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Conduta Virtuosa
MAKARIOS AND NIKODIMOS. The Philokalia Vol 1. G.E.H. Palmer; K.T. Ware; P. Sherrard. London: Faber & Faber, 2011.
Exortações sobre o comportamento dos homens e a conduta virtuosa
- 1. Os homens verdadeiramente inteligentes não são os eruditos em sentenças e livros antigos, mas aqueles cuja alma discerne o bem e o mal.
- A inteligência autêntica evita o pecado e tudo quanto prejudica a alma.
- A prática do bem útil à alma realiza-se com profunda gratidão a Deus.
- 2. O homem verdadeiramente inteligente busca um único fim: obedecer ao Deus de todos e conformar-se a Ele.
- A alma disciplina-se tendo em vista esse único propósito.
- O conhecimento de Deus e a fé nEle constituem a salvação e a perfeição da alma.
- 3. As forças recebidas de Deus permitem resistir aos ataques do inimigo e superar tudo quanto parece doloroso.
- Autodomínio, tolerância, contenção, fortaleza e paciência são poderes santos.
- Os ininteligentes não compreendem que as provações fazem resplandecer as virtudes e conduzem à coroa dada por Deus.
- 4. A aquisição e o uso abundante das coisas materiais são fantasia passageira, enquanto a vida virtuosa segundo Deus supera toda riqueza.
- A lembrança constante dessa verdade impede murmuração, lamento e acusação contra os outros.
- Desejo, amor da glória e ignorância constituem a pior paixão da alma.
- 5. O homem inteligente examina a si mesmo para distinguir o que convém à alma e o que lhe é estranho.
- O que é próprio e benéfico à alma é preservado.
- O que a prejudica e a separa da imortalidade é evitado.
- 6. Quanto mais frugal é a vida de um homem, mais feliz ele se torna, pois se liberta de numerosos cuidados.
- Escravos, trabalhadores rurais e rebanhos podem converter-se em fontes de inquietação.
- O desejo voluntarioso cultiva a morte e mantém a alma errante nas trevas da vida pecaminosa.
- 7. A vida virtuosa não deve ser julgada impossível, mas apenas difícil de alcançar e de conservar.
- Os devotos, cujo intelecto goza do amor de Deus, participam da vida virtuosa.
- O intelecto comum é mundano e vacilante, pois se inclina às coisas materiais.
- 8. Os incultos e insensatos rejeitam a instrução porque ela revelaria sua rudeza.
- Os dissolutos tentam provar que todos são piores do que eles para parecerem inocentes.
- A alma relaxada perece pela maldade, contendo luxúria, orgulho, desejo insaciável, ira, inveja, mentira, prazer sensual, covardia, ignorância, engano e esquecimento de Deus.
- 9. Aqueles que praticam a virtude e a santidade não devem fingir uma piedade que não possuem.
- Como pintores e escultores, devem manifestar a virtude por suas obras.
- Todos os prazeres maus devem ser evitados como armadilhas.
- 10. A nobreza e a riqueza sem disciplina interior e virtude são espiritualmente funestas.
- O pobre ou escravo dotado de disciplina da alma e virtude é considerado bem-aventurado.
- Os que não cultivam a virtude se perdem como estrangeiros desviados em terra estranha.
- 11. Devem ser chamados formadores de homens aqueles que instruem os ignorantes e despertam amor pela disciplina.
- Também reformam os dissolutos, remodelando sua vida segundo a vontade de Deus.
- Mansidão e autodomínio são bênção e esperança segura para as almas humanas.
- 12. A vida virtuosa deve ser praticada de modo genuíno para que se torne fácil adquirir conhecimento de Deus.
- A reverência fiel a Deus concede poder contra ira e desejo.
- Desejo e ira são a causa de todos os males.
- 13. O ser humano é aquele que possui inteligência espiritual ou aceita ser corrigido.
- Quem não pode ser corrigido torna-se desumano.
- Os incorrigíveis devem ser evitados porque, vivendo no vício, não alcançam a imortalidade.
- 14. A humanidade própria depende da operação real da inteligência.
- Sem inteligência operante, o homem difere dos animais apenas pela forma corporal e pela fala.
- O homem inteligente reconhece sua imortalidade e odeia os desejos vergonhosos que causam a morte.
- 15. Assim como cada artífice mostra sua perícia na matéria que trabalha, a alma inteligente deve mostrar sua humanidade pela vida santa.
- Um artífice trabalha madeira, outro cobre, outro ouro e prata.
- A alma que ama Deus conhece a vida diretamente, agradece a Ele e aspira a Ele com todas as forças.
- 16. Quem aspira à santidade deve orientar-se por um sinal seguro, como os timoneiros que evitam recifes e rochedos.
- Deve-se discernir cuidadosamente o que fazer e o que evitar.
- Os pensamentos maus devem ser cortados da alma, pois as leis divinas existem para seu proveito.
- 17. A proficiência espiritual nasce da prática e da diligência, como ocorre com timoneiros e cocheiros.
- O estudo e a prática do que concorda com Deus são indispensáveis.
- Quem quer e compreende que isso é possível pode alcançar a incorruptibilidade pela fé.
- 18. A verdadeira liberdade não pertence aos livres exteriormente, mas aos livres no caráter e na conduta.
- Autoridades perversas ou dissolutas são escravas das paixões mundanas.
- A liberdade e a felicidade da alma consistem em pureza genuína e desapego das coisas transitórias.
