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Basílio
Ysabel de Andia — MÍSTICOS DO ORIENTE E DO OCIDENTE
A ILUMINAÇÃO PELO ESPÍRITO EM DE SPIRITU SANCTO DE SÃO BASÍLIO
- A citação do Salmo 35,10 é aplicada por São Basílio tanto em sentido cristológico quanto pneumatológico.
- No Contra Eunômio II, 16, 14-15, o versículo é interpretado em relação ao Filho.
- No Tratado do Espírito Santo, 18, 47, o mesmo versículo recebe uma interpretação pneumatológica.
- Atanásio já havia aplicado o versículo ao Filho, ligando-o a Hebreus 1:3 para mostrar que o Pai nunca existiu sem o Filho.
- Basílio distingue entre a substância divina e as propriedades distintivas do Ingênito e do Engendrado.
- A diferença entre o ingênito e o engendrado não é quantitativa (como entre luz maior e menor), pois isso permitiria que um se tornasse o outro.
- A distância entre eles é a irredutibilidade das propriedades características: a divindade é comum, mas a paternidade e a filiação são propriedades.
- A impiedade de Eunômio consiste em transferir para a substância a antítese das propriedades, enquanto na substância divina não há contrariedade.
- No Tratado do Espírito Santo, a citação do Salmo 35,10 diz respeito à relação entre o Filho e o Espírito, não mais entre Pai e Filho.
- A contemplação da beleza da imagem do Deus invisível seria impossível sem a força iluminadora do Espírito Santo.
- O Espírito de conhecimento é inseparável, dando em si mesmo a força de ver a imagem.
- Cita-se: “Ninguém conhece o Pão senão o Filho” e “Ninguém pode dizer: Jesus é Senhor, senão no Espírito Santo”.
- Afirma-se que não é dito “pelo Espírito”, mas “no Espírito”, e que “Deus é Espírito, e é necessário adorá-lo no Espírito e na verdade”.
- Conclui-se que, no Salmo: “Na tua luz, veremos a luz”, entende-se: na iluminação do Espírito, veremos a verdadeira luz que é o Verbo.
“NA TUA LUZ”
- Basílio estabelece um paralelo entre as expressões “na luz” e “no Espírito” por meio de três citações bíblicas.
- Salmo 35,10: “Na tua luz, veremos a luz”.
- João 4:24: “Deus é Espírito, e é necessário adorá-lo no Espírito e na verdade”.
- O Espírito é apresentado como o lugar e o meio da iluminação, da confissão da senhoria de Cristo, da adoração e da manifestação da glória do Monogênito.
- A iluminação da alma ou do olhar espiritual pelo Espírito é inseparável da santificação, conforme a analogia do sol.
- O Paracleto, como um sol que toma um olho puríssimo, mostra em si mesmo a imagem do invisível.
- Na contemplação bem-aventurada da imagem, vê-se a beleza indizível do Arquétipo.
- O Espírito brilha nos que se purificaram, tornando-os espirituais pela comunhão com ele.
- As almas que portam o Espírito tornam-se espirituais e refletem a graça sobre os outros, como corpos límpidos e transparentes que refletem o brilho de um raio.
- A inseparabilidade da contemplação do Pai no Filho e do Filho no Espírito leva logicamente à adoração do próprio Espírito.
- Não se pode contemplar a imagem de Deus sem o iluminamento do Espírito.
- A divindade do Espírito é indicada pelo fato de ele mostrar em si mesmo a divindade do Senhor, o que não seria possível se ele não fosse Deus.
- O Espírito é o “lugar” da verdadeira adoração, conforme a interpretação de Basílio para a teofania do Êxodo e a visão de Jacó.
- Cita-se: “Eis um lugar perto de mim; instala-te sobre a rocha”, interpretado como a contemplação no Espírito.
- Moisés, ao chegar a esse lugar, pôde ver distintamente Deus aparecer-lhe.
- “Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai no Espírito e na verdade”.
- Jacó viu este lugar e exclamou: “O Senhor está neste lugar”.
- O Espírito é verdadeiramente o lugar dos santos, e o santo é um lugar próprio para o Espírito, pois se oferece para habitar com Deus e se chama seu templo.
- A confissão da senhoria de Cristo é feita no Espírito, e o mesmo vale para a confissão da paternidade do Pai.
