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150 textos
- A natureza do mundo, com sua exigência de causas específicas para tudo que nele existe, demonstra a necessidade de um primeiro princípio autoexistente, uma verdade que a própria história e as artes confirmam, embora nenhum relato supere a narrativa de Moisés sobre a origem do mundo e do tempo.
- A certeza de que o mundo terá uma consumação, e não um retorno ao não-ser, é afirmada pela sua natureza contingente e, de forma irrefutável, pela profecia divina e de Cristo, aprendendo-se que o mundo será transformado em algo mais divino pelo poder do Espírito Santo, de modo análogo à mudança que ocorrerá em nossos corpos.
- A doutrina dos sábios gregos sobre uma alma do mundo que faz os céus girarem é refutada pela observação de que a terra, a água e o ar não se movem da mesma forma, e pela impossibilidade de uma alma, seja inteligente, sensitiva ou vegetativa, mover um corpo celeste simples sem órgãos, demonstrando-se que tal alma é uma invenção de uma mente maligna e não possui existência real.
- O movimento de rotação dos céus não se deve à natureza de uma alma, mas à sua própria natureza de corpo mais leve e sutil, o que prova que o corpo celeste não possui alma, nem existe qualquer alma celeste ou pancósmica, sendo a única alma inteligente a humana, de natureza supraceleste e noética.
- A razão pela qual o corpo celeste não se move para cima ou para frente não é a ausência de um lugar além dele, mas o fato de ser o corpo mais sutil e leve que existe, não havendo outro corpo acima dele para o qual possa se deslocar.
- A crença piedosa de que um corpo poderia passar além dos céus não implica que a região além deles seja inacessível, pois Deus, que preenche todas as coisas, existia antes do mundo, e Sua existência não impediu que um corpo existisse naquela região.
- O corpo celeste, sendo o mais leve e móvel, eleva-se à superfície de todos os outros e, por estar localizado sobre uma superfície esférica, deve circundá-la incessantemente, um movimento que lhe é próprio por natureza, assim como o estado estacionário é característico dos corpos mais baixos.
- A observação de que os ventos, cuja natureza é ascender, movem-se circularmente sem se separarem das regiões sobre as quais estão situados, devido à leveza das camadas superiores, indica uma semelhança parcial com o corpo celeste, que se move por sua própria natureza e não por uma alma.
- A crença dos sábios gregos em quatro raças humanas habitando zonas temperadas opostas é refutada pelo fato de que apenas um décimo da esfera terrestre é terra firme, sendo o restante engolido pelo abismo das águas, o que inviabiliza o contato entre tais populações.
- Fora da região que habitamos, não há outra terra habitável, pois está toda inundada pelas águas do abismo, e os quatro elementos que compõem o mundo equilibram-se em esferas proporcionais às suas densidades, com a água envolvendo a terra, o ar a água, o fogo o ar e o éter o fogo.
- A esfera de água, sendo muitas vezes maior que a da terra, teria coberto toda a superfície terrestre se tivessem o mesmo centro, mas como vemos terra seca, a esfera das águas é necessariamente excêntrica em relação à da terra, com seu centro situado abaixo do centro da terra do nosso ponto de vista.
- A distância do centro da esfera de água em relação ao centro da terra pode ser compreendida considerando que a superfície da água visível coincide quase exatamente com a superfície da terra que habitamos, cuja região habitável corresponde a cerca de um décimo de sua circunferência.
- A representação geométrica das esferas da terra e da água mostra que o centro da esfera externa (da água) está na extremidade inferior da esfera interna (da terra), e que um oitavo da esfera de água está contido e mesclado com a esfera da terra, o que explica a abundância de fontes, rios, mares e lagos na terra.
- A conclusão lógica e geométrica é que nenhuma outra região da terra, além da nossa, é habitável, pois todas as outras partes estariam inundadas pela água, e como as almas deiformes corpóreas e os animais irracionais habitam apenas essa região, ela é a única com vida terrestre.
- As impressões dos sentidos, como a visão, o olfato, o paladar, a audição e o tato, são formadas a partir dos estímulos dos corpos, mas embora sejam corpóreas, não são os corpos em si, e sim impressões deixadas pelas formas, sendo separadas delas como imagens, especialmente no caso da visão através de espelhos.
- A faculdade imaginativa da alma apropria-se das impressões dos sentidos, separando-as totalmente das formas e corpos para as armazenar como tesouros, podendo apresentá-las novamente em momentos oportunos, mesmo na ausência do corpo correspondente, para uso próprio.
- Nos seres inteligentes, a faculdade imaginativa da alma serve como intermediária entre o intelecto e os sentidos, permitindo que o intelecto contemple as imagens recebidas e formule vários tipos de pensamento por meio de distinções, análises e inferências, das quais nascem virtudes, vícios e opiniões.
- É notável como atributos como beleza ou feiura, riqueza ou pobreza, glória ou infâmia, e até mesmo a luz noética que dá vida eterna ou a escuridão noética do castigo, entram e se estabelecem na alma a partir de coisas meramente transitórias e sensíveis.
