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Inteligência da Liturgia

BOON, N. M. Au coeur de l’Ecriture: méditations d’un prêtre catholique. Paris: Dervy-livres, 1987.

  • A inteligência desprovida de pureza não constitui inteligência autêntica.
  • O aprofundamento da liturgia deve ocorrer sob o aspecto ritual, cujos pontos mais altos se encontram na oblação, na consagração e na comunhão.
    • Os demais ritos, anteriormente classificados como secundários, agrupam-se em torno desses três pontos culminantes.
  • O ritual litúrgico constitui um conjunto vivo em que cada gesto, por mais insignificante que pareça, carrega a significação da totalidade, de forma análoga à presença integral da alma no menor cabelo de um ser vivo.
  • O conhecimento da própria tradição judeo-cristã em sua integridade representa o único meio legítimo para alcançar o sentido mais profundo da liturgia.
    • A afirmação sobre a legitimidade do meio não visa limitar o campo de pesquisa, mas impedir que a investigação seja encerrada nos limites estreitos da mera erudição.
    • A comparação de símbolos e ritos com outras tradições, como a da Índia, do mundo grego-romano ou do Islã, serve apenas para satisfazer a curiosidade.
    • O acúmulo de conhecimentos resultantes dessas comparações históricas não contribui para a inteligência da própria tradição.
    • A tradição possui em si mesma todas as possibilidades de conhecimento real, termo que designa a união entre sujeito e objeto.
  • O conceito de conhecimento real define-se de forma mais clara como conhecimento unitivo.
  • O método regular baseia-se na equivalência entre a palavra regra e o rito, além do sentido etimológico de metahodos como o caminho que conduz para além.
  • O método adotado garante a virgindade e a fecundidade da inteligência no campo tradicional.
  • A inteligência humana, quando desvinculada da inteligência divina, reduz-se a uma forma caricatural.
    • A inteligência necessita estar inserida em um corpo tradicional para não se desumanizar.
    • A tradição garantiu a autenticidade de todo o ensinamento dos Padres e Doutores da Igreja.
    • Platão e Aristóteles, entre outros pensadores, figuram como elos de uma tradição real, mesmo quando associados ao platonismo ou ao aristotelismo.
    • A discussão sobre influências históricas entre tradições mostra-se inviável, pois essas trocas ultrapassam o plano factual e ocorrem em nível esotérico e incontrolável pelo exterior.
    • O aprofundamento nesse domínio revela a unidade originária das diferentes tradições, o que difere de um mero intercâmbio de ideias.
  • A tese de uma influência do platonismo ou do neoplatonismo sobre a tradição hebraica é considerada superficial, pois existe a possibilidade de uma influência em sentido inverso.
    • O alfabeto grego originou-se de uma tradição semita, conforme demonstra a análise das letras.
    • A comparação com o alfabeto hebraico indica que este possui uma hieroglifia própria, em que cada letra tem um significado específico da língua hebraica.
    • Os nomes que os gregos atribuem às suas letras foram emprestados do alfabeto hebraico, embora tenham perdido o significado original.
  • A comunicação em períodos antigos ocorria de maneira mais fácil e consistia em uma união no ser, diferenciando-se de uma troca de bens materiais.
  • O termo inteligência significa ler graficamente o interior, indicando uma interioridade de ordem ontológica e não psicológica.
    • Essa interioridade conduz ao centro das coisas, que possuem realidade apenas pela ligação com o único centro verdadeiro, o Um.
  • O ato próprio da inteligência é unitivo por implicar a união real entre sujeito e objeto, além de se reportar ao Um contido na noção de universal, que é o sentido verdadeiro do termo católico.
  • O objeto próprio do ato da inteligência católica é o universal, que expressa a ideia de que o alcance do núcleo transcendente às realidades singulares permite referi-las ao universal, portador da inteligibilidade das coisas.
  • A relação com o Um na tradição rabínica exige um movimento de ida e retorno, de descida e subida, expresso pelas noções de bênção, ou berakah, e de retorno, ou teschubah.
    • O termo hebraico para bênção carrega em si a palavra bara, que significa criar.
    • A bênção faz com que as coisas existam, enquanto a resposta do retorno, que constitui o amém das coisas, faz com que elas se conformem ao seu ser na inteligência divina.
  • A concepção de uma metafísica cristã depende da referência contínua a uma metafísica judaica.
    • Essa metafísica judaica está subjacente à Sagrada Escritura do Antigo e do Novo Testamento, assim como aos escritos dos Padres e Doutores da Igreja.
  • A inteligência ritual enfrenta a dificuldade de o rito constituir um gesto-símbolo com suporte no sensível, enquanto a inteligência se situa além do sensível.
    • O ato de inteligência funciona como o prolongamento do rito, que por ser gestual é movimento.
    • O movimento iniciado no sensível prolonga-se analogicamente no ato de inteligência, cujo significado de ler no interior sugere a penetração do exterior para o interior.
    • Na tradição hebraica, esse movimento ascendente permite que a inteligência alcance a inteligência divina, denominada binah.
    • A inteligência salva o gesto de sua pura temporalidade para fixá-lo na duração própria do intelecto, que está acima do tempo e recebe o nome de eviternidade.
  • O idioma hebraico constitui a língua sagrada da tradição judéo-cristã, elemento necessário a toda tradição integral.
    • As línguas grega e latina atuais não possuem as qualidades suficientes para receber a designação de língua sagrada.
    • O hebraico está subjacente nos Evangelhos, nas cartas de São Paulo e no Apocalipse de São João.
    • O conteúdo da língua sagrada transparece na linguagem teológica dos Padres da Igreja.
    • A liturgia cristã apoia-se de modo integrante no hebraico, evidenciando uma continuidade perfeita em que os ritos cristãos se aproximam dos ritos e símbolos judaicos.
  • A eliminação de gestos e expressões linguísticas na reforma litúrgica decorre da ignorância quanto ao sentido dos ritos e da língua sagrada.
    • Essa ignorância apresenta as modificações como um progresso do sentido humano e uma adaptação à mentalidade do homem moderno.
  • A busca por adaptação ao homem moderno esteriliza a inteligência e elimina o sagrado, substituindo-o por uma religiosidade horizontal.
