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Encratismo

QUISPEL, Gilles; OORT, Johannes van. Gnostica , judaica , catholica: collected essays of Gilles Quispel. Leiden: Brill, 2008.

  • A biografia oficial de Erik Peterson foi escrita por Franco Bolgiani em seu ensaio sobre a transição da teologia liberal para a escatologia apocalíptica no pensamento e na obra de Peterson.
  • Erik Peterson nasceu em Hamburgo em 1890, defendeu sua dissertação sobre Heis Theos em 1920, foi professor em Bonn ao lado de Karl Barth e outros, converteu-se ao catolicismo romano em 1930 e ensinou em Roma até sua morte em 1960.
  • A vida lendária de Peterson, narrada por ele mesmo e por colegas, confere uma dimensão mítica à existência trágica deste gênio religioso demoníaco que de fato resistiu.
  • Devido à ascendência sueca de seu avô, o jovem Erik era cheio de nacionalismo alemão.
  • Peterson voluntariou-se para o exército na Primeira Guerra Mundial, mas serviu apenas como guarda de fronteira devido à sua inaptidão.
  • Em 1918, suas visões mudaram completamente, aproximando-se do comunismo e enfatizando que o cristianismo primitivo era uma estase.
  • Participou do renascimento da teologia protestante e contribuiu para o periódico da teologia dialética Zwischen den Zeiten.
  • Peterson descobriu seu desacordo fundamental com Barth e Bultmann no ensaio O que é teologia? e alertou Barth sobre sua falta de comunhão com Bultmann.
  • Embora divergissem na teologia, concordavam na política, com as palestras de Peterson sobre monoteísmo e nacionalismo constituindo ataques velados à ideologia prevalecente.
  • Após a conversão, contrariando as expectativas de que se tornaria monge, casou-se e teve cinco filhos.
  • Os salários do Vaticano, calculados para celibatários, tornaram-se uma fonte de humilhação e desespero financeiro.
  • Após a guerra, Peterson expressava abertamente sua antipatia pelo papa, levando colegas a evitá-lo para prevenir escândalos.
  • No final da vida, sentia-se deslocado na Igreja, sonhando que devia escolher entre o caminho católico ortodoxo e o caminho gnóstico representado por Gilles Quispel.
  • Todas as questões eruditas deste homem atormentado eram problemas existenciais.
  • Sua obra deve ser vista à luz da tradição filosófica alemã influenciada por Arthur Schopenhauer.
  • A influência de Schopenhauer permitiu interpretar a música como revelação profunda e não levar a ciência natural a sério.
  • Para Schopenhauer, a consciência cria o mundo e a vida cria a consciência, sendo o principium individuationis a origem de todo mal.
  • Deste ponto de vista, o cristianismo é bom na medida em que é ascético e nega o mundo, embora as religiões indianas sejam consideradas superiores por sua filosofia de aniquilação do mundo.
  • Friedrich Nietzsche e seu amigo Franz Overbeck aplicaram essa visão à tragédia grega e ao cristianismo escatológico, respectivamente.
  • Franz Overbeck, professor em Basileia, atacou a teologia moderna como helenização secularizada, defendendo que o cristianismo primitivo era radicalmente hostil à cultura e preservado apenas no monasticismo.
  • Erwin Rohde reconheceu imediatamente a influência de Schopenhauer na predileção de Overbeck pelo ascetismo.
  • Overbeck criticou Nietzsche por não perceber que o cristianismo é essencialmente ascético e relacionado ao budismo.
  • C.A. Bernoulli editou postumamente a obra Cristianismo e Cultura de Overbeck, criticando o Protestantismo Cultural de Harnack.
  • O sucesso do livro deveu-se ao momento histórico do fim da síntese entre cultura e religião na Alemanha de Bismarck.
  • A geração perdida da Primeira Guerra Mundial, incluindo Barth, Heidegger e Peterson, voltou-se para Overbeck.
  • A visão da história da Igreja como secularização da pureza primitiva não era nova, tendo sido inventada por Matthias Flacius e aplicada por Gottfried Arnold.
  • Esses jovens irados não perceberam que o apocalipticismo rejeita este mundo, mas prevê a salvação final da criação e da humanidade.
  • Apenas o gnosticismo rejeita a criação, e esses estudiosos viram o cristianismo primitivo através de óculos filosóficos.
