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PRANCHA 4

EVOLA, Julius. UR & KRUR [Introduction à la Magie]. UR 1927. Milano: Archè, 1983.

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A quarta prancha leva o título: O HOMEM TERRESTRE NATURAL TENEBROSO SEGUNDO AS ESTRELAS E OS ELEMENTOS. Representada em negro, com uma espiral que parte do topo da cabeça onde se encontra o primeiro signo Saturno, desce em direção a outro situado entre o púbis e o plexo solar, com a Lua, sobe até um centro no meio da fronte Júpiter, descendo em seguida para outro na altura do baço com Mercúrio e depois continua a se enrolar passando por um primeiro centro na base do pescoço com Marte, por um segundo próximo ao fígado com Vênus e terminando no coração onde se distingue uma serpente enrolada em torno do Sol. Os centros Mercúrio, Marte e Saturno são vermelhos e os outros brancos-dourados. Uma tabela a parte tem a seguinte inscrição: O Elemento do Fogo reside no coração — o da água no fígado — o da Terra nos pulmões e o do Ar na bexiga.


COMENTÁRIOS DE JULIUS EVOLA

Nesta passagem, Gichtel se refere à quarta prancha: “Os signos dos elementos representam a roda da Natureza exterior, o corpo sideral que se enrola em volta (do princípio do Fogo), em um mesmo Sol. Ao redor do coração, vê-se a serpente que representa o Diabo no Spiritus Mundi (quer dizer: na Matriz original) — o qual se insinua nas próprias formas de vida terrestre até o Sol. O círculo ou globo ao redor do Sol representa o mundo da Luz, que é oculto. E o Globo obscuro (aqui o Autor se refere não mais à prancha IV mas à prancha V, cujo globo corresponde ao centro do mercúrio). O Sol até o qual se insinua a serpente, é o princípio central do homem ou, o que dá no mesmo, o princípio personalidade, o princípio Eu — ao qual corresponderia, no corpo reintegrado, a presença do Cristo. A serpente que cerca o Sol do coração, é a forma ávida, contraída, concupiscente, assumida pelo Fogo Divino, a qual usurpa o lugar central do Pai do Homem perfeito e vivo. O enrolamento da serpente, é o nó da personalidade, o apego ao Eu — confirmando a reunião da consciência e do corpo animal corruptível.

Ensina-se que, no homem comum, a kundalini “dorme”, sono ao qual corresponde sua manifestação como desejo, ardor do brama e, de modo especial, libido e sexualidade. Mas ela também pode ser “despertada”, e então segue-se uma transformação através da qual seu fogo se torna o instrumento para o despertar de todos os centros e, consequentemente, para a renovação e transfiguração do corpo. A kundalini adormecida pode ser equiparada, em Gichtel, à serpente enrolada em torno do Sol no centro do coração; da mesma forma, aquela luz de Cristo, ou de Sophia, por meio da qual o Olho Ígneo Mágico, que o Diabo destruiu em Adão e colocou na “Ira”, é reacendido, de modo que impregna a alma e a inflama totalmente (IV, 93), pode ter relação com a forma transformada em kundalini.

O “centro” no qual figura a Serpente ocupa um lugar diferente nos Tantras e em Gichtel: para os primeiros, é o muladhara, que se encontra na raiz dos órgãos genitais; para o segundo, ao contrário, está no coração. Em ambos os casos, ele é concebido como base do septenário.

Existem dois septenários. Um se refere à alma do homem, o outro às potências profundas das coisas. Como se viu, Gichtel diz que a Serpente gera “sete estaturas, que são os sete selos que impedem os não regenerados de perceber o fogo divino”. Este septenário é um septenário de paixão. Seus elementos correspondem aos seres dos planetas, emanações destes na alma, que, tendo-se tornado externa, vive apenas paixões e emoções individuais. Deve-se considerar que o septenário referido na tabela IV de Gichtel e que tem o centro no coração é justamente este septenário (de fato, na tabela do “Homem Tenebroso”, próximo aos centros, há indicações de paixões; a Saturno corresponde o orgulho, a Júpiter a avareza, a Vênus a ira, a Marte a inveja, ao Sol circundado pela serpente, o amor-próprio; e Mercúrio e a Lua não têm frases correspondentes); enquanto o septenário de que se fala nos Tantras, apoiado no muladhara, no lugar “infernal” do corpo restaurado (Fig. I-II), é o septenário superior, eônico e elementar. O Sol do coração seria apenas o centro da pessoa psicológica, ali onde o muladhara seria o centro das forças ocultas e verdadeiramente elementares do corpo; e o mesmo em Gichtel corresponderia, em vez disso, ao misterioso “globo” que se encontra ainda mais “abaixo” (ou seja, mais interiormente) do que o coração, e no qual só se entra em contato com o poder originário por meio dele com os Planetas, até a plena reintegração do corpo cósmico e celestial. Para passar de um plano para o outro é necessário cortar as sete cabeças do Dragão, ou seja, libertar o ânimo das sete formas passionais — partindo do orgulho e terminando com o amor-próprio, enraizado no próprio coração — que constituem efetivamente as voltas com as quais a serpente o encerra, bloqueando o caminho para a geração espiritual. Essa operação preliminar de catarse, no esoterismo, tem o símbolo do “desnudamento” e da “lavagem”.

A adequação dessa maneira de ver é confirmada por esta passagem de Gichtel: “A alma busca retirar sua vontade da constelação exterior para se dirigir a Deus, em seu centro, para abandonar tudo o que é visível e passar pela oitava forma do Fogo; e isso exige um trabalho feroz, suor de sangue, pois a alma tem então que lutar contra Deus e contra os homens, etc.” (Intro., 8). A oitava forma do Fogo é aquilo em que se desemboca após ter superado o septenário externo, e o limiar para a “descida aos infernos”, à qual se seguirá a “ressurreição”.

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