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SER E UNO
GILSON, Etienne. L’ être et l’essence. 3. éd., 3. tirage ed. Paris: Vrin, 1994.
O ser de Parmênides
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Quando os gregos iniciaram a especulação filosófica, a questão sobre a composição das coisas revelava a necessidade de assimilar o desconhecido ao conhecido, concebendo a realidade como idêntica em natureza.
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Os primeiros pensadores gregos tentaram reduzir o real a elementos como a água, o ar e o fogo, até que um deles declarou que a tessitura primitiva de todas as coisas é o ser.
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Parmênides de Eleia, ao descobrir que as propriedades essenciais do ser pertencem a tudo o que é, alcançou uma posição metafísica intransponível e obrigou-se a descrever o que entendia por “ser”.
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No poema filosófico de Parmênides, o ser é dotado de atributos ligados à identidade: é da sua essência que tudo o que participa de sua natureza seja, e o que não participa não seja.
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O ser é único e universal, não pode ter causa (pois essa causa já seria ser), não tem começo, é indestrutível, não-engendrado e, portanto, eterno, estabelecido num perpétuo presente sem história.
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Toda modificação do ser é impossível, pois suporia que algo que não era começasse a ser, o que contradiz a sua natureza; o ser é homogêneo, sem divisões internas, e nada mais se pode dizer dele senão que ele é e que o que não é ser não é.
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Parmênides não fala exatamente de “ser” abstrato, mas de “aquilo que é”, referindo-se ao todo ou universo, figurado como uma esfera limitada, homogênea e imóvel.
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Embora Parmênides pensasse no concreto, as propriedades que atribuiu ao ser valem para todo e qualquer ser, extrapolando os dados do seu próprio problema e fundando a ontologia a partir do século V a.C., ainda que ele não tivesse consciência disso.
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A ontologia resultante afirma que o ser é idêntico a si mesmo e incompatível com a mudança, levando à negação do movimento e à exclusão do mundo sensível (aparência e opinião) da ordem do ser verdadeiro e do conhecimento.
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A doutrina de Parmênides culmina na oposição entre ser e existência: ou aquilo que é não existe, ou aquilo que existe (o devir sensível) não é.
O realmente real
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Platão, embora idealista contra o materialismo de Parmênides, obedece à mesma lei ontológica ao definir o “verdadeiramente ser” ou “realmente real” como aquilo que é “si mesmo enquanto si mesmo”, onde a marca do ser é a identidade da coisa consigo mesma.
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“Ser”, para qualquer coisa, é “ser aquilo que ela é”, e “tornar-se um outro” implicaria cessar de ser, pois abolir a identidade equivale à aniquilação.
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O ser aparece como uno, o mesmo, simples e isento de mudança, pois a identidade consigo mesmo é a condição da realidade, sendo que ser é ser uno e imutável.
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Essa estabilidade e permanência na identidade é o que Platão chama de ousia, a autoipseidade fundamental que justifica a atribuição do ser.
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Citação traduzida: “Esta realidade em si mesma, a cujo ser damos razão tanto em nossas interrogações, como em nossas respostas, dize-me, comporta-se sempre do mesmo modo em sua identidade, ou ora assim, ora diversamente? O Igual em si, o Belo em si, o real em si de cada coisa, ou seu ser: poderia dar-se que isso seja suscetível de alguma mudança? Ou, antes, cada um desses reais, cuja forma é una em si e por si, não se comporta sempre do mesmo modo em sua identidade, sem admitir, nunca, em nenhum lugar, em nada, qualquer alteração? – É necessariamente do mesmo modo, diz Cebes, que cada um guarda sua identidade, Sócrates.”
O ser e o mesmo
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Se somente o que é “si mesmo enquanto si mesmo” merece o nome de ser, a realidade sensível, que se torna incessantemente outra, fica relegada à ordem da aparência e do não ser.
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Citação traduzida: “Qual é o ser eterno e que não nasce, e qual é aquele que nasce sempre e não existe jamais?”
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O gênero daquilo cuja forma é sempre idêntica a si mesma é descrito como “divino, imortal, inteligível, forma simples, indissolúvel, e que possui sempre, do mesmo modo, sua identidade consigo mesmo”, enquanto o que nasce e morre está em movimento e só pode ser objeto de opinião.
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A antítese entre o que “é sempre” e o que “nunca é” repousa sobre a oposição primitiva entre o mesmo e o outro, mantendo Platão fiel a Parmênides ao transferir o ser para as Ideias inteligíveis, mas mantendo a qualidade fundamental da identidade consigo mesmo como própria da realidade.