  • A liturgia torna-se inexistente quando se adapta a um humanismo fechado, pois sua essência envolve a elevação e a adaptação às realidades divinas.
  • O conceito de humanismo estreita-se ao ponto da desumanização, caracterizada pela incapacidade do homem de ler o interior e pela adaptação ao que há de desumano em si mesmo.
    • A adaptação seria um ato heroico se houvesse a consciência de que se trata de uma descida aos infernos da qual o homem deve ser retirado rapidamente.
    • O drama consiste na tentativa de persuadir o homem de que o seu inferno corresponde ao paraíso.
  • O símbolo e o rito situam-se no plano ontológico do ser, agindo como algo superior a um mero auxílio para a compreensão de realidades.
    • A inteligência e o rito compartilham o mesmo plano do ser.
    • O conhecimento decorrente dessa estrutura torna-se unitivo e pressupõe a plenitude da vida e do ser.
  • A abordagem da inteligência na perspectiva judéo-cristã remete ao conceito de inteligência divina na tradição judaica, oposto a uma projeção psicológica e antropomórfica.
  • A compreensão da inteligência divina a partir da tradição auxilia na libertação da inteligência humana em relação aos preconceitos psicológicos contemporâneos.
  • A inteligência divina é denominada binah na tradição judaica e procede da sabedoria eterna.
    • A inteligência divina comporta-se como a esposa em relação ao esposo, que é a sabedoria, ou chokmah.
    • O termo chokmah é chamado de pai, enquanto binah, a inteligência, é chamada de mãe.
    • A noção de maternidade encerra as virtualidades criadoras, situando a inteligência divina no nível ontológico como a vida do mundo vindouro.
  • A presença da tradição judaica na liturgia cristã manifesta-se no credo por meio da afirmação sobre a crença na vida do mundo vindouro.
    • A expressão constitui um termo ritual superior ao mecanismo do mundo contemporâneo, e não uma mera união de ideias filosófico-teológicas.
  • A expressão mundo vindouro situa o judeu consciente no espaço materno da inteligência divina.
  • A distância entre o homem moderno e o judeu praticante do aspecto ritual mostra-se quase infinita.
  • A criatividade no contexto tradicional significa a participação na criatividade divina, afastando-se da mania inventiva contemporânea.
    • A distância entre o exégeta moderno e o judeu instruído evidencia-se na passagem bíblica que afirma que a sabedoria edificou a sua casa e entalhou as suas sete colunas.
    • O exégeta moderno interpreta a passagem dos Provérbios de forma poética e ornamental, sem extrair proveito espiritual ou mensagem para os fiéis.
    • Essa atitude mascara um desprezo frequente em relação à maior parte da palavra de Deus.
  • A frase bíblica sobre a casa da sabedoria insere o judeu instruído no próprio coração de Deus em termos rituais, e não psicológicos.
    • O termo binah significa inteligência e também edifício, enquanto a raiz bin significa meio ou entre.
    • A afirmação de que a sabedoria construiu uma casa indica que a inteligência decorre da sabedoria.
    • Da casa decorrem as sete emanações, ou sephiroth, que formam o princípio e o arquétipo de todas as coisas.
    • Tudo emana dessa casa e a ela deve retornar, sendo ela a morada do pai.
    • A palavra transforma-se em gesto e rito, que constitui o único método legítimo na liturgia.
  • A legitimidade da criatividade depende da fidelidade ao conteúdo da palavra divina e à tradição.
  • As antinomias contemporâneas derivam da ignorância humana, que deve ser reconhecida com humildade por pastores e fiéis.
    • O texto evangélico de Lucas adverte os doutores da lei por terem retirado a chave da gnose, impedindo a entrada daqueles que a buscavam.
    • O versículo deve inspirar temor e servir como núcleo para o senso de responsabilidade.
  • O versículo sobre a chave da gnose situa-se no nível do símbolo, método válido para alcançar uma teologia verdadeira.
    • A chave representa o eixo do mundo, a letra vav, o homem em sua totalidade que une o céu e a terra, ou o Cristo como o único Adão perfeito visto sob o modo místico.
    • O símbolo e o rito libertam o homem do subjetivismo, do racionalismo e dos modos históricos ou filosóficos.
  • As antinomias entre ação e contemplação, ou silêncio e palavra, perdem o sentido diante da realidade do rito e da palavra tradicional.
    • O rito constitui uma ação contemplativa.
    • A palavra apresenta-se repleta do silêncio divino, sendo esse o motivo do dom da fala ao homem.
    • Fora dessa perspectiva, a palavra transforma-se em fonte de discórdia e barulho semelhante ao das armas.
  • A palavra vista sob o ângulo tradicional atua como comunhão, e não apenas como comunicação.
  • A inteligência de caráter tradicional introduz o homem na sabedoria, enquanto a inteligência profana é capaz apenas de produzir cientistas.
    • O alcance de alguma sabedoria por via profana exige acrobacia mental e não supera as dualidades, podendo causar alienação.
  • O mundo contemporâneo prioriza a formação de cientistas em detrimento do conhecimento ritual.
    • Meios sociais de trabalhadores e artesãos sofrem de complexo de inferioridade e sacrificam-se para que os descendentes escapem de seu meio de origem.
    • Essa atitude ignora o rito e o gesto que realizam o homem em sua totalidade de ser espiritual.
  • O ofício de oleiro manifesta um aspecto profundamente tradicional que ultrapassa as intenções ecológicas ou marginais atribuídas aos jovens que o praticam.
    • O interesse pela olaria corresponde a uma busca pela dimensão real do homem.
    • A sociedade atual revela-se marginal em relação ao que constitui verdadeiramente o ser humano.
    • O jovem percebe que o gesto conduz a um saber prático que viabiliza a vida, distante das abstrações.
  • A exposição de conceitos metafísicos e cosmológicos permite identificar as raízes do ofício de oleiro.
  • O gesto do oleiro funciona como o símbolo e o análogo do gesto daquele que formou o homem e fez dele uma forma.
    • O aspecto formal constitui a revelação e a apresentação do informal, que representa o lugar da sabedoria insondável.
    • Ser forma significa ser sustentado por essa sabedoria, o que torna o homem um mistério.
