alma herdeira do Reino dos céus.
    • A bem-aventurança dos pobres em espírito resume muitas virtudes e exclui muitos vícios.
    • A poda espiritual inclui também provações comparáveis ao frio, ao gelo, à neve, à geada, ao vento e ao calor suportados pelas plantas.
  45. As tentações e tribulações devem ser suportadas com alegria, pois sem elas nenhuma virtude produz fruto digno do lagar divino e dos celeiros eternos.
  46. As aflições involuntárias só são abençoadas quando se aprende antes, pela pobreza de espírito, a suportar as aflições voluntárias que vencem prazer e vanglória.
    • A tentação aceita com humildade purifica a alma.
    • A aflição desperta oração ardente e eficaz.
    • Quem sofre deve perdoar, agradecer e orar pelos que o afligem como por benfeitores.
  47. A tristeza espiritual, nascida da pobreza em espírito, torna os que choram participantes da bem-aventurança divina prometida por Cristo.
  48. Cristo une o luto à pobreza porque a pobreza voluntária em nome de Deus gera uma tristeza voluntária e espiritual, diferente da tristeza mundana que produz morte.
  49. A pobreza espiritual possui quatro formas inseparáveis: pobreza do corpo, pobreza do modo de pensar, pobreza de bens mundanos e pobreza pelas provações exteriores.
    • As quatro formas não devem ser praticadas separadamente.
    • Todas brotam do espírito que recebeu a graça do Evangelho.
    • Essa fonte interior transforma o homem exterior em paraíso de virtudes.
  50. A pobreza corporal voluntária gera luto, lágrimas e consolação, pois a autolimitação no sono, no alimento e no conforto contrita o coração e expulsa a amargura.
    • A facilidade, a vida branda e a sensualidade endurecem o coração.
    • A renúncia e o autocontrole produzem compunção e doçura espiritual.
    • São João Clímaco ensina que sede e vigília afligem o coração, e do coração aflito brotam lágrimas.
  51. A humildade temerosa de Deus gera autorrepreensão, apresenta à alma a imagem dos tormentos do inferno e aumenta o temor diante de sua duração e intensidade inexprimíveis.
  52. O luto eterno do inferno nasce da consciência dos pecados sem esperança de salvação, enquanto nesta vida o mesmo luto é benéfico porque Deus o escuta e oferece a si mesmo como Consolador.
  53. A autorrepreensão humilde comprime a alma até extrair o vinho salvífico da compunção, que destrói as paixões e enche a alma de alegria bendita.
    • A pobreza de bens mundanos também gera luto salutar.
    • Quem abandona dinheiro e posses liberta a alma das preocupações exteriores.
    • A alma desapegada volta-se para dentro e examina a si mesma.
  54. Quando o intelecto se retira das coisas materiais, reconhece a máscara deformada produzida pelas dispersões mundanas, lava-a pelo luto e entra em seu tesouro interior para rezar ao Pai em segredo.
  55. A paz e a humildade concedidas por Deus tornam-se o recinto seguro do paraíso inteligível, onde florescem as virtudes, o amor e a alegria inefável do século futuro.
    • O abandono das posses gera ausência de preocupação.
    • A ausência de preocupação gera atenção e oração.
    • Atenção e oração geram luto e lágrimas.
    • Luto e lágrimas eliminam disposições passionais e abrem caminho à alegria.
  56. As lágrimas de tribulação transformam-se em lágrimas de deleite, a oração torna-se ação de graças, e a meditação das verdades divinas produz júbilo e esperança segura dos bens futuros.
  57. O Esposo manifesta-se mais claramente às almas purificadas pelo luto bem-aventurado, apesar das censuras maliciosas contra quem afirma os ensinamentos dos santos padres.
  58. Quando as paixões interiores são expulsas e o intelecto retorna a si mesmo, a alma é ordenada pelas virtudes, progride espiritualmente e se purifica até se libertar de toda marca de mal e de todo acréscimo estranho.
  59. O intelecto purificado transcende as realidades inteligíveis e seus conceitos imagéticos, rejeita tudo com piedade e permanece diante de Deus em silêncio.
