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JOÃO CLÍMACO — A ESCADA DO CÉU

VIGÉSIMO OITAVO GRAU – Sobre a oração, fonte santa e fecunda de virtudes; sobre o recolhimento do espírito e o repouso do corpo, que lhe são necessários.

  1. A oração é uma santa conversação e uma doce união com Deus, mas considerando sua virtude e potência, deve-se dizer que ela conserva o mundo, reconcilia a terra com o céu, produz as lágrimas sinceras do arrependimento, apaga os pecados, triunfa das tentações, consola e protege durante as aflições, põe fim às guerras cruéis dos inimigos, exerce as funções dos anjos, torna-se o alimento dos espíritos, procura as alegrias futuras, entretém o coração numa ação contínua, faz adquirir as virtudes, obter os dons celestes e avançar a grandes passos nas vias da perfeição, sendo o verdadeiro trigo da alma, a luz do espírito, a ruína do desespero, a mestra da esperança, o flagelo da tristeza, a fortuna dos religiosos, o tesouro dos solitários, a extinção da cólera, o espelho dos progressos na virtude, a demonstração certa das regras a seguir, a manifestação do estado da alma, a noção clara dos bens futuros e o indício da glória eterna, sendo enfim na pessoa que ora uma espécie de palácio e tribunal onde o soberano Juiz, sem esperar o último dia, profere a todo momento seus arrastos de justiça e misericórdia.
  2. É preciso levantar-se e escutar com atenção esta rainha das virtudes que chama e dirige em alta voz estas palavras: vinde a mim todos vós que peinais e vergais sob o fardo, e eu vos aliviarei; tomai sobre vós meu jugo e encontrareis o repouso para vossas almas e a cura de vossas feridas, pois meu jugo é doce e tenho o poder de apagar as maiores faltas.
  3. Quando se apresenta diante do Rei e Deus para lhe dirigir os votos e súplicas, é preciso ter cuidado de se preparar para esta importante ação e temer que, vendo chegar de longe sem as armas espirituais e sem os outros ornamentos que ele exige, não ordene aos executores de sua justiça que expulsem vergonhosamente da sua presença, carreguem de correntes e conduzam ao exílio, depois de ter rasgado diante dos olhos e jogado ao rosto as petições e orações.
  4. Vai-se fazer a Deus algumas orações, é preciso revestir com cuidado a alma das roupas que lhe convêm, despindo o espírito e o coração de toda lembrança e sentimento das injúrias recebidas dos irmãos, pois essa lembrança e sentimento paralisariam absolutamente o efeito da súplica.
  5. É preciso fazer com que a oração seja simples, sincera e sem afetação, pois uma só palavra teve outrora o poder de reconciliar com Deus o publicano e o filho pródigo.
  6. As pessoas que se apresentam diante de Deus para orar aparecem quase todas na mesma postura, mas não oram todas da mesma maneira, pois as formas e variedades da oração são inumeráveis: umas falam e agem com Deus como fariam com um amigo ou mestre cheio de benevolência, outras conjuram com ardor o Senhor de lhes conceder graças e favores espirituais, outras lhe pedem todos os socorros para triunfar e se livrar inteiramente dos esforços dos inimigos, outras solicitam com instância alguma vantagem espiritual, outras exprimem a Deus o desejo de serem descarregadas das inquietações cruéis da dívida para com sua justiça, outras enunciam o desejo de sair da prisão do corpo, outras se contentam em postular o perdão das faltas cometidas.
  7. Testemunhar a Deus uma viva e sincera reconhecimento dos benefícios recebidos dele é a primeira coisa a fazer e a que nunca se deve faltar no começo das orações; uma humilde e humilhante confissão dos pecados é a segunda; exprimir a Deus de todo o coração o horror e a dor pelos pecados é a terceira.
  8. Quem já compareceu diante de um juiz da terra deve lembrar-se de como agiu para ganhar a causa e conduzir-se do mesmo modo diante de Deus, ou então que os doentes a quem se vai fazer uma operação pelo ferro e pelo fogo ensinem a orar a Deus.
