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theosophos:schwenckfeld:cristo

Cristo

THEOSOPHOSCaspar Schwenckfeld (1490-1561)

ERB, Peter. Schwenckfeld in His Reformation Setting. 1986

  • Até o final do século dezoito, os seguidores do nobre silesiano Caspar Schwenckfeld preferiam ser chamados de Confessores da Glória de Cristo, refletindo os princípios centrais de seu pensamento teológico.
    • Caspar Schwenckfeld — Nobre silesiano cujo pensamento fundamentava a preferência dos seguidores pelo título de Confessores da Glória de Cristo.
    • Reformadores Magistrais — Grupo que enfatizava, acima de tudo, la glória de Deus.
    • Ala revolucionária da Reforma Radical — Corrente que pressionava pelo papel do Espírito Santo na vida do crente.
    • Ala evangélica da Reforma Radical — Grupo que centrava a atenção no Senhor encarnado.
    • Christus Pantocrator — Conceito do Cristo glorificado e governante, que se assenta à direita do Pai Todo-Poderoso e está presente no mundo em Seu corpo através de Seu Espírito, adotado por Schwenckfeld ao seguir as tradições do cristianismo oriental.
  • O interesse de Schwenckfeld na teologia não visava prioritariamente estabelecer um sistema dogmaticamente mais correto que os outros, mas sim esboçar uma estrutura teológica que concedesse a glória devida à pessoa total de Cristo.
    • Bispo de Breslau — Destinatário da carta de Schwenckfeld no dia de Ano Novo de 1524.
    • Tauler — Místico medieval cujo provérbio citado por Schwenckfeld afirmava que qualquer obra que não tenha Deus como seu começo, meio e fim está condenada ao fracasso.
    • Prólogo do Evangelho de João — Texto bíblico segundo o qual todas as coisas foram criadas no Verbo e pelo Verbo no princípio.
    • Ad imaginem — Expressão na Bíblia Latina de Schwenckfeld traduzida como para a imagem ou em direção a um fim, indicando que o ser humano foi criado com a imagem de Deus em mente para crescer em direção a esse modelo perfeito.
    • Adão — Modelado a partir da argila e animado pelo sopro da vida de acordo com o modelo da total glória da Pessoa de Cristo.
  • O estado do homem caído era descrito como uma condição de desespero, gerando divergências teológicas profundas entre a Igreja Católica Romana e os reformadores protestantes sobre a capacidade humana de realizar o bem.
    • Igreja Católica Romana — Instituição que tendia a acentuar a bondade dentro do homem caído e a ressaltar os aspectos positivos de sua natureza.
    • Padres de Trento — Autores do decreto contra os reformadores protestantes que declarava em erro quem afirmasse que todas as obras feitas antes da justificação são verdadeiramente pecados ou merecem a ira de Deus.
    • Citação do Concílio de Trento — Se alguém disser que todas as nossas obras que foram feitas antes da justificação, por qualquer razão que tenham sido feitas, são verdadeiramente pecados ou merecem a ira de Deus, ele está em erro.
    • Lutero — Reformador que, temendo a crença infundada de que o uso da própria natureza poderia alcançar a graça, insistia na depravação total do homem caído.
    • Do Triplo Estudo da Vida do Homem — Tratado no qual Schwenckfeld descreveu as realizações possíveis para um homem sem Cristo em seus esforços humanos racionais e honrados.
    • Citação sobre o homem natural — No homem natural, há uma depravação inata original, ou aquela disposição pecaminosa que se manifesta no egoísmo, no amor-próprio e em todas as propensões carnais do coração humano, e em uma completa perversão de toda a natureza; sim, tão lamentáveis são as desordens do coração não renovado, que aos olhos de Deus cada pensamento, afeição e palavra, ou o que quer que ele faça, é uma ofensa a Deus porque, poluído pelo sin, nem pode ele fazer nada que seja aceitável ao céu, contanto que esteja destituído de fé.
  • A esperança para o ser humano reside exclusivamente em uma nova criação por meio de um livre ato da graça divina que concede a fé e o livre-arbítrio ao homem renovado.