    • A vocação para o ofício consiste no eco silencioso da voz que criou a luz no início do mundo.
    • Ouvir essa voz transforma o homem em um instrumento musical perfeito.
  • A terra representa a matéria essencial para o oleiro, tornando necessário o estudo de seu simbolismo tradicional.
  • O início do livro do Gênesis utiliza dois termos distintos para designar a terra: haaretz e haadamah.
    • Nos primeiros capítulos, aretz indica as virtualidades de baixo, contrapostas às virtualidades de cima chamadas de céu, ou haschamaim.
    • O termo aretz aplica-se enquanto não se trata do homem cultivador.
    • O texto bíblico pontua que a divindade não havia feito chover sobre a terra, aretz, e não havia homem para cultivar o solo, adamah.
    • Uma exalação subia da terra, aretz, e umedecia a superfície do solo, adamah.
  • O termo adamah difere do solo físico atual, assim como os céus do Gênesis diferem do céu observável na atualidade.
    • No vocábulo adamah ocultam-se os conceitos de semelhança e de sangue.
  • A noção de semelhança remete ao Zohar, que ensina que a terra foi tomada debaixo do trono glorioso e sagrado.
    • O livro de Rabi Yessa, o Velho, afirma que a terra foi retirada do santuário, que representa uma terra de cima.
    • O Zohar menciona, a respeito de Adão, a imagem de um homem sobre o trono em Ezequiel.
    • A divindade é designada sob o nome de Adão por constituir a síntese e a perfeição de todas as coisas.
    • Esse contexto explica a ordem bíblica para fazer o homem à imagem e semelhança divina.
  • O termo aretz é utilizado no primeiro capítulo do Gênesis por indicar que a terra encontrava-se em potência na divindade.
    • O primeiro versículo pode ser lido como a afirmação de que o princípio continha todas as possibilidades do céu e da terra.
  • A diferenciação entre os dois primeiros capítulos do Gênesis não decorre de fontes eloístas e javistas, mas de mundos distintos.
    • O primeiro capítulo trata da criação, o mundo de beriah, que representa a concepção do mundo no princípio.
    • O segundo relato refere-se ao mundo de yetsirah, ou mundo da formação, que funciona como a revelação do conceito contido no princípio.
    • Na estrutura rabínica, a emanação mais baixa de um mundo superior coincide com a mais alta do mundo inferior.
    • Essa interconexão garante a continuidade e a presença mútua entre os quatro mundos: o azilútico, o de briah, o de yetsirah e o de asiah, que é o mundo da ação.
    • O princípio é imanente em tudo, excluindo a ideia de distanciamento.
  • O conceito de segredo atua como um fator mais unificador do que a continuidade temporal.
    • A continuidade envolve a ideia de exterioridade, em que o ontem deixa de existir no hoje e este ainda não constitui o amanhã.
    • A tradição rabínica expressa a unidade por meio do termo Dia Um, frequentemente traduzido de forma exterior como primeiro dia.
  • A formação do homem a partir da poeira do solo introduz a noção de segredo associada à poeira, denominada aphar em hebreu.
    • Estudos baseados no Zohar apontam que a poeira corresponde à emanação malkuth no mundo de beriah, equivalendo a kether no mundo de yetsirah.
  • As alusões no livro de Jó ao homem que escava uma mina não se referem a uma descida subterrânea física em busca de tesouros, mas a um movimento em direção ao alto.
    • A raiz gar significa praticar uma abertura estreita.
    • A expressão traduzida como longe das habitações é interpretada por Ezra de Gerona como a partir do ponto de jorramento.
    • O manuscritor de Oxford utiliza o termo miqedem, significando a partir do Oriente ou primordialmente.
    • É preferível seguir o manuscrito a aceitar a correção que propõe a palavra fonte.
  • A análise do termo terra em Jó sugere uma potencialidade ligada ao local de início da palavra e do impulso da vontade.
    • Desse ponto procede a suficiência de todas as coisas, a fonte de vida e a satisfação das necessidades dos seres superiores e inferiores.
    • O pão compreendido nesse sentido é traduzido na Vulgata por São Jerônimo como pão supersubstancial.
    • O Livro Bahir atribui ao verbo criar um primeiro complemento implícito que representa a totalidade das necessidades do Todo antes da menção a Elohim.
    • A tradição de Gerona vincula as necessidades do Todo à segunda emanação, chokmah, e Elohim à terceira, binah.
  • O minerador mencionado no livro de Jó representa o homem em busca da sabedoria, que encontra ninhos de safira e poeira de ouro.
    • O trono do Altíssimo é feito de safira, e a poeira de ouro corresponde à luz que procede da sabedoria.
    • O homem foi formado a partir dessa poeira de luz antes da queda.
  • A condenação divina que determina o retorno do homem à poeira não significa o aniquilamento final.
    • A morte funciona como sacrifício e transformação.
    • Pela medida do julgamento, a poeira do solo recuperará a sua natureza de poeira de luz, base do mistério da ressurreição.
    • O exercício de um ofício, como a olaria, atua como um ato profético que prefigura a transformação da terra pós-queda na terra anterior à queda.
  • O plural da palavra poeira em hebreu pode ser pronunciado como aphereth e designa o chumbo.
    • A doutrina tradicional indica que o chumbo oculta o grande tesouro da sabedoria, relacionando-se com a afirmação de que o Senhor fundou a terra pela sabedoria.
    • O chumbo recebe o nome místico de tudo por esconder o sistema do universo inteiro.
    • A figura geométrica do chumbo alquímico é composta por um círculo inferior e quatro elementos cujos ângulos coincidem em um só ponto, indicando a origem do quaternário nos elementos, letras ou mundos.
    • No chumbo estão ocultos os quatro elementos dos sábios: o fogo ou enxofre, o ar que separa as águas, a água e a terra.
    • O cálculo numérico do termo associado ao Nome Santo resulta no valor correspondente à palavra chumbo.
    • O planeta correspondente a Saturno deriva da palavra repouso, ou shabbath, princípio onde se oferece o descanso.
  • A grande obra não consiste na transformação do chumbo em ouro, mas em um despojamento que permite localizar o ouro oculto pelo chumbo, que atua como casca.
    • O mesmo princípio aplica-se às letras, em que a sabedoria é encontrada no silêncio interior de cada caractere.
