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        <title>CRISTOLOGIA</title>
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        <title>ABANDONO DE ABRAÃO</title>
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        <description>ABANDONO DE ABRAÃO

Jacques Cazeaux, “Philon d&#039;Alexandrie” (Cerf, 1984)

Ele não abandona um país, definido por redundância como sua terra, o lugar onde mora sua família e sua casa. Ele deixa interiormente algumas realidades internas: seu corpo, para consentir na fabricação original do homem; sua sensação, para prestar mais atenção à segunda parte de seu ser, o pensamento; e até deixa a linguagem, cala-se, para aprender sem dúvida uma língua diferente. Toda essa anedota se coloca por simbolismo …</description>
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        <title>ALEGORIA FILONIANA</title>
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        <description>ALEGORIA FILONIANA

Jacques Cazeaux, “Philon d&#039;Alexandrie” (Cerf, 1984)

Uma alegoria (insistimos no “uma”) é uma figura de estilo: penso em uma coisa, mas digo outra para falar melhor da primeira; por exemplo, Aquiles é um leão: é esguio, solitário, espreita, salta, não abandona sua presa, ruge</description>
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        <title>ALEGORIA TOTALITÁRIA</title>
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        <description>ALEGORIA TOTALITÁRIA

Jacques Cazeaux, “Philon d&#039;Alexandrie” (Cerf, 1984)

Então, a interpretação alegórica atinge um nível de incandescência totalmente novo. Não se trata mais de “salvar” do absurdo ou do escândalo alguma passagem escabrosa, obscura para nós ou trivial, ou talvez em flagrante contradição com a experiência e com a ciência. Trata-se, ao explicar a Bíblia pela Bíblia, de fazer aparecer o motivo coerente de sua trama sem defeitos, única e variada ao mesmo tempo. O princípio fundame…</description>
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        <title>EXEGESE FILONIANA, ALEGORIA FILONIANA</title>
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        <description>EXEGESE FILONIANA, ALEGORIA FILONIANA

Jacques Cazeaux, “Philon d&#039;Alexandrie” (Cerf, 1984)

Alegoria: ingenuidade, gênio, engenho

A obra de Fílon era um comentário da Bíblia... De qual Bíblia? Essa é uma questão que Fílon não se colocou; diante dele estava a Bíblia que ele lia diretamente em grego. Ele lia e explicava o texto grego. Ele pensa ingenuamente que a fibra e o tecido daquele grego formam um véu onde sopra um único Espírito, o sopro do</description>
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        <description>&quot;ESTE HOMEM ÉS TU!&quot;

Jacques Cazeaux, “Philon d&#039;Alexandrie” (Cerf, 1984)

Fílon lê todas as coisas nas Escrituras como se seu tema fosse a alma ou o homem chamado das trevas dos sentidos para a luz de Deus. Não se trata, em definitiva, de compreender o que é Deus, mas que ele é, e que é a causa de tudo. Curiosamente, essa teologia, negativa em sua finalidade, que rejeita toda gnose — toda salvação por meio do conhecimento —, segue constantemente um fio condutor de tipo intelectualista. Já indica…</description>
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        <description>ESTATUTO DA ALEGORIA

Jacques Cazeaux, “Philon d&#039;Alexandrie” (Cerf, 1984)

Estas seriam as linhas de um comentário a esta passagem. Como se vê, é preciso tornar-se alegorista para decifrar a alegoria. Mas o texto de Fílon é um texto vivo, que ainda não é escolástico, apesar de todo o seu aparato, do seu código ou do seu caráter estranho. Não se pode realmente lê-lo — e ele ficaria feliz com isso — sem renovar também com ele o mesmo método que Fílon aplica ao texto inicial e iniciador, a Bíblia. …</description>
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        <title>EXEMPLO DE EXEGESE (EX 12,42)</title>
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        <description>EXEMPLO DE EXEGESE (EX 12,42)

Jacques Cazeaux, “Philon d&#039;Alexandrie” (Cerf, 1984)

O tradutor-comentarista chega ao texto de Êxodo 12, 42: “Esta noite em que o Senhor velou para tirá-los do Egito deve ser uma noite de vigília para os filhos de Israel por todas as gerações”.</description>
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        <title>INTERPRETAÇÃO ALEGÓRICA</title>
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        <description>INTERPRETAÇÃO ALEGÓRICA

Jacques Cazeaux, “Philon d&#039;Alexandrie” (Cerf, 1984)

Por sua vez, a interpretação alegórica funciona em um segundo nível. Trata-se de uma ação externa, do leitor e não do próprio texto; esse leitor admite que o texto atua em dois planos: o plano de um relato, por exemplo, perfeitamente coerente como relato, e que se torna a aparência; e o plano simbólico, o da verdade: o rei que vai para a guerra não é um rei Artur qualquer, mas o espírito do homem, por exemplo; o jardim…</description>
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        <title>MIGRAÇÃO DE ABRAÃO</title>
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        <description>MIGRAÇÃO DE ABRAÃO

Jacques Cazeaux, “Philon d&#039;Alexandrie” (Cerf, 1984)

Tomemos a primeira página de um livro, A emigração de Abraão. Nela, Filon comenta as famosas palavras: “O Senhor disse a Abraão: Saia da sua terra, da sua parentela, da casa de seu pai</description>
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        <description>OBRA DA EXEGESE

Jacques Cazeaux, “Philon d&#039;Alexandrie” (Cerf, 1984)

Em suma, o texto inicial é o que ditou não apenas o conteúdo, mas também o método do comentário. Como vemos, ele se torna totalizante, e isso a partir do paradoxo de uma “noite” que serve como “dia útil”</description>
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        <description>ORIGENS DA ALEGORIA FILONIANA

Jacques Cazeaux, “Philon d&#039;Alexandrie” (Cerf, 1984)

É muito provável que Fílon seja um criador independente, dado que os procedimentos que utiliza estão fundidos e harmonizados num movimento pessoal. Mas Fílon conheceu, viu praticar e respirou em Alexandria esses procedimentos, como a etimologia ou a observação de certos detalhes gramaticais que dissimulam uma verdade moral; todos eles provêm da alegorização helenística de Homero e Hesíodo, sem qualquer dúvida. E …</description>
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        <description>JACQUES CAZEAUX

Jacques Cazeaux, “Philon d&#039;Alexandrie” (Cerf, 1984)

OBRA

Não chegou até nós toda a obra de Fílon. No que nos resta, é possível distinguir entre várias obras de diferente caráter:
Os escritos «históricos», que já situamos, a saber o</description>
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        <title>MINUCIOSIDADE DOS DETALHES E EXTREMA AMPLITUDE</title>
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        <description>MINUCIOSIDADE DOS DETALHES E EXTREMA AMPLITUDE

Jacques Cazeaux, “Philon d&#039;Alexandrie” (Cerf, 1984)

O leitor de Fílon tem imediatamente a impressão de que ele associa um pouco à sua fantasia as reflexões que lhe são sugeridas por uma palavra da Escritura, à maneira de um pregador erudito que se deixa levar por digressões. Ora, em sua obra não há digressões, se por isso se entende um ornamento baseado na improvisação e não mais na necessidade do discurso. Sua lógica se baseia nos códigos que ele…</description>
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