mrf:eckhart:estudos:faggin:estrutura-teologico-metafisica
4. Estrutura teológico-metafísica da mística eckhartiana
GIUSEPPE FAGGIN. MEISTER ECKHART E LA MISTICA TEDESCA PREPROTESTANTE. MILANO: FRATELLI BOCCA, 1946
-
A reconstrução histórica do processo da mística medieval costuma buscar inspiração na doutrina neoplatônica e em Plotino, como se fosse possível seguir uma corrente mística ininterrupta e como se a originalidade cristã e a elaboração católica diminuíssem sob esse influxo.
-
Menção à tendência historiográfica de vincular diretamente a mística medieval ao filósofo de Licópole.
A filosofia plotiniana expressa de modo racional profundas exigências ético—religiosas e é pervadida por um indiscutível sentido místico.A exposição breve das linhas fundamentais do sistema de Plotino serve para alertar sobre o real alcance de seu misticismo e para iluminar a originalidade posterior da doutrina de Eckhart.-
Exame dos aspectos racional e humano que acompanham a entonação mística plotiniana.
A análise do sistema permite decidir se o panteísmo censurado nos místicos de inspiração neoplatônica deve ser atribuído a Plotino como sua verdadeira origem.-
Remissão à obra Plotino, publicada pela editora Garzanti em 1945, para a reconstrução do pensamento do filósofo.
O Absoluto em Plotino é o Uno, o Bem e o Primeiro: constitui a fonte de toda a realidade e situa—se além de qualquer ser e de qualquer determinação lógica.O pensamento opera em função de uma multiplicidade ideal a ser discriminada, o que o impede de definir ou pensar o Uno, visto que este supera o pensamento e o pensamento não constitui a única realidade.Toda determinação racional delimita o Absoluto e permanece aquém dele, que não possui autoconsciência, nem pensamento, nem vontade, nem amor.-
A autoconsciência implica a distinção de um outro.
-
O pensamento atua em função do Bem como seu fim absoluto.
-
O desejo consciente de um objeto define a vontade.
-
O amor provém de uma deficiência espiritual.
O Uno não se reduz a sujeito puro ou objeto puro, podendo ser concebido como Sujeito apenas enquanto criatividade absoluta que produz o objeto, e como Objeto se considerado o centro mais íntimo da subjetividade.-
Rejeição à ideia de o objeto constituir uma alteridade lógica.
O Absoluto constitui liberdade absoluta, manifestada não como uma realidade livre, mas como um ato libertador.A teologia negativa pressiona o pensamento até o limite extremo e rejeita compromissos com o analogismo proporcional, revelando a abstração e a inadequação de cada fórmula para significar a Vida infinita.A inteligência reconhece acima de si a Transcendência ao compreender a limitação de qualquer conceito, o que exige do espírito uma potência intuitiva superior como supremo ato de vida.A alma esclarece a própria tensão interna em direção ao Uno no tumulto da vida, através de alegrias e dores e na luta dialética com os limites e o tempo, que a tornam irrequieta diante do múltiplo exterior e interior.O Absoluto manifesta—se como valor e ato vital na vivência da alma, possuindo significado somente se o pensamento discriminar a presença numinosa daquilo que não é o Uno.-
O Absoluto reduz—se a um nome vazio se for transformado apenas em objeto do pensamento.
A vida espiritual depende do pensamento, embora não se resolva inteiramente nele no final das contas.O Uno funciona como princípio de alteridade e de distinção por ser Potência geradora, não se confundindo com uma noite mística que aniquila as diferenças.O universo se resolveria em uma identidade vazia sem as hipóstases geradas, e o múltiplo não subsistiria nem teria um fim supremo sem o Uno.-
Identificação do Intelecto e da Alma como as hipóstases geradas.
O esforço de Plotino visa salvar o múltiplo e as distinções no seio do Uno, preservando a articulação do ser e do pensamento sem conduzir à posição eleática.-
Constatação de que a própria fala sobre o Uno depende da existência do que é diferente do Uno.
Os vários planos da vida universal estabelecem a concretude do real e formam a paisagem metafísica na qual se move a alma individual com as possibilidades de seu destino.O produto gerado pelo Uno é necessariamente inferior a ele, embora dele participe, o que faz do Intelecto um Universo noético infinito de ideias e inteligências em unidade eterna e idêntica.-
O Intelecto apresenta—se inferior ao Uno como alteridade de ser—pensamento e multiplicidade ideal.
A Alma posiciona—se inferior ao Intelecto por ser princípio of movimento e de vida destinada a animar uma realidade corpórea.-
A Alma qualifica—se como alma universal por participar do Intelecto e estar voltada a ele in contemplação, implicando uma riqueza de almas individuais capazes de ascender ao limite supremo da realidade.
A alma individual vivifica um corpo por meio das razões seminais, realizando a vida sensitiva no tempo e no espaço, de modo que o corpo está nela e as sensações são atos seus.-
Possibilidade de a alma dar vida a uma série de existências corpóreas.
