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Metropolita Antônio de Sourozh
NEEDLEMAN, Jacob. Lost christiantiy. New York: Jeremy P. Tarcher, 2014.
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Metropolita Antônio de Sourozh: apresentação pessoal e primeira impressão da igreja
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A igreja russa ortodoxa em Knightsbridge, Londres, não é uma catedral imponente, nem se destaca na paisagem como uma igreja protestante.
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O autor já conhecia o local de uma visita anterior, há cinco anos.
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A arquitetura ortodoxa assemelha-se mais a sinagogas, com influência levantina predominante.
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Uma sensação estranha de intimidade foi percebida, possivelmente ligada às perguntas que o autor pretendia fazer ao arcebispo.
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Experiências pessoais com sinagogas e a busca pela espiritualidade
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A intimidade das sinagogas da infância desapareceu cedo na vida do autor.
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A esperança de que a parte mais interior de si mesmo fosse alcançada ali foi abandonada ainda na infância.
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Primeira visita a Londres e o interesse pelo Monte Atos
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Uma visita a Ennismore Gardens, há cinco anos, foi a primeira etapa de uma viagem que terminaria na península grega de Atos, centro monástico da cristandade ortodoxa oriental.
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O autor escreveu em outro lugar sobre suas experiências no Monte Atos.
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“O Peregrino Russo” como chave para o método prático do cristianismo
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A leitura de “O Caminho de um Peregrino” despertou a ideia de que ele poderia conter a chave para o método prático do cristianismo.
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Esse método se distingue dos rituais e doutrinas que apenas sustentam a crença em algo não diretamente experimentado.
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As novas religiões trouxeram de volta ao Ocidente a ideia de método religioso.
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A disciplina espiritual era incompreensível ou suspeita para os modernos, ou confundida com conduta ética comum.
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Nenhum ocidental em busca pode ler “O Peregrino Russo” sem ter seus preconceitos sobre disciplina espiritual derrubados.
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O livro mostra o processo espiritual como desenvolvimento de forças dentro do corpo físico, não apenas em reinos abstratos.
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O leitor contemporâneo se surpreende com o envolvimento do corpo na disciplina monástica ortodoxa tradicional.
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Metropolita Antônio: aparência e presença
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Antônio Bloom é Metropolita da Europa Ocidental, equivalente a arcebispo na Igreja Ortodoxa Russa, com cerca de sessenta e cinco anos, bem constituído e ligeiramente mais baixo que a média.
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Sua aparência transmite força e vitalidade, fazendo com que sua batina preta e barba parecessem um disfarce para o autor.
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Seus gestos, voz e modo de se mover não sugerem a imagem convencional de piedade ou espiritualidade ocidental.
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Ele não parecia mundano nem espiritual, mas algo de um reino mais real do que qualquer um deles.
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Uma firmeza extraordinária em seus olhos foi a primeira coisa notada pelo autor.
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Em alguns indivíduos, algo é comunicado pelos olhos que os autentica; em outros, o que é comunicado (ou a falta de comunicação) os trai.
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Uma pessoa pode ter todas as credenciais do mundo, mas algo nela impede que seja levada a sério; isso pode ser percebido pelos olhos.
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As Duas Correntes: política e igreja; duas histórias do cristianismo
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Na primeira reunião, o autor participou das Vésperas na Catedral da Assunção de Todos os Santos e foi convidado para o apartamento do Metropolita.
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Após trabalhar na Resistência em Paris durante a Segunda Guerra Mundial, Antônio viveu secretamente a vida monástica sob a cobertura de sua profissão médica.
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Em 1948, foi ordenado sacerdote e mais tarde se tornou Metropolita da Igreja Russa na Europa Ocidental, prestando contas ao Patriarca em Moscou.
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Antônio declarou que, na posição de tensão entre membresia da igreja e cidadania, a membresia da igreja é mais livre do que se houvesse melhor harmonia entre Igreja e Estado.
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A história da Igreja Cristã clama pela compreensão de questões como as consequências da vitória de Constantino em 312 e sua ascensão ao poder.