  9. É preciso guardar-se bem de buscar nas orações palavras elegantes e bem arranjadas, pois muitas vezes as palavras simples e entrecortadas das crianças lhes atraíram a amizade e as boas graças de seu Pai que está nos céus.
  10. Não se deve empregar longos discursos ao orar, pois o cuidado e a pena para encontrar palavras capazes de exprimir os pensamentos e sentimentos dissipariam o espírito e fariam perder o recolhimento necessário, sendo que as grandes palavras e belas frases só servem para encher o espírito de ilusão e dissipação, enquanto poucas palavras ditadas por um coração cheio de fé forçaram o espírito a voltar ao recolhimento e à atenção.
  11. Sente-se comovido e tocado por algum pensamento ou sentimento que se exprime a Deus, não se passe adiante, detenha-se ali, pois é uma prova de que o anjo da guarda ora com a pessoa.
  12. Tendo-se sólidas razões de crer que o coração é puro e inocente, não se deve por isso falar a Deus com demasiada familiaridade, mas com uma humildade profunda, e essa humildade fortalecerá a confiança em sua Misericórdia.
  13. Ainda que se tivessem adquirido todas as virtudes, não se cesse de pedir perdão a Deus pelos pecados, pois São Paulo não diz ele mesmo que é o primeiro dos pecadores.
  14. As carnes se temperam com sal e azeite, mas é com a temperança e as lágrimas da penitência que se tempera a oração.
  15. Quando se tiver adquirido uma doçura perfeita e triunfado completamente da aspereza e da cólera, ter-se-á pouca violência a fazer para ser livre de todo transtorno e agitação nas orações.
  16. Enquanto não se adquiriu a verdadeira oração, é-se semelhante aos pequenos filhos a quem se ensina a andar.
  17. É preciso trabalhar para elevar o espírito até o céu, ou melhor, fixá-lo na meditação de certas palavras que se encontram nas orações, e, embora por causa da fraqueza da infância espiritual aconteçam quedas, é preciso levantar-se prontamente e retomar corajosamente o caminho.
  18. Se alguma vez se considerou Deus, que é o sol da justiça, poder-se-á entreter com ele segundo o respeito que lhe é devido, mas se ainda não se teve a felicidade de vê-lo e conhecê-lo, como será dado poder tratar com ele.
  19. Para merecer esse grande bem, é preciso ter cuidado de nunca começar as orações sem ter desligado e rejeitado com grande coragem todas as distrações que acontecessem, continuando-as em seguida aplicando fortemente o espírito à meditação das palavras, e terminando-as por um santo arrebatamento em Deus.
  20. As doçuras e a alegria que experimentam no santo exercício da oração os religiosos que vivem com seus irmãos são todas diferentes das doçuras e alegria que saboreiam os religiosos que vivem na solidão, pois os primeiros se encontram expostos às ilusões da vaidade enquanto os solitários não estão expostos a elas, tendo apenas Deus por testemunha de sua oração e a santa humildade tornando-se a alma de suas comunicações com o Senhor.
  21. Ser-se-á recolhido em toda parte, mesmo à mesa, se por esforços constantes e por uma atenção sustentada se entretém no recolhimento e se consegue trazer prontamente o espírito quando ele se extravia.
  22. Eis por que São Paulo, esse homem de oração tão santa e perfeita, não hesita em assegurar que prefere na oração dizer apenas cinco palavras do fundo do coração do que dez mil com a boca, mas essa perfeição não pode ser de imediato a partilha dos jovens religiosos nem daqueles que apenas começam a servir a Deus.
  23. É preciso fazer atenção que há uma grande diferença entre o que suja as orações, o que as aniquila, o que as furta e o que as dissipa: sujam-se as orações deixando-se ir a pensamentos vãos e ridículos, aniquilam-se tornando-se escravo e joguete dos cuidados inúteis e supérfluos, deixam-se furtar as orações entregando o espírito sem querer perceber a pensamentos vagos e indiferentes, e enfim faz-se ilusão nas orações quando, ao orar, se deixa levar por alguns movimentos impetuosos.