  • Sob a influência de Overbeck, Karl Barth revisou completamente seu comentário sobre a Carta aos Romanos.
  • Barth colocou o agnóstico Overbeck ao lado de profetas da fé, pois este sustentava que a cultura e a teologia não se reconciliam com o cristianismo autêntico.
  • Barth aprendeu com Overbeck e indiretamente com Schopenhauer que a existência como criatura é culpada e que o evento de Cristo é a aniquilação do mundo.
  • Barth cometeu genocídio disciplinar pelo excesso de palavras.
  • Overbeck contribuiu para o renascimento da exegese pneumática, elogiando a interpretação alegórica como meio de salvar o cristianismo.
  • Provavelmente Overbeck não falava sério, acreditando que o homem moderno não podia se identificar com o cristianismo primitivo.
  • Wilhelm Vischer levou essas observações a sério e publicou livros notáveis sobre o testemunho de Cristo no Antigo Testamento.
  • Leonhard Goppelt opôs a tipologia hebraica à alegoria grega em sua obra Typos.
  • Henri de Lubac, conhecendo essas obras, escreveu História e Espírito para reabilitar a exegese de Orígenes e iniciou a renovação da Igreja Católica.
  • Heidegger, familiarizado com Overbeck, influenciou Karl Löwith a ver em Overbeck a conclusão lógica do caminho da filosofia alemã rumo ao niilismo.
  • Peterson, influenciado por Overbeck, sempre opinou que mundo e cultura eram opostos ao cristianismo e que o Reino de Deus é o fim de todas as coisas.
  • Para Peterson, o mundo é uma ilusão confrontada com a realidade de Deus.
  • Em 1926, Peterson já aceitava a perspectiva escatológica e a interpretação alegórica das Escrituras.
  • Sua teologia caracterizou-se por uma mente aberta para Israel, defendendo que a Igreja consiste de gentios e judeus desde o início.
  • Isso preludiou sua redescoberta do cristianismo judaico, então considerado um fantasma inexistente.
  • Em O Problema do Nacionalismo, defendeu que a ressurreição superou os anjos das nações, não deixando espaço para o culto nacional.
  • A vida de Peterson mostra que houve católicos alemães que resistiram e que essa resistência ajudou a descobrir o caráter judeu do cristianismo.
  • Sinagoga e Igreja pertencem uma à outra até o Último Dia, e Israel permanece o povo eleito.
  • Os povos cristãos que perdem a fé caem em uma barbárie impossível para um judeu, e todo Israel aceitará Cristo no final.
  • Peterson valorizava o celibato voluntário como expressão existencial da esfera pneumática contra a apreciação judaica carnal da riqueza.
  • No cristianismo escatológico, Peterson descobriu um remédio político contra os males de seu tempo, usando o Apocalipse contra o culto ao líder.
  • A sabedoria extramundana tornou-se uma arma tópica contra o absolutismo estatal.
  • Peterson foi corajoso, perdeu sua cátedra em Bonn e não encontrou outra de igual valor.
  • Seu engajamento político abriu seus olhos para o aspecto esquecido do cristianismo como religião do sofrimento inocente.
  • O sangue dos mártires é o sangue do próprio Cristo, e o cristão participa dessa paixão universal.
  • Sua maior contribuição foi o indiciamento da teologia política, argumentando contra Carl Schmidt que o dogma trinitário não deixa espaço para tal teologia.
  • O livro O Monoteísmo como Problema Político permanece um monumento de erudição, estabelecendo a relação entre a teologia política de Eusébio e sua cristologia deficiente.
  • O reverso da teologia política para Peterson era o ascetismo e a resistência, motivados pelo sofrimento com Cristo.
  • Peterson identificou-se com o cristianismo escatológico e aprendeu com Overbeck que este é necessariamente ascético.
  • A luta contra a concupiscência era vista não apenas como santificação individual, mas como participação num processo cósmico de destruição do mundo.
  • Peterson viu que os cristãos judeus não desapareceram após 70 d.C. e que os escritos Pseudo-clementinos tinham valor histórico.
  • Proclamou que o dualismo gnóstico estava enraizado no judaísmo, especialmente na doutrina das duas inclinações.
  • Pensava que o ascetismo cristão era de origem judaica, mesmo antes da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto.
  • Foi o primeiro a descobrir a importância do Encratismo como distinto do Gnosticismo.