- 19. A vida moral e as ações devem sempre servir de exemplo.
- Os doentes reconhecem os bons médicos pelas obras e não apenas pelas palavras.
- A autenticidade manifesta-se no modo concreto de agir.
- 20. A santidade e a inteligência da alma são reconhecidas no olhar, no andar, na voz, no riso, no uso do tempo e nas companhias.
- Tudo se transforma quando reflete uma beleza interior.
- O intelecto que ama Deus guarda a porta da alma contra pensamentos maus e impuros.
- 21. O caráter interior deve ser examinado, pois as autoridades humanas têm poder somente sobre o corpo.
- Ordens de assassinato ou de atos injustos e corruptores da alma não devem ser obedecidas.
- Deus criou a alma livre e dotada de escolha entre bem e mal.
- 22. A alma inteligente procura libertar-se de erro, ilusão, vanglória, engano, inveja e rapacidade.
- Tais males são obras dos demônios e da má intenção humana.
- O estudo perseverante e a prática vencem esses males quando o desejo não se volta aos prazeres vis.
- 23. A vida frugal e privada de excessos livra dos perigos e dispensa proteção.
- A superação de todo desejo abre facilmente o caminho para Deus.
- A sobriedade torna a alma menos vulnerável às ameaças externas.
- 24. Os homens inteligentes não precisam escutar muitos discursos, mas apenas aquilo que é proveitoso e conforme a vontade de Deus.
- A fala útil restaura a vida.
- O discernimento conduz à luz eterna.
- 25. A santidade exige libertação da presunção e da autoestima vazia e falsa.
- A vida e o modo de pensar devem ser corrigidos.
- O intelecto firme no amor de Deus torna-se caminho de ascensão a Ele.
- 26. O estudo das doutrinas não tem proveito quando a vida da alma não agrada a Deus.
- A conformidade com a vontade divina é condição do saber.
- Ilusão, autoengano e ignorância de Deus causam todos os males.
- 27. A atenção à vida santa e à alma conduz à bondade e ao amor de Deus.
- Quem busca Deus encontra-O vencendo os desejos pela persistência na oração.
- O homem assim formado não teme os demônios.
- 28. A santidade conhecida apenas em teoria não salva aqueles que se deixam iludir por esperanças mundanas.
- São como pessoas que possuem remédios e instrumentos médicos sem saber usá-los.
- A culpa pelos pecados não deve ser atribuída ao nascimento nem a outros, pois a alma indolente não resiste à tentação.
- 29. Quem não distingue o bem do mal não tem direito de julgar quem é bom ou mau.
- O homem que conhece Deus é bom.
- Quem não é bom nada conhece de Deus, pois a bondade é o caminho do conhecimento divino.
- 30. Os bons que amam Deus repreendem os malfeitores face a face.
- Na ausência dos malfeitores, não os criticam.
- Também não permitem que outros os difamem.
- 31. Toda aspereza deve ser evitada na conversação.
- Modéstia e autodomínio adornam o inteligente mais do que adornos juvenis.
- O intelecto que ama Deus ilumina a alma como o sol ilumina o corpo.
- 32. Diante de qualquer paixão, deve-se lembrar que os juízos corretos se deleitam em crenças verdadeiras e sólidas.
- A riqueza pode ser tomada por homens mais fortes.
- A santidade da alma é a única posse segura, inviolável e salvadora após a morte.
- 33. Os inconstantes e sem instrução não devem discutir com homens inteligentes.
- O inteligente conforma-se a Deus e costuma guardar silêncio.
- Quando fala, diz pouco, apenas o necessário e agradável a Deus.
- 34. Quem vive santamente no amor de Deus cultiva as virtudes da alma como sua posse própria e deleite eterno.
- As coisas transitórias recebidas pela vontade e dom de Deus são usadas com alegria e gratidão.
- Refeições luxuosas nutrem o corpo, mas conhecimento de Deus, autodomínio, bondade, beneficência, devoção e mansidão deificam a alma.
- 35. Governantes que forçam atos torpes e corruptores da alma não dominam a alma.
- Podem aprisionar o corpo, mas não o poder de decisão.
- O homem inteligente, por Deus que o criou, é mais forte que toda autoridade, necessidade ou força.
- 36. A perda de filhos, escravos, dinheiro ou posses não deve ser considerada desgraça absoluta.
- Deve-se contentar-se com o que Deus concede.
- Ao devolver o que não era propriedade própria, deve-se fazê-lo com gratidão e sem indignação.
- 37. O homem bom não vende sua liberdade interior por dinheiro, ainda que lhe ofereçam grande soma.
- As coisas desta vida são semelhantes a um sonho.
- As fantasias da riqueza são incertas e breves.
- 38. Os homens verdadeiros devem viver com santidade e amor de Deus, para que sua vida brilhe diante dos outros.
- Se vestes brancas são decoradas para atrair atenção, muito mais a alma deve ser ornada por virtudes.
- A visibilidade da santidade nasce da prática virtuosa.
- 39. Os sensatos examinam sua força e a vigilância das potências da alma para resistir às paixões.
- O autodomínio resiste à beleza e aos desejos nocivos.
- A fortaleza resiste à dor e à necessidade, e a tolerância resiste ao insulto e à ira.
- 40. A bondade e a sabedoria não são adquiridas imediatamente, mas por esforço, reflexão, experiência, tempo, prática e desejo de virtude.
