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primal:conselho:2
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- Descer ao nível mais ignorante do entendimento — que alguns, por experiência, consideram o mais elevado — e pensar não o que se é, mas que se é, pois investigar os próprios atributos exige grande habilidade intelectual, ao passo que a simples consciência da própria existência está ao alcance de qualquer ignorância.
- O exercício de saber o que se é — homem por natureza e miserável pecador pelo pecado — já foi realizado com o auxílio da graça e basta para o momento presente
- Remexer nas próprias impurezas acarreta apenas pestilência — é preciso deixá-las ir sem as agitar mais
- A condição prévia para a contemplação é a absolvição sacramental completa, geral e particular, segundo os preceitos da Santa Igreja, após a qual basta pensar, sem artifício, que se é como se é, por mais miserável que se seja.
- Quem se sente vil, abjeto e sobrecarregado consigo mesmo deve prosseguir ainda assim, aplicando o remédio indicado
- Sem a absolvição devida, nem o contemplativo nem ninguém pode ousar empreender essa obra
- O movimento contemplativo consiste em aplicar Deus bom e gracioso, tal como ele é, como emplastro sobre o próprio ser enfermo, ou em erguer o ser enfermo em direção a ele, pois tocá-lo é saúde eterna.
- A mulher do Evangelho testemunha isso ao dizer: Si tetigero vel fimbriam vestimenti eius, salua ero — “Se eu tocar apenas a orla do seu manto, serei curada”
- O toque elevado do próprio ser de Deus — do seu próprio e querido si mesmo — cura a enfermidade com muito maior eficácia do que o toque da orla do manto
- Nenhum atributo importa agora — nem os do próprio ser nem os de Deus, sejam puros ou miseráveis, divinos ou humanos, oriundos da graça ou da natureza
- Apenas a percepção cega do ser nu deve ser erguida com ardor de amor para se ligar e unir em graça e espírito ao ser precioso de Deus tal como ele é em si mesmo
- Os pensamentos intrusos não encontram alimento na contemplação e por isso impelem o contemplativo a abandoná-la, mas esse mesmo fato é razão para amá-la ainda mais, pois nenhuma obra dos sentidos corporais ou espirituais aproxima tanto de Deus e afasta tanto do mundo quanto essa nua e pequena consciência do próprio ser oferecida a Deus.
- Os pensamentos julgam a obra sem valor justamente porque nada sabem a seu respeito
- Diante dos pensamentos que tentam desviar o contemplativo, ele deve impor-se como senhor deles, sem se voltar para alimentá-los, por mais impetuosos que sejam.
- Alimentar os pensamentos significa deixá-los vagar pelas meditações engenhosas sobre os atributos do próprio ser — meditações boas e úteis em si mesmas, mas muito dispersas em comparação com a consciência cega e com a oferta do ser
- Essa dispersão afasta da unidade perfeita que deve existir entre Deus e a alma
- É preciso avançar no nível mais profundo do espírito — que é o próprio ser — e não recuar por nada, por mais bom ou santo que pareça aquilo para o qual os pensamentos convidam
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