    • Nos mundos, o despojamento visa encontrar a fonte comum no mundo vindouro.
    • O conceito de transformação deve indicar o superamento da forma para alcançar o informal simbolizado por chokmah.
    • A passagem entre formas exige a continuidade da matéria-prima, enquanto a transformação tradicional supõe uma matéria-prima de cima que reside na sabedoria e constitui o segredo.
    • A terra de baixo constitui a matéria-prima marcada pela quantidade, ao passo que a terra de cima representa a matéria-prima marcada pela qualidade.
  • O simbolismo do torno, principal ferramenta do oleiro, conecta-se ao termo hebraico yotzer, que designa aquele que dá forma.
    • O vocábulo sugere a correspondência entre o ofício e o mundo de yetsirah, ou mundo da formação.
    • O torno é denominado abenaïm, forma dual que indica duas pedras: uma pedra em cima e outra embaixo.
    • A pedra de baixo liga-se a malkuth por ser movida pelos pés.
    • A pedra de cima corresponde ao trono do Deus Altíssimo, talhado em relação ao mundo de yetsirah, vinculando a pedra ao paraíso e à terra de cima.
    • O torno do oleiro equivale numericamente ao termo jardineiro, possuindo o valor de cento e três.
    • O termo obra no texto de Jeremias corresponde a malakah, derivado de malak, que significa anjo.
    • A obra tradicional atua como meio de realização espiritual para reintegração no estado primordial, considerado angélico para o Adão primordial.
    • O termo abenaïm também designa a pedra utilizada para o parto pelas mulheres de Israel, relacionando o nascimento físico à segunda birth da reintegração.
    • A realização da obra no torno confunde-se com a realização do próprio homem.
  • A menção ao oleiro por seis vezes no texto de Jeremias corresponde às seis emanações do edifício.
    • A obra e o homem constituem um edifício indissociável.
    • O termo vaso possui consonância com a palavra cálice e tem o valor numérico de sessenta, indicando a presença da plenitude das emanações em cada parte do edifício vivo.
    • O vocábulo deriva de uma raiz que expressa a totalidade na unidade, cujo valor de cinquenta se relaciona ao retorno em direção à unidade em binah.
    • O valor de sessenta para a palavra vaso indica o retorno através da porta estreita que dá acesso à sabedoria simbolizada pela letra yod.
    • O conceito inclui a ideia de ocultamento e segredo, pois o todo é mantido pela presença secreta da sabedoria.
    • O segredo representa o vinho contido no cálice.
  • O estudo da lei envolve uma ordem interior associada à beleza e ao ato de girar ao redor para examinar.
    • O conceito conecta-se ao torno, à roda e ao rito.
  • A interpretação do texto sobre a entrega do espírito nas mãos divinas relaciona as mãos à Árvore da Vida no Zohar.
    • A lei é denominada Árvore da Vida, e sua meditação constante exige mais do que uma atividade puramente cerebral.
    • O Zohar compara a noite à árvore do mal que estende os seus ramos.
    • O estudo constitui a adesão pela qual o sábio retira o sustento da Árvore da Vida.
    • As mãos do Senhor na oração noturna correspondem à Árvore da Vida, povoada por anjos que instruem o espírito.
    • O número de dedos nas duas mãos representa as dez emanações, em que a mão direita associa-se à ação e à emanação malkuth, e a esquerda liga-se a binah, conforme analogia no Cantique dos Cânticos.
    • A estrutura das mãos reproduz as letras do Nome Sagrado e do grande semblante.
    • As duas mãos unidas significam a integração do todo no Um, onde a mãe universal serve de porta para a sabedoria e para a coroa.
    • O simbolismo fundamenta o mistério do coroamento da Virgem em seu sentido escatológico.
  • O simbolismo das mãos unidas em relação ao Nome Sagrado baseia-se na contagem das falanges.
    • A contagem a partir do polegar resulta no número treze para cada mão, valor que expressa a unidade.
    • As duas mãos somam vinte e seis, valor numérico do Nome Sagrado.
    • No rito da elevação das mãos, a escrita por extenso das quatro letras resulta em vinte e oito letras, correspondendo às vinte e oito falanges visíveis.
    • As falanges dos polegares carregam a letra he escrita por extenso.
    • A elevação das mãos por Moisés durante a batalha contra Abimeleque determinava a vitória de Israel.
    • O número vinte e oito corresponde também à palavra hebraica para força.
    • As mãos funcionam como os dois pratos da balança suspensa ao princípio, onde os pratos equivalem à letra kaph e o princípio à letra yod, resultando no valor cinquenta ligado ao retorno e à justiça.
    • A união gráfica das letras forma a palavra boca, indicando que a mão fala.
    • A leitura das mãos afasta-se da adivinhação vulgar e reúne o sistema planetário no interior da mão.
    • O monte sob o polegar corresponde a Vênus; o do indicador, a Júpiter; o espaço intermediário, a Marte; o do dedo médio, a Saturno; o do anular, ao Sol; o do mínimo, a Mercúrio; e o monte inferior oposto, à Lua.
    • O paralelo entre as mãos e os planetas demonstra a ligação entre o macrocosmo e o microcosmo.
  • A definição de arte abrange toda obra manual humana como a imitação da natureza em sua operação.
    • O trabalho manual simboliza a integração na ordem interior que rege o universo.
    • A consumação dessa integração corresponde ao conceito de beleza.
  • A visão tradicional do trabalho liberta o homem do estado de não-lugar, que define o inferno e a pura existência individual.
    • O Inferno de Dante retrata os homens amarrados de costas, impossibilitados de contemplar um semblante.
    • O isolamento representa a existência bruta do indivíduo que se dissolve em multiplicidade pura, conforme a menção demoníaca sobre ser legião.
    • O termo Belzebu significa o deus das moscas, que se multiplicam sobre a corrupção.
  • Os gestos cotidianos e as danças sagradas encerram segredos nas posições das mãos e dos dedos.
    • A observação de danças sagradas na ilha de Bali, na Indonésia, revela o simbolismo dos dedos de forma evidente.
  • As mãos e os dedos desempenham papel análogo na liturgia.
    • As mãos do celebrante correspondem ao Nome Sagrado indicado por dois yodin.