O mundo sensível constitui a expressão visível da Animação universal e um símbolo vivo do Inteligível e do Eterno.A matéria atua como a matriz tenebrosa do mundo sensível que faz emergir e engole o fluxo das aparências fenomênicas.-
Definição da matéria como não—ser absoluto, negatividade absoluta, extremo limite inferior do processo divino e lugar dos efeitos das operações da alma.
Uno, Intelecto e Alma não se reduzem a uma única realidade, sob pena de aniquilar o ser e a natureza do Uno gerador, nem devem ser colocados lado a lado sob o risco de destruir o Uno como unidade.O Uno mostra—se onipresente no Intelecto, na Alma e no cosmo sensível, mas essa imanência não significa identidade.Os diferentes planos hipostáticos permanecem separados e distintos no sistema de Plotino, sem que a distinção se concilie plenamente com a unidade.A mediação daquilo que resta inexplicado metafisicamente ocorre na obra da alma, que percorre os graus do real pelo impulso do amor, retornando de fora ao seu princípio.-
A alma reencontra a riqueza do Intelecto na clareza do pensamento e o próprio Uno no fundo do espírito.
A alma atua como intermediária entre o Intelecto e o mundo, carregando o tempo, a dramaticidade e o problema da própria história e destino.-
A história existe apenas na alma, consistindo no destino dela.
A dispersão na exterioridade gera dor e morte para a alma, enquanto o recolhimento no íntimo e na livre unidade consigo mesma proporciona o esquecimento em um gozo sobre—humano.O Eterno adquire valor por determinação da vontade da alma, a qual se adequa ao Eterno em vez de agir por arbítrio.O relacionamento da alma com Deus requer a mediação do Intelecto, não sendo obra do sentimento ou da vontade, mas do ápice da mente, conforme a expressão dos místicos cristãos.A alma constitui uma substância individual irredutível que habita no Intelecto e no Uno sem se identificar com eles, pois a imanência não acarreta identidade.A alma individual nunca atinge os confins da alma universal, do Intelecto ou do Uno, cujas potências são infinitas.-
Habitar nesses planos representa o reagrupamento a eles e o esquecimento da finitude, não o aniquilamento ontológico daquilo que promana do Uno.
A concepção plotiniana não pode ser classificada estritamente como panteísta, dado o cumprimento rigoroso da transcendência do Uno e da irredutibilidade das três hipóstases.-
A onipresença do Uno funda as distinções em vez de destruí—las.
O decréscimo da perfeição no processo descendente acentua a alteridade dos planos espirituais de vida, forçando Plotino a elaborar mediações para explicar a continuidade vital da metafísica.A continuidade no sistema plotiniano fundamenta a possibilidade e o alcance do elemento empírico que costuma habitar as doutrinas místicas.-
Nota de que em Eckhart esse elemento aparecerá suspenso no vazio e injustificável.
A corporeidade representa o limite extremo do irradiação divina e o ponto de partida para o retorno espiritual, exercendo uma função iniciadora moral, cultural e estética em Plotino.O corpóreo possui seu grau de ser, e a individualidade provém da ordem da forma explicada pelas razões seminais, constituindo uma originalidade irredutível e um destino concreto.A questão do panteísmo é sugerida principalmente pela visão estática final do Uno.Plotino aborda a experiência suprema de modo infrequente, não a tratando como um acontecimento ordinário ou natural.A abordagem da união mística faz—se necessária para resolver o problema da salvação e para evitar que o Uno seja reduzido a uma negação lógica vazia.A alma realiza em si mesma a unidade como ato supremo de liberdade, uma vez que o Uno não é o Ser nem objeto de pensamento capaz de aquietar um ato de conhecimento.O pensamento concebe a intuição mística como unificação absoluta entre a alma e Deus para atender às exigências do espírito diante de uma experiência indefinível.-
Sem a unificação, a alma estaria condenada a uma tensão vã aquém de seu fim, e Deus seria um objeto inatingível, símbolo do fracasso da inteligência, e não o Bem e a Vida imanente.
O uso de termos de sabor panteístico pelo pensamento parece inevitável ao declarar o valor da experiência suprema, apresentando à reflexão um problema inexistente no ato vivido.A resolução do problema do panteísmo exige olhar para além das fórmulas místicas isoladas, examinando o complexo sistema racional que as sustenta e enquadra.A alma em Plotino não é uma individualidade efêmera nem idêntica a Deus de forma natural e imediata.-
O Intelecto impõe um dever teórico ao agir moral e intelectual que eleva o ser a planos espirituais superiores entre o Uno e a alma.
