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Mistério da Cruz
MGMC
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Natureza do mistério cristão como “Drama da Verdade”
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Revelação do decreto de salvação, oculto nas profundezas de Deus, através da crucifixão de Cristo
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Caráter paradoxal de todo evento salvífico na Igreja: simultaneamente aberto e oculto, visível e insondável
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Identificação da Igreja como um µυστήριον μέγα (Efésios 5,32), véu e manifestação do segredo esponsal pré-figurado em Adão e Eva
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Centralidade do evento da crucifixão como mistério que abraça e influencia todo o devir do mundo, passado e futuro
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Definição do µυστήριον cristão como decreto divino pré-mundano, oculto, mas revelado aos pneumáticos e cumprido na cruz do Kyrios
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Distinção fundamental em relação aos cultos de mistério e à gnose: caráter histórico, cósmico e escatológico do mistério cristão
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Estrutura fundamental de todo mistério e sua aplicação ao mistério da Cruz
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Princípio da simplicidade do símbolo no coração de todo verdadeiro mistério, conforme Karl Kerényi
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Na religiosidade antiga, símbolos simples da vida primitiva (espiga, árvore, luz, união dos sexos) como expressão adequada do άφανές e do έμφανές
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Repetição dessa estrutura, em plano transcendente, no mistério da Cruz: morte humana, agonia, forma simples da cruz, narrativa humilde dos eventos
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Paradoxo essencial: no escândalo, na fraqueza e na loucura da cruz (I Cor 1, 24-25) envolve-se o µυστήριον e manifesta-se a majestade que contém o mundo
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Testemunho de Justino sobre a acusação pagã de loucura, derivada da incompreensão do Μυστήριον que reside no crucificado
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Hino primitivo (Melito de Sardes) que canta o “novo mistério”: o Invisível contemplado, o Insensível que sofre, o Imortal que morre
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A Cruz como Mistério Cósmico (I)
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Percepção da forma da cruz impressa nas estruturas mais profundas da criação pelo olhar do fiel iluminado
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Cruz como esquema fundamental do Cosmos, lei de construção do mundo, pré-vista por Deus desde o princípio
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Interpretação cristã do “Chi” (X) celeste (cruzamento da eclíptica e do equador) como símbolo pré-figurativo da cruz e intuição pagã do Logos construtor
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Exegese de Justino e de Santo Irineu, que aplicam a descrição platônica da alma do mundo ao Filho de Deus crucificado
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Teologia irineana da recapitulação: o Logos, crucificado, abraça as quatro dimensões do Cosmos (largura, comprimento, altura, profundidade) e imprime a todos a marca da cruz
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Cruz como “recapitulação” da obra da criação, resumo sensível e símbolo simples do mistério inaudito
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Desenvolvimento e expressões da visão cósmica da Cruz na literatura e liturgia antigas
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Hino ininterrupto na literatura patrística sobre o mistério cósmico e as mãos abertas do Logos que, do alto da cruz, abraça o mundo
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Golgota como ponto central do Cosmos, “polo do mundo” (São Cirilo de Jerusalém)
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Exaltação da cruz como impressão cósmica no céu e nas profundezas da terra (Gregório de Nissa)
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Continuação na religiosidade bizantina: cruz como reconciliação do cosmos, delimitação das extensões terrestres, altura do céu, vínculo da criação
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Herança teológica no Ocidente latino: Hipólito de Roma, Lactâncio, Firmico Materno
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Persistência na mística latina até a Idade Média avançada, sob a condução de Santo Agostinho
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Dimensões particulares do mistério cósmico da Cruz
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Cruz como grande sinal luminoso que precederá a vinda do Cristo transfigurado no fim dos tempos
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Interpretação do σημείον εκπετάσεως εν ουρανώ na Didaché como a cruz de braços abertos
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Liturgia da Exaltação da Cruz: alegria antecipada sobre a vitória final, forma puramente grega que coloca a eternidade no tempo
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Reflexo do mistério em todas as coisas e dimensões do mundo visível
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Hino apócrifo de Santo André à cruz: instrumento que fixa o instável, atinge o céu, estende-se para os lados, aprofunda-se na terra para reunir toda a criação
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Interpretação mística da crucificação de São Pedro de cabeça para baixo (Actus Vercellenses) como reparação da queda pré-cósmica de Adão e inversão da direção da humanidade
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Simbolismo cruciforme no cosmos, na natureza e na cultura humana
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A cruz como μηχανή (máquina, instrumento) da remontada ao céu (Santo Inácio de Antioquia)
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Pesquisa e enumeração de símbolos da cruz na natureza inanimada, no corpo humano (orante de braços abertos), no voo dos pássaros, nos instrumentos de trabalho, nos mastros dos navires
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Exposição sistemática em Justino, Tertuliano, Minúcio Félix: impossibilidade de existência ou duração do cosmos sem a figura da cruz