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Constantino não apenas suspendeu a perseguição aos cristãos, mas se proclamou cristão e tornou o cristianismo a religião oficial do império.
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A partir de Constantino, a história do cristianismo se ramificou em duas correntes: o cristianismo como religião mundial e o cristianismo como caminho interior.
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A distinção entre essas duas histórias é mais fundamental do que as diferenças entre cristianismo oriental e ocidental, catolicismo e protestantismo, ou a história das instituições cristãs.
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O autor queria perguntar ao Metropolita sobre essas duas correntes existindo dentro do homem.
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Questionou se o surgimento de novas religiões indicava que a Igreja Ocidental havia negligenciado a distinção entre o impulso que leva à “felicidade” e aquele que visa um estado incompreensível.
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Primeiro encontro no apartamento: ambiente e impressões
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Em uma manhã de sábado, o autor foi levado ao apartamento do Metropolita, que o esperava de mangas de camisa.
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A cozinha lembrava a da avó russa do autor, que era ortodoxa, mas judia: cheiro de alho, cebola, salsa, rabanete, peixe, carne cozida e beterraba no borscht.
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A cozinha tinha tinta descascada, lustre de vidro lapidado, tetos altos, sensação de espaço e luz.
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O autor se sentiu imensamente relaxado.
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O que se seguiu à conversa é quase um completo branco na memória do autor, que não fez anotações.
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A falha em reconhecer o nível do cristianismo presente teve a ver com o problema do próprio cristianismo no mundo contemporâneo: sua incapacidade de se fazer conhecer pelo que realmente é.
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As perguntas feitas ao Metropolita foram: o que é o mistério cristão; se há experiências necessárias para que o amor e o mistério cristão penetrem todo o homem; se o mistério envolve um “se”; se a mensagem é apenas para cristãos; o significado da universalidade do ensinamento de Jesus; se é necessário tornar-se cristão; se uma igreja é necessária; se um pai espiritual é necessário; se pode haver um ajuste da Ortodoxia ao Ocidente; e se o cristianismo é apenas para cristãos.
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Crítica à teologia geral e ao cristianismo “oculto”
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A literatura teológica geral nunca impressionou o autor, pois era filosófica demais.
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Ideias filosóficas, por si mesmas, não mudam nada na vida de um indivíduo sem o conhecimento prático de como trazê-las ao coração e aos tecidos do corpo.
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A filosofia apoia a fraqueza do homem que acredita poder progredir por seus próprios esforços.
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O homem moderno desperdiça sua atenção na função intelectual, permanecendo separado dos lados emocional e instintivo, onde residem as energias mais poderosas.
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O autor foi decepcionado muitas vezes pelo material sobre cristianismo “oculto”, que justapõe o cristianismo a outra ideia ou sistema tão ou menos compreendido.
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Um grupo afirma que o cristianismo é a sabedoria egípcia antiga; outro liga Cristo a Pitágoras; um estudioso bíblico descobre um “evangelho secreto” que indica um “círculo interno” de discípulos.
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O mesmo estudioso define Jesus como um “mágico” que praticava “auto-hipnose” para induzir experiências ilusórias e tinha atração e poder sobre esquizofrênicos.
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Se algo essencial na tradição cristã se tornou invisível, não adianta direcionar a atenção para outras tradições cujo significado central também é desconhecido.
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Os escritos de Antônio Bloom não eram devocionais no sentido familiar; o autor tem alergia a literatura devocional religiosa, especialmente a cristã moderna.
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Amigos discernentes dizem que a literatura devocional, como o bhakti yoga indiano, indica que o caminho cristão é uma disciplina dirigida primariamente à função emocional.
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A emoção do cristão e a destruição da emoção
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A questão das “emoções de um cristão” é o maior mistério de todos, sendo a emoção do cristão o elemento “mais perdido” do cristianismo perdido.
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O autor fundiu duas conversas com o Metropolita em uma: uma na qual lembra apenas suas perguntas, e outra, cinco anos depois, na qual também lembra as respostas.
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Na segunda reunião, à tarde, o Metropolita estava cansado e com dor, mas com um rosto que transmitia uma qualidade de abertura como “rendição”, algo impessoal.