- Quem ama Deus e O conhece não cessa de cumprir Sua vontade.
- Tais homens são raros.
- 41. Os homens de inteligência fraca não devem desesperar nem desprezar a virtude como inalcançável.
- Devem exercitar as forças que possuem e cultivar-se.
- Mesmo sem atingir o grau mais alto, podem tornar-se melhores ou ao menos não piores.
- 42. Pela inteligência, o homem se une ao poder inefável e divino; pela natureza corporal, aparenta-se aos animais.
- Os perfeitos e inteligentes procuram enraizar a mente em Deus Salvador.
- A maioria renuncia à filiação divina e imortal, entregando-se ao corpo, aos prazeres sensuais e ao abismo.
- 43. O homem inteligente, ocupado com a participação e união divina, não se absorve no terreno ou vil.
- Seu intelecto volta-se ao celeste e eterno.
- A vontade divina de salvar o homem é causa de todo bem e fonte das bênçãos eternas.
- 44. Quando alguém contesta a verdade evidente, a disputa deve ser abandonada.
- O intelecto desse homem tornou-se petrificado.
- Assim como a água má estraga bons vinhos, a fala nociva corrompe os virtuosos.
- 45. Se todo esforço é feito para evitar a morte do corpo, maior ainda deve ser o esforço para evitar a morte da alma.
- Nenhum obstáculo impede a salvação, exceto a negligência.
- A preguiça da alma conduz à perda espiritual.
- 46. Os que desprezam o que é proveitoso e salutar são considerados enfermos.
- Os que compreendem a verdade, mas amam insolentemente a disputa, têm inteligência morta.
- Seu comportamento tornou-se brutal, e sua alma não foi iluminada.
- 47. Deus, por seu Logos, criou os diversos animais para as necessidades humanas e criou o homem para apreender Suas obras.
- Alguns animais servem de alimento, outros de serviço.
- Deus é onipotente, e nada resiste Àquele que, por seu Logos, cria do nada tudo quanto quer para a salvação humana.
- 48. Os seres celestes são imortais por possuírem bondade divina, enquanto os terrestres se tornaram mortais pelo mal que contraíram.
- O mal chega aos sem inteligência por preguiça.
- A ignorância de Deus torna a alma mortal.
- 49. A morte compreendida é imortalidade, mas, para os insensatos, permanece morte.
- Não se deve temer a morte corporal.
- A verdadeira calamidade é a perda da alma, isto é, a ignorância de Deus.
- 50. O mal é paixão ligada à matéria, e por isso nenhum corpo nasce livre do mal.
- A alma inteligente procura libertar-se do peso maligno da matéria.
- Ao vencer as paixões do mal e da matéria, a alma é coroada por Deus.
- 51. A alma que reconhece o mal passa a odiá-lo como mau odor de animal impuro.
- Quem não reconhece o mal o ama e torna-se seu escravo.
- O homem infeliz imagina que o mal é ornamento e se alegra nele.
- 52. A alma pura é iluminada por Deus e gera pensamentos conformes à vontade divina.
- Quando a alma se mancha pelo mal, separa-se de Deus.
- Demônios maus sugerem adultério, homicídio, roubo, sacrilégio e outros atos ímpios.
- 53. Os que conhecem Deus estão cheios de bons impulsos e desprezam os objetos mundanos.
- Muitos idiotas os odeiam e ridicularizam, mas eles suportam a pobreza.
- Quem compreende o celeste crê em Deus e sabe que tudo é criatura de Sua vontade.
- 54. Os cheios de mal e embriagados de ignorância não conhecem Deus.
- Deus é espiritual, invisível e manifestado nas coisas visíveis.
- Assim como o corpo não subsiste sem alma, nada visível e existente subsiste sem Deus.
- 55. O homem foi criado para contemplar e glorificar Deus por meio da apreensão das criaturas.
- As criaturas foram feitas por Deus em favor do homem.
- O intelecto sensível ao amor divino é bênção invisível concedida aos virtuosos.
- 56. O homem livre domina o corpo por julgamento correto e autodomínio, sem escravidão aos prazeres sensuais.
- A gratidão verdadeira contenta-se com o que Deus concede, ainda que pouco.
- Quando alma e intelecto amante de Deus estão em harmonia, os impulsos corporais se extinguem.
- 57. O desejo por mais do que o necessário escraviza às paixões e perturba a alma.
- A fantasia de insuficiência nasce da cobiça.
- Como túnicas largas atrapalham corredores, o excesso impede a luta e a salvação da alma.
- 58. Toda circunstância involuntária pode tornar-se prisão e castigo para o homem.
- O contentamento com a situação presente impede a autopunição pela ingratidão.
- Esse contentamento só se alcança pelo desapego das coisas mundanas.
- 59. Deus deu a visão para reconhecer as coisas visíveis e a inteligência para discernir o que beneficia a alma.
- O branco e o preto são percebidos pela visão.
- O desejo separado da inteligência gera prazer sensual e impede a união da alma com Deus.
- 60. O pecado não está no que ocorre segundo a natureza, mas na escolha deliberada do homem.
- Comer não é pecado, mas comer sem gratidão e sem ordem é pecado.
- Olhar com inveja, ouvir com ira, usar a língua para maledicência e as mãos para homicídios e roubos são pecados contra a vontade de Deus.