- Quando o intelecto se assenta sobre a faculdade imaginativa e se associa aos sentidos, engendra um conhecimento composto, como no exemplo de se observar a lua e compreender, pela percepção, imaginação e intelecção, que ela recebe luz do sol e tem uma órbita mais baixa.
- Este método de conhecimento, que vai da percepção dos particulares à intelecção, aplica-se a fenômenos celestes, leis da natureza e todas as artes e métodos, mas tal conhecimento é natural, não podendo ser chamado de espiritual, pois as coisas do Espírito estão além de seu escopo.
- A única fonte de conhecimento certo e verdadeiro sobre Deus, o mundo e nós mesmos é o ensinamento do Espírito Santo, que nos revela que Deus é o único Ser verdadeiro, eterno, imutável, Tri-hipostático e Todo-poderoso, que criou todas as coisas do não-ser, conforme Moisés, em seis dias ou instantaneamente.
- Após a criação inicial dos céus e da terra como uma substância material potencial, o Criador, em seis dias, adornou o mundo, estabelecendo a terra imóvel como centro e circundando-a com os céus em movimento, ligando-os por regiões intermediárias, de modo que o mundo está ao mesmo tempo em repouso e movimento.
- Ao atribuir posições à terra e aos céus, o Mestre-artesão pôs em movimento e fixou o mundo, colocando corpos leves e ativos nas alturas para dissipar o frio e restringir o calor, e corpos pesados e passivos na região média, de modo que tudo pudesse ser chamado de “cosmos”, isto é, bem-ordenado.
- A criação progrediu até o surgimento do homem, a quem Deus concedeu tamanha honra que trouxe o mundo sensível à existência por sua causa, preparando-lhe o reino dos céus desde a fundação do mundo, formando seu corpo da matéria, mas sua alma do que é supracelestial, ou melhor, do próprio Deus.
- A verdadeira sabedoria e o conhecimento salvífico que levam à bem-aventurança celestial estão na compreensão de que a alma humana, superior a todo o mundo, é capaz de conhecer e receber Deus, o que os filósofos gregos, com seus métodos e demonstrações matemáticas, jamais conseguiram alcançar, evidenciando a incomparável superioridade da sabedoria do Espírito.
- Conhecer verdadeiramente a Deus, na medida do possível, e compreender o lugar do homem em relação a Ele supera toda a filosofia grega, pois o homem, criado à imagem de seu Criador, deve olhar para Deus e amá-Lo, ao passo que os sábios gregos, adorando a criatura em vez do Criador, desonraram a natureza humana e foram irreverentes para com Deus.
- O conhecimento de que o homem foi criado à imagem de Deus, sendo o intelecto o que há de melhor e criado nessa imagem, impede a deificação até mesmo do mundo noético, pois todo ser noético é um conservo, seja ele mais honrado por ser sem corpo ou caído por ter se rebelado contra Deus.
- Os cientistas naturais, astrônomos e filósofos, com sua sabedoria mundana, não conseguem compreender as verdades espirituais e, em sua cegueira, chegaram a considerar o príncipe das trevas noéticas e seus poderes rebeldes como deuses, honrando-os e sendo por eles zombados, o que os afastou da verdade essencial.
- O conhecimento de Deus, de si mesmo e da própria enfermidade, agora possuído até por cristãos considerados incultos, é superior à ciência natural, à astronomia e a toda filosofia, pois o intelecto que reconhece sua própria fraqueza descobre o caminho para a salvação e para a verdadeira sabedoria.
- Toda natureza espiritual e noética, angélica ou humana, possui a vida como essência, sendo imortal, mas a natureza noética humana também a possui como atividade, pois vivifica o corpo, enquanto a dos anjos não tem essa atividade, embora sua natureza possa admitir o bem e o mal, sendo, portanto, composta de sua essência e de uma qualidade contrária.
- A alma dos animais irracionais é a vida do corpo que anima, possuindo a vida não como essência, mas como atividade relativa, de modo que, quando o corpo se dissolve, a alma também se dissolve, sendo tão mortal quanto o corpo.
- A alma humana, embora seja a vida do corpo e possua uma atividade vivificante em relação a ele, também possui a vida como essência, pois é autoexistente e possui uma vida espiritual e noética distinta da do corpo, de modo que, quando o corpo se dissolve, a alma não perece, mas continua a existir imortalmente.
- A alma espiritual e noética, tendo a vida como essência, pode admitir o bem e o mal como qualidades que ela escolhe, sendo, portanto, composta de sua essência e da presença de uma dessas qualidades contrárias, que ela possui por vontade própria.
- O Intelecto supremo, o Bem supremo, a Natureza que transcende a vida e a divindade, não admitindo contrários, possui a bondade não como qualidade, mas como essência, de modo que tudo o que concebemos como bom está Nele ou, antes, Ele é esse bem e o transcende, sendo inefável e incompreensível.
- Essa Bondade absoluta e transcendente é também a fonte da bondade, e o que procede Dela, o Logos divino, é igualmente bom e perfeito, não devendo ser entendido como a palavra humana, mas como o conhecimento espiritual co-existente com o intelecto, sendo o Filho, perfeito em uma hipóstase perfeita, indistintamente idêntico à essência do Pai, embora distinto como hipóstase.