A alma não nasce divina, mas faz—se divina, sendo acolhida pela onipresença do Uno que abriga toda realidade substancial e fenomênica.A alma reencontra o Uno em seu centro como sua própria unidade íntima, esquecendo a multiplicidade temporal e espacial sem aniquilar a individualidade espiritual originária.O sistema plotiniano acolhe a exigência de alteridade entre a alma e Deus, conferindo um tom dramático à sorte da alma que vaga distante do Pai.O retorno ao Bem recebe um relevo marcante no sistema, no qual as expressões de alegria divina são amplamente acentuadas por Plotino.A oscilação aparente de Plotino entre o panteísmo e a transcendência decorre da própria natureza da vida espiritual, caracterizada pelo ritmo entre vida e forma, infinito e finito, experiências inefáveis e pensamentos árduos.O pensamento manifesta—se por meio da audácia de fórmulas para renovar o espanto diante do Numinoso, ciente de que as expressões são nomes vazios perante o Inexprimível.A doutrina plotiniana não exerceu uma influência direta sobre o mundo ocidental, apesar de ser a expressão mais adequada do gênio helênico frente às exigências religiosas da época.A tradução das Enéadas realizada por Mário Vitorino teve uma fortuna limitada.-
Menção aos estudos de P. Henry em Plotino e o Ocidente (1934), que defendeu a tradução de Mário Vitorino contra as objeções de Theiler e apontou traços dela na obra Contra Ário.
Agostinho destaca—se no mundo latino por demonstrar conhecimento direto do pensamento plotiniano, enquanto no mundo grego—bizantino os escritores eclesiásticos o citam ou traem seu influxo.-
Menção a Basílio, Cirilo e Gregório de Nissa como exemplos de escritores influenciados no ambiente grego—bizantino.
-
Referência ao trabalho de P. Henry, Os estados do texto de Plotino (1938).
Os Escolásticos conhecem Plotino apenas mediatamente, por meio de testemunhos e citações de Agostinho ou de Macróbio.-
Indicação das passagens de Macróbio em No sonho de Cipião e Saturnal.
Mestre Eckhart menciona Plotino a respeito das quatro espécies de virtudes nos atos do processo de Colônia, mas recorre a Tomás de Aquino, que por sua vez utilizou Macróbio.-
Referência aos atos do processo de Colônia.
-
Remissão à classificação de virtudes que remete a Porfírio em Sentenças.
-
Indicação da Summa Theologiae de Tomás de Aquino e de No sonho de Cipião de Macróbio.
O pensamento de Plotino atua de forma potente e invisível na especulação cristã por meio de seus continuadores, especialmente Proclo.A doutrina plotiniana é reapresentada em Proclo sem variações essenciais, insistindo—se na teologia negativa e na teoria do centro da alma.A doutrina das hênades em Proclo esclarece a relação dialética entre o Uno e o múltiplo, fundando um pluralismo espiritualista.-
Nota de que o pluralismo espiritualista encontrará expressão moderna em Berkeley e Leibniz.
A doutrina da circularidade do real por meio da permanência, da emanação e do retorno constitui a formulation metafísica mais precisa do sistema plotiniano.-
Tradução dos termos conceituais: permanência, emanação e retorno.
-
Menção ao entusiasmo posterior de Hegel por essa concepção que reúne o que a teoria das hênades parecia desligar.
Proclo afasta—se do equilíbrio místico—racional de Plotino ao conceder importância às artes mágico—teúrgicas, cedendo às exigências sentimentais de sua época.As teorias teúrgicas de Proclo encontraram aceitação tácita no mundo cristão, oferecendo motivos para fundamentar uma teoria dos sacramentos.As obras de Proclo traduzidas para o latim espalharam as ideias neoplatônicas no Ocidente e resgataram indiretamente o pensamento de Plotino.-
Guilherme de Moerbeke traduziu em 1268 os Elementos de Teologia, e posteriormente os tratados Dez dúvidas sobre a providência, Sobre a providência, o destino e o que está em nós e Sobre a subsistência dos males.
-
Menção ao estudo de M. Grabmann sobre as traduções de Proclo por Guilherme de Moerbeke na literatura latina medieval.
As intuições neoplatônicas conservaram—se e atuaram no ambiente escolástico principalmente por meio do Livro das Causas.O Livro das Causas consiste em uma redação livre dos Elementos de Teologia de Proclo feita por um autor árabe e traduzida ao latim por Gerardo de Cremona no fim do século XII.-
O título latino da tradução é Livro da exposição do bem puro, sendo a obra falsamente atribuída a Aristóteles.
O Livro das Causas recebeu atenção e comentários de Alberto Magno, Tomás de Aquino e Egídio Colonna, além de ser conhecido por Dante, que o citou em várias obras.-
Dante citou a obra no Da Monarquia, no Convívio e nas Epístolas.
-
Referência aos estudos de R. Murari sobre a fortuna do Livro das Causas, de C. Sauter sobre Dante e o Livro das Causas, e de E. Krebs sobre soluções escolásticas para problemas de Dante.
-
Registro de que o Livro das Causas foi traduzido quatro vezes para o hebraico.