  24. Fazendo-se as orações na presença de várias pessoas, é preciso esforçar-se interiormente para humilhar a alma da mesma maneira que aqueles que dirigem e apresentam petições aos príncipes humilham exteriormente o corpo; estando-se só ao orar e sem diretor, não se deve dispensar as disposições corporais e exteriores que convêm à oração, pois o espírito se conforme bastante ao corpo nas pessoas que ainda não estão muito avançadas nas vias de Deus.
  25. Todos aqueles que se apresentam diante do Rei eterno, mas sobretudo as pessoas que querem obter o perdão de seus pecados, devem, em seus interesses espirituais, oferecer-lhe os sentimentos sinceros de um coração contrito e humilhado.
  26. É preciso cingir-se com o cinto da obediência, despir-se inteiramente da própria vontade e, morto para si mesmo, apresentar-se diante de Deus para lhe oferecer o incenso das orações, pois se só se estuda a conhecer e seguir a Vontade do Senhor, sentir-se-á que ele virá visitar a alma e conduzi-la sem perigo até a vida eterna.
  27. Se alguém se eleva acima do amor do século e dos prazeres da terra, rejeitará para longe de si todas as inquietações da vida presente, desembaraçará o espírito de todos os pensamentos vãos e inúteis e renunciará ao próprio corpo, pois a oração não é outra coisa senão uma renúncia perfeita a tudo o que diz respeito a este mundo presente, um esquecimento de todas as coisas que se veem ou não se veem, tanto das corporais quanto das incorpóreas.
  28. É a fé que dá asas à oração, pois sem ela ela não poderia penetrar até o céu.
  29. Quem quer que seja, experimentando-se os transtornos e agitações que dão as paixões e os maus pendores, não se desencoraje, mas peça a Deus com fé firme e com instância para deles ser livre, e não perca de vista que todas as pessoas que enfim chegaram à tranquilidade do coração só chegaram a ela passando por esse mar de transtornos e agitações.
  30. Ainda que um juiz possa não temer o Senhor, ele faz justiça por causa das instantes importunações de que se vê fatigado, e assim age o Senhor para conosco: vendo a alma que lhe será exposta despida de sua graça pelo pecado, ele lhe concederá triunfar de seu corpo, que é seu temível adversário, e vingar-se dos demônios, seus cruéis inimigos.
  31. Esse bom e caritativo dispensador de dons e favores atende sem demora as almas fervorosas e reconhecidas e as faz entrar imediatamente no palácio sagrado de seu Amor, mas deixa as almas frias e sem reconhecimento sofrer longamente fome e sede para que essas dores as forcem a perseverar na oração.
  32. Não se diga que, embora se tenham feito longas orações, não se fez nenhum progresso, pois não se deve ver que essa constância, ainda que sozinha, seria já um grande avanço.
  33. Um criminoso e um condenado ao suplício tremem menos ao lembrar da sentença que foi ou será pronunciada por seus juízes do que um cristão que está possuído do desejo de fazer boas orações treme de fazê-las de maneira indigna do Senhor.
  34. É por uma oração contínua do coração que se deve preparar para a oração interior e exterior pela qual se quer, apresentando-se diante de Deus, oferecer-lhe os votos e súplicas, e conduzindo-se assim não há dúvida de que se farão grandes progressos em pouco tempo.
  35. A salmodia que tem lugar na comunidade pode, é verdade, expor a distrações e pensamentos de transtorno, enquanto a salmodia dos solitários não está sujeita aos mesmos inconvenientes, mas a presença dos irmãos recolhidos e fervorosos pode proporcionar fervor e tirar da negligência, enquanto a preguiça e a covardia dos solitários não têm os mesmos remédios.
  36. A guerra que um rei sustenta contra seus inimigos lhe faz conhecer o amor e o apego que os soldados lhe têm, e a oração manifesta o amor e a ternura que se tem por Deus.