- A Bondade que procede da Fonte da bondade noética é o Logos, e este possui o Espírito Santo, que procede com Ele do Pai, não como o sopro da palavra humana, mas como um ardente desejo ou eros inefável do Gerador pelo Logos gerado, um amor que reside co-naturalmente Nele e que é comum ao Pai e ao Filho, procedendo o Espírito em Sua existência somente do Pai.
- O intelecto humano, criado à imagem de Deus, possui a imagem desse sublime Eros no amor que experimenta pelo conhecimento espiritual que origina e nele permanece, um amor que é do intelecto e no intelecto, demonstrando que, no Arquétipo, o divino Eros é indistintamente o que a Bondade é, sendo chamado de Espírito Santo e outro Consolador, perfeito em uma hipóstase perfeita, sem ser inferior à essência do Pai.
- A natureza noética e inteligente dos anjos também possui intelecto, o logos que procede do intelecto e o eros do intelecto por seu logos, mas esse espírito neles não é gerador de vida, enquanto a alma humana recebeu de Deus um espírito gerador de vida, que sustenta e vivifica o corpo, sendo o espírito que vivifica o corpo o eros noético que procede do intelecto e de seu logos.
- A alma humana, por possuir intelecto, logos e espírito gerador de vida, é a única criada à imagem de Deus, imagem que possui inalienavelmente, mesmo que perca a semelhança divina pelo pecado, podendo, contudo, através do amor e da submissão a Deus, recuperar a vida eterna e fazer o corpo participar da glória imortal.
- A natureza triádica da alma humana, sequente à Trindade suprema, foi feita noética, inteligente e espiritual, devendo manter seu rango, ser sequente a Deus e adornar-se com a contemplação e o amor por Ele, para que, ao possuir a imagem e semelhança de Deus, aprenda a amar a Deus mais que a si mesma e ao próximo como a si mesma.
- O autor do mal, o inimigo, sendo um ser inferior à alma humana, desejou tornar-se como o Criador e, por ter se afastado de Deus, tornou-se um espírito morto e gerador de morte, enquanto o homem, se tivesse rejeitado seu conselho, teria obtido uma fácil vitória sobre ele e alcançado a imortalidade.
- Nenhum ser é superior ao homem a ponto de poder aconselhá-lo, a menos que o homem mantenha seu rango, conheça a Deus e obedeça a Seus conselhos, pois os anjos, embora superiores em dignidade, são ministros enviados para servir e não para governar, e mesmo eles, criados à imagem de Deus, são nossos conservos.
- Os anjos são ordenados a servir o Criador, mas não a governar seres inferiores, a menos que sejam enviados para isso, e Satanás, ao desejar governar contra a vontade do Criador, foi abandonado por Deus e, por inveja, enganou o homem para que desprezasse o mandamento divino e participasse de sua apostasia e morte.
- A alma inteligente pode estar morta mesmo enquanto vive no corpo, como ensina São Paulo, pois a vida em essência não impede a morte espiritual, e aqueles que vivem na indulgência e no pecado, ou que estão sepultados em seus mortos, estão mortos para a alma, mesmo que vivos no corpo.
- Os primeiros homens, ao desprezarem o mandamento de Deus e se unirem ao espírito morto de Satanás, tornaram-se mortos em espírito como ele e transmitiram esse estado de morte espiritual aos seus próprios corpos, que teriam se decomposto imediatamente se não fosse pela providência divina.
- Deus não criou a morte, mas, por Sua justiça, deu um conselho que levaria à imortalidade e advertiu sobre as consequências da rejeição, e tudo o que vem Dele, mesmo sem nossa vontade, é para nosso proveito, ao passo que o que fazemos por iniciativa própria, desobedecendo a Seus mandamentos, é destrutivo.
- Seja por amor, por reconhecimento do que é proveitoso ou por temor ao poder de Deus, os primeiros homens não deveriam ter sido persuadidos a desobedecer, e aqueles que hoje não resistem ao pecado e desprezam os mandamentos divinos, sem se arrependerem, seguem para a morte espiritual e eterna.
- São Gregório de Nazianzo esclarece que a árvore do conhecimento do bem e do mal representa a contemplação divina, acessível apenas aos perfeitos, e que o alimento mais prazeroso aos sentidos não é bom para todos, especialmente para os imaturos que não sabem usá-lo sem serem dominados por ele.
- Os primeiros homens, por viverem no paraíso, não deveriam ter se aventurado na experiência das coisas prazerosas aos sentidos antes de adquirirem maior estabilidade na vida de contemplação, pois a visão da árvore já bastou para tornar o demônio um conselheiro aceitável, e o gosto, ainda mais, tornou a desobediência inevitável.
- A sentença de morte para a alma, consequência da transgressão, foi justa, pois Deus a abandonou sem constrangê-la, mas, por compaixão, adiou a execução da sentença de morte para o corpo, dizendo: “Tu és terra e à terra voltarás”, indicando que a morte não foi um decreto imediato, mas uma previsão adiada.