- 61. Quem duvida de que Deus observa todos os atos deve refletir sobre a própria capacidade humana de perceber muitas coisas.
- Se o homem, sendo pó, observa muitos lugares, Deus observa infinitamente mais.
- Todas as coisas aparecem a Deus como um grão de mostarda ao homem, e Ele dá vida e alimento às criaturas.
- 62. Ao fechar as portas da casa e estar só, deve-se saber que está presente o anjo designado por Deus a cada homem.
- 65. Se os soldados permanecem fiéis a César porque ele os alimenta, muito mais se deve agradecer incessantemente a Deus.
- Os lábios nunca devem silenciar o louvor.
- Deus criou todas as coisas por causa do homem.
- 64. A vida virtuosa e a gratidão para com Deus são frutos humanos agradáveis a Deus.
- Como os frutos da terra amadurecem por tempo, chuva e cuidado, os frutos humanos amadurecem por ascese, estudo, perseverança, autodomínio e paciência.
- Enquanto se está no corpo, deve-se desconfiar de si mesmo e saber que não é fácil permanecer sem pecado até o fim.
- 65. Nada é mais precioso ao homem do que a inteligência.
- Por meio dela se adora Deus com fala inteligente e ação de graças.
- O homem obtuso culpa nascimento ou circunstâncias, embora suas palavras e ações sejam más por escolha livre.
- 66. Se as paixões corporais são curadas para evitar o ridículo humano, mais ainda devem ser curadas as paixões da alma diante do julgamento de Deus.
- A liberdade da vontade torna possível evitar o mal desejado.
- Ninguém pode forçar o homem a praticar o mal contra sua vontade.
- 67. O homem pode escolher ser escravo das paixões ou livre diante delas.
- Deus criou o homem com livre vontade.
- Quem vence as paixões da carne é coroado com incorruptibilidade.
- 68. Os que conhecem o bem, mas não veem o que lhes convém, são cegos de alma.
- Seu discernimento tornou-se petrificado.
- Não se deve dar atenção a eles, para não cair nas mesmas faltas.
- 69. Não se deve irar contra os pecadores, ainda que seus atos mereçam punição.
- A justiça exige correção e, se necessário, punição.
- A ira procede da paixão, não do juízo correto e da justiça.
- 70. A posse da própria alma é a única aquisição segura e inviolável.
- Ela se alcança por vida santa, conhecimento espiritual e boas ações.
- A riqueza é guia cego e conselheiro insensato para quem a usa de modo mau e indulgente.
- 71. Os homens não devem adquirir coisas supérfluas ou devem reconhecer que tudo nesta vida é perecível.
- As posses podem ser saqueadas, perdidas ou quebradas.
- Nenhum acontecimento deve causar abatimento espiritual.
- 72. Os sofrimentos do corpo pertencem naturalmente ao corpo, por ser corruptível e material.
- A alma disciplinada deve suportá-los com gratidão.
- Deus não deve ser culpado por ter criado o corpo.
- 73. Como atletas olímpicos só são coroados após vencer todos os adversários, a alma deve vencer todas as paixões.
- A disciplina não se limita às coisas corporais.
- Amor ao ganho, rapacidade, inveja, vanglória, insulto e medo da morte também devem ser vencidos.
- 74. A vida piedosa e virtuosa não deve ser buscada por louvor humano, mas pela salvação da alma.
- A morte está diariamente diante dos olhos.
- Os assuntos humanos são imprevisíveis.
- 75. A vida disciplinada pode ser escolhida, mas a riqueza não depende apenas da escolha.
- Condenar a alma por desejo de riqueza passageira é insensatez.
- A primeira virtude é a humildade, e a primeira paixão é a gula e o desejo das coisas mundanas.
- 76. Os inteligentes devem lembrar que sofrimentos leves e passageiros conduzem à alegria suprema e à bem-aventurança eterna.
- Quem cai na luta contra as paixões deve levantar-se e recomeçar.
- O labor corporal é arma das virtudes e traz salvação à alma.
- 77. As circunstâncias da vida dão aos leigos e ascetas dignos oportunidades de serem coroados por Deus.
- As faculdades devem tornar-se mortas para as coisas mundanas.
- Um morto não se ocupa de nada terreno.
- 78. A alma em treinamento espiritual, sendo deiforme, não deve temer covardemente as paixões.
- Fantasias mundanas desviam a alma de seu curso.
- As virtudes conduzem às bênçãos eternas, enquanto vícios voluntários resultam em punições eternas.
- 79. O homem é atacado pelos sentidos mediante as paixões da alma.
- Os cinco sentidos corporais são visão, olfato, audição, paladar e tato.
- As quatro paixões que cativam a alma são autoestima, leviandade, ira e covardia.
- 80. A vida é comparável a uma hospedaria em que todos partem levando apenas o que lhes pertence.
- Alguns hóspedes dormem em camas, outros no chão, mas todos saem igualmente.
- Ao deixar esta vida, ninguém leva prazeres ou riquezas, mas apenas suas ações boas ou más.
- 81. Quem está em alta autoridade não deve ameaçar levianamente alguém com a morte.
- Também a autoridade está sujeita à morte por natureza.
- Quem não tem compaixão não possui virtude.
- 82. A morte não pode ser evitada.
- Os verdadeiramente inteligentes, exercitados na virtude e no pensamento espiritual, aceitam-na sem medo ou tristeza.
- A morte liberta dos males desta vida.