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O autor perguntou sobre a ausência de emoção na voz do Metropolita durante os serviços e no coro.
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Antônio respondeu que a emoção deve ser destruída para que se alcance o sentimento.
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É preciso se livrar das emoções para alcançar o sentimento.
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A liturgia no Ocidente e no Oriente tem a mesma questão: há uma lógica profunda na sequência dos dias santos, mas não pode ser entendida intelectualmente.
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Para compreender a sequência, é preciso estar em estado de oração.
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Oração, vulnerabilidade e ascetismo
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O autor perguntou o que é oração.
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No estado de oração, a pessoa é vulnerável, não entusiástica.
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Os rituais têm força imensa; atingem como uma locomotiva.
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O objetivo total do ascetismo é tornar-se aberto.
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O autor divagou sobre o ascetismo, que é um conceito que confunde os modernos, mesmo depois de se livrarem dos clichês de “autotortura”.
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A renúncia e a abnegação nas formas que o autor conheceu o repeliam e amedrontavam, assim como um moralismo religioso que parecia matar a vida em nome do criador da vida.
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O oposto do ascetismo para o autor era a ciência, que aceita a vida em todo seu movimento e formas.
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O impulso de entender o significado do que está vivo é o que a ciência um dia tocou no Ocidente.
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“Almas secas são as melhores”, disse Heráclito.
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O autor retomou a atenção ao Metropolita, que contava a história do rei Sarouk da Pérsia sobre um pai que não chorou a execução do filho, pois “pode-se chorar por um gato”.
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O autor sentiu uma forte sensação de demanda sendo feita a ele, além do medo egóico e do desejo de ouvir e compreender.
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O autor perguntou como um cristão responde ao evento da Sexta-Feira Santa.
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Atenas e o Partenon: uma impressão inesperada
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O autor descreveu sua visita a Atenas antes de ir ao Monte Atos.
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Atenas estava cheia de pessoas para ver, incluindo velhos amigos e representantes da Igreja Ortodoxa.
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O autor pensava no Partenon à noite, fantasando comungar com os espíritos de Sócrates e Platão ou sentir a visão pitagórica do universo.
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Ao finalmente ver o Partenon, a impressão foi a de que alguém havia adulterado algo; o Partenon parecia uma cópia ou imitação de algo, uma tentativa de reproduzir algo em escala ou propósito que não corresponde ao original.
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Não vida, mas uma explicação da vida.
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Um colega sugeriu que os templos do Egito podem ter sido a inspiração para o Partenon; outro amigo observou que as descrições soavam como arte cujo centro de gravidade está muito na cabeça, “inventada”.
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O autor se sentiu silenciosamente exaltado, cheio de energia e contido, talvez por causa da experiência no Partenon.
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Vulnerabilidade e a face de Cristo em Karyes
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Após uma viagem difícil e exaustiva para o Monte Atos, o autor entrou na catedral de Karyes.
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Silêncio intenso, escuridão, ícones brilhando como por luz própria.
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A face estupenda de Cristo no teto olhava para ele.
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Uma sensação passou pelo corpo do autor, descendo pela espinha até o estômago.
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Algo conhecido sobre a tradição ortodoxa veio à consciência: todo o universo repousa sobre o sacrifício de Deus.
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A imensidão do sacrifício é dirigida ao autor, pessoalmente.
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Pela primeira vez, o autor sentiu que algo é exigido dele, uma resposta a esse sacrifício.
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O autor se sentiu obrigado pelo fato da Realidade e pelo fato de sua existência, mas não sabia o que em si mesmo poderia responder à obrigação.
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A mente do autor divagou para preocupações práticas (comida, sono, banheiros).
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Mais tarde, ao chegar ao Mosteiro de Stavronikita, após ser recusado e depois aceito, o autor participou das Vésperas.
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Durante as prosternações repetidas (“Kyrie eleison”), as dores retornaram com força redobrada.
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Por alguns momentos, algo pareceu se separar dentro do autor: um calor sutil e uma consciência livre e separada da sala, das velas, dos ícones.
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Um ícone específico da Virgem tornou-se concreto.
