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ALMA (2)
Pierre Deghaye. La Naissance de Dieu ou la Doctrine de Jacob Boehme. Paris: A. Michel, 1985.
“QUARENTA QUESTÕES SOBRE A ALMA” (2)
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A plenitude da alma, que foi de Adão apenas por um curto período, serve principalmente como um modelo, sendo reatualizada na pessoa de Cristo, o segundo Adão.
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Cristo é o filho que Adão teria gerado se tivesse assumido plenamente sua condição primeira.
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Contemplar a geração de Cristo no seio de Maria e dela se nutrir é gerar a si mesmo.
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A totalidade a ser recuperada não é uma soma de partes, mas uma totalidade dinâmica que exige uma transmutação da alma.
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A alma é uma pérola que o espírito terrestre procura em vão, mas que o espírito da alma encontra, pois o espírito terrestre só conhece a alma tenebrosa, morada do demônio.
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A alma precisa sair da propriedade do Pai (primeiro princípio, mundo da cólera, inferno) e entrar na propriedade do Filho (mundo da luz).
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O caminho da alma é o percurso do ciclo septiforme da natureza eterna, que o ser humano repete.
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A regressão ao início tenebroso é o pecado, que imita Lúcifer e leva à perdição.
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A alma presente é dividida entre a luz e as trevas, simbolizadas pelo olho direito (voltado para a luz) e o olho esquerdo (voltado para trás, para a colérica).
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Olhar para trás é avivar o desejo e a angústia, mas é no paroxismo da angústia que ocorre a peripécia: a metanoia, a conversão do desejo.
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A luz está diante da alma que ainda não deixou sua origem tenebrosa.
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O ciclo septiforme só aparece como um círculo quando acabado, com o princípio e o fim unidos.
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A luz não se une às trevas; para que a totalidade se realize, a alma deve se transformar em receptáculo do espírito, tornando-se a pérola que o espírito terrestre buscava.
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O olho direito (espírito da alma) contempla o olho esquerdo transformado, vendo nele as obras da fé, não mais o inferno.
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O espírito terrestre é a inteligência de Babel, o falso olho que deve ser quebrado.
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Aos falsos olhos de Babel opõem-se os olhos claros e paradisíacos dos filhos de Deus, miradouros perfeitos da Divindade.
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A transformação da alma, que é uma segunda nascença, faz passar do mundo tenebroso do Pai para o mundo luminoso do Filho.
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O mundo do Pai (primeiro princípio) é uma morada tenebrosa; o mundo do Filho (segundo princípio) é um reino luminoso.
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Sem o Filho, o Pai é um vale tenebroso, assim como a alma sem o espírito.
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A alma é comparada a uma árvore: o tronco (sem os ramos) é um vale tenebroso à semelhança do demônio.
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O Pai aparece como uma Mãe que gera o Filho em seu ventre tenebroso, introduzindo um devir na trindade cristã, onde no início da manifestação o Pai aparece sem o Filho.
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No início, o Pai é uma Divindade que ainda não se encontrou, que não é ainda Deus.
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O ser humano é sua própria mãe: sua alma é o ventre tenebroso no qual ele mesmo se gera.
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Quando o homem interior nasce, o seio tenebroso torna-se um palácio brilhante da luz divina.
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O Filho irradia nas profundezas do Pai, e o Pai nasce em seu Filho.
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O simbolismo de Boehme é realista, calcado no nascimento terrestre, mas há uma ruptura total de nível entre a realidade terrestre e a celeste.
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O ventre tenebroso na Divindade e na alma humana é análogo ao ventre materno segundo a carne.
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O fundo tenebroso da alma é análogo ao corpo de carne vil, e o espírito é análogo à alma que desperta no corpo.
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A alma torna-se o corpo precioso do espírito quando o fogo (desejo voraz) se casa com a água (doçura do desejo satisfeito).
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Após a queda, o fogo (desejo cego) é o próprio Adão (macho), e a água (doçura) é Eva (fêmea), mas a união deles só produz um macho ou uma fêmea, não um ser humano inteiro.
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A primeira alma a recuperar a plenitude humana será a de Cristo.
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A conjunção da tintura do fogo (Adão) e da tintura da água (Eva) se realiza na pessoa de Cristo.
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O homem semeia a alma (tintura do fogo) e a mulher semeia o espírito (tintura da luz).
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Para que a alma se torne substantiva (corpo do espírito), é preciso esperar a bênção oferecida a Maria.