- 83. Os que ignoram a vida boa e conforme a Deus não devem ser odiados.
- Devem ser tratados com misericórdia, como aleijados no discernimento e cegos no coração e na mente.
- Ao tomar o mal por bem, perecem pela ignorância e não conhecem Deus.
- 84. A instrução sobre devoção e vida reta não deve ser dada indiscriminadamente às multidões.
- Não se trata de negar o ensinamento, mas de evitar que ele pareça ridículo aos estúpidos.
- Poucos ou quase nenhum escutam tal instrução; por isso, é melhor calar sobre a vontade salvadora de Deus.
- 8y. A alma sofre com o corpo, mas o corpo não sofre com a alma.
- Quando o corpo é cortado ou está saudável, a alma compartilha sua condição.
- Pensar, ignorância, arrogância, incredulidade, ganância, ódio, inveja, ira, apatia, autoestima, amor da honra, contenda e percepção do bem são energizados pela alma.
- 86. A meditação das realidades divinas exige bondade, ausência de inveja, devoção, autodomínio, mansidão, generosidade, benevolência e paz.
- A alma torna-se inviolável ao conformar-se a Deus e não julgar ninguém.
- Deve-se investigar as próprias faltas e examinar a própria vida.
- 87. O homem verdadeiro procura ser devoto e não deseja o que lhe é alheio.
- Tudo que foi criado é alheio ao homem, que é superior às criaturas por ser imagem de Deus.
- O desapego das coisas mundanas é sinal de uma alma na qual a salvação opera.
- 88. Os que buscam possuir coisas transitórias pela força estão presos ao desejo de agir viciosamente.
- Ignoram a morte e a destruição da própria alma.
- Não consideram o sofrimento dos homens após a morte por causa da maldade.
- 89. O mal é paixão aderida à matéria, mas Deus não é sua causa.
- Deus deu conhecimento, entendimento, discernimento entre bem e mal e livre vontade.
- Demônios e muitos homens tornam-se maus por escolha livre.
- 90. O homem devoto não permite que o mal entre em sua alma.
- Sem mal presente, a alma fica segura contra perigo e dano.
- Louvado, ele ri interiormente dos que o louvam; insultado, não se defende nem se irrita.
- 91. O mal adere à natureza como verdete ao cobre e sujeira ao corpo, mas não foi criado por Deus.
- Deus deu conhecimento e discernimento para que o homem evite o mal.
- Ao ver poder e riqueza, deve-se recordar rapidamente a morte para não desejar objeto mau ou mundano.
- 92. Deus concedeu imortalidade aos que estão no céu e mutabilidade aos que estão na terra.
- O demônio insinua lembranças más na alma por fantasias mundanas.
- Deve-se dizer a si mesmo: Se assim for desejado, está em meu poder vencer também esta luta contra a paixão; mas não se vencerá se houver empenho em cumprir o próprio desejo.
- 93. A vida é a união entre intelecto, alma e corpo, enquanto a morte é a dissolução dessa relação.
- A morte não destrói os elementos unidos.
- Todos são salvos por Deus e em Deus, mesmo após a dissolução.
- 94. O intelecto não é a alma, mas dom de Deus que salva a alma.
- O intelecto conforme a Deus aconselha desprezar o transitório, material e corruptível.
- O intelecto amante de Deus é benfeitor e salvador da alma humana.
- 95. A alma no corpo é obscurecida e devastada por dor e prazer.
- Dor e prazer são semelhantes aos humores do corpo.
- O intelecto amante de Deus cura a alma como médico que corta e cauteriza corpos.
- 96. Algumas almas não são controladas pela inteligência nem governadas pelo intelecto.
- Suas paixões, dor e prazer, não são contidas.
- Perecem como animais sem razão, pois a inteligência é arrastada como cocheiro que perde o controle dos cavalos.
- 97. A maior enfermidade da alma é não conhecer Deus.
- Deus criou todas as coisas para o homem.
- Os dons do intelecto e da inteligência ligam o homem a Deus, permitindo conhecê-Lo e louvá-Lo.
- 98. A alma está no corpo, o intelecto na alma e a inteligência no intelecto.
- Quando Deus é conhecido e louvado por esses meios, Ele torna a alma imortal.
- Deus concedeu o ser a todas as criaturas somente por Sua bondade.
- 99. Deus criou o homem com livre vontade e capacidade de conformar-se a Ele.
- A ausência de maldade torna o homem semelhante a Deus.
- Se o homem louva virtudes santas e condena ações más, muito mais Deus deseja a salvação humana.
- 100. Todo bem é recebido de Deus, que é a própria bondade.
- Por isso o homem foi criado por Deus.
- Os males são atraídos pelo próprio homem por sua maldade, desejo e obtusidade.
- 101. A alma ininteligente, embora imortal e senhora do corpo, torna-se escrava dele pelo prazer sensual.
- O deleite corporal prejudica a alma.
- A estupidez busca o que alegra o corpo e destrói a alma.
- 102. Deus é bom, e o homem é mau; no céu não há mal, e na terra não há bondade.
- O homem inteligente escolhe a melhor parte e reconhece o Deus de todos.
- Antes da morte, odeia o corpo e impede os sentidos maus de cumprirem seus desejos.
- 103. O homem mau deleita-se no excesso e despreza a justiça.
- Não considera a incerteza, a instabilidade e a brevidade da vida.
- Um velho impudente e estúpido é como madeira podre, inútil para tudo.