  37. A oração mostra a si mesmo o verdadeiro estado da alma, e não é sem razão que os teólogos a chamam o espelho da alma do monge.
  38. Quem, tendo começado uma obra, a continua quando a obediência o chama à oração, engana-se grosseiramente, não seguindo senão a inspiração dos demônios, pois esses infames ladrões roubam uma a uma as horas da vida.
  39. Ainda que não se tenha o dom da oração, se alguém se recomendar quando se orar a Deus, não se recuse essa recomendação, pois muitas vezes a fé viva da pessoa que pede o socorro das orações obtém para aquele a quem a recomendação foi feita a graça de uma sincera contrição que justifica e salva.
  40. Deus, quando se ora pelos irmãos, atende as orações, é preciso tomar cuidado para não se entregar à vã glória, pensando que é a fé deles que deu essa virtude e eficácia.
  41. Cada dia os preceptores obrigam seus alunos a prestar conta exata das lições que lhes dão, e assim Deus pedirá conta da força e da virtude que ele tiver dado a todas as orações, motivo pelo qual, quando se ora com o maior fervor, deve-se velar sobre si com uma atenção toda particular, pois é então que os demônios atacam com mais violência por movimentos de impaciência para fazer perder o fruto das orações.
  42. Deve-se, sem dúvida, praticar todas as boas obras com grande afecção de coração, mas é sobretudo à oração que se deve essa disposição da alma, podendo-se dizer que uma alma ora com essa santa afecção do coração quando triunfou perfeitamente da cólera.
  43. Ah, quão sólidos e duráveis são os bens espirituais adquiridos por muitas orações e por longos anos de provas, trabalhos e penas.
  44. Quando se tem a felicidade de estar unido a Deus, não se inquieta com quais palavras se servirá para lhe falar na oração, pois o Espírito Santo ora ele mesmo com gemidos inefáveis numa pessoa que se encontra nesse feliz estado.
  45. Quando se ora, é preciso expulsar exatamente do espírito todas as representações e imagens que se apresentam, para não cair na cegueira e na insensibilidade.
  46. É a própria oração que fará conhecer e dará a segurança de que as orações foram atendidas, sendo essa segurança uma graça que o Espírito Santo faz, pela qual ele tira toda dúvida e hesitação.
  47. Tendo-se um verdadeiro desejo de que as orações sejam atendidas, é preciso ser bom e cheio de comiseração para com os irmãos, pois será a misericórdia exercida para com o próximo que fará obter o cêntuplo neste mundo e a vida eterna no outro.
  48. O fogo celeste inflama com suas benfazejas ardor as orações que se está resolvido a fazer com amor e reverência, e, uma vez assim aquecidas, elas sobem até o céu e fazem descer dele numa alma que ora nessas felizes disposições novas chamas que a purificam e santificam cada vez mais.
  49. Há pessoas que pensam que a oração é mais útil do que a meditação da morte e do que se seguirá a ela, mas ambas as práticas de piedade são igualmente salutares e têm a mesma natureza.
  50. Quanto mais um cavalo forte e ardente avança para o objetivo para onde é dirigido, mais ele se anima, se lança e se esforça por chegar pela rapidez de sua corrida, e tal deve ser a conduta de uma alma no sagrado exercício da oração.
  51. É bem penoso para uma pessoa devorada pelas ardor de uma sede ardente ver-se tirar a água com que ia se saciar, mas é muito mais cruel para uma alma que ora com grandes sentimentos de compunção ser obrigada a interromper sua união e conversa com Deus.
  52. Não se deve pôr fim à oração enquanto se experimentar em si mesmo as ardor do fogo que Deus ali pôs e enquanto ele não fizer secar ele mesmo a fonte das lágrimas que sua graça faz derramar, pois talvez em toda a vida não se encontre ocasião tão favorável para merecer e obter o perdão das faltas.
  53. Acontece com demasiada frequência que pessoas, depois de terem recebido de Deus o dom de uma oração perfeita e de terem saboreado algum tempo as delícias e consolações celestes, sujam miseravelmente sua consciência por palavras inconsideradas e temerárias e buscam em seguida sem sucesso o que costumavam encontrar em suas orações.