    • O rito da elevação das mãos e da bênção preserva o sentido no rito cristão, exigindo que o sacerdote estenda as mãos de modo que uma face olhe para a outra.
    • As dez emanações estão presentes em cada mão porque o valor de yod é dez.
    • O sacerdote une as mãos ao concluir a oração na unidade do Espírito Santo para operar essa unidade.
    • O antigo ritual prescreve o uso das duas mãos para indicar ação ou repouso ao manusear o cálice ou o missal, mantendo uma das mãos no altar ou sobre o coração.
  • O gesto de unir o indicador e o polegar após a consagração, desaparecido no novo missal, possui justificativa simbólica além do respeito material pelas espécies.
    • Os dedos desenhavam os caracteres do nome divino Shaddai, em que o polegar indica o yod, o indicador sugere o daleth e os demais dedos formam o schin.
    • A leitura inversa do nome remete à mão que produz as três colunas da árvore das emanações.
    • O yod representa a sabedoria e o daleth constitui a porta ou a mãe que gera as outras emanações.
  • A mão relaciona-se ao conhecimento real na atividade laboral, na arte e na liturgia.
    • O termo hebraico para conhecer é composto pelas palavras mão e olho.
    • A mão vê e o olhar toca, configurando um conhecimento ontologicamente concreto que une o conhecedor e o conhecido.
  • Propõe-se a abertura das portas da inteligência divina a todos, e não a um grupo restrito de eruditos.
    • O ensinamento proposto pertence à tradição e pode ser assimilado por pastores.
    • A vivência intensa da tradição transforma o ser além da argumentação racional, gerando palavras e comportamentos que encontram o Absoluto na função de mediador.
  • A redução da inteligência à dimensão psíquica gerou confusão no campo da vida espiritual no mundo moderno.
    • A mentalidade contemporânea falha em distinguir o psíquico do espiritual, ao contrário das tradições grego-romanas e da tradição hebraica.
    • A tradição hebraica divide a alma em três níveis: nephesh, o princípio vital imediato; ruach, que rege o domínio psíquico e a razão; e neshamah, que constitui o Espírito.
    • A imagem de um triângulo representa a estrutura, onde a base é nephesh, o conteúdo interno é ruach e o vértice superior é neshamah.
    • A tradição grega adota os termos psyche, pneuma e nous, enquanto a latina utiliza anima, spiritus e mens.
    • São Paulo diferencia o homem espiritual do homem psíquico na Primeira Carta aos Coríntios, afirmando que o homem psíquico não acolhe o que é do Espírito de Deus.
    • O entendimento do texto paulino requer o alinhamento das analogias vocais dessas três tradições.
  • O conceito de nó noético descreve duas entidades distintas que se enlaçam de forma recíproca.
    • Evita-se a aproximação puramente fonética entre nous e dar nós, embora ocorra uma imbricação real.
    • O nous não constitui apenas um nível superior para contemplar o que está abaixo.
    • O nous representa o topo e o local de encontro, de modo semelhante ao encontro de Moisés com a divindade no topo do Monte Sinai, marco inicial da história humana.
    • O vértice não encerra apenas o esforço de subida, mas inaugura um novo começo.
  • A reflexão sobre o dilema entre abolição e conversão indica que, na tradição judaica, ver a Deus equivale a morrer.
    • A conversão define-se como o olhar atento para o que está presente.
  • O nous funciona como um nó em cuja complexidade não se separa a contribuição de cada corda.
    • O enlace manifesta a união entre o espírito criado e o espírito incriado.
    • A separação das cordas atende apenas ao conforto lógico, mas destrói a síntese do nó.
    • O abraço ocorre de modo íntimo por não se tratar de um nó físico.
    • O nó constitui o ponto transcendente onde o infinito se faz presente como interpresença.
  • A fronteira entre o criado e o incriado oculta-se no segredo, espaço que pode ser denominado supraconsciente.
    • As palavras de Cristo a Pedro sobre o poder de ligar e desligar na terra e no céu transcendem o âmbito jurídico e correspondem ao nó noético de neshamah.
    • O nome Petrus possui origem hebraica e significa aquele que abre, associando-se à entrega das chaves por Cristo.
  • O conceito de leitura tradicional afasta-se da mera apreensão racional de dados.
    • O verbo ler em hebreu significa também criar, invocar, encontrar e ir em direção a algo.
    • Transpor a inteligência para o contexto hebraico significa ingressar no coração das coisas.
    • O ato de inteligência atualiza a voz oculta sob a letra no interior do leitor.
  • A leitura do Nome de Deus significa ingressar no espaço do Nome e torná-lo presente no coração.
    • Ler no interior significa descobrir o Nome Sagrado de Deus em cada palavra e letra.
    • A realização espiritual consiste no desdobramento do Nome em cada indivíduo, movendo-o da existência literal em direção ao Ser.
    • A expressão bíblica sobre o arrependimento divino indica a absorção do Nome Divin na sua origem, onde o homem pecador não está.
  • As tradições compartilham ideias idênticas, mas diferem nos métodos de realização espiritual, que constitui o núcleo de toda tradição.
  • O conceito de leitura correlaciona-se aos conceitos de escrita e de livro.
    • O termo livro em hebreu deriva da raiz escrever, que expressa um movimento descendente, enquanto o ato de ler enfatiza um movimento ascendente.
    • A leitura inversa do termo remete à ideia de casa e ao seio materno em binah, oferecendo a dimensão da segunda birth.
    • A análise gráfica de letras específicas aponta para o sentido de princípio.
    • Outro termo para escrita, sepher, oculta a raiz para bacia ou taça e implica o ato de contar.
    • Na tradição judaica, não há diferença essencial entre o nome e a letra, pois nomear significa inserir o objeto na ordem universal em relação com o Um.
  • O conhecimento pleno de um objeto ocorre apenas quando este atinge o estatuto de Ser no movimento da existência.
    • A frase de Cristo no fim do mundo sobre não conhecer os condenados explica-se por essa estrutura.
    • A ruptura de relações humanas expressa-se comumente pela frase sobre não conhecer mais o outro.
    • A passagem bíblica que afirma que o homem conheceu sua esposa baseia-se na noção de união real.