- Ninguém pode dizer “Jesus é Senhor” senão no Espírito Santo, e ninguém jamais viu a Deus, mas o Filho Unigênito o deu a conhecer.
- Quem não adora no Espírito Santo está excluído da verdadeira adoração, pois não se pode adorar o Filho nem invocar o Pai senão no Espírito.
AS DUAS GLÓRIAS
- O possessivo “tua” em “na tua luz” indica, analogicamente, a relação do Espírito com o Cristo, pois o Espírito é o “Espírito de Cristo”.
- O Espírito procede de Deus (ek tou theou proelthon), mas não por modo de geração como o Filho, e sim como Soprar da boca de Deus.
- A boca não é um membro corporal, e o sopro é uma substância vivente, senhora da santificação.
- A maneira de existir do Espírito é indizível, embora sua parentela com Deus seja manifesta.
- O Espírito é o único que glorifica dignamente o Senhor, não como a criação, mas como Espírito da verdade e da sabedoria.
- Como Paracleto, ele traz em si a marca da bondade do Paracleto que o enviou e manifesta em sua própria dignidade a majestade daquele de quem procede.
- O Espírito mostra, faz resplandecer e manifesta em si mesmo a glória do Monogênito e a divindade do Senhor.
- Em 26,64 e 18,47, diz-se que o Espírito Santo “mostra em si mesmo” a glória do Monogênito.
- Em 18,46, diz-se que o Espírito “faz resplandecer em si mesmo” a verdade, “revela” o Cristo e “manifesta” aquele de quem procede.
- O “Paracleto que o enviou” é o Cristo, enquanto “aquele de quem procede” é o Pai.
- Há uma glória natural, como a luz é glória do sol, e uma glória que vem de fora, oferecida livremente aos dignos.
- A glória que vem de fora pode ser servil (prestada pela criação) ou familiar (prestada pelo Espírito).
A VISÃO DA LUZ DIVINA NA LUZ DO ESPÍRITO
- O “exercício dos olhos do coração” começa pela iluminação batismal e pelo caminho da ciência de Deus.
- O batismo é um batismo no Espírito, que transforma o batizado em filho da luz.
- Pelo Espírito Santo vêm o restabelecimento no paraíso, a subida ao reino dos céus, o retorno à adoção filial e a confiança para chamar Deus de Pai.
- O Espírito dá a participar da graça de Cristo, a chamar-se filho da luz e a ter parte na glória eterna.
- A visão atual é uma visão “em espelho” da luz divina, que se verá face a face na glória.
- A metáfora dos “reflexos na água” e a “caverna” platônica são usadas para mostrar a passagem gradual das sombras e tipos do Antigo Testamento à verdade revelada.
- O exercício dos olhos do coração é necessário porque o homem carnal, que não exercitou a parte alta de sua alma (Noûs), não consegue erguer os olhos para a luz espiritual.
- Esse exercício supõe a purificação da vida e a pureza do coração para aceder à contemplação dos altos mistérios do Espírito.
- A “conversão para o Senhor”, que é o Espírito, permite a passagem da letra ao espírito na interpretação das Escrituras.
- Aplica-se a 2 Coríntios 3:14-18 em sentido pneumatológico, identificando o “Senhor” com o Espírito.
- Quem se aplica apenas ao sentido literal tem o coração coberto por um véu, como a interpretação judaica da letra.
- Com a vinda do Cristo, a Lei e os Profetas calam-se diante da Verdade, como o sol ao aparecer.
- Aquele que se converte ao Senhor remove o véu da letra, assim como Moisés tirava o véu quando falava com Deus.
- A conversão ao Espírito produz a iluminação do coração pela verdade que vem do Espírito e a transformação de glória em glória pelo Espírito.
“A LUZ”
- A “luz” no De Spiritu Sancto possui tanto um caráter hipostático quanto designa a natureza divina comum às hipóstases.
- O termo “forma” (morphe), tomado de Filipenses 2:6, caracteriza a propriedade da substância divina.
- No De Spiritu Sancto, Basílio reserva o termo “propriedade” (idiotes) para as propriedades das pessoas, distinguindo-as da natureza comum.
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- Contempla-se uma única forma figurando, por assim dizer, o indiferenciado da deidade que é comum às pessoas divinas.
- No Salmo 35,10, o que se contempla é a luz que é o Verbo e, nela, a luz do Pai, sem que haja separação ou confusão.
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