- A morte tornou-se o destino da humanidade, e o corpo foi tornado mortal, resultando em miríades de mortes sucessivas até a morte final, pois nascemos na corrupção e estamos em constante transição, nunca sendo verdadeiramente os mesmos, como a chama que se move continuamente ao longo de uma palha.
- Deus, por sua imensa compaixão, adiou a morte do homem para que não desesperasse, concedendo tempo para o arrependimento, aumentando a raça humana para que o número de nascidos superasse o de mortos, e fazendo surgir muitos homens sábios e virtuosos, mas nenhum que pudesse reparar a derrota original sem pecado.
- A profundidade das riquezas, sabedoria e compaixão de Deus é tal que, se não houvesse morte e a raça humana não se tornasse mortal, não seríamos enriquecidos com as primícias da imortalidade nem seríamos chamados aos céus, pois Deus sabe transformar em bem as quedas resultantes de nossa perversão livre.
- Cada um de nós é mais culpável que Adão, pois, embora a mesma árvore não esteja em nós, o mandamento de Deus está, e se o obedecermos, seremos libertos do castigo e da maldição, mas se o rejeitarmos, seremos lançados no fogo eterno.
- O mandamento divino que agora nos é dado é o arrependimento, cuja essência é nunca mais tocar nas coisas proibidas, e Deus, em Sua grande bondade, desceu até nós e Se fez homem para nos ensinar novamente e nos resgatar, dando-nos o conselho salvífico do arrependimento, com o qual o reino dos céus se aproximou.
- Uma vez que o Logos de Deus trouxe o reino dos céus para perto de nós, não nos afastemos dele com uma vida impenitente, mas busquemos os frutos do arrependimento e a ausência de paixões, pois o Rei do céu está dentro de nós, e a Ele devemos nos apegar através de atos de arrependimento e paciência.
- A ausência de paixões e a posse da virtude constituem o amor a Deus, pois o ódio ao mal introduz o desejo pelos bens espirituais, e aquele que os possui ama a Deus, estando em Deus e tendo Deus dentro de si, pois o amor a Deus nasce das virtudes e as virtudes nascem do amor.
- O Pai supremo é o Pai da Verdade, e o Espírito Santo é o Espírito da verdade, e aqueles que adoram o Pai em Espírito e em Verdade são os verdadeiros adoradores, sendo ativados por Eles, que concebem o Incorpóreo incorporeamente.
- Deus é espírito e incorpóreo, não estando situado em lugar algum nem circunscrito por limites espaciais, mas estando em toda parte e além de tudo, pois sustenta e abraça todas as coisas, sendo adorado por seus verdadeiros adoradores em Seu Espírito e em Sua Verdade.
- Anjos e almas, sendo incorpóreos, não estão em um lugar particular nem em toda parte, mas dependem daquele que os sustenta e estão Nele, sendo por Ele delimitados, enquanto a alma, por sustentar o corpo com o qual foi criada, está em toda parte no corpo, sustentando-o e vivificando-o, por ser imagem de Deus.
- O homem é criado mais perfeitamente à imagem de Deus do que os anjos, por possuir em si um poder de sustento e vivificação e uma capacidade de soberania, com uma faculdade governante e outra subserviente, e Deus lhe deu senhorio sobre toda a terra, enquanto os anjos não têm um corpo sujeito ao seu intelecto.
- A natureza tríplice do nosso conhecimento, que abrange a faculdade de percepção sensorial, a razão e o intelecto, demonstra que nós, mais do que os anjos, somos criados à imagem de Deus, sendo dados apenas ao homem a agricultura, a construção e a arte de tornar o pensamento invisível audível e visível.
- Aqueles que participam da iluminação divina, que é incriada mas não é a essência divina, possuem um conhecimento espiritual das coisas criadas, e os que seguem Barlaão e Acindino, ao afirmarem que ela é criada ou a essência de Deus, são refutados por São Dionísio, o Areopagita, que a chama de iluminações sem princípio e sem fim.
- Pela queda, nossa natureza foi despojada dessa iluminação divina, mas o Logos de Deus, compadecido, assumiu nossa natureza e a manifestou em Tabor revestida de esplendor, mostrando o que fomos e o que seremos na era vindoura, se vivermos de acordo com Seus caminhos.
- Adão, antes da queda, participava dessa iluminação e resplendor divinos, estando vestido com uma túnica de glória, da qual São Paulo fala como nossa morada celestial, e que São Paulo recebeu como penhor na estrada para Damasco, sendo descrita por São Gregório de Nazianzo como uma breve irradiação da grande Luz.
- A supraessencialidade divina nunca é nomeada no plural, mas a graça e a energia incriadas de Deus são indivisivelmente divididas, como os raios do sol, e por isso são chamadas não apenas de uma, mas também de múltiplas pelos teólogos, sendo, portanto, incriadas, como atesta São Basílio Magno sobre as energias do Espírito.
- A energia incriada de Deus, sendo indivisivelmente dividida e múltipla, é concedida proporcionalmente à capacidade dos que dela participam, sendo a iluminação que os deifica, e não a essência, como mostram os teólogos ao falarem do Espírito Santo, cujas energias são sete em número, conforme Isaías, indicando uma multiplicidade.