O pensamento neoplatônico penetrou no Ocidente também pela mediação árabe da Teologia de Aristóteles, outra obra falsamente atribuída ao Estagirita.A versão árabe da Teologia de Aristóteles por Ibn Abdallah Naima de Emesa data de cerca do ano 800, e a reformulação de Abu Joseph Jacob Jon Jsaac Alkindi pertence ao período entre 833 e 842.A opinião de P. Henry aponta que a Teologia seria uma seção dos cem livros de Notas, baseados nas lições de Plotino e tomados por Amélio, preservando a tradição oral do mestre.-
Referência ao artigo de P. Henry sobre a reconstituição do ensino oral de Plotino, com menção à contraposição de A. Mansion.
O neoplatonismo inspirou as obras de Avicena, Al—Ghazali e Averróis por meio do Livro das Causas e da Teologia de Aristóteles, adentrando o Ocidente em síntese com a metafísica de Aristóteles.A fusão entre aristotelismo e plotinismo tendeu a ser vista por escolásticos como uma união híbrida que precisava ser desfeita para o retorno às fontes puras do platonismo.A filosofia judaica, principalmente com Avicebron e Moisés ben Maimon, renovou motivos neoplatônicos e forneceu materiais para as construções da Escolástica medieval.O neoplatonismo alcançou o Ocidente cristão por meio das obras do Pseudo—Dionísio o Areopagita.-
Menção aos tratados Dos nomes divinos, Da hierarquia celeste, Da hierarquia eclesiástica, Teologia mística e Epístolas, datados do século V.
As obras do Pseudo—Dionísio foram traduzidas para o latim por Hilduíno e depois por João Escoto Eriúgena em meados do século IX, introduzindo o neoplatonismo sob uma elaboração cristã.-
A tradução de Eriúgena coincidiu cronologicamente com a reformulação da Teologia de Aristóteles por Alkindi.
João Escoto Eriúgena demonstrou no Da divisão da natureza até onde a doutrina neoplatônica poderia servir de estrutura metafísica para a revelação e a experiência cristãs.A influência de Eriúgena perpetuou a intuição plotiniana da vida, mas acentuou o risco de o cristianismo desviar para uma especulação puramente racional.O fascínio de Eriúgena atuou secretamente sobre os místicos posteriores, ortodoxos ou heréticos, e sobre o próprio Eckhart, gerando acusações de panteísmo e defesas inversas.-
Menção à menção de Hugo de São Vítor em Exposição sobre a hierarquia celeste.
O mistério da exegese de Eriúgena assemelha—se ao encontrado em Plotino e ao que se verifica em Mestre Eckhart.A sistematização teológico—filosófica de Agostinho contribuiu para enraizar na especulação cristã o complexo de ideias de entonação neoplatônica que permaneceu na filosofia escolástica.-
A inspiração agostiniana baseia—se em motivos plotinianos fundamentais, mantendo—se firme apesar de qualquer aristotelismo.
A experiência cristã constitui prodígio e revelação, não obra do raciocínio humano, apresentando—se como superracionalidade que atinge uma Verdade reconhecida pelo homem interior.-
A experiência estabelece uma ruptura heroica com o chamado mundo por ser pressentimento e posse de um além.
O historiador ilude—se ao tentar explicar como fenômeno sincretístico e intelectualista o que constitui uma revelação originária e irredutível do Espírito.-
Menção à busca historiográfica por precursores do mensagem evangélica em civilizações e religiões pré—cristãs.
O Novo Testamento expressa uma verdade irredutível à filosofia helênica ou à tradição judaica, e os primeiros dogmas da Igreja estão distantes de compromissos filosóficos com a sabedoria dos gregos.-
Indicação dos dogmas da Trindade e da Encarnação como exemplos de originalidade absoluta da consciência cristã.
A formulação dos dogmas utilizou termos do ambiente filosófico, mas as intuições sustentadas por eles não possuíam antecedentes na filosofia grega.-
Exemplificação de termos como hipóstase, substância, essência e logos.
O dogma da Trindade define a personalidade de Deus em sua transcendência absoluta como um círculo espiritual autossuficiente.-
O ser, a inteligência e o amor operam como a articulação viva interna da Unidade absoluta, não como momentos de um processo descendente ou emanação dispersiva.
A concepção trinitária recusa hierarquias de hipóstases destinadas a preencher o abismo entre Deus e o mundo, rejeitando transações com doutrinas helênicas do logos, intelecto, demiurgo ou alma do cosmo.O dogma trinitário afirma a Transcendência divina ao conceber Deus como personalidade concluída em si mesma, o que impõe à especulação o problema da origem do mundo.O dogma da Encarnação fixou uma concepção teológica inequivocável que parecia loucura para a reflexão dos gregos, embora tivesse vislumbres distantes na crença indiana dos avatares.O dogma da Encarnação unia em Cristo, na unidade de sua pessoa, a natureza divina e a humana, contrapondo—se ao isolamento sugerido pelo dogma trinitário.-
O círculo divino abriu—se para acolher o homem, fazendo o Eterno descer na história para redimi—la.