  • O impacto de Peterson pode ser discernido em estudiosos como Daniélou, Kretschmar e Quispel.
  • Franz Cumont mostrou que filósofos gregos localizavam rios do submundo na atmosfera celeste e que alguns cristãos aceitaram isso.
  • Peterson traçou a origem do batismo no Lago Aquerúsio a uma fonte judaica, o Apocalipse de Moisés.
  • Identificou o Lago Aquerúsio com o rio que corre do templo em Ezequiel 47 e o rio da água da vida no Apocalipse.
  • Encontrou esse conceito judaico entre os mandeus, que ensinavam que a água viva vem de sob o trono de Deus.
  • A localização do Aqueronte e do Estige no alto deve-se à influência helenística sobre fontes cristãs e judaicas.
  • A tese de Albrecht Dieterich sobre a relação entre a água fria das placas órficas e o batismo cristão encontrou confirmação.
  • O batismo no rio da morte para a vida eterna remete a Tétis batizando Aquiles no Estige.
  • O Adão Secreto dos mandeanos ecoa Ezequiel 1:26, e o batismo maniqueísta pode ter a mesma origem judaica e helenística.
  • O batismo celestial após a morte em escritos gnósticos de Nag Hammadi deve ter origem judaica e alexandrina.
  • O batismo cristão tinha uma pré-história helênica, misteriosófica e apocalíptica de imersão na morte e na vida.
  • Quispel sugere que a imersão de João Batista era puramente escatológica, mas helenistas podem ter usado a ideia pagã de Vida a partir da morte para formular o batismo paulino.
  • O Judaísmo e o cristianismo primitivo estavam abertos às religiões de mistério dos gregos.
  • Segundo Hipólito, os elquesaítas tratavam a raiva canina, uma metáfora para o adultério, através do batismo com roupas.
  • O batismo era concebido por esse grupo como a extinção do instinto sexual e da concupiscência.
  • Essa interpretação ascética do sacramento seria o conceito primitivo, obscurecido pelo cristianismo gentio e restaurado por Santo Agostinho.
  • Isso parece contradizer a visão das Clementinas de que a concupiscência é boa para multiplicar a humanidade.
  • Os Atos de Paulo, de data antiga e relacionados ao cristianismo judaico, pressupõem os Atos de Pedro e de Tomé.
  • A crucificação de Pedro de cabeça para baixo simboliza a crucificação do mundo do nascimento e da concupiscência.
  • Peterson admitiu a proximidade com a visão budista, mas manteve que o ascetismo assim concebido era um meio de realizar a vinda escatológica do Reino.
  • O renascimento desfaz o nascimento, extinguindo o fogo da velha natividade através da água.
  • Quispel sugere que passagens sobre o nascimento como culpa hereditária podem refletir o tradutor Rufinus, enquanto o original grego se referia ao horóscopo.
  • O Encratismo não se limitava a hereges, mas era um movimento difundido dentro da Igreja Católica primitiva, como mostra o Physiologus.
  • A maior contribuição de Peterson foi permitir discernir o Encratismo como uma corrente poderosa sem o preconceito dos caçadores de heresias.
  • Peterson interessou-se cedo por Kierkegaard, considerando-o um pietista e encratista que poderia ser reivindicado pela posição católica.
  • Os pietistas desenvolveram a teoria da androginia, que poderia justificar o casamento como realização da totalidade.
  • Em O Riso de Sara, Peterson considera a mulher como corpo sem acesso direto a Deus, enquanto a virgem transcende a dialética dos sexos.
  • Franco Bolgiani adquiriu a biblioteca de Peterson e publicou estudos fundamentais sobre a história do Encratismo primitivo.
  • O Encratismo, caracterizado pela rejeição do vinho, carne e casamento, deve ser considerado uma corrente independente com raízes judaico-cristãs, e não identificado com o Gnosticismo.
  • A Igreja de língua siríaca nunca condenou Taciano e sempre manteve um sabor encratita.
  • Bolgiani dividiu as fontes de Clemente de Alexandria sobre o Encratismo em três seções: Taciano, Júlio Cassiano e os Encratitas de Alexandria dentro da Igreja.
  • As origens desse ascetismo eram escatológicas e cristológicas: a ressurreição aboliu o casamento e os cristãos já viviam o fim dos tempos.
  • Havia também uma motivação protológica: o pecado original foi a cópula, e as mães deveriam parar de “alimentar a morte”.