- Isaías chama essas energias de sete espíritos que repousam sobre a humanidade do Senhor, e São Gregório de Nazianzo confirma que são as energias do Espírito, sendo o repouso um privilégio de dignidade superior que indica a natureza incriada dessas energias, refutando a ideia de que são criaturas.
- O Senhor Jesus expulsou demônios “pelo dedo de Deus”, e São Basílio explica que o dedo de Deus é uma das energias do Espírito, demonstrando que as outras também o são, e que essas energias, sendo processões, manifestações e operações naturais do único Espírito, não são criaturas, como afirmam os heterodoxos.
- Os defensores de Acindino, ao dizerem que apenas a natureza divina é incriada e que qualquer coisa distinta dela é criada, incorrem em contradição, pois a energia é uma atividade essencial e natural da natureza divina, como ensina São João Damasceno, e se a energia fosse criada, seria ativada por outra energia, e assim por diante, ao infinito.
- A energia de Deus é acessível às criaturas, pois é indivisivelmente dividida, ao contrário da essência divina, que é totalmente indivisível, e São João Crisóstomo fala de uma “gota de graça” que encheu tudo com conhecimento, indicando que é uma energia, não a essência, que não é divisível.
- Três realidades pertencem a Deus: a essência, a energia e a tríade das hipóstases, e aqueles que se unem a Deus o fazem com respeito à Sua energia, não à Sua essência, pois a união hipostática só se cumpre no Logos Deus-homem, e o “espírito” pelo qual nos tornamos um com Deus é a energia incriada do Espírito Santo.
- Segundo São Máximo, os santos, ao se tornarem vasos da energia divina, são ícones vivos de Cristo, sendo o mesmo que Ele por graça, e a pureza em Cristo e nos santos é una, e a alma iluminada pelo Espírito torna-se espiritual e derrama graça sobre os outros.
- Os anjos superam os homens em graça, resplendor e união com Deus, sendo luminárias secundárias e ministros do supremo resplendor, enquanto a natureza criada está distante e é completamente estranha à natureza divina, pois Deus transcende toda natureza e todo ser.
- A proximidade ou distância de Deus não se dá por participação natural na essência, mas pelo que se alcança através da livre escolha, e entre todas as criaturas, apenas as dotadas de inteligência podem estar próximas ou distantes de Deus, capazes de miséria ou bem-aventurança.
- Quando comparadas entre si, algumas criaturas são consideradas naturalmente afins a Deus e outras estranhas, mas, propriamente falando, todas são por natureza estranhas a Ele, e a distância da natureza noética em relação a Deus é tão incomensurável quanto a da percepção sensível em relação aos seres noéticos.
- São João Damasceno ensina que, em teologia, nem todas as coisas são inexprimíveis nem todas são capazes de expressão, pois as realidades divinas transcendem a fala e o poder conceitual, e não devemos permitir-nos dizer algo sobre Deus, mas recorrer àqueles que falam no Espírito.
- A pessoa incapaz de conceber e discorrer sobre coisas inseparáveis como separadas é ignorante em geometria e não poderá compreender as muitas uniões e distinções em Deus, pois os seguidores de Acindino não aceitam a distinção indivisível, acusando os que a ensinam de falar de muitos deuses e realidades incriadas.
- São Paulo ensina que as realidades invisíveis de Deus, Seu poder eterno e divindade, são percebidas nas coisas criadas por meio da intelecção, mas não a essência, e os santos padres explicam que o que é incognoscível em Deus é Sua essência, enquanto o que é conhecível é o que pertence à Sua essência, como a bondade, a sabedoria e o poder, que são energias incriadas.
- São Basílio Magno, refutando Eunômio, escreve que as coisas criadas manifestam sabedoria, arte e poder, mas não a essência, provando que a energia divina manifestada pelas criaturas é incriada e não a essência, e os que, como Barlaão e Acindino, dizem não haver diferença são eunomianos.
- São Gregório de Nissa explica que, ao perceber a beleza e grandeza das maravilhas da criação, interpretamos cada intelecção sobre a Divindade com seu nome próprio, mas não alcançamos a essência, pois o termo “Deus” foi tomado de uma atividade providencial parcial, não da compreensão da essência.
- São Dionísio, o Areopagita, clarifica que a processão beneficente é uma distinção divina, pela qual a unidade divina se multiplica e se faz múltipla através da bondade, e que essas processões e energias são incriadas, pois são chamadas divinas e são distinções de toda a Divindade.
- São Dionísio chama as processões e energias de comunicações incondicionadas, para que ninguém suponha que sejam efeitos criados, pois a comunicação incondicionada é inerente por natureza ao comunicador, como se vê no caso da luz.
- São Dionísio celebra essas processões e energias como princípios participáveis e essenciais, que são paradigmas das coisas existentes, pré-existentes em Deus, e se as predeterminações e volições divinas que criam todas as coisas fossem criadas, a providência de Deus seria rebaixada a algo criado.
- O princípio participável do Ser absoluto não participa de nada, mas os outros princípios participáveis, por possuírem ser, participam do Ser absoluto, e como princípios essenciais participáveis, nunca começaram a existir, como afirma São Máximo, e não são criaturas, ao contrário do que os seguidores de Barlaão impiamente supõem.