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Pregação de Máximo de Turim (século V) sobre a ubiquidade do símbolo: na vela do navio, no arado do agricultor, no círculo do céu, na postura do homem que ora
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Importância decisiva dessa simplicidade simbólica para a compreensão da arte cristã primitiva (catacumbas) e de sua “tensão de mistério”
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A Cruz como vitória sobre os mistérios pagãos
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Motivo profundo: a grandeza da sabedoria de Deus que se manifesta na loucura do símbolo insignificante
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Oposição de Firmico Materno entre o lignum crucis e os usos cultuais dos mistérios antigos
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Oposição de um grego anônimo (século IV) entre a Cruz e Hélio, o deus supremo dos mistérios tardios: a luz do “sol da cruz” ilumina o batizando
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Substituição das lamentações por Adonis e das alegrias pela ressurreição de Vênus pelo pranto da cruz e pela alegria pascal do novo mistério
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Cristo crucificado como o “verdadeiro Orfeu” que busca a humanidade no Hades
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Hino medieval que sintetiza a imagem: o Orfeu cristão combate e reconquista a noiva no abismo mais profundo
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A Cruz como Mistério Bíblico (II)
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Mesma lei estrutural: a cruz exprime todas as leis fundamentais da vontade salvífica de Deus, mas num símbolo “vão e cheio de todas as vergonhas”
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Princípio fundamental da teologia simbólica: todo o Antigo Testamento é uma única e imensa parábola que esconde e revela o futuro
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A Antiga Aliança contém “todos os mistérios do Logos” e, mais precisamente, “o mistério da Cruz” (Justino)
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Exegese tipológica no Diálogo com Trifão (Justino) e na Epístola de Barnabé, fundamentada na teologia paulina da prefiguração (I Cor 10, 6.11)
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Comentário bíblico como drama misterioso da tensão das almas: o véu do templo se rasga na cruz, revelando o que estava velado, para se envolver novamente no véu sangrento da crucifixão
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Formulações dialéticas em Tertuliano: o mistério da cruz deveria permanecer envolto em imagens no Antiga Aliança para que a dificuldade de compreensão levasse a buscar a graça de Deus
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O “Sacramento do Lenho” (μυστήριον τοῦ ξύλου): o madeiro da árvore da vida e a cruz de Cristo
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Riqueza de ideias e imagens na teologia antiga: toda madeira do Antigo Testamento (Arca de Noé, vara de Moisés, serpente de bronze) como ὑπόδειγμα (Heb 9,23) da força de Deus colocada no mistério da Cruz
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O madeiro da árvore da vida do Paraíso (Gn 2,9) e sua reinterpretação: imagem da salvação messiânica em Ezequiel, personificação na Sabedoria de Deus (Prov 3,18), cumprimento no Apocalipse com acesso pelo sangue do Cordeiro
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Visão unificadora do cristão antigo: apenas uma árvore da vida se ergue entre o Paraíso e o novo céu: a Cruz no Gólgota
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Convicção teológica da relação tipológica entre Adão e Cristo (I Cor 15,45-49), expressa na antítese clássica entre o madeiro do Paraíso e o madeiro da Cruz
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Herança dos Presbyteroi asiáticos em Santo Irineu: assim como perdemos o Logos pelo madeiro, ele foi revelado a todos pelo madeiro
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Síntese máxima: o Cosmos dos Gregos e a BÍBLIA dos Israelitas convergem no mistério da cruz, unindo os dois povos (Ef 2,13-14)
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Desenvolvimentos mitopoéticos e teológicos do mistério bíblico da Cruz
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Tradições e lendas sobre a conexão entre o madeiro paradisíaco, a criação de Adão, sua morte e a crucifixão no mesmo local (Gólgota como umbigo do mundo)
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Poema cristão primitivo (século III) sobre o “locus ex omni medius”, a árvore-cruz que se eleva, abraça a terra e da qual jorra a fonte batismal
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Narrativas da “Caverna dos Tesouros” síria e do “Livro de Adão” etíope: Adão criado com esplendor solar, formado no local da futura cruz, morrendo no mesmo dia e hora da crucifixão
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Lenda das três sementes do fruto da vida, dadas a Sete, que germinam na boca de Adão morto e dão origem ao madeiro que se conserva até ser usado para a cruz
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Essência teológica por trás da formação mítica: convicção do paralelismo e reparação entre Adão e Cristo
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Profundização na teologia grega e bizantina (Gregório de Nissa, Teófanes Cerameu) e no pensamento ocidental (Santo Agostinho, liturgia romana, Venâncio Fortunato, Tomás de Aquino)
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Eco na arte e na literatura medievais (Dante, miniatura de Salzburgo de Berthold Furtmayr) como testemunho da perenidade do símbolo
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Conclusão celebrativa: o Hino de Hipólito de Roma ao Mistério da Cruz
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Síntese final do mistério cósmico e bíblico na pregação pascal de Hipólito (século III)
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A árvore-cruz como crescimento imortal, ponto de apoio do universo, polo cósmico, unificador da diversidade humana
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Celebração da crucificação como dança mística, núpcias espirituais, Páscoa divina, festa de reunião cósmica
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Proclamação do evento salvífico: Deus apareceu como homem, o homem elevou-se como Deus, as portas do inferno foram quebradas, o coro da terra retorna
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