- 104. O prazer e a alegria são saboreados na medida em que antes se prova aflição.
- Só se bebe com prazer quando há sede, come-se com prazer quando há fome e dorme-se bem quando há sono.
- As bênçãos eternas só serão gozadas quando as coisas transitórias forem desprezadas.
- 105. A inteligência é serva do intelecto.
- O que o intelecto quer, a inteligência concebe.
- O que a inteligência concebe, ela expressa.
- 106. O intelecto vê todas as coisas, inclusive as celestes.
- Nada o obscurece, exceto o pecado.
- Para o intelecto puro nada é incompreensível, assim como nada é inexprimível para a inteligência.
- 107. Pelo corpo, o homem é mortal; pelo intelecto e pela inteligência, é imortal.
- Pelo silêncio vem a compreensão.
- A inteligência agradecida oferecida a Deus é a salvação do homem.
- 108. Quem diz coisas insensatas não possui intelecto.
- Fala sem entendimento.
- Deve-se aprender o que convém fazer para salvar a alma.
- 109. A inteligência unida ao intelecto e auxiliadora da alma é dom de Deus.
- A inteligência tagarela que mede céu, terra, sol e estrelas caracteriza trabalho vão.
- Investigar inutilmente tais assuntos é como tentar tirar água com uma peneira.
- 110. Só o homem que busca a santidade, conhece e glorifica Deus pode perceber o céu e compreender as coisas celestes.
- Deus criou o homem para salvação e vida.
- Quem ama Deus sabe que nada existe sem Ele.
- 111. Como o homem sai nu do ventre materno, a alma sai nua do corpo.
- Uma alma sai pura e luminosa; outra, manchada por faltas; outra, negra por muitos pecados.
- A alma inteligente medita sobre os males após a morte e vive devotamente para não ser condenada.
- 112. Assim como, ao sair do ventre, já não se recorda o que pertence ao ventre, ao sair do corpo já não se recorda o que pertence ao corpo.
- A passagem corporal apaga a memória da condição anterior.
- A saída do corpo altera radicalmente a relação da alma com a vida corpórea.
- 113. Assim como a saída do ventre permite crescimento corporal, a saída do corpo permite crescimento em incorruptibilidade quando a alma é pura.
- A alma sem mancha cresce em força.
- A vida celeste é concedida à alma purificada.
- 114. Assim como o corpo deve nascer ao completar seu tempo no ventre, a alma deve deixar o corpo ao completar o tempo fixado por Deus.
- O tempo da alma no corpo é determinado.
- A morte corresponde ao cumprimento desse limite.
- 115. A alma tratará o homem após a morte conforme tiver sido tratada enquanto esteve no corpo.
- Quem tratou o corpo com indulgência prejudicou a si mesmo.
- O indulgente condena a própria alma como insensato.
- 116. A alma não pode ser salva nem unir-se a Deus se deixa o corpo sem conhecimento de Deus por meio da vida virtuosa.
- Um corpo que sai mutilado do ventre não cresce perfeitamente.
- A alma sem conhecimento divino permanece incompleta para a salvação.
- 117. O corpo unido à alma sai das trevas do ventre para a luz, mas a alma unida ao corpo fica presa nas trevas corporais.
- O corpo deve ser odiado e disciplinado como inimigo que combate a alma.
- A indulgência alimentar excita vícios, enquanto a contenção do ventre humilha paixões e salva a alma.
- 118. O corpo vê pelos olhos, e a alma vê pelo intelecto.
- O corpo sem olhos é cego e não goza a luz do sol.
- A alma sem intelecto puro e vida santa não apreende Deus nem desfruta Suas bênçãos eternas.
- 119. A ignorância de Deus é obtusidade e estupidez da alma.
- Da ignorância nasce o mal.
- Do conhecimento de Deus vem a bondade que salva a alma.
- 120. A providência manifesta-se nos eventos que ocorrem por necessidade divina, e a lei nos eventos de necessidade humana.
- O nascer e o pôr do sol e os frutos da terra revelam providência.
- Tudo foi criado por causa do homem.
- 121. Sendo Deus bom, tudo quanto faz é em favor do homem; o homem, porém, age por si mesmo no bem e no mal.
- A prosperidade dos maus não deve causar espanto.
- Deus permite que os perversos castiguem os ímpios, mas depois também os entrega ao julgamento.
- 122. Se os adoradores de ídolos compreendessem o que adoram, não seriam desviados da verdadeira reverência.
- A beleza, a ordem e a providência divina das obras de Deus deveriam levá-los ao Criador.
- Deus fez e continua fazendo todas as coisas para o homem.
- 123. O homem mau e injusto pode matar, mas Deus nunca cessa de conceder vida.
- Deus dá vida até aos indignos.
- O mundo foi feito pela bondade divina para o homem e sua salvação.
- 124. O homem verdadeiro compreende que o corpo é corruptível e breve, enquanto a alma é divina e imortal.
- A alma é sopro de Deus unida ao corpo para ser provada e deificada.
- Quem conhece a alma regula sua vida de modo justo e contempla intelectivamente as bênçãos eternas.
- 125. Deus deu ao homem poder sobre bem e mal e concedeu conhecimento espiritual.
- Pela contemplação do mundo, o homem pode conhecer o Criador de tudo.
- Os ímpios podem escolher não conhecer, não crer, errar e conceber ideias contrárias à verdade.
