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theosophos:dialogos-anjo:16-07-1943

16 de julho de 1943

MALLASZ, Gitta. Dialogues avec l’ange: les quatre messagers. Nouv. éd ed. Paris: Aubier, 1989.

– Chegou a hora: você pode perguntar.

G. Qual é o meu caminho?

– Preste bem atenção!

De um lado — o Amor.

Do outro — a Luz.

Você ESTÁ DIVIDIDA ENTRE OS DOIS.

Esse é o seu caminho.

Há cem mortos entre os dois.

O Amor é portador da Luz.

O Amor não é nada sem a Luz.

A Luz não é nada sem o Amor.

Você compreende isso?

(Eu compreendo, mas “morrer para mim mesma” me parece muito difícil. Fico pensativa, com os olhos baixos.)

– Olha para mim!

(O rosto bem conhecido de Hanna — que normalmente não é nem bonito nem feio — muda de caráter e reflete, por alguns instantes, uma expressão majestosa, quase aterrorizante.)

– De um lado — sou eu.

Do outro lado — é ele.

(Essas últimas palavras são acompanhadas por um gesto para baixo.)

– Entre os dois: você.

G. Quem é “ele”?

– Seu “pequeno eu”.

(Penso com desdém: “O ego? Esse personagem primitivo, meu pequeno eu, eu o detesto, eu o conheço muito bem.”)

G. Conheço bem o meu “pequeno eu”, mas a você, não o conheço o suficiente.

– Criança tola!

(Hanna dirá mais tarde o que essas duas palavras significam: “Como você pode conhecer o seu ‘pequeno eu’? Você conhece uma única célula do seu corpo? Você o conhece tão pouco quanto me conhece. Por quanto tempo você permanecerá cega?”)

– Eu e ele, estamos unidos na tarefa.

Não separe o que é um.

Diante DELE, nada é pequeno.

Não julgue!

G. Ensina-me, porque eu não sei nada.

– Eu não te ensinei?

(Respondo com falsa modéstia:)

G. Mas sim. Eu sei que estou dizendo bobagens.

(Hanna percebe seu pensamento: “Tua hipocrisia é em vão. Eu vejo tudo em ti.”, mas ela se sente autorizada apenas a dizer:)

– Que tola você é!

Pergunta!

(Eu também me sinto desmascarada e me pergunto por que devo fazer perguntas que ele já sabe de antemão.)

G. Tenho muitas perguntas, mas você já sabe o que quero perguntar.

– Do coração à boca há apenas um passo. Dá esse passo! Queres saber muito?

G. Apenas o que é necessário para minha tarefa.

– Aqueles que questionam são mais queridos diante Dele do que aqueles que sabem.

G. O que significa o sonho que tive esta noite?

(Vi em sonho um ser cheio de força, harmonia e grande serenidade: essas imagens tinham cores de intensa luminosidade.)

– O homem novo formado à tua imagem.

G. Se, por meio do meu trabalho, eu me livrar do supérfluo, serei esse homem novo?

Tu és “Aquele que FORMA” e não aquele que é formado.

G. O que é preciso fazer para se tornar “Aquele que forma”?

(Nesse instante, a aparência corporal de Hanna se desvanece. Ela se torna um instrumento consciente para servi-lo inteiramente. Seus gestos são agora simples, nobres e cheios de significado. Seu braço não parece mais o mesmo. Os músculos se tensionam e me lembram a força das esculturas de Michelangelo. O gesto em minha direção é como um relâmpago :)

– Queime!

(Fico abalada, assustada e maravilhada ao mesmo tempo. Mas isso desaparece ao ver Hanna.

Após a palavra “Queime!”, ela fica completamente exausta. Suas forças a abandonam, ela treme, tomada por um frio glacial. Mal consegue pronunciar estas palavras: “Traga álcool puro!”

Hoje, “por acaso”, eu comprei. Dou algumas gotas para Hanna com açúcar e a cubro com cobertores quentes.

Quando ela começa a se aquecer, recupera as forças e me conta:

“Tive que reunir todas as minhas energias para que ele pudesse semear em você um grão de força ardente.

Mas era indispensável que você não estivesse mais tão apegada à sua vinda, era preciso saber renunciar a isso, caso contrário ele não teria vindo.”)

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