  • A expressão sobre meditar na lei relaciona-se diretamente com o amor à lei no Salmo cento e dezenove.
    • O verbo amar em hebreu possui o valor numérico de treze, equivalente à palavra Um.
    • Afirmar o amor à lei significa unificar-se com ela.
  • O termo thorah constitui a palavra-chave da espiritualidade judaica e traduz-se como lei, ensinamento ou instrução.
    • A menção ao ensinamento materno nos Provérbios designa binah, a inteligência divina.
    • O conceito de instrução carrega as ideias de estruturação e construção.
    • Instruir não significa transmitir teorias racionais, mas estabelecer um aspecto ontológico ligado à edificação.
    • A instrução atua como o ato de dar à luz em um edifício de pedras vivas.
  • O judaísmo estabelece a distinção entre a tradição escrita e a tradição oral.
    • A lei escrita corresponde a binah, e a lei oral liga-se a chokmah, a sabedoria.
    • O termo boca em hebreu representa o vaso que oculta a primeira letra do Nome Sagrado.
    • A lei oral constitui um ensinamento secreto que flui da sabedoria.
  • A raiz do termo thorah significa ordem, turno, maneira e gênero, enquanto o verbo correspondente significa girar e examinar.
    • O termo supera o aspecto jurídico e indica uma ordem interior de caráter orgânico que conduz ao Um.
    • Estudar a lei significa ordenar-se no interior dessa estrutura que manifesta a beleza.
    • A beleza é denominada tiphereth, centro das dez emanações correspondente ao coração.
    • Tiphereth representa o equilíbrio onde os contrários se dissolvem na harmonia ligada ao amor.
    • O termo em aramaico significa touro, sentido compartilhado pela letra aleph, que resume o Nome Sagrado de valor vinte e seis.
    • A leitura inversa conecta-se aos conceitos de roda e rito.
    • O rito define-se como o reconhecimento da ordem e o ordenamento das coisas na beleza.
    • A inversão do termo thorah expressa o conceito de ordem gerada pela mãe universal, exigindo a leitura correta para a reintegração.
    • A leitura reversa da letra aleph por extenso revela o sentido de segredo e ocultamento.
    • A beleza constitui o irradiar perceptível do segredo em cada coisa pela presença de seu princípio.
  • A passagem do Salmo cento e dezenove pede a abertura dos olhos para a contemplação das maravilhas que fluem da lei.
    • O termo para forma e beleza em Isaías aponta para a presença do Nome Sagrado como núcleo da ordem interior, com valor numérico de vinte e seis.
  • O ordenamento inerente à beleza projeta as coisas da existência bruta para o domínio do Ser, onde são conhecidas e relacionadas com o Todo no princípio.
    • A inteligência insere o homem no espaço onde ele se torna conhecido e conhecedor, integrado na harmonia.
    • O conhecimento equivale ao nascimento, transformando o homem naquilo que ele conhece.
    • O símbolo não se reduz a um sinal para a razão descobrir uma realidade oculta.
    • O símbolo constitui o fruto que nutre e realiza o homem renascido.
    • A transição do exterior para o interior exige uma iniciação que retire o véu e conceda a capacidade de conhecer.
    • O conhecimento opera onde as realidades se implicam organicamente e são nutridas pela seiva da sabedoria.
  • O símbolo deve atuar como alimento para o crescimento do homem novo.
    • As coisas contêm seu princípio e são carregadas por ele no espaço denominado pardes, ou pomar, pela tradição rabínica.
    • O homem é plantado como árvore no pomar que o nutre.
  • A tradição rabínica divide o alimento em leve, simbolizado pelo leite, e sólido, simbolizado pelo pão e pela carne.
    • O ingresso no pardes requer a saciedade por meio do pão e da carne.
    • Distinguem-se dois jardins: o inferior, ou de neshamah, e o superior, ou de chokmah.
    • A doutrina é simbolizada pelo alimento partido e distribuído.
    • A expressão partir o pão equivale a estudar e meditar, e o verbo comer significa também saber e conhecer.
  • A comida sólida utiliza a mesma raiz para designar o pão e o corpo ou carne.
    • O valor numérico do termo indica que o Um está presente nas seis últimas emanações.
    • A névoa de luz desce da sabedoria para a inteligência e para a bondade.
    • A fonte em kether gera valores numéricos associados ao conceito de escala.
    • O número três manifesta-se no seis como expressão do Um.
    • Os astros criados no quarto dia manifestam a luz primordial, e os quatro primeiros dias correspondem à névoa de luz da qual kether é a fonte.
    • O número gera a ordem interior pela qual cada coisa recebe o seu nome.
    • Todo nome integra-se no Nome Divino, sentido do pedido para que o Nome seja santificado.
  • A raiz do termo para pão significa seiva, força ou frescor verdejante.
    • O adjetivo opõe-se ao estado seco, relacionando-se à parábola de Cristo sobre o destino da árvore verde e do lenho seco.
    • O princípio explica a maldição de Cristo à figueira sem frutos.
  • A Epístola aos Hebreus repreende aqueles que necessitam de leite em vez de alimento sólido, apontando que o leite caracteriza a infância espiritual sem experiência na palavra da justiça.
    • O alimento sólido destina-se aos homens perfeitos ou maduros.
    • O homem maduro no sentido espiritual une-se ao esposo da emanação malkuth, que é tiphereth.
    • São Paulo refere-se a essa união espiritual ao classificar o mistério do matrimônio como grande.
    • O modelo simbólico constitui a função essencial da inteligência na busca pelo conhecimento real.
  • O Evangelho de São João omite o relato da instituição eucarística presente nos sinóticos, inserindo em seu lugar o lava-pés e a oração sacerdotal.
    • A opção confere à Eucaristia o caráter de arcano.
    • Existe uma relação estreita entre pão, carne e corpo.
    • A ligação entre vinho e sangue constitui um mistério baseado em valores numéricos em que a diferença reproduz o valor do Nome Sagrado.
    • O silêncio do coração permite a aproximação da Presença no arcano, superando as palavras.
    • O termo para sangue carrega também o sentido de semelhança.