  54. Há uma grande diferença entre meditar interiormente entretendo-se com o próprio coração e conduzir esse mesmo coração seguindo as luzes da parte superior da alma que, sendo iluminada pela fé, se torna rainha e capaz de oferecer a Cristo hóstias que lhe sejam agradáveis.
  55. Se os corpos são capazes de mudar ao tocar outros corpos, como poderia permanecer no mesmo estado o homem que, com uma alma e mãos puras, tivesse tocado Deus na oração.
  56. Encontra-se na conduta dos reis da terra uma imagem da conduta do Rei supremo e eterno, pois ele distribui muitas vezes ele mesmo as recompensas que concede a seus servidores, outras vezes as faz distribuir pelo ministério de alguns favoritos, outras vezes emprega apenas o ministério de alguns oficiais inferiores e enfim às vezes só as dá de maneira secreta e escondida, fazendo-se todas essas distribuições de recompensas segundo a humildade que reina nos corações.
  57. Um rei da terra não deixaria de ter horror a um súdito que, enquanto estivesse diante dele, desviasse o rosto para falar a seu inimigo, e que horror o Rei do céu não deve ter de uma pessoa que na oração se desvia dele para entreter-se com maus pensamentos e aprová-los.
  58. Se o demônio vier distrair durante as orações, é preciso expulsá-lo para longe como se expulsaria um cão, e nunca ceder às suas importunações.
  59. Peça-se a Deus seus dons e graças pelas lágrimas do arrependimento e da penitência, mas lembre-se que é pela obediência que se recolherão, e que é por uma paciência cheia de perseverança que se deve bater à porta de suas Misericórdias, porta que logo se abre a quem bate dessa maneira.
  60. Aconselha-se fortemente a não se carregar imprudentemente de orar por uma mulher, pois há o temor de que o demônio se sirva dessa ocasião para penetrar no coração e tirar o precioso tesouro das graças com que Deus ornou e dotou.
  61. Outra precaução a tomar é não considerar em particular e não examinar escrupulosamente as faltas corporais cometidas, pois é preciso temer que o inimigo ainda arme ciladas e se sirva da própria pessoa para fazê-la cair em suas emboscadas.
  62. O tempo que se deve empregar nos exercícios e nas ocupações espirituais e necessárias não se deve tomar para consagrá-lo à oração, sendo essa ainda uma astúcia pela qual o demônio quereria impedir de obter o que há de mais vantajoso e salutar na vida religiosa.
  63. Quem tem cuidado de andar apoiando-se sempre no bastão forte e poderoso da oração não fará quedas ou, se tiver a desgraça de dar alguns passos em falso, sua queda não será completa, sendo a oração uma doce e santa violência que se faz a Deus.
  64. As vitórias e triunfos que se obtiverem sobre os inimigos farão conhecer e sentir quais são a potência e a virtude da oração, razão pela qual Davi exclama que conheceu o amor de Deus porque lhe deu a segurança de que seus inimigos não terão motivo de se aplaudir das vantagens obtidas sobre ele.
  65. Todas as pessoas, tanto em relação ao corpo quanto em relação à alma, não estão nas mesmas disposições para cantar os louvores de Deus, pois umas gostam de cantar os salmos com certa celeridade e outras com certa lentidão.
  66. Se se implora assiduamente o socorro do Rei do céu contra os inimigos, esteja bem seguro de que eles não cansarão, pois se retirarão bem depressa e eles mesmos não temem nada tanto quanto fornecer ocasiões de procurar novos triunfos e novas coroas nos combates em que se vencem servindo-se contra eles da poderosa arma da oração, que como um fogo ardente os afastará e os fará fugir para longe.
  67. Tenha-se sempre uma firme confiança em Deus, e ele mesmo será o mestre que ensinará a salutar arte de bem orar, pois é Deus só que pode, no exercício mesmo da oração, fazer compreender sua excelência e as vantagens que ela proporciona.
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