A humanidade ascendeu ao Divino e estabeleceu—se no Eterno por meio de Cristo.A lacuna sofrida pelo mundo antigo foi sanada, permitindo ao homem encontrar luz e salvação no fundo da alma redenta, sem tender em vão a um Absoluto transcendente.O espiritualismo neoplatônico conservou a concepção dualista entre o Divino e o Humano, a poise da proclamada onipresença do Uno.O cosmo permaneceu como o sedimento extremo da geração divina no neoplatonismo, restrito a uma história temporal sem significado e sem graça.A aceitação dos dogmas cristãos exigia optar entre Platão ou Cristo, entre a sabedoria ou a fé.O Pseudo—Dionísio confere um lugar central a Cristo na hierarquia dos seres, atribuindo—lhe uma completude e unidade ausentes no sistema plotiniano.-
O neoplatonismo cristão inspirou—se no mensagem de Cristo, que oferecia motivos inesgotáveis mesmo para mentes ansiosas por especulações intelectuais.
Mestre Eckhart posiciona—se primordialmente como um filósofo cristão voltado para a revelação, cuja alma busca a salvação espiritual e a paz.O posicionamento original de Eckhart, expresso nos Ensinamentos do Discernimento, consiste na dedicação plena à Vontade absoluta para realizar a verdadeira liberdade do espírito.A consideração dos Ensinamentos é necessária para apreender o significado genuíno e a justificativa espiritual das investigações teológicas e metafísicas de Eckhart.-
Crítica à perspectiva de P. Denifle, que reduzia Eckhart a apenas mais um escolástico tradicional.
A alma de Eckhart apela para o Novo Testamento, aprofundando as fórmulas evangélicas com rigor dialético e focando—se na relação com Deus.Toda a metafísica eckhartiana nasce da necessidade de interpretar as palavras de Cristo ou as crenças cristãs essenciais, esgotando—se no círculo dessa exegese.-
Ausência de preocupação em construir uma doutrina filosófica como preâmbulo da fé, diferentemente de Tomás de Aquino.
O círculo místico da exegese eckhartiana expandiu—se gradualmente, envolvendo novas investigações e tornando complexas as relações entre pensamento e fé.-
Contraste com a vastidão das grandes Sumas da idade escolástica.
A revelation neotestamentária poderia conduzir a uma concepção imanentista por meio de uma interpretação audaz, embora imune ao misticismo panteísta clássico por falta de sistematização racional.Tradução de passagens do Evangelho de João que fundamentam abordagens sobre a filiação divina e a vida eterna.-
Passagem: deu—lhes o poder de se tornarem filhos de Deus (1, 12).
-
Passagem: o que nasceu do espírito é espírito (3, 6).
-
Passagem: esta é a vida eterna: que te conheçam a ti só (17, 3).
A afirmação sobre a vida eterna ganha contornos específicos quando aproximada de uma passagem do Evangelho de Mateus.Tradução de trechos da Primeira Carta de João relativos à condição de filhos de Deus.-
Passagem: vede que amor nos deu Deus, para que sejamos chamados filhos de Deus e o sejamos (3, 1).
-
Passagem: seremos semelhantes a ele, e o veremos como ele é (5, 2).
Tradução de formulações das epístolas do apóstolo Paulo aos Coríntios, Romanos e Gálatas sobre transformação, adoção e a totalidade em Deus.-
Segunda aos Coríntios: contemplando com o rosto descoberto a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem de claridade em claridade (3, 18).
-
Romanos: recebestes o espírito de adoção de filhos de Deus (8, 15).
-
Romanos: se somos filhos, somos também herdeiros: herdeiros de Deus e co—herdeiros de Cristo (8, 17).
-
Romanos: predestinou—os para se tornarem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos (8, 29).
-
Romanos: dele, por ele e nele são todas as coisas (11, 36).
-
Gálatas: porque sois filhos, enviou Deus o espírito de seu Filho aos vossos corações (4, 6).
As fórmulas teológicas neotestamentárias recorrem com frequência nas obras eckhartianas, sendo reconhecidas pelo mestre como o núcleo do mensagem cristã.A interpretação de Eckhart torna—se rigorosa ao assimilar a alma redenta ao Filho e considerar as palavras com as quais Cristo declara sua unidade com o Pai.-
Tradução de João: eu e o Pai somos um (10, 30).
-
Nota de que esses passos foram recolhidos do Comentário sobre João de Eckhart, servindo de inspiração fundamental para seus demais escritos.
O sistema plotiniano estava mais distante da posição panteísta devido aos seus planos distintos de vida espiritual, hipóstases decrescentes e múltiplas mediações.A doutrina cristã afirmou um contato mais direto entre a alma e Deus por meio da encarnação e da descida do Espírito, apesar de o dogma trinitário isolar Deus na transcendência.-
O esquema do emanatismo neoplatônico começou a se dissolver em Agostinho e deixou de existir em Tomás de Aquino.