  • O Evangelho de São João apresenta uma progressão que liga a escuta da palavra, o Pão do Céu, o Pão de Deus que desce para dar vida ao mundo e a necessidade de comer a carne e beber o sangue do Filho do homem para obter a vida eterna e a habitação mútua.
    • A sequência resume-se nos conceitos de Palavra, Pão, Carne e Presença.
  • A tradição rabínica identifica a lei como a Árvore da Vida, cuja meditação garante a sobrevivência.
    • A Cruz constitui a Árvore da Vida à qual Cristo está fixado.
    • A Cruz liga-se à morte e à ressurreição, e o estudo da lei exige a morte de si mesmo para gerar vida.
    • A advertência de Cristo aos que examinam as Escrituras sem encontrar a vida ocorre porque recusam a morte de si mesmos, mantendo o estudo na superfície sem ingressar na Presença.
    • A crítica aplica-se a Nicodemos e aos fariseus quanto ao juramento.
    • O santuário, o altar e o trono divino representam a Presença e correspondem às emanações malkuth, tiphereth e kether.
    • A ascensão na árvore das emanações indica que tudo deve se transformar no trono de Deus, base da simbologia verdadeira.
    • O filho da perdição define-se como aquele que perdeu a Deus ao se situar fora de sua Presença.
  • A lei representa o amor divino na unidade, e a Cruz constitui a revelação do amor que recapitula todas as coisas, unindo a terra ao céu e destruindo a morte.
  • É necessário conhecer o simbolismo de binah, sua ligação com a sabedoria e o conteúdo indicado no livro dos Provérbios.
    • A inteligência é denominada Mãe Universal por ser esposa de chokmah, alcançando fecundidade por meio da ciência, que é a língua de cima.
    • O termo para a construção da casa pela sabedoria liga-se à raiz de binah, indicando o ato de construir.
    • A raiz comum significa olhar, saber, conhecer e ensinar, sugerindo uma interioridade focada no meio.
    • A palavra casa deriva da mesma raiz.
    • As sete colunas da casa correspondem às sete últimas emanações, sendo as seis primeiras o edifício e a sétima a entrada.
    • O verbo para o entalhe significa escavar ou fender, surgindo no Salmo vinte e nove a respeito da voz que corta chamas de fogo.
    • As colunas foram talhadas pela voz da sabedoria, relacionando-se ao chamado de Isaías para olhar para a rocha de onde houve o corte.
    • As emanações mantêm unidade profunda com a inteligência e a sabedoria.
    • O edifício constitui um templo vivo, conforme expressão de São Pedro.
    • O termo coluna deriva do verbo manter-se de pé, denotando a mesma firmeza da palavra amém.
    • O número sete possui o significado de jurar e integra o termo para o repouso do sétimo dia.
  • A passagem dos Provérbios sobre o abate do gado e a mistura do vinho possui sentido sacrificial ligado à imolação.
    • O sacrifício transforma o animal para integrá-lo ao estado angélique.
    • O ato corresponde ao retorno do homem vestido com peles de animais para o homem revestido de luz gloriosa.
    • A mistura do vinho significa a introdução do perfume do Espírito e do sentido secreto, dado que o vinho equivale ao segredo.
    • O perfume e o óleo designam o Espírito, envolvendo o ato de esmagar ou pilar no almofariz antes de misturar.
    • O Zohar diferencia o bom vinho, que representa a lei, do mau vinho.
    • A embriaguez pelo vinho da lei garante a participação no mundo futuro e a ressurreição.
    • O vinho de cima é chamado de Árvore da Vida, tema que ressurge nas Bodas de Caná quanto ao bom vinho guardado até o fim.
    • Cristo afirma no Evangelho que não beberá do fruto da videira até o dia do vinho novo no Reino de seu Pai, sendo o vinho novo a sabedoria.
  • As palavras de Cristo explicitam o vínculo entre a Eucaristia e o sacrifício da Cruz pela associação comum ao nome de Árvore da Vida.
    • A transição da representação para a Presença na Eucaristia mostra-se difícil por barreiras dualistas, exigindo às vezes um ato de fé cega.
    • A Árvore da Vida funciona como o espaço comum entre os dois elementos.
  • O texto bíblico aborda a preparação e o ordenamento da mesa.
    • O termo para a inclusão possui valor numérico idêntico ao termo para concentração e recolhimento, pois a beleza exige o estado permanente de recolhimento.
    • Mudar a ordem significa criar uma estrutura.
    • A mesa representa tiphereth, a beleza, fonte da ordem e imagem do altar celeste.
    • O profeta Malaquias menciona a mesa do Senhor, e Isaías refere-se ao altar aceitável associado a tiphereth.
    • A raiz do termo para mesa significa estender-se, ação realizada por tiphereth nas seis direções a partir do coração.
    • O modelo reconduz ao sacrifício da Cruz e à relação entre sangue e vinho.
    • O termo aplica-se também à árvore que estende suas raízes na inteligência, conforme comentário sobre as macieiras no Cântico dos Cânticos.
  • O terceiro versículo trata do envio das servas para efetuar o chamado no topo da cidade.
    • O verbo enviar possui o sentido de carregar de uma ordem decorrente da irradiação da beleza.
    • As servas designam os anjos e as emanações, que assumem aspecto feminino ao receber de cima e masculino ao influenciar para baixo.
    • O chamado utiliza o verbo que significa gritar ou nominar, equivalendo a dar um nome.
    • As coisas existem na medida em que se incorporam na ordem e na beleza.
    • A expressão sobre o topo da cidade designa kether no ponto superior e a inteligência na haste.
    • A composição da palavra para cidade abrange a totalidade da manifestação da palavra pela combinação das letras do alfabeto.
    • A combinação de letras significa a estruturação divina e a composição na beleza criadora, afastando-se da mera vontade humana.
  • O conceito de jogo de palavras associa-se ao tom sério dos Provérbios sobre brincar e dançar diante da divindade em todo o tempo.
    • O jogo e a arte compartilham a gratuidade no movimento do ser que cria sentido.
    • A dança sagrada representa o ordenamento cósmico.
    • A ausência de arte e dança sagrada em uma tradição sinaliza sua degeneração.
  • A tradução comum do versículo sobre o simples de espírito constitui uma leitura superficial do termo hebraico.
    • São Jerônimo traduziu o termo como pequenino ou criança pobre.