  • Esses Encratitas de Alexandria conheciam e usavam o Evangelho de Tomé e o Evangelho segundo os Egípcios.
  • O Evangelho dos Egípcios ensina que Thanatos é consequência de Eros e que Jesus veio redimir a humanidade da sede de viver.
  • Quando o crente supera a divisão interna e restaura a androginia original, a morte deixa de existir.
  • Pensamentos que lembram o budismo indiano foram expressos cedo na história do cristianismo alexandrino.
  • Os antecedentes dessas visões encontram-se na tradição helênica de Heráclito e na dialética de genesis e phthora.
  • Platão, no Banquete e no Timeu, forneceu a base para a busca da totalidade e a ideia de que homens covardes reencarnam como mulheres.
  • A visão encratista de que a mulher deve tornar-se homem para entrar no Reino dos Céus origina-se dessas ideias e foi aceita por Orígenes.
  • O judaísmo alexandrino já havia integrado essas percepções antes de Filo, que falava de Adão como andrógino ou incorpóreo.
  • O autor do Poimandres derivou sua visão do Anthropos andrógino desses judeus helenizados de Alexandria.
  • O Evangelho dos Egípcios é Encratista e não Gnóstico, pois admite a criação, a encarnação e a ressurreição do corpo.
  • O novo fragmento dos Atos de André conta a história de uma virgem e seu irmão soldado que se converte, considerando o casamento como fornicação.
  • A crucificação invertida de Pedro nos Atos de Pedro simboliza a anulação do mundo do nascimento e da morte.
  • As Sentenças de Sextus e a Exegese sobre a Alma são escritos Encratitas, com a alma descrita como virginal que se tornou fêmea ao cair no corpo.
  • Ugo Bianchi e sua equipe elucidaram a influência do Encratismo alexandrino sobre Orígenes e Gregório de Nissa.
  • Gregório de Nissa e provavelmente Basílio de Cesareia foram influenciados pelo Encratismo aramaico sírio e pelo movimento messaliano.
  • Jean Meyendorff apontou que, através de Basílio, esse tipo de espiritualidade tornou-se um elemento persistente da Ortodoxia grega e russa.
  • É necessário estudar se os oponentes nas Cartas Pastorais eram Encratitas judaicos ou da Diáspora familiarizados com visões gregas.
  • A protologia encratita deve ser vista como uma racionalização de primeiro plano para um ascetismo judaico-cristão já existente.
  • O cristianismo egípcio foi fundado por cristãos judaicos da Palestina, e a motivação apocalíptica do ascetismo é a primitiva.
  • A história do cristianismo de Edessa não pode ser escrita sem mencionar o Encratismo e o movimento messaliano.
  • O Evangelho de Tomé, escrito em Edessa por volta de 140, é encrático, e Bardesanes pode ter reagido contra essa tendência.
  • Macário, representante do Encratismo siríaco, usou o Evangelho de Tomé e influenciou a espiritualidade cristã posterior.
  • Os estágios dessa tradição incluem o Evangelho de Tomé, o Diatessaron de Taciano, as Odes de Salomão e os Atos de Tomé.
  • O Livro de Tomé o Contendor e o Diálogo do Salvador também são encráticos e pertencem a essa tradição.
  • O Liber Graduum reflete um estágio antigo do movimento messaliano e a doutrina do pecado hereditário.
  • A espiritualidade de Macário, fruto dessa linhagem, influenciou o cristianismo russo e o pietismo ocidental.
  • Não há evidência direta de Marcionismo ou Gnosticismo em Edessa antes de Efrém, o Sírio.
  • Sugestões de origem judaica para o Encratismo incluem o yetzer hara farisaico e práticas essênias.
  • O termo monachos remonta ao hebraico jahid, indicando um homem santo e solteiro de mente única.
  • A alegação de que os elquesaítas eram Encratitas é improvável, pois as Clementinas valorizam o casamento.
  • Mani provavelmente extrapolou a ética maniqueísta para a experiência religiosa de seu pai.
  • O cristianismo aramaico de Edessa baseia-se em fundamentos judaicos, como evidenciado pela omissão da instituição da eucaristia na Liturgia de Addai e Mari.
  • Essa liturgia reflete a prática da igreja primitiva de Jerusalém, onde a refeição era uma antecipação alegre do Reino e não apenas uma memória.