    • João — Evangelista associado à fundamentação da criação original pelo Verbo.
    • Lutero e Calvino — Teólogos com os quais Schwenckfeld concordava a respeito da predestinação para a salvação, embora divergisse em relação ao livre-arbítrio do homem renovado.
    • Declaração sobre a encarnação — Deus se tornou homem para que o homem pudesse se tornar Deus.
  • As preocupações morais de Schwenckfeld o levaram a questionar a doutrina da justificação de Lutero e a propor restrições rigorosas na prática da Ceia do Senhor.
    • Lutero — Teólogo contestado por sua doutrina de que nenhuma mudança essencial ocorre no crente e de que Deus apenas olha para o pecador como justo.
    • Zwinglio — Líder reformador cuja interpretação sacramental de que o pão apenas significa o corpo de Cristo foi rejeitada por Schwenckfeld por desrespeitar as palavras literais do texto bíblico.
    • Valentine Crautwald — Principal colega de Schwenckfeld que, após profunda angústia e estudo, recebeu uma visão em setembro de 1525 propondo uma solução filológica baseada no aramaico.
    • Karlstadt — Reformador revolucionário que influenciou a interpretação filológica de que a frase Isto é o meu corpo tem a força de Meu corpo é isto, a saber, alimento.
    • Contra os Profetas Celestiais — Tratado publicado por Lutero no mesmo ano da visão de Crautwald para rejeitar ferozmente a teoria de Karlstadt.
  • A distinção radical entre carne e espírito conduziu ao desenvolvimento da doutrina da carne celestial de Cristo como um alimento puramente espiritual para o ser humano.
    • Melchior Hofmann — Teólogo que influenciou Schwenckfeld em Estrasburgo em 1530, mas cuja heresia foi reconhecida por tornar Cristo totalmente divino sem deixar espaço para Sua humanidade.
    • Menno Simons — Líder anabatista cuja posição semierética de que Cristo tomou carne em Maria, mas não de Maria, foi rejeitada por Schwenckfeld.
    • Maria — Mãe de Jesus, cujo ensinamento católico medieval sobre a imaculada conceição foi resgatado por Schwenckfeld para explicar que seu corpo virginal permitiu o nascimento de uma nova humanidade sem a mancha do pecado original.
  • A cristologia de Schwenckfeld enfatizava o progressivo processo de divinização da carne celestial humana de Jesus, culminando na transfiguração, ressurreição e glorificação.
    • Evangelho de Lucas — Texto bíblico que ensina que Jesus crescia em sabedoria e estatura.
    • Hilário de Poitiers — Pai da Igreja do século quarto que influenciou fortemente a cristologia de Schwenckfeld.
    • Igreja Oriental Grega — Tradição cristã com a qual Schwenckfeld compartilhava a ênfase na encarnação e no papel do Cristo glorificado, em contraste com a Igreja Ocidental Latina.
  • A fé é definida como a participação real no ser divino e a habitação de Cristo no ser humano, marcando o início de um desenvolvimento contínuo em direção à perfeição.
    • Lutero — Teólogo para quem a fé significava a aceitação da promessa de salvação de Deus.
    • Wesen — Termo alemão que designa o ser ou a essência da vida de Deus absorvida pela fé.
    • Inhabitatio Christi — Conceito que define a vida de Cristo no homem como uma semente que cresce até a perfeição.
  • O crescimento no conhecimento experiencial de Cristo distinguia os verdadeiros teólogos instruídos por Deus daqueles que dominavam apenas a erudição factual das Escrituras.
    • Erkenntniss Christi — Expressão que designa o conhecimento experiencial de Cristo.
    • Schriftgelehrten — Termo que define os escribas ou aqueles que conheciam apenas os fatos da Escritura e da teologia sem aplicá-los na vida prática.
    • Gottesgelehrten — Conceito que qualifica os ensinados por Deus, os quais tinham o espírito dos fatos impresso em suas vidas pelo próprio Deus.