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Uma ambiguidade fundamental afeta o sentido da doutrina, pois os termos “ser” ou “realidade” podem significar “aquilo que” é (a realidade) ou a característica de “àquilo que” é em razão do fato de que ele “é” (a existência).
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Quando Platão atribui ser às Ideias, não está claro se elas são dotadas das marcas da realidade verdadeira ou se existem; a linguagem dos tradutores e do próprio Platão parece frequentemente favorecer a existência.
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Atribuir às Ideias a existência sensível que Platão considerava como quase não-ser seria afirmar o que ele negou, mas recusar-lhes esse gênero de existência é atribuir-lhes somente um ser do qual nenhuma representação é possível, levando a dizer que as Ideias são seres mas, pela mesma razão, elas não são.
A ideia e a existência
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A antinomia entre a realidade das Ideias e a existência sensível talvez não fosse um problema para Platão, pois sua língua talvez não permitisse sequer traduzir a questão literalmente.
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Personagens como a Sra. Gamp (Dickens) ou Tartufo são reais porque “possuem, sempre do mesmo modo, sua identidade consigo mesmos”; eles são, ainda que não existam, ao passo que muitos indivíduos empiricamente constatados existem, mas não são.
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Platão parece ter posto o problema de modo diferente: as Ideias são objetos puros do pensamento e, precisamente por essa razão, elas são, unindo um idealismo da existência a um realismo da essência.
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O leitor comum está enganado ao concluir que as Ideias são apenas simples conceitos, pois o objeto platônico do conceito pode muito bem ser, sem de modo nenhum existir.
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Como a noção de existência é toda de origem sensível, aplicá-la às Ideias sem destruí-las seria transformar os modelos ideais em cópias de suas próprias cópias.
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O melhor seria esquecer provisoriamente a associação do ser à existência e supor que o termo “ser”, em Platão, significa apenas “aquilo que é”, de modo que descobrir o ser verdadeiro consiste em discernir objetos que correspondem a um padrão definido de realidade, abstraindo o problema da existencialidade.
A ideia de existência
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Nas ontologias platônicas, trata-se menos de discernir o que é do que não é, do que discernir “aquilo que é verdadeiramente” daquilo que “não é verdadeiramente”, pois a presença de advérbios convida a pensar que tais doutrinas se movem fora da esfera da existência.
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Quando o ser se reduz à essencialidade, podem-se distinguir “graus de ser” proporcionais à pureza da essência, permitindo que o mundo sensível seja e não seja ao mesmo tempo, sem contradição.
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Platão viu as dificuldades dessa solução, pois conceber que uma coisa não seja de modo nenhum um ser não é mais fácil do que concebê-la como não existindo, e a noção de um quase-ser contradiz a lei de Parmênides de que o real “deve ou, de fato, ser, ou, absolutamente, não ser”.
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A doutrina da participação é contraditória, pois cada ser material é e não é a Ideia da qual participa; a noção de participação é do tipo “pré-lógica”, exigindo mergulhar nela para conceber o sensível.
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No diálogo Parmênides, Platão encarrega o velho Eleata de submeter sua doutrina das Ideias ao princípio de contradição, antecipando objeções contra o realismo das Ideias.
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Se há uma só Ideia de Homem, ela não pode ser ao mesmo tempo toda em si mesma e toda em cada indivíduo; se cada indivíduo participa apenas em parte, a Ideia é divisível e carece de unidade, logo, de ser, fazendo com que o “verdadeiramente ser” fosse desprovido de realidade.
A ideia e a existência (continuação)
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Mesmo explicando a participação de vários indivíduos na unidade de uma essência comum sem rompê-la, ainda falta compreender como essa essência, tomada em si mesma, pode ser una, pois definir o ser pela perfeita identidade consigo mesma é reduzi-lo à unidade.
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Se o ser é uno porque é uno, o “uno que é” forma um todo composto de uno e de ser, sendo ele mesmo composto de partes, cada uma das quais deve possuir por si mesma o ser e o uno, tornando o uno indefinidamente múltiplo.
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Se considerado em si e em estado puro, o “uno” não será mais “ser”, mas apenas “uno”, sendo outro que o ser, o que quer dizer que ele não será.
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Consequência necessária de uma dialética perfeitamente correta: “quer o uno seja ou não seja, o próprio uno e os outros, quer os tomemos em relação consigo mesmos ou todos os unos em relação aos outros, são e não são, aparecem e desaparecem”, marcando um dos limites intransponíveis de toda ontologia da essência.