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A partir da queda, a Palavra divina se fez carne no seio de Eva, mas estava como morta, como um ramo seco, até ser despertada em Maria.
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A mulher não regenerada só gera por sua matriz terrestre; antes de Eva, Adão tinha uma matriz celeste (matriz da água, do amor), o céu do qual a verdadeira alma nasce.
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No seio de Maria, a semente da mulher se identifica com a matriz da alma que se gera a si mesma como nosso paraíso.
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A palavra que penetra no seio de Eva desencadeia um desejo cego que a obscurece, mas é nesse desejo (caracterizado pela amargura) que se gera o verdadeiro desejo de Deus, embora a criatura só sinta o temor de Deus.
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O temor de Deus é o princípio da Sabedoria, mas para a alma não regenerada Deus é um monstro que a condena ao inferno.
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Quando o temor de Deus desperta a alma, a alegria irrompe na aflição com a irrupção da luz (o amor), transformando o temor em desejo de amor.
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Para que a luz venha, é preciso que o relâmpago (quarto grau da natureza eterna) rasgue as trevas.
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No seio de Maria, a faísca é acesa pela bênção do anjo no momento em que nasce a fé substantiva, sendo essa faísca o germe de luz (scintilla animae) aprisionado na pedra.
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O nascimento na cruz (Creuz-Geburt) ocorre quando a roda da angústia para e a cruz aparece, sendo o tempo da segunda nascença.
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Na alma de Maria, a segunda nascença se cumpre pela primeira vez, e ela está grávida da alma de Cristo.
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A segunda nascença é a segunda criação da alma, que a torna substantiva.
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O Cristo nasce na cruz, na roda da angústia, e seu nascimento no seio de Maria é uma obra libertadora que já se cumpre no ciclo exemplar da alma universal.
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A revelação começa pela morte de Deus e se cumpre na derrota da morte.
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A palavra divina depositada no seio de Eva era um germe de luz prisioneiro da morte, que Cristo liberta em Maria.
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O Cristo que se gera no seio de Maria também se gerará na alma dos filhos de Deus.
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Na peripécia do desejo, o desejo comprime excessivamente e depois se torna o aguilhão furioso (aiguilhão da morte), que exacerba a força adversa gerando o turbilhão da angústia.
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O aguilhão deve ser destruído: o desejo deve morrer para sair do círculo infernal.
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Quando a exacerbação está no auge, o desejo morre e renasce como pura delectação, um desejo eternamente satisfeito.
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O desejo que morre é a vontade própria que se renuncia (gelâzenheit).
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O desejo doloroso (cólera, Pai) se converte em desejo alegre (amor, Filho), saindo do primeiro princípio e entrando no segundo.
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O Cristo, ao morrer pela cólera do Pai, desarma a cólera e tira da Morte o seu aguilhão, assim como a vontade faz ao se renunciar.
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A Palavra criadora (fiat) aparece sob um duplo aspecto: o fiat infernal (da cólera) e o fiat celestial (do amor).
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No primeiro princípio, o desejo é um fruto amargo e a vida é a própria morte.
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O desespero (angústia mortal) é um bem porque leva ao despojamento da vontade própria e à submissão à justiça divina.
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O verdadeiro arrependimento é o ápice da paixão, que é a expiação, onde a alma, consciente da dívida incurável, oferece seu débito a Deus.
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A metanoia não é um simples ato de contrição, mas o ápice da paixão em que o devedor se oferece ao credor.
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A expiação se realiza pela própria alma no fundo de sua angústia.
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O arrependimento do Cristo na cruz foi o fato de ter carregado o pecado do mundo, sendo ao mesmo tempo o devedor e o pagador.
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Maria é a primeira criatura a se tornar virgem na alma, revestindo a Sabedoria (a Virgem celestial), e a virgindade perfeita está na alma parada de um corpo de luz.
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Adão era virgem segundo seu corpo celestial, mas o perdeu.
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A virgindade não se concebe numa alma que não se basta a si mesma pela participação no Espírito de Deus.
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A alma virgem é una na totalidade de suas potências macho e fêmea.
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A nova alma é o espírito irradiando num corpo celestial (a carne de Cristo).
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O corpo terrestre contém o germe do corpo novo, mas como a luz oculta nas trevas, devendo o primeiro espelho (corpo terrestre) ser quebrado para que o verdadeiro espelho (corpo celestial) apareça.
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A separação entre o corpo celestial e o terrestre é absoluta, simbolizada pela espada de fogo do anjo que guarda o paraíso.
