MONOS
Solitário, Solidão, só consigo mesmo
E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar, à parte. E, chegada já a tarde, estava ali só. (Mt 14:23)
E, sobrevindo a tarde, estava o barco no meio do mar e ele, sozinho, em terra. (Mc 6:47)
E, tendo soado aquela voz, Jesus foi achado só; e eles calaram-se, e por aqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto. (Lc 9:36)
Marta, porém andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. (Lc 10:40) — vide Marta e Maria
Sabendo, pois, Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, ele só, para o monte. (Jo 6:15)
No dia seguinte, a multidão que estava do outro lado do mar, vendo que não havia ali mais do que um barquinho, a não ser aquele no qual os discípulos haviam entrado, e que Jesus não entrara com os seus discípulos naquele barquinho, mas que os seus discípulos tinham ido sozinhos (Jo 6:22)
Quando ouviram isto, redarguidos da consciência, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficou só Jesus e a mulher que estava no meio. (Jo 8:9)
E, se na verdade julgo, o meu juízo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai que me enviou. (Jo 8:16)
S. Macário
“O monge é chamado monge por causa de sua conversa com Deus noite e dia, imaginando nada além das coisas de Deus, sem nada possuir sobre a terra.”
Excertos de Jean Daniélou, “PLATONISMO E TEOLOGIA MÍSTICA”
Aqui temos perfeitamente descritas tanto a solidão exterior quanto o silêncio interior, que é o seu objetivo e que permite o “recolhimento” da alma. É essa dupla ideia — e, mais uma vez, a respeito de Moisés — que encontramos no Comentário sobre os Salmos: «Moisés) exilou-se por quarenta anos da sociedade dos homens e, vivendo sozinho consigo mesmo (monos mono syzon), voltou seu olhar (henatenizon), sem se deixar perturbar e em tranquilidade (di hesychias), para a contemplação das coisas invisíveis (te theoria ton aoraton)» (XLIV, 456 C). Temos o mesmo tema da passagem anterior. Mas podemos notar que o vocabulário é claramente mais “plotiniano”. O Comentário sobre os Salmos é, de fato, uma das primeiras obras de Gregório. Não é mais apenas o “eremitismo” que aqui é evocado, mas o “monaquismo” (monos mono). Teremos de voltar a todos esses aspectos.
Acrescentemos ainda duas passagens que confirmarão e complementarão as que citamos. Elas foram extraídas das biografias de Basílio e de Gregório, o Taumaturgo. Gregório nos diz sobre o primeiro que “ele viveu, como Moisés, retirado consigo mesmo (eph eautou idiazon), tendo abandonado, ele também, as agitações das cidades e os ruídos da terra para se dedicar às coisas de Deus (prosphilosophon to theon) em lugares recônditos (eschatias)” (XLIV, 810 B). Mais detalhadamente, Gregório compara Gregório, o Taumaturgo, ao próprio Moisés: “Um e outro abandonaram a vida agitada e barulhenta e retiraram-se consigo mesmos (idiazontes eph eauton) durante o mesmo período… O objetivo de ambos, nessa separação (anachoresis), era contemplar os mistérios divinos (ta theia mysteria) com o olho puro da alma (to katharo tes psyches ophthalmo)» (XLIV, 908 D).
Marie Madeleine Davy: SOLIDÃO