- As providências criadoras e bondades, comuns à Unidade diferenciada tri-hipostática, são muitas e distintas, não sendo a essência de Deus, mas também não são o Filho ou o Espírito Santo, e por serem criadoras, são incriadas, caso contrário, o poder criativo seria criado por outro poder, e assim por diante, ao infinito.
- Deus, na superabundância de Sua bondade, estabeleceu o universo como multiforme, concedendo a alguns apenas o ser, a outros a vida, e a outros ainda a vida noética, para que, pela livre inclinação de sua vontade, alcançassem a união com Ele, sendo agraciados com Sua graça e energia deificante.
- As comunicações divinas, inerentes sem diminuição Àquele que as comunica, são Suas energias naturais e essenciais e, portanto, incriadas, e assim como apenas os que aspiram à luz superna participam integralmente da graça deificante e se unem a Deus, todos os outros seres são efeitos da energia criadora.
- Este resplendor e energia deificante de Deus, que deifica os que dele participam, constitui a graça divina, mas não é a natureza de Deus, que, embora esteja em toda parte, é imparticipável, ao passo que a energia do Espírito, estando presente em toda parte, é imparticipável para os que são indignos, manifestando-se apenas nos que estão purificados das paixões.
- A luz do sol é inseparável de seus raios, mas para os que não têm olhos ela é imparticipável, e da mesma forma, ninguém que desfrute do resplendor divino pode participar da essência do Criador, pois não há criatura com capacidade para percebê-la.
- São João Crisóstomo explica que o “Espírito” dado a Cristo sem medida é a energia do Espírito, que todos recebem por medida, mas Cristo a possui plenamente, mostrando que a energia é incriada, e ao dizer que a recebemos por medida, indica a diferença entre a energia incriada e a essência incriada de Deus.
- Se a energia divina não difere da essência, então o ato de criar não difere do de gerar e do de proceder, o que levaria a que as criaturas não diferissem do Filho e do Espírito Santo, e São Ciri, afirmando a distinção, diz que a geração pertence à natureza divina, enquanto a criação pertence à energia divina.
- Se a essência divina não difere da energia, então a vontade divina também não difere, e o Filho, que é gerado da essência, seria também criado da vontade, e como os santos padres testificam que Deus tem muitas energias, Ele teria muitas essências, o que é uma visão ímpia.
- As energias de Deus não diferem da essência, mas também não diferem umas das outras, e se a vontade não difere da presciência, então ou Deus não prevê todas as coisas porque não quer tudo o que acontece, ou Ele quer o mal também, pois prevê tudo, o que é negar que Ele é Deus.
- Se as energias divinas não diferem umas das outras, o poder criador não se distingue da presciência, e como Deus começou a criar em um momento particular, Ele também começou a prever em um momento particular, o que é incompatível com a divindade.
- Se a energia criadora não difere da presciência, então as coisas criadas são concomitantes com a presciência de Deus, e como Ele prevê sem princípio, Ele cria sem princípio, o que implica que as criaturas foram criadas sem princípio, e assim não são subsequentes a Ele.
- Se a energia criadora não difere da presciência, o ato de criar não está sujeito à vontade, e Deus criaria por natureza, não por volição, o que é incompatível com a divindade.
- Deus está em Si mesmo, e também no universo, e o universo está dentro de Deus, um sustentando e o outro sendo sustentado, e todas as coisas participam da energia sustentadora de Deus, mas não de Sua essência, e a onipresença divina constitui uma energia de Deus.
- Se nos conformamos a Deus e alcançamos a deificação, estamos em Deus e Deus está em nós, participando da energia divina de modo diferente do universo, mas não da essência, e a “divindade” é também um apelativo da energia divina.
- A natureza supra-essencial, que transcende a Divindade e a bondade, é incognoscível, inefável e imparticipável, e a ideia mais próxima que podemos ter dela é a de sua perfeita incompreensibilidade pela apófase, e só pode ser nomeada, de forma inexata, a partir de todas as coisas como a processão criadora e energia.
- O termo “natureza” também pode ser aplicado a atributos naturais, e São Gregório de Nazianzo diz que é a natureza de seu Rei doar bem-aventurança, e quando os padres dizem que a essência de Deus é imparticipável, referem-se à essência não manifesta, e quando dizem que é participável, referem-se à processão, manifestação e energia.
- Se participássemos da essência não manifesta de Deus, seríamos onipotentes, o que não é o caso, e São João Crisóstomo mostra que nem todos os dons do Espírito pertencem a cada indivíduo, dizendo que a graça não é a natureza, sendo a graça do Espírito, embora diferente da natureza divina, não separada dela.
- Se a essência de Deus é participada, ela seria multi-hipostática, e São Gregório de Nazianzo refuta essa visão dos messalianos e acindinistas ao dizer que a divindade habita nos que são purificados, mas não quanto à sua natureza, e a energia e o poder da natureza tri-hipostática é que são divididos e participados.