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O modelo da união entre Deus e a criatura é Cristo, homem perfeito habitado por Deus.
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Os filhos de Deus antecipam sua morte e ressurreição durante a vida terrena, vivendo como mortos.
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A turba (potência de maldição), auxiliar da justiça divina na cólera, deve quebrar o corpo terrestre para que sua limitação seja ultrapassada.
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O fogo do julgamento (turba) purifica e prepara o caminho para a árvore da vida, e o tribunal está na própria alma.
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A dinâmica da alma obra em favor da verdadeira vida, mas a alma individual deve assumir sua morte, aderindo plenamente a ela.
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Morrer em vida, renunciando totalmente à vontade própria, é recriar em si o Nada primordial e a liberdade, abrindo lugar para a vontade de Deus.
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A resposta de Maria ao anjo (“Faça-se em mim segundo a tua palavra”) é o modelo da fé ativa que une o espírito desperto ao Espírito de Deus.
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A alma não regenerada que não morre em vida sofre a primeira morte (física) e, se não for agraciada, a segunda morte (eterna).
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A plena adesão à morte é a submissão ativa à justiça divina pela fé, que converte a justiça em amor.
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A unidade de Deus (rigor e clemência) se realiza na alma do fiel, onde a cólera é retirada, embora a noite permaneça oculta no dia.
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A verdadeira fé é a fé substantiva, que se encarna no homem novo, criando a substância do ser espiritual e dando um corpo segundo o espírito.
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A fé substantiva se nutre da graça, e a graça se nutre da fé, numa simbiose perfeita.
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O corpo novo (carne celestial) é a flor que cresce na terra negra, não tendo mais nada em comum com a carne terrestre.
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A terra vermelha (símbolo da totalidade da alma) é o corpo incorruptível, a matéria perfeita (materia ultima) identificada ao mar de cristal do Apocalipse.
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O corpo celestial é substantivo, fluido como a água e fixo como o cristal, sendo o vaso do espírito (sangue místico, água da vida eterna).
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A alma revestida desse corpo não conhece limites, atravessa tudo, e sua geração é sem rasgadura, revelando a perfeita virgindade na integridade.
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A liberdade do corpo celeste está na mobilidade perfeita, sendo o repouso no desdobramento harmonioso das potências da alma.
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A alma celeste caminha no infinito mas permanece sempre no ponto de partida, que é sua própria totalidade.
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A alma regenerada tem um corpo que é o trono e o templo da Sabedoria, sendo o próprio corpo de Deus.
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A Sabedoria é o duplo da Divindade: corpo em relação a ela, espírito em relação à criatura.
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A graça é uma substância (o puro elemento) que renova substancialmente, tornando-se carne no corpo de luz.
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O corpo de luz é o espelho onde o fiel contempla suas obras vivificadas pelo Espírito Santo, conhecendo a si mesmo e a Deus.
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Os filhos de Deus formam um só corpo (a carne celestial de Cristo), no qual Deus realiza sua própria plenitude, tornando-se imanente.
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As almas não regeneradas não têm verdadeiro corpo, são falsos espelhos que formam o falso olho de Babel.
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A verdadeira Igreja (corpo de Cristo, templo de Deus) está dentro das igrejas visíveis, mas é invisível aos olhos do corpo terrestre.
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A Psychologia vera é uma psicologia das profundezas, mas a luz que jorra nas trevas do inconsciente as retira, e o retorno às trevas é luciferiano.
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A dinâmica do cumprimento vai do tanque de fogo (onde a Morte é engolida) ao mar de cristal.
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Para sair do inconsciente (fogo ininteligente, prisão da sombra), é preciso ser movido por uma vontade superior transcendente, sem a qual o homem tenebroso não se transforma por si mesmo.
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Pensar e imaginar é produzir uma imagem e tornar-se essa imagem, para o bem ou para o mal, sendo o modelo oferecido pela Escritura.
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A Palavra divina é primeiro a letra da Escritura (encarnação grosseira de Deus), mas ela promete uma outra encarnação, na fé dos crentes que se tornam o texto vivo.
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O Cristo de Boehme é o homem perfeito, participante da natureza divina, que representa a Palavra divina encarnada no mundo e reexpressa pelo homem celestial.
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A Psychologia vera é inseparável da teologia da graça concebida como o puro elemento, sem a qual o fundo tenebroso do homem não pode, por si só, produzir a luz.
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