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VIGÍLIA

Estados da Alma

René Guénon: O ESTADO DE VIGÍLIA

Nessa condição, o atman, enquanto Vaishwanara, toma consciência do mundo da manifestação sensível (também considerado como o domínio daquele aspecto do “Não-Supremo” Brahma chamado Virâj), e isso por meio de dezenove órgãos, que são designados como outras tantas bocas, pois são as “entradas” do conhecimento para tudo o que se refere a esse domínio particular; e a assimilação intelectual que se opera no conhecimento é frequentemente comparada simbolicamente à assimilação vital que se efetua pela nutrição. Esses dezenove órgãos (órgãos que, aliás, implicam as faculdades correspondentes, de acordo com o que dissemos sobre o significado geral da palavra indriya) são: os cinco órgãos de sensação, os cinco órgãos de ação, os cinco sopros vitais (vayûs), a “mente” ou o sentido interno (manas), o intelecto (Buddhi, considerado aqui exclusivamente em suas relações com o estado individual), o pensamento (chitta), concebido como a faculdade que dá forma às ideias e as associa entre si, e, finalmente, a consciência individual (ahamkara); essas faculdades são as que estudamos anteriormente em detalhes. Cada órgão e cada faculdade de todo ser individual compreendido no domínio considerado, isto é, no mundo corporal, provêm, respectivamente, do órgão e da faculdade que lhes correspondem em Vaishwanara, órgão e faculdade dos quais, de certa forma, são um dos elementos constituintes, da mesma forma que o indivíduo a quem pertencem é um elemento do conjunto cósmico, no qual, por sua vez e no lugar que lhe pertence por direito (pelo fato de ser esse indivíduo e não outro), contribui necessariamente para a constituição da harmonia total. Essa harmonia é também um aspecto do .

O estado de vigília, no qual se exerce a atividade dos órgãos e das faculdades que acabamos de tratar, é considerado como a primeira das condições do atman, embora a modalidade grosseira ou corporal a que corresponde constitua o último grau na ordem de desenvolvimento (prapancha) do manifestado a partir de seu princípio primordial e não manifestado, uma vez que marca o término desse desenvolvimento, pelo menos em relação ao estado de existência em que se situa a individualidade humana. A razão dessa aparente anomalia já foi indicada: é nessa modalidade corporal que se encontra, para nós, a base e o ponto de partida da realização individual em primeiro lugar (queremos dizer, da extensão integral efetivada para a individualidade), e, em seguida, de toda outra realização que ultrapasse as possibilidades do indivíduo e que implique uma tomada de posse dos estados superiores do ser. Consequentemente, se nos colocarmos, como fazemos aqui, não sob o ponto de vista do desenvolvimento da manifestação, mas sob o ponto de vista e na ordem dessa realização com seus diversos graus — ordem que segue necessariamente do manifestado para o não manifestado —, esse estado de vigília deve ser considerado, de fato, como precedendo os estados de sono e de sono profundo, que correspondem, um às modalidades extracorporais da individualidade e o outro aos estados supraindividuais do ser.

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