Os intermediários metafísicos permaneceram especialmente no pensamento árabe, mas o pensamento cristão os rejeitou sob o influxo do renovado aristotelismo.O cristianismo de Eckhart preserva o método e a presunção metafísica do neoplatonismo, embora abandone este último como um sistema determinado de doutrinas para manter fidelidade ao mensagem cristã.-
Tomás de Aquino utilizou o aristotelismo para conter as presunções dedutivas da razão humana diante da fé, revendo as possibilidades do conhecimento.
A razão em Mestre Eckhart não se detém diante das fórmulas dogmáticas como perante o inacessível, mas apoia—se nelas para construir uma metafísica da revelação.O neoplatonismo eckhartiano funciona apenas como um meio para edificar uma doutrina teológico—mística fundamentada em uma atitude espiritual original.A estrutura do sistema de Eckhart prescinde de esquemas emanatísticos, de hipóstases, de teorias psicológicas do aristotelismo e do valor autônomo da natureza.O sistema de Plotino comporta problemas cosmológicos e psicológicos e o gosto pela pesquisa racional, embora sua entonação dominante seja ético—religiosa.A especulação de Mestre Eckhart concentra—se na relação vital entre Deus e a alma, organizando toda a investigação em função desse vínculo.O centramento da investigação nos dogmas da Trindade e da Encarnação visa encontrar neles o esquema doutrinário que viabilize a justificativa confessional de seu pensamento.O dogma da Trindade serve a Eckhart para destacar a posição do Verbo, no qual habitam os exemplares eternos das coisas, demonstrando a imanência e a origem divina da alma.-
A utilidade do dogma não se foca tanto na afirmação da autossuficiência de Deus.
O dogma da Encarnação em Eckhart não visa contar a história of Deus ou promover um culto místico a Cristo, pois isso colocaria a alma aquém do Divino e traria Deus como mero Objeto.Cristo é entendido como o Verbo que se encarna na eternidade do presente e em cada alma espiritual, e não em um tempo e lugar determinados.O Verbo assumiu a natureza humana para manifestar sensivelmente o que se realiza unicamente no segredo do homem interior além do tempo.As frases evangélicas são interpretadas por Eckhart de modo literal e rigoroso, rejeitando um sentido puramente analógico.Os termos geração, filho, pai e espírito são repensados em relação à alma regenerada em Deus, visto que o Verbo estabelece o Eterno na natureza humana.A história do Homem—Deus ganha significado espiritual por tornar—se símbolo de uma geração eterna, redimindo o que é transitório de sua inferioridade metafísica.O sistema eckhartiano estrutura—se na polaridade entre Deus e a alma e em sua dialética extratemporal, buscando no dogma o fundamento teológico de sua doutrina ético—mística.A encarnação do Filho significa que Deus não é Deus a não ser na alma, e a alma não é alma a não ser em Deus.Tudo o que se interpõe entre Deus e a alma carece de valor e equivale ao nada.O primado da relação na qual Deus se gera na alma exige que todo conhecimento, ser e ação sejam reconduzidos a Deus, sem espaço para realidades intermediárias.O eleatismo teológico de Eckhart anula os compromissos entre a alma e realidades inferiores para que o círculo divino—humano se feche como o Deus Uno e Trino.Deus constitui o único Ser, o único conhecível e o único amável, resultando que tudo o que não é Deus é nada.A oposição entre Deus e a criatura é levada ao limite extremo, gerando uma concepção do Uno que recorda a teologia negativa neoplatônica e a mística de Shankara.-
Menção à obra Mística Ocidental e Oriental (1929) de R. Otto.
Deus atua na alteridade com o gerado, de modo que Deus não é Deus senão enquanto gera o Filho, isto é, na relação com a alma.A alteridade na unidade constitui a relação viva que possibilita a unificação como unidade real, diferindo tanto da identidade absoluta quanto da oposição.-
A identidade absoluta resultaria em um Uno indiferenciado, no deserto vazio e na morte do pensamento e do amor.
-
A oposição geraria o desespero ou o niilismo, pois o oposto a Deus é o nada.
Transcendência e imanência integram—se no ato espiritual: a transcendência fundamenta a relação, garantindo que Deus não seja a alma e a alma não seja Deus.-
Pela transcendência, a alma fora de Deus é criatura e não—ser, e Deus fora da alma é o Nada innominável, tornando o nascimento eterno a superação da condição de criatura.
A imanência atua como fim supremo que condiciona a instauração de Deus e de sua obra na alma por meio da geração eterna.A dialética eckhartiana renova em sentido cristão a concepção circular do espírito presente em Plotino e Proclo, definindo o processo da alma como a própria vida da Divindade.-
Menção a A. Dempf em seu volume Mestre Eckhart (1934), que tomou essa dialética como tese central.
-
A alma é gerada por Deus e a Deus retorna.