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A lição permanente é que, se o ser for reduzido à sua unidade essencial, ele se torna impensável ao mesmo tempo como uno e como ser; portanto, ser deve ser outra coisa que ser uno.
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Citação traduzida: “O devir e, tudo à parte dele, a realidade, eis exatamente a divisão que estabeleceis, não é?”
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Citação traduzida: “Qual o quê! Por Zeus! Deixar-nos-emos nos convencer tão facilmente de que o movimento, a vida, a alma, o pensamento, realmente não têm lugar no seio do ser universal, que ele não vive nem pensa, e que, solene e sagrado, vazio de intelecto, ele permanece lá, plantado, sem poder se mexer?”
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A única maneira de evitar a escandalosa consequência seria mostrar que, se se recusa o ser ao devir sob o pretexto de que ele rompe a identidade, deve-se também recusar o ser à própria identidade pela mesma razão.
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Se “o ser” é sempre e sob todas as relações “o mesmo”, torna-se contraditório atribuir o ser a dois objetos diferentes, como o movimento e o repouso, que seriam apenas um se admitido que eles são.
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Se subtrairmos o ser a tudo aquilo que não é identicamente “o mesmo”, a existência de todo ser se torna impensável, pois não se pode ser idêntico a si mesmo sem ser outro quanto ao resto.
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Como ser o mesmo que si é, ao mesmo tempo, ser outro quanto ao resto, ser é, ao mesmo tempo, não ser, instalando o não ser no próprio coração do ser, tornando a mistura dos gêneros a regra e abrindo o todo homogêneo de Parmênides a todas as contradições.
A ideia e a unidade
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A primeira necessidade permanente que domina a dialética de Platão é aquela aceita por Parmênides: apenas aquilo que é pode ser conhecido, não se pode conhecer aquilo que não é.
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Citação traduzida: “Aquele que conhece, conhece algo ou nada? Responde-me tu, no lugar dele. – Eu responderia, disse, que conhece algo. – Algo que é ou que não é? – Algo que é, pois de que modo seria conhecido algo que não é?”
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Platão concebe “aquilo que é” como uma realidade estável, idêntica a si mesma, e a dialética é a disciplina competente para julgar o que é e o que não é, recortando o real segundo suas articulações.
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O mais constante no pensamento de Platão é sua fidelidade a essa ontologia da essência, cujo limite mais insuperável é que o ser assim concebido não consegue se acomodar a suas próprias condições formais.
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Citação traduzida: “de modo que o ser, incontestavelmente ainda, milhares e milhares de vezes absolutamente não é, e os outros, seja individualmente, seja em sua totalidade, sob múltiplas relações, são e, sob múltiplas relações, não são”.
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O segundo limite, reconhecido por Platão, é a impossibilidade de fundar uma ciência do devir, pois o devir sensível é composto por coisas que “ao mesmo tempo, são e não são”, estando no “meio entre o ser puro e o não ser absoluto” e caindo no domínio da opinião, um conhecimento degenerado intermediário entre a ciência e a ignorância.
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Tudo o que diz respeito ao devir e à existência concreta entra no domínio do mito (simples relato), como a história da origem do mundo no Timeu e a origem e destino das almas no Fédon e na República, pois os existentes não são seres, mas simples imagens “daquilo que é”.
O ser e o outro
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Incapaz de relacionar o devir concreto com sua noção do realmente real, Platão esbarra em dificuldades para explicar o mundo da aparência a partir do ser, pois as Ideias são o que são em si mesmas, sem relação com o mundo onde vivemos.
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Citação traduzida: “As realidades que são nossas não têm influência sobre essas realidades lá do alto, e estas tampouco a têm sobre nós.”
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Se as Ideias não têm eficácia no mundo concreto do devir, não se pode adquirir a ciência das Ideias a partir desse mesmo devir; talvez um deus possua essa ciência, mas não os homens.
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Citação traduzida: “Então, é-nos incognoscível tanto o belo em si essencial, como o bem e tudo aquilo que admitíamos a título de formas em si”.
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A conclusão “terrível” a que a dialética de Platão se encurrala é o ceticismo da Nova Academia como saída natural; Platão não cedeu a essa tentação, mas permaneceu fiel à ontologia da essência por ter renunciado a vinculá-la às existências concretas que deveria explicar.
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A única maneira concebível de unir as existências a partir da Ideia seria transformar uma essência num existente, divinizando uma Ideia (como a Ideia do Bem), mas nenhum texto autoriza essa identificação e Platão jamais a propôs.
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Platão não se perguntou