    • Balthasar Hoffmann — Erudito do século dezoito que ensinava hebraico e estudava as Escrituras nas línguas originais mesmo diante das dificuldades do Novo Mundo.
    • Christopher Schultz — Estudioso que recebia instruções de hebraico de Balthasar Hoffmann.
    • Universidade de Liegnitz — Tentativa frustrada de estabelecimento permanente promovida pelos seguidores de Schwenckfeld no contexto de suas preocupações educacionais.
  • A consciência expandida pela fé atua no mesmo nível de restauração da imagem divina, permitindo ao crente comungar tanto com o sofrimento quanto com a glorificação de Cristo.
    • Conscientia — Termo latino analisado a partir de seus componentes etimológicos significando com conhecimento.
    • Mitwissen — Vocábulo alemão utilizado por Schwenckfeld para traduzir literalmente o conceito de consciência.
    • Gelassenheit — Termo empregado pelos místicos da Idade Média para designar o desapego ou o morrer para si mesmo.
    • Imitatio Christi e Nachfolge — Conceitos que representam a imitação dos passos de Cristo rumo à cruz e o seu seguimento.
    • Padres Gregos — Pensadores antigos cuja terminologia sobre a deificação do ser humano fundamentava a conclusão do conhecimento experiencial de Cristo na ressurreição.
  • A vida cristã renovada é descrita por meio de múltiplos padrões de regeneração, atividade e oração que se fundem artisticamente na ação prática cotidiana.
    • Padrões da vida cristã — Regeneração, vivificação, inovação, retidão, participação no divino, arrependimento, novo nascimento, aceitação por Deus, crescimento no conhecimento, certeza da salvação, purificação, alimentação interior, selagem espiritual, guerra contra o mal, seguimento dos passos da cruz e resignação perfeita.
  • A eclesiologia de Schwenckfeld definia a igreja como o corpo real e espiritual de Cristo, distanciando-se tanto do individualismo puro quanto das estruturas físicas institucionais.
    • Pilgram Marpeck — Líder anabatista com quem Schwenckfeld se envolveu em disputas teológicas ao defender a unidade de sua própria comunidade.
    • Católicos e Luteranos — Grupos criticados por insistirem em uma realidade eclesiástica física e estruturada, criando mediadores físicos entre o homem e Deus.
  • A suspensão temporária da celebração da Ceia do Senhor foi proposta como uma medida necessária diante das divisões e conflitos violentos entre as diferentes facções religiosas da época.
    • Anabatistas — Grupo cuja eclesiologia se baseava na separação rígida em relação ao mundo, diferindo de Schwenckfeld, que via a separação como resultado da perseguição sofrida.
    • Católicos, Luteranos, Zwinglianos e Anabatistas — Facções em disputa mútua no âmbito da igreja universal.
    • Stillstand — Termo que designa a interrupção ou cessação da observância do sacramento da comunhão até que houvesse consenso entre as frentes cristãs.
  • Impedido de manter uma estrutura formal devido à rejeição institucional, Schwenckfeld preservou a comunhão cristã participando de conventículos e reuniões de oração em diversas localidades.
    • Conventículos de Ulm e Augsburg — Comunidades locais onde Schwenckfeld manteve a ordem eclesiástica para oração e edificação.
    • Casas monásticas em Esslingen e Kempten — Espaços religiosos frequentados pelo reformador para fins devocionais.
    • Igrejas reformadas em Strassburg — Assembleias cristãs onde Schwenckfeld se reunia com fiéis para a busca da glória do Senhor ressuscitado.
  • A teologia de Schwenckfeld articulava uma exigência simultânea por novos céus e uma nova terra, unindo a esperança transcendente à responsabilidade prática imediata.
    • Salvador humilhado e sofredor — Modelo sobre o qual se baseia a edificação de uma nova terra.
    • Senhor glorificado — Presença espiritual que conduz o ser humano ao objetivo final da deificação segundo a imagem de Deus.
    • Ad imaginem dei — Expressão latina que sintetiza a meta final de restauração do ser humano em conformidade com o criador.
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