- O que participa de algo possui uma parte, e o que é participado é divisível, mas a essência de Deus é indivisível, sendo, portanto, imparticipável, enquanto a propriedade da energia divina é ser divisível, e São João Crisóstomo afirma que é a energia que é indivisivelmente dividida e participada.
- Participar da essência implicaria ter uma essência comum com aquilo em que se participa, mas São Basílio diz que as energias de Deus descem a nós, mas a essência permanece inacessível, e São Máximo afirma que o deificado por graça será tudo o que Deus é, sem possuir identidade de essência.
- Deus é idêntico em Si mesmo, e a energia das três hipóstases divinas é una, ao contrário das criaturas, onde cada hipóstase opera por si mesma, e a criação é a obra única das três, indicando que a energia divina é uma e a mesma.
- A vida ou poder que o Pai possui em Si mesmo não é diferente do que está no Filho, e o mesmo se aplica ao Espírito Santo, e aqueles que pensam que a energia não difere da essência são ignorantes e hereges, abolindo tanto a essência quanto a energia.
- Confessamos que o Filho de Deus é nossa vida quanto à causa e à energia, e que Ele também é vida em Si mesmo, e que a vida, quando falada em teologia não como causa, mas absoluta e em si mesma, não é outra coisa senão o Pai e o Filho e o Espírito Santo.
- Quando há atributos, pergunta-se a que eles pertencem, e se a essência não difere de cada um deles e de todos juntos, a essência una será muitas essências, e Deus será composto, o que São Ciri refuta ao dizer que, se o que pertence a Deus sozinho é inevitavelmente Sua essência, Ele será composto de muitas essências.
- São Ciri mostra que, mesmo quando o Filho é chamado de vida absoluta e independente, Ele não é diferente do Pai com respeito à vida, e ao dizer que a vida que está no Pai, ou seja, o Filho, é de alguma forma outro e não outro em relação ao Pai, ele demonstra que a vida não é a essência, refutando a visão que identifica a vida com o Filho como essência, que seria sabeliana.
- Os seguidores de Barlaão e Acindino se condenam ao dizer que São Ciri se contradiz, pois afirmar coisas verdadeiras em momentos diferentes é próprio do teólogo ortodoxo, e São Ciri, ao dizer que o Filho tem vida por natureza, mostra que a energia natural de Deus, que é recebida como dom de graça, também é chamada de vida.
- O Espírito Santo também é chamado de energia e poder pelos santos, pois possui as mesmas energias do Pai, e São Basílio Magno mostra que as energias do Espírito não são auto-subsistentes, distinguindo-as das criaturas, pois o que vem do Espírito como objetos criados são existências independentes.
- A teologia apofática não contradiz a catapática, mas mostra que as afirmações sobre Deus não se aplicam a Ele como a nós, e a teologia catapática pode ter força apofática, e ambas as formas de teologia são abraçadas, pois uma não exclui a outra.
- São Gregório de Nazianzo ensina que o “Incriado” e o “Primeiro Criado” são atributos que pertencem à natureza, mas não são a natureza em si, e não são criaturas, nem tornam Deus composto, e a leitura dos escritos contra Eunômio mostra que os seguidores de Barlaão e Acindino concordam com ele.
- Os eunomianos afirmavam que o Pai e o Filho não têm a mesma essência porque tudo o que é predicado de Deus é dito com relação à essência, e os acindinistas afirmam que não pode ser o mesmo Deus quem possui essência e energia, porque tudo o que é predicado de Deus é essência, e para refutar ambos, basta mostrar que nem tudo o que é predicado de Deus é dito com relação à Sua essência.
- Os acindinistas, como os eunomianos, degradam a energia de Deus ao nível de criatura, alegando evitar dois Deus, mas não compreendem que, assim como o Pai é chamado de Pai em relação ao Filho, um atributo incriado que não significa a essência, Deus possui energia incriada, mesmo que ela difira da essência, e são eles que dividem impiamente a divindade em criada e incriada.
- Um acidente é o que vem a ser e deixa de ser, mas em Deus nada disso ocorre, e nem tudo o que é dito de Deus significa Sua essência, pois o que pertence à categoria de relação é também predicado d'Ele, e tal é a energia divina, que não é essência nem acidente, embora seja chamada de acidente por alguns teólogos para indicar que está em Deus e não é essência.
- São Gregório de Nazianzo ensina que o Espírito Santo, se for um acidente, seria uma energia de Deus, e isso não torna Deus composto, pois Deus possui uma energia completamente impassível, agindo sem ser afetado, e contrastando a energia com o que é criado, ele mostra que ela é incriada.
- São João Damasceno escreve que a energia é a atividade dinâmica e essencial da natureza, e o que possui a capacidade de energizar é a natureza da qual procede a energia, e a energia é ativada e não energiza, o que não implica que seja criada, pois ela também energiza, mostrando que é incriada.
- Estados, condições, lugares, tempos, não são literalmente predicados de Deus, mas criar e energizar podem ser predicados d'Ele no sentido mais verdadeiro, pois Deus cria do nada por Sua energia onipotente, e por essa energia Ele pode ser referido em relação à criação e possui potencialidade.