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Contato de forças: a resposta adequada ao amor
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O autor perguntou ao Metropolita o que em si mesmo poderia responder ao sacrifício de Deus.
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Antônio respondeu que o sacrifício é amor, e a resposta adequada ao amor é aceitá-lo; não há nada a fazer.
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O autor notou uma mudança em seu corpo: o centro de gravidade mudou para o abdômen e coxas, as costas se endireitaram, os ombros ficaram mais soltos.
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O autor falou sobre as catedrais góticas, que lhe transmitiam grandeza e mistério.
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Antônio declarou-se revoltado com o gótico, pois tudo naquela arquitetura aspira para cima, mas não até o fim.
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A igreja românica é uma ideia completamente diferente: nela, algo já desceu ao homem: o amor.
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O autor questionou se se tratava de um símbolo ou de um fato, pois o contato real de forças entre o superior e o inferior é muito mais raro e difícil do que se imagina.
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Origem dos exercícios espirituais e a observação de si mesmo
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O autor perguntou sobre os vários exercícios espirituais dos primeiros Padres, se havia métodos e se o corpo tinha orientação no cristianismo como nos sistemas orientais.
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A resposta insatisfatória do abade Vasileios foi que o principal era a necessidade de fé.
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As novas religiões produzem resultados, mas Antônio alertou que o problema é identificar a natureza real desses resultados e formar uma atitude correta em relação a eles.
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As pessoas buscam nas novas religiões emoções e experiências, não a realidade.
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Todos os exercícios são perigosos, incluindo os cristãos.
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O autor perguntou novamente sobre o trabalho com o corpo e os métodos na tradição cristã.
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Antônio respondeu que se a pessoa ficar em pé no serviço com as mãos ao lado do corpo, a cabeça ligeiramente baixa e o peso equilibrado, começam a ver mudanças no corpo: a respiração muda, músculos relaxam, outros ficam firmes.
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Isso tudo vem do impulso religioso.
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Os exercícios perguntados se originaram dos Padres observando o que lhes acontecia quando estavam em estado de oração.
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O autor circulou e sublinhou a frase sobre a observação dos Padres.
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Visão e gnose: “fé vs. razão”
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A distinção entre “fé” e “razão” prejudicou a compreensão do cristianismo.
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A distinção importante é entre a consciência dos próprios estados e as reações inconscientes do pensamento e da emoção.
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A autoatenção é o ponto que traz conhecimento real e fé real, que não são opostos.
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O autor sentiu que essa era a verdadeira abordagem da gnose cristã (conhecimento que transforma o ser do homem).
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O dilema entre saber e crer baseia-se na contradição entre o que o intelecto sabe e o que o coração acredita.
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O pensamento, sozinho, não pode mudar a natureza humana; é preciso algo mais difícil e evasivo.
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O impulso interno para a Verdade não é a função de pensar nem a de sentir como comumente entendidas.
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A palavra “fé” não pode ser igualada a “crença” (convicção emocional oposta a explicações intelectuais).
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O impulso interno é “oposto” a toda a mente comum, incluindo razão e crença.
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O verdadeiro inimigo da fé é a tendência humana de confiar em apenas uma parte da mente ou do eu.
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O debate entre crença e razão, aplicado à busca do “cristianismo perdido”, nunca terminará.
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Um lado enfatiza o compromisso emocional com Cristo; o outro lado (da “razão”) enfatiza a necessidade de compreensão, confirmação externa e desconfiança da atração ou repulsa emocional.
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O que está em jogo é a ativação, dentro do ser do homem, de uma faculdade inteiramente nova de atenção.
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Os primeiros Padres observando o que lhes acontecia no estado de oração: esta foi a resposta de Antônio sobre a origem dos métodos cristãos de luta espiritual.
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O ato de auto-observação é a semente da verdadeira gnose cristã, um nível além do debate entre crença e razão.
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O conhecimento que salva só pode ser adquirido em um estado específico de consciência!
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As raízes da Tradição só podem ser conhecidas em um estado interior específico.
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Existem duas histórias do cristianismo, correspondendo às duas direções que a própria vida humana pode tomar.
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