A consideração isolada de um dos termos da relação divino—humana leva a metafísicas opostas que acusam Eckhart de contradição entre transcendência absoluta e panteísmo.A originalidade da intuição místico—metafísica conduz Eckhart a incongruências e incertezas de expressão em suas obras.As obras latinas e alemãs de Eckhart tornam—se transparentes quando interpretadas pela dialética divino—humana que constitui a entonação original de sua personalidade cristã.Eckhart recolhe elementos filosóficos, metafísicos e teológicos de diversas fontes, transformando—os na unidade original de seu pensamento para esclarecer sua experiência espiritual.O mestre chega a desvirtuar doutrinas alheias, comportamento próprio de grandes gênios criadores que atuam como criadores e não como historiadores.As obras de Eckhart, sobretudo as latinas, são repletas de citações e referências devido ao seu vasto conhecimento da literatura filosófico—teológica da época.Os autores que aparecem com maior frequência nas obras de Eckhart são de entonação neoplatônica, escolhidos por afinidade eletiva por oferecerem a expressão racional menos inadequada de seu misticismo.Eckhart conheceu as obras por meio das quais o plotinismo se difundira nas contaminações árabe e cristã no Ocidente.As referências diretas ao Livro das Causas são frequentes em Eckhart, especialmente no que tange ao Uno e à sua superessencialidade.-
O Livro das Causas figura como um dos escritos mais citados ao lado de Avicena, Agostinho e Tomás de Aquino.
-
Indicação de ocorrências no Comentário sobre João, Questões Parisienses, Sermões e Na Sabedoria.
-
Menção à edição crítica do Livro das Causas por Bardenhewer em 1882.
O Livro dos XXIV Filósofos é lembrado várias vezes por Eckhart para confirmar a teologia do Infinito e a dialética do Uno.-
Referência à edição de Baeumker do livro pseudo—hermético.
-
Nota de que Eckhart talvez não o conhecesse diretamente, citando a primeira proposição sob o nome de Hermes Trismegisto através das Regras Teológicas de Alano das Ilhas, ou a proposição XIV como de um dos vinte e quatro filósofos.
-
Remissão ao estudo de D. Mahke (1937) sobre a genealogia da mística matemática.
O nome de Platão surge repetidas vezes nas obras latinas de Eckhart, evidenciando o uso de diálogos específicos por meio de interpretações medievais.-
O Timeu é lembrado no comentário Sobre João conforme a interpretação de Calcídio.
-
O Fédon é citado no Sermão XXIV através do Livro sobre a imortalidade da alma de Agostinho.
A lista de autores platônicos e platonizantes que surgem no horizonte de Eckhart abrange autoridades da patrística e da escolástica.-
Menção ao Pseudo—Dionísio, presumindo—se o conhecimento de suas obras na tradução de Eriúgena e interpretação de J. Sarraceno, sendo o tratado Dos nomes divinos o mais citado.
-
Menção a Agostinho, Orígenes, Boécio, João Damasceno, Hugo de São Vítor, São Boaventura, Avicena, Avicebron e Moisés ben Maimon.
-
Detalhes das obras citadas: o comentário Sobre João e uma homilia de Orígenes; tratados de Boécio como Da consolação da filosofia, Da Trindade, Sobre a Isagoge de Porfírio e Livro contra Eutiques e Nestório; o Da fé ortodoxa de João Damasceno na tradução de Burgundio Pisano; o Do penhor da alma de Hugo de São Vítor; a Metafísica, Da alma e Dos animais de Avicena; o Fonte da Vida de Avicebron; e o Guia dos Perplexos de Maimônides.
-
Referências a estudos de J. Koch e Reffke sobre Eckhart e a filosofia judaica medieval.
O texto registra ecos e reflexos indiretos de outros autores neoplatônicos e escolásticos na obra eckhartiana.-
Menção a João Escoto Eriúgena, de quem Eckhart repete motivos metafísicos fundamentais por afinidade, embora as marcas apareçam mediadas por Tomás de Aquino.
-
Menção a Nemésio de Émesa com o Da natureza do homem, citado por Eckhart sob o nome de Gregório de Nissa na tradução de Burgundio Pisano, em concordância com Tomás de Aquino.
-
Menção a Macróbio com o comentário Sobre o Sonho de Cipião e a Domingos Gundisalvo com o Da unidade.
-
Menção a Alano das Ilhas com as Regras Teológicas e ao tratado anônimo Das inteligências, falsamente atribuído a Witelo, cujo influxo revela traços do Livro das Causas e de Avicena.
-
Referências historiográficas aos trabalhos de M. Schleder sobre Macróbio, Cl. Baeumker sobre o Das inteligências e a coletânea em homenagem aos 80 anos de F. Ehrle.
O pensamento de Aristóteles e de seus comentadores não é alheio a Eckhart, que recorre a eles com frequência.-
Menção a Averróis como o Comentador e a escassos ecos de Alexandre de Afrodísia, com possível referência ao Livro sobre o intelecto e o intelectuado traduzido por Gerardo de Cremona.