  • Os Nazarenos de Jerusalém trouxeram sua versão das Boas Novas para Edessa, onde os cristãos ainda se chamam Nazarenos.
  • O celibato incondicional foi provavelmente introduzido em Edessa por Taciano e Encratitas anteriores, influenciados por Alexandria.
  • O Encratismo egípcio foi importado para a Mesopotâmia numa data muito antiga, facilitado pelas relações diretas entre Alexandria e Edessa.
  • O maniqueísmo torna-se compreensível neste contexto, embora não seja exclusivamente Encratita, pois a maioria dos adeptos era casada.
  • Mani reagiu contra o meio judaico-cristão, atribuindo a concupiscência ao reino das trevas, algo que nenhum Encratita afirmava.
  • O conceito de dualitudo entre a alma e seu gêmeo originou-se no pitagorismo e foi integrado ao cristianismo aramaico antes de Mani.
  • O sofrimento cósmico em Mani foi inspirado pela interpolação valentiniana nos Atos de João e não tem a ver com o Encratismo como tal.
  • A ideia de que a fêmea deve tornar-se macho vem de Platão e Júlio Cassiano, mas o logion 22 de Tomé fala de uma androginia que reconcilia os dois polos.
  • Paul-Hubert Poirier mostrou que o Hino da Pérola reflete o ambiente parta, mas isso não prova a origem iraniana das ideias.
  • O manto ou o Self que vem ao encontro do príncipe é masculino, como o anjo da guarda judaico-cristão, e não feminino como a daena iraniana.
  • A ideia do manto celeste e da casa no céu tem paralelos em Paulo e na tradição judaica, não necessitando de origem persa.
  • A conjunção entre alma e espírito no Hino da Pérola é característica de Taciano e mostra influência encratita.
  • O Hino mostra familiaridade com a versão judaico-cristã da parábola da pérola e com o Corpus Paulinum.
  • O cristianismo latino na África antes de Tertuliano era pluriforme, incluindo cristãos judaicos, gnósticos e encratitas.
  • O escrito De Centesima reflete visões encratitas importadas de Alexandria para Cartago.
  • Os Encratitas eram originalmente uma facção dentro da Igreja, e Perpétua teve uma visão encratita de se tornar homem.
  • Tertuliano e mulheres “virgens” em Cartago mostram influências de conceitos encratitas e dos Atos de Paulo.
  • Lactâncio, embora não fosse Encratita, descreveu a continência como o estado ideal e usou o símbolo do andrógino fênix.
  • Henry Chadwick argumentou que Prisciliano de Ávila não era maniqueu, mas um Encratita que defendia a abolição da escravatura e a libertação das mulheres.
  • Prisciliano estava familiarizado com os Atos apócrifos e possivelmente com o Evangelho de Tomé, identificando Judas com Tomé.
  • A peregrina Egeria, possivelmente da Galícia, mostra interesses que a ligam ao movimento de Prisciliano e aos messalianos.
  • Egeria interessava-se por textos apócrifos e ascetas, e sua viagem à Mesopotâmia pode ter sido motivada pelo desejo de conhecer os messalianos.
  • Existem ligações impressionantes entre o Priscilianismo e o Messalianismo, ambos acusados de tendências semelhantes.
  • Os Encratitas sempre foram peregrinos, e os priscilianistas podem ter transmitido a peregrinatio para a Irlanda.
  • P.F. Beatrice relacionou a doutrina do pecado hereditário de Agostinho ao Encratismo herético.
  • Júlio Cassiano foi o primeiro a ensinar que as crianças são manchadas pelo pecado original, uma visão talvez comum entre Encratitas.
  • Mani apelava ao batismo infantil para provar que a concupiscência é a raiz de todos os males, criticando os que a consideravam boa.
  • O Código Maniqueu de Colônia confirma que Mani cresceu entre batistas judaico-cristãos.
  • Esses batistas praticavam o batismo infantil, possivelmente devido à crença no pecado hereditário, que Agostinho pode ter restaurado.
  • Tertuliano já ensinava o pecado hereditário e a impureza da alma antes do renascimento, sugerindo que a visão existia no cristianismo africano.
  • Se as origens do cristianismo africano são judaicas, o conceito de pecado hereditário pode remontar ao cristianismo palestino primitivo.
  • Pesquisas recentes confirmaram que o cristianismo siríaco em Edessa era encratita e não gnóstico.
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