- 126. Deus ordenou que a alma fosse preenchida de intelecto à medida que o corpo cresce.
- A alma sem escolha do bem não possui intelecto.
- O intelecto amante de Deus está nos autodomínios, santos, justos, puros, bons, misericordiosos e devotos.
- 127. Uma única coisa não é possível ao homem: ser imortal quanto ao corpo.
- Segundo São Nicodemos, isso se refere ao corpo e não à alma, pois o corpo também será tornado imortal na ressurreição final.
- A união com Deus é possível pela busca intelectual, pela fé, pelo amor e pela vida santa.
- 128. O olho percebe o visível, e o intelecto apreende o invisível.
- O intelecto que ama Deus é a luz da alma.
- Quem possui tal intelecto é iluminado no coração e vê Deus intelectualmente.
- 129. Nenhum homem bom é imoral, e quem não é bom torna-se mau e amante do corpo.
- A primeira virtude é rejeitar as exigências da carne.
- O desapego voluntário das coisas transitórias torna o homem herdeiro das bênçãos eternas.
- 130. Quem possui intelecto conhece a si mesmo e sabe que o homem é sujeito à corrupção.
- Conhecer a si mesmo implica conhecer que todas as coisas foram criadas por Deus para a salvação humana.
- Os desapegados das coisas mundanas suportam leve aflição presente e recebem bem-aventurança e paz eternas.
- 131. Assim como o corpo sem alma está morto, a alma sem intelecto está inerte.
- A alma sem intelecto não pode receber Deus.
- O intelecto torna a alma viva para o divino.
- 132. Somente ao homem Deus escuta e se manifesta.
- Deus ama o homem e está onde o homem está.
- Só o homem é julgado digno de adorar Deus, e por causa dele Deus se transforma.
- 133. Deus criou tudo por causa do homem: terra, céu e beleza das estrelas.
- Os homens cultivam a terra para si mesmos.
- Se não reconhecem a grande providência divina, carecem de entendimento espiritual.
- 134. A bondade é oculta como as coisas celestes, enquanto o mal é manifesto como as coisas terrenas.
- Nada se compara à bondade.
- Somente o homem, por seu intelecto, pode compreender Deus e Sua criação.
- 135. O intelecto manifesta-se na alma, e a natureza no corpo.
- A alma é divinizada pelo intelecto.
- A natureza corporal torna a alma frouxa, e nem toda alma é salva.
- 136. A alma está no mundo porque é gerada, mas o intelecto transcende o mundo porque é ingerado.
- A alma que deseja salvar-se recorda que o tempo de combate e prova é agora.
- O Juiz não pode ser subornado, e a alma pode ser salva ou perdida por pequena indulgência vergonhosa.
- 137. Deus estabeleceu nascimento e morte na terra, e providência e necessidade no céu.
- Céu, terra e quatro elementos foram criados em favor do homem.
- Deus não necessita de bem algum, mas concedeu gratuitamente ao homem o gozo das bênçãos.
- 138. O mortal é inferior ao imortal, mas o imortal serve ao mortal.
- Os quatro elementos servem ao homem.
- Esse serviço procede da bondade de Deus Criador e de Seu amor pelo homem.
- 139. A impossibilidade de causar dano por indigência não torna alguém santo.
- A santidade aparece quando alguém pode prejudicar, mas se abstém por reverência a Deus.
- Quem poupa os mais fracos recebe grande recompensa após a morte.
- 140. O amor de Deus Criador oferece muitos caminhos de salvação aos homens.
- As almas são convertidas e elevadas ao céu.
- Virtude recebe recompensa, e pecado recebe punição.
-
- Pela fé, o homem conhece todas as realidades invisíveis e inteligíveis.
- A fé implica assentimento voluntário da alma.
- 142. A alma arrastada pelas distrações mundanas precisa recuperar sobriedade como nadador em rio perigoso.
- Os sóbrios e vigilantes atravessam a correnteza, mesmo se submersos brevemente.
- A alma embriagada de ignorância e prazeres sensuais perece, pois o corpo a arrasta para prazeres vergonhosos.
- 143. A alma inteligente recebe coroa de vitória quando exerce corretamente sua liberdade e governa suas paixões.
- Como cocheiro, ela refreia os aspectos irascível e apetitivo.
- Deus Criador concede-lhe como recompensa a vida no céu.
- 144. A alma verdadeiramente inteligente não se perturba com o sucesso dos maus e a prosperidade dos indignos.
- Não se deixa iludir pelos prazeres desta vida.
- Confia que Deus não deixará de dar o alimento necessário.
- 145. A vida do corpo, a riqueza e o poder mundano são morte para a alma.
- Trabalho, paciência, privação agradecida e morte do corpo são vida para a alma.
- A alma encontra nesses sofrimentos seu deleite eterno.
- 146. A alma inteligente, indiferente ao mundo material e à vida rápida, escolhe o deleite do céu.
- A vida eterna é conferida por Deus.
- Essa concessão ocorre em razão da santidade da alma.
- 147. Assim como roupas sujas mancham outras roupas, os imorais contaminam as almas simples.
- O contato com os maus por meio da fala transmite corrupção.
- A conversa sobre o mal profana os simples de mente.
- 148. O começo do pecado é o desejo, que destrói a alma.
- O começo da salvação é o amor.
- O amor é também princípio do reino celeste para a alma.
- 149. A alma ociosa se deteriora como cobre negligenciado coberto de verdete.