    • A expressão hebraica aponta também para a mãe binah.
    • A separação gráfica indica o distanciamento da criança em relação à mãe, situando-a na base da árvore das emanações.
    • O verbo indica o abandono de um local para aproximação de outro, assemelhando-se ao conceito de retorno.
    • O termo abrange a noção de instruir ligada à inteligência.
    • O convite para deixar a base em direção à mãe baseia-se em um termo que encerra as duas letras he do Nome Sagrado, representando a subida da base para o topo.
    • A ausência de coração define aquele que ainda não alcançou a beleza no espaço do coração.
    • Nesse ponto localizam-se os trinta e dois caminhos da sabedoria.
    • A mesa preparada corresponde à beleza, para onde o necessitado é convidado a fim de se saciar e participar da ordem interior alimentada pela sabedoria.
    • A voz da sabedoria faz-se ouvir apenas na inteligência.
  • A palavra da sabedoria constitui o princípio criador que reitera a existência humana.
    • A mãe conceberá o indivíduo pelo poder da sabedoria por meio da língua superior, gerando o nascimento para a vida verdadeira.
  • O quinto versículo utiliza um termo impeditivo traduzido como uma ordem de movimento, mas que constitui o imperativo para dar à luz, sugerindo o segundo nascimento.
    • Comer e pão compartilham a raiz para sustento, guardando a ideia de seiva oculta na árvore.
    • A raiz surge em termos para palavras secretas, reforçando o aspecto ontológico da palavra além dos limites psicológicos.
    • Pedro questiona a Cristo sobre para onde ir, visto que ele possui as palavras de vida eterna, ideia que ressurge na afirmação de que quem escuta a palavra tem a vida eterna.
    • O verbo beber possui significados ligados a fundamento, coluna e ao número seis.
    • O número seis abrange os dias da criação, as direções espaciais, o homem-coluna e a totalidade da criação contida na leitura do Gênesis.
    • A contagem a partir do termo inicial resulta em seis palavras encadeadas no primeiro versículo do Gênesis.
    • Elohim constitui o irradiar do inefável expresso pelo número seis, estruturando o que está no alto e abaixo.
    • O fundamento situa-se no alto como raiz da luz e das águas.
    • O Zohar aponta que as palavras luz e água repetem-se cinco vezes no Gênesis.
  • O nome do terceiro filho de Adão significa equivalente ou restituição, por ter recebido a permissão de ingressar novamente no paraíso ou pomar.
    • O ato de beber designa-se por um termo correlato.
    • A análise da pedra fundamental revela equivalência numérica com a palavra jardim.
    • A pedra é empregada como Nome Divino no Gênesis sob a designação de Pedra de Israel.
    • A pedra fundamental constitui a laje localizada no Santo dos Santos.
    • O Zohar identifica essa pedra com o trono na visão da carruagem celeste.
    • A pedra na qual se baseia o Santo dos Santos representa o centro do universo.
    • A passagem do Zohar vincula as palavras sobre o trono de safira à pedra fundamental que serve de centro ao mundo em Jerusalém.
    • A pedra sela o trono sagrado acima das quatro figuras da carruagem e identifica-se com a pedra erguida por Jacó como casa de Deus.
    • O monumento serviu de ponto inicial para a criação do universo e base para a edificação do santuário.
  • A ação de beber exige a inversão do cálice, posicionando o que estava abaixo na parte superior.
    • O cálice funciona como símbolo do homem que forma a tríade com o céu e a terra, servindo de imagem do universo.
    • As antigas rubricas determinavam que o sacerdote posicionasse a mão abaixo do nó do cálice para comungar.
    • A mão indica o princípio, sua potência e o ato de conhecer.
    • Segurar o cálice abaixo do nó, que marca a divisão das águas, faz com que o princípio ou sabedoria descenda até a base.
    • A inversão necessária para beber indica que a base reintegrou o topo na sabedoria.
    • O modelo fundamenta a afirmação paulina sobre beber do cálice até a vinda do Senhor, indicando uma finalidade que supera a cronologia pela presença imediata da consumação.
    • Cristo afirma que quem crê não terá sede e promete à samaritana que a água ofertada extinguirá a sede de forma permanente, transformando-se em fonte para a vida eterna.
    • O termo para sede compartilha a raiz com o verbo beber.
    • A sede refere-se às coisas do mundo ou aos maus vinhos segundo o Zohar.
    • São Colombano pondera que a sede jamais será aplacada por se tratar da fonte da sabedoria no Verbo de Deus, onde se escondem os tesouros da ciência.
    • O consumo da fonte gera o desejo de beber eternamente por sua suavidade.
  • O sexto versículo ordena o abandono da infância espiritual para viabilizar a vida e a caminhada na senda da inteligência.
    • O abandono da pobreza espiritual significa deixar a base para subir pelo eixo central em direção à inteligência.
    • O processo aclara-se ao grafar o Nome Sagrado com dois daleth, onde o inferior indica a porta baixa e a emanação malkuth.
    • O eixo central conduz ao daleth superior, porta de ingresso na sabedoria.
    • O valor numérico do verbo caminhar somado aos dois daleth e ao eixo resulta no número quinhentos e quinze, que representa o cumprimento.
    • O cumprimento significa a vivência real.
    • O daleth inferior constitui a porta de entrada no edifício, e o superior representa a porta de cima na senda da inteligência.
    • A tradição rabínica estipula trinta e dos caminhos para a sabedoria, ligados às dez emanações e às vinte e duas letras, sugerindo a noção de coração.
    • Atribuem-se cinquenta portas à inteligência, número associado ao retorno ao local de origem no seio materno.
    • A raiz para estender aplica-se à árvore e suas raízes, e a mesa tem seu fundamento na inteligência com o valor de cinquenta.
    • A soma das cinquenta portas e dos trinta e dois caminhos resulta em oitenta e dois, valor que indica a concentração que contempla a unidade do Nome Sacré na letra correspondente.
  • A consumação remete à última palavra de Cristo sobre a conclusão da obra.
    • A declaração sucede à expressão de sede emitida por Cristo.
    • No ponto de encerramento, a sede de Cristo volta-se para o bom vinho da sabedoria, resumindo o trecho dos Provérbios.
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