    • A graça interior recria o intelecto de modo sublime e o ilumina com luz inefável.
    • O intelecto ascende pela força do Espírito, não pela fantasia mental.
    • A alma ouve palavras inefáveis, contempla realidades invisíveis e participa de tudo em Deus.
    • O homem interior torna-se semelhante aos anjos e aproxima de Deus toda a criação.
  60. São Nilo ensina que o estado próprio do intelecto é uma altura inteligível semelhante ao azul celeste e iluminada pela Santíssima Trindade durante a oração.
    • A libertação de todos os conceitos permite contemplar o intelecto como safira ou cor do céu.
    • São Diádoco distingue o dom batismal da renovação da imagem divina e o dom superior da semelhança com Deus, que exige cooperação.
    • A semelhança perfeita e o amor espiritual dependem da iluminação consciente do Espírito Santo.
  61. São Isaac confirma que a oração pura ilumina o intelecto com a luz da Santíssima Trindade e revela sua pureza como cor celeste, chamada pelos anciãos de Israel de lugar de Deus.
  62. O intelecto iluminado transmite ao corpo sinais da beleza divina, fortalece a virtude, revela os logoi das criaturas e recebe conhecimentos extraordinários sem buscá-los como fim principal.
    • A iluminação pode trazer visão profética, percepção de coisas distantes e conhecimento do passado, do presente e do futuro.
    • Esses dons aparecem como efeitos incidentais da comunhão com a luz divina.
    • O fim principal é o retorno do intelecto a si mesmo e a reunião das potências da alma nele.
    • A graça restaura a beleza original da alma e a assimila ao Arquétipo.
  63. Como tal consumação está acima da fraqueza comum, convém retornar ao fundamento do luto espiritual e distinguir a tristeza mundana sem consolação da tristeza segundo Deus.
    • A pobreza involuntária, a fome, a dor e a desonra produzem tristeza sem consolo quando falta conhecimento verdadeiro.
    • O domínio desordenado por prazeres e dores multiplica o sofrimento e fere a alma.
    • O Evangelho, os profetas, os discípulos e os apóstolos ensinam que a pobreza conduz à riqueza inexaurível e a via estreita livra da tribulação eterna.
  64. A tristeza mundana produz morte porque gera trevas espirituais, enquanto o luto espiritual comunica a luz divina que é a verdadeira vida da alma.
  65. São Marcos ensina que os maus pensamentos obscurecem a alma, ocultam a realidade do pecado e impedem a oração purificadora necessária para encontrar a morada interior de Cristo.
  66. A tristeza mundana nasce das paixões e antecipa o luto eterno, enquanto o luto bem-aventurado consola, antecipa a alegria eterna, estabiliza a virtude e impede a regressão espiritual.
  67. O luto pelos pecados remove a disposição para o mal e faz com que os pecados passados sejam tratados por Deus como involuntários, abrindo caminho para a vida eterna.
  68. O primeiro estágio do luto é doloroso por estar unido ao temor de Deus, mas seu desenvolvimento une-se ao amor divino e conduz à consolação sagrada do Paráclito.
  69. O início do luto assemelha-se a um pedido de desposório com Deus, enquanto sua consumação é união nupcial pura com o Esposo, pela qual a alma se torna um só espírito com o Senhor.
  70. A graça que habita nos santos não é criada, pois nela o próprio Espírito se une aos santos, e o luto perfeito assemelha-se ao abraço do Pai ao filho pródigo que retorna.
    • O início do luto repete a confissão: “Pai, pequei contra o céu e diante de ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho”.
    • A consumação do luto é a acolhida compassiva do Pai.
    • A alma reconciliada entra na casa paterna e participa do banquete da felicidade divina.
  71. Na pobreza bem-aventurada, a alma deve prostrar-se e chorar diante do Senhor para lavar os pecados passados, tornar-se inacessível ao mal e receber a bênção e a consolação do Paráclito, glorificando o Pai não originado e o Filho unigênito pelos séculos.
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