Eckhart conhece detalhadamente o aristotelismo cristão de Tomás de Aquino, cujas doutrinas são citadas ou acolhidas tacitamente.-
O acordo entre os dois dominicanos versa sobre detalhes do conhecimento ou ontológicos propiciados por elementos platônicos presentes na própria síntese tomista.
-
Remissão a passagens da Summa Theologiae, Comentário sobre as Sentenças, Summa contra Gentiles e Questões Disputadas sobre a potência, sobre o mal e sobre a verdade de Tomás de Aquino.
-
Citação de estudos sobre o platonismo medieval e elementos platônicos em Tomás de Aquino por Cl. Baeumker, V. Lipperheide e Ch. Huit.
A interpretação não deve partir do preconceito de que Eckhart seja um tomista fracassado, encarando suas divergências como desvios caprichosos.-
Considerar as divergências como caprichos revelaria incompreensão do núcleo do pensamento eckhartiano e dogmatismo em relação ao tomismo.
A extração de passagens de tom tomista das obras de Eckhart para negar a originalidade de seu misticismo constitui um procedimento fácil.-
Menção à tentativa de Karrer de limitar a originalidade de Eckhart a intemperanças especulativas atribuídas a falta de equilíbrio ou desejo de originalidade.
O pensamento de Tomás de Aquino serve de meio para Eckhart construir seu próprio pensamento, que se mantém distante tanto do tomismo quanto do neoplatonismo em diversos aspectos.A separação entre Eckhart e Tomás de Aquino reside no método, que se apresenta descendente, intuitivo e dedutivo no primeiro, e ascendente e indutivo no segundo.Tomás de Aquino qualifica—se mais como filósofo e sistemático do que Eckhart, se o filosofar for definido como o proceder cauteloso na formação de conceitos e na justificativa racional de cada pensamento.-
Eckhart destaca—se como um pensador intuitivo e criador.
A coerência sistemática pertence a Tomás de Aquino, enquanto incongruências e contradições marcam o complexo de conceitos de Eckhart.-
Os conceitos em Eckhart servem para significar uma intuição original profunda que nenhum sistema racionaliza perfeitamente.
Tomás de Aquino caracteriza—se como um filósofo que crê por ter aderido com a vontade a um mistério que não se confunde com as exigências da razão demonstrativa.-
O Aquinate define—se como um crente por reflexão, não por instinto.
Eckhart define—se como um crente que deseja raciocinar para exprimir o milagre do Inexprimível, assemelhando—se aos gênios criadores da arte que buscam irradiar uma ideia profunda em múltiplos reflexos.-
Analogia com o pintor que tenta expressar o tesouro da alma em novas imagens de beleza.
Eckhart possui por intuição e experiência íntima aquilo que Tomás de Aquino busca alcançar por investigações, demonstrações e analogias baseadas na realidade inferior.-
A busca a Deus pressupõe que ele já foi encontrado no interior da alma, tornando dispensáveis as provas complexas que tentam lançar uma ponte através das coisas.
As demonstrações racionais tradicionais mantêm Deus afastado, situado além da alma.Eckhart não atua como um escolástico no sentido tradicional do termo nem se posiciona primordialmente como um filósofo.As obras de Eckhart são pensadas e estruturadas com logicidade de intenções, devendo ser submetidas ao crivo do pensamento raciocinante que rejeita a incoerência.A estrutura teológico—metafísica das obras eckhartianas pertence à história do pensamento e à análise crítica, tendo sido reconstruída com base em fontes cristãs e metafísicas.O significado profundo das obras de Eckhart insere—se na história do Espírito, planando em uma atmosfera ideal na qual se reconhecem os homens eleitos de todas as eras.-
Os homens eleitos nasceram distantes no tempo, em civilizações e religiões diversas, mas são reconhecidos como intérpretes da humanidade imortal.
As classificações pertencem ao raciocínio humano que distingue e desmembra a vida do espírito, a qual consiste em unidade com o Absoluto.A inspiração fundamental de Eckhart qualifica—se como cristã, ao passo que os meios de sua reconstrução especulativa revelam—se neoplatônicos.O historiador possui a prerrogativa de buscar a manifestação de uma forma fundamental da atividade espiritual humana para além das fórmulas dogmáticas e teologias inconsistentes.-
Os próprios místicos e Eckhart parecem ter tido o pressentimento de uma verdade universal oculta sob as profissões de fé.
Eckhart mostra—se um metafísico por ser um místico, dotado de uma personalidade moral—religiosa que supera o seu pensamento estruturado.-
Referência à perspectiva de Karrer, que enxerga em Eckhart um educador e profeta cuja dimensão mística e escolástica convivem de forma escura.
A análise do sistema eckhartiano exige reportar cada palavra expressa à intuição original do Divino que constitui o fundo de sua alma.-
O irracional ferve na base da consciência e da razão, aspirando à luz da percepção racional.
mrf/eckhart/estudos/faggin/estrutura-teologico-metafisica.txt · Last modified: by 127.0.0.1
-