- Todas as coisas existentes podem ser agrupadas em dez categorias, mas Deus é essência supra-essencial, na qual só se pode ver relação e atividade ou criação, e essas duas coisas não produzem composição ou mudança em Sua essência, e os que afirmam que Deus é apenas essência, sem nada a ser visto Nele, fabricam um Deus sem criatividade, energia e relação.
- Deus possui o que não é essência, e como não é essência, não é um acidente, pois é imutável, mas também não é essência, pois não é auto-subsistente, e alguns teólogos dizem que é de certa forma um acidente para indicar que não é essência, e a vontade e energia divinas existem e pertencem a Deus, não sendo essência nem acidente.
- A menos que uma essência tenha uma energia distinta de si mesma, ela carecerá totalmente de existência real e será um mero conceito mental, e quando uma essência possui uma energia inerente distinta de si mesma, sabe-se que ela possui um estado individual de ser e não carece de existência real.
- Deus possui energia inerente que O manifesta, distinta de Sua essência, e por isso possui um estado individual de ser, e como essas energias são vistas em três Pessoas, Deus é conhecido como uma essência em três estados individuais de ser ou hipóstases, enquanto os acindinistas, ao negarem isso, privam o Senhor tri-hipostático de existência real.
- A energia das três hipóstases divinas é uma não no sentido de similaridade, mas de unidade numérica verdadeira, e os acindinistas, ao negarem uma energia comum incriada, privam novamente o Deus tri-hipostático de existência real.
- Ao dizerem que a energia distinta da essência de Deus é criada, os acindinistas concluem que o poder criativo de Deus é criado, o que é absurdo, pois assim como não se pode dizer que a existência de Deus é criada e ao mesmo tempo que Seu ser é incriado, também não se pode dizer que Sua energia é criada e ao mesmo tempo que Seu poder de agir e criar é incriado.
- As coisas criadas não são a energia de Deus, mas os efeitos da energia divina, pois se fossem a energia, ou seriam incriadas, o que é tolice, ou Deus não teria energia antes das criaturas, o que é ímpio, e a energia de Deus é incriada e coeterna com Deus.
- A energia não é conhecida a partir da essência, mas sabemos pela energia que a essência existe, e a energia é o que faz conhecer, enquanto a essência é aquela cuja existência é tornada conhecida pela energia, e os acindinistas, ao abolirem essa diferença, tentam nos convencer de que não podemos saber que Deus existe.
- Os acindinistas, ao dizerem que a energia não difere da essência, agem como Sabélio, que negava a distinção hipostática do Pai e do Filho, e agora eles negam que Deus tenha energia, pois se não houvesse diferença, Deus não teria capacidade de criar e atuar, e a relação e a energia sempre se afirmam em relação a outra coisa.
- São Basílio, São Ciri e São João Damasceno afirmam que a energia não se confunde com a essência, que gerar pertence à natureza e criar à vontade, e que a energia é a atividade essencial da natureza, diferindo da essência divina em muitos aspectos.
- A essência de Deus é inominável e incompreensível, mas a nomeamos com base em todas as suas energias, e cada nome tem um significado diferente com relação às energias, e os acindinistas, ao dizerem que essas energias são criadas porque diferem umas das outras e da natureza divina, degradam Deus a uma criatura.
- A essência de Deus é imparticipável porque transcende a participação, e os acindinistas, ao negarem a distinção entre energia e essência, dizem que ou haverá muitos deuses ou Deus será composto, mas não é o atuar e a energia, mas o ser afetado e a passividade que produzem composição, e como Deus atua sem ser afetado, não é composto por causa de Sua energia.
- O Senhor prometeu a alguns que veriam o reino de Deus vindo com poder, e no Tabor, Pedro, Tiago e João viram a luz divina e inexprimível, que São Gregório, São Basílio e São João Damasceno chamam de divindade, beleza, resplendor e raio natural da Divindade, sendo a visão e o deleite dos santos na era sem fim.
- Essa luz divina e inexprimível, que é a divindade e o reino de Deus, os seguidores de Acindino a chamam de aparição e criatura, e difamam como diteístas aqueles que afirmam que Deus é incriado tanto em Sua essência quanto em Sua energia, mas eles deveriam se envergonhar, pois a luz divina, sendo incriada, pertence a um só Deus.
- Os seguidores de Acindino, por afirmarem no Sínodo que a luz do Tabor era uma aparição e criatura, e por não mudarem de ideia, foram excomungados e anatematizados, pois blasfemam contra a economia de Deus na carne, degradando a divindade a uma criatura e professando duas divindades em Deus.
- Em outras ocasiões, esses mesmos procuram esconder sua heresia dizendo que a luz do Tabor é incriada e a essência de Deus, mas São João Crisóstomo, sobre a visão de Isaías, mostra que o que foi visto não foi a essência de Deus, mas Seu dom, e que a supraessencialidade divina nunca apareceu a ninguém.
- Quando se pergunta aos acindinistas se a essência de Deus é visível, eles são forçados a desmascarar sua traição, pois afirmam que a luz é a essência, mas dizem que a essência de Deus pode ser vista por meio de criaturas, o que é a doutrina de Eunômio, e por isso devem ser evitados, pois seu ensinamento é uma serpente destruidora de almas.
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