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2.1 como nasceu
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Princípio do Diabo e a Criação do Mundo Fenomênico
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O estudo de como o Diabo nasceu parte da frase bíblica “No princípio Deus criou o Céu e a Terra”, onde os conceitos de “criar” e “Deus” são vastos e complexos, preferindo-se focar nos termos “princípio”, “Céu” e “Terra”.
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A humanidade, desde os tempos primordiais, foi tentada a quebrar os três limites impostos pela primeira frase da Bíblia, ou pelo menos dilatá-los: ver além do princípio, conquistar os céus com instrumentos ou com o espírito, e libertar-se da Terra literal ou figurativamente, o que será tema central ao examinar a ira.
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A imaginação humana é incapaz de conceber um mundo com estes três limites eliminados, pois um mundo infinito e eterno é inimaginável, assim como um mundo finito e fugaz é igualmente inimaginável.
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O Diabo nunca se satisfez com estas algemas e conseguiu afrouxar estes limites no curso da história do pensamento, mas o espírito, ao perseguir estes limites em regressão como um gás em expansão, continua a se sentir algemado.
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A tentativa de afrouxar os limites é absurda e tipicamente diabólica, sendo uma tentativa de escapar de um mundo inimaginável para outro igualmente inimaginável, trocando uma irrealidade por outra.
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Diante disto, não se pode esperar que a ciência elucide a primeira frase da Bíblia, pois qualquer julgamento que possa formular é tão inimaginável quanto qualquer julgamento oposto, impondo-se a aceitação ingênua desta primeira frase.
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A interpretação desta frase a partir de um ângulo diferente é válida, onde o “princípio” se relaciona ao tempo e “Céu e Terra” se relacionam ao espaço.
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A imagem inicial é de um mecanismo de mola acionado no “princípio”, onde “Céu e Terra” se desenrolam, e o fim do desenrolar marca o fim do princípio, mas esta interpretação ingênua é reformulada.
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A reformulação correta não seria “Sobre o Céu e a Terra, Deus criou o princípio” (o que seria heresia e um sinal de que o Diabo já possui os pensamentos), mas sim que o significado se esconde na obscuridade da formulação original, revelando: foi dentro do princípio que o Céu e a Terra foram criados.
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Isto significa que o espaço foi criado, mas o tempo (“o princípio”) não foi criado como tal, uma concepção que afunda a capacidade conceitual humana, pois a física moderna ensina que o tempo é uma dimensão do espaço.
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Uma concepção possível é que, ao criar “Céu e Terra”, o Senhor rasgou um pedaço do “Ser como tal,” do “Puro Ser,” para mergulhá-lo na corrente do tempo.
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Esta corrente do tempo altera o Puro Ser, tornando-o fenomênico, porque o tempo arrasta o Puro Ser e o submete a modificações sucessivas, sendo neste sentido que “Céu e Terra” foram criados.
A Identificação do Diabo com o Tempo e o Mundo Fenomênico-
O Diabo e o tempo são idênticos, sendo ele o próprio princípio da modificação, do progresso e, portanto, da fenomenalização.
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Para ser concebível, a primeira frase da Bíblia deveria dizer: “Deus criou o espaço e o tempo” (ou, em sentido kantiano: “Deus criou formas de intuição (Anschauungsformen)”).
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Nesta formulação, o Diabo aparece como a principal criação do Criador, como Sua obra-prima, sendo idêntico ao tempo e também inspirando o espaço, pois é ele quem faz o mundo ser “o nosso mundo”.
Definição Provisória e Moderação Arquitetônica-
Esta identificação Diabo-mundo é um puritanismo radicalizado que, embora assuste, exige moderação no interesse do livro, pois seria impossível continuar a escrever aceitando-se tal identificação completa.
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A moderação consiste em aceitar “Céu e Terra” como o palco do Diabo, mas um palco no qual atua um segundo personagem.
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O Diabo é, portanto, apenas uma parte da criação, a parte que torna o mundo sensível.
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Esta definição tem a vantagem de despir o caráter ilusório, enganador, o caráter “Māyā”, que a tradição atribui ao Diabo, e será usada até que se diga o contrário.
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