- A negligência da santidade e da conversão a Deus priva a alma da proteção divina.
- A ociosidade produz mal no corpo material e torna a alma incapaz de salvação.
- 150. Deus é bom, impassível e imutável, e não se altera por alegria, ira, prazer ou ofensa.
- Deus apenas concede bênçãos e nunca faz dano, permanecendo sempre o mesmo.
- Os pecados impedem que Deus brilhe no homem, como se dissesse que o sol se esconde dos cegos.
- 151. A alma verdadeiramente devota conhece o Deus de todos.
- A devoção verdadeira consiste simplesmente em fazer a vontade de Deus.
- Conhecer Deus exige ausência de inveja, autodomínio, mansidão, generosidade, benevolência e tudo quanto concorda com Sua vontade.
- 152. O conhecimento e o temor de Deus curam as paixões materiais.
- Enquanto há ignorância de Deus na alma, as paixões permanecem incuráveis.
- Deus não é responsável pelo mal, pois deu ao homem entendimento espiritual e conhecimento.
- 153. Deus encheu o homem de entendimento espiritual e conhecimento para purificá-lo das paixões.
- A maldade deliberada deve ser removida.
- O amor divino deseja transformar o mortal em imortal.
- 154. O intelecto na alma pura e devota vê verdadeiramente Deus.
- Deus é ingerado, invisível e inefável.
- Ele é a única pureza nos puros de coração.
- 155. Santidade, salvação e coroa de incorruptibilidade são dadas ao homem que suporta infortúnios com alegria e gratidão.
- Controlar ira, língua, ventre e prazeres sensuais é extremamente benéfico.
- A alma se fortalece por essa disciplina.
- 156. A providência de Deus governa o universo e está presente em toda parte.
- A providência é o Logos soberano de Deus que dá forma à materialidade informe do mundo.
- O Logos é Imagem, Intelecto, Sabedoria e Providência de Deus.
- 157. O desejo originado na mente é fonte de paixões obscuras.
- A alma tomada por tal desejo esquece que é sopro de Deus.
- Em sua insensatez, deixa-se levar ao pecado e ignora os males após a morte.
- 158. Impiedade e amor ao louvor são a pior e mais incurável doença da alma.
- Esses males conduzem à destruição da alma.
- O desejo do mal revela carência do bem, enquanto a bondade consiste em fazer de todo coração o que agrada ao Deus de todos.
- 159. Somente o homem é capaz de comunhão com Deus.
- Deus fala somente ao homem, à noite por sonhos e de dia pelo intelecto.
- Deus prenuncia por todos os meios as bênçãos futuras concedidas aos dignos.
- 160. Para quem tem fé e determinação, não é difícil obter entendimento espiritual de Deus.
- A contemplação de Deus ocorre pela harmonia providencial das coisas criadas por Seu Logos.
- Todas as coisas existem por causa do homem.
- 161. O homem é chamado santo quando é puro de pecado e de mal.
- A realização mais alta da alma humana é não haver mal nela.
- Essa pureza é o que mais concorda com a vontade de Deus.
- 162. O nome designa uma coisa ou pessoa particular, e por isso é insensato atribuir a Deus, único e uno, outro nome.
- O nome Deus designa Aquele que não tem origem.
- Ele criou todas as coisas por causa do homem.
- 163. Quem reconhece ações pecaminosas em si deve cortar o pecado da alma.
- A lembrança das bênçãos esperadas ajuda a arrancar o mal.
- Deus é justo e compassivo.
- 164. O homem conhece Deus e é conhecido por Ele na medida em que procura não se separar de Deus.
- Isso se realiza pela bondade integral.
- A renúncia ao prazer sensual deve proceder de determinação e autodomínio, não da falta de meios.
- 165. Fazer o bem a quem pratica injustiça torna Deus amigo do homem.
- Nunca se deve caluniar o inimigo.
- Amor, contenção, moderação, paciência, autodomínio, humildade e virtudes semelhantes constituem conhecimento de Deus.
- 166. Plantas têm vida natural, mas não têm alma.
- O homem é animal inteligente porque possui intelecto e capacidade de conhecimento.
- Há quatro categorias de viventes: anjos com alma imortal; homens com intelecto, alma e sopro; animais com sopro e alma; plantas somente com vida.
- 167. Quando surgem imagens de prazer sensual, deve-se vigiar para não ser arrastado por elas.
- Convém deter-se um pouco e pensar na morte.
- É melhor vencer conscientemente o prazer ilusório.
- 168. Assim como há paixão na geração do que nasce no mundo, há mal em toda paixão.
- Não se deve dizer que Deus é impotente para extirpar o mal.
- Deus extirpou o mal dos homens concedendo intelecto, entendimento, conhecimento espiritual e discernimento do bem.
- 169. As criaturas mortais sabem previamente que devem morrer e ressentem esse fato.
- A alma santa recebe imortalidade por sua santidade.
- A mortalidade recai sobre a alma insensata e infeliz por seus pecados.
- 170. Ao deitar-se com mente contente, deve-se recordar as bênçãos e a generosa providência de Deus.
- Enquanto o corpo dorme, a alma vigia; o fechamento dos olhos traz verdadeira visão de Deus.
- Quando o mal está ausente, a gratidão agrada a Deus mais do que qualquer sacrifício abundante.
- A Ele seja a glória por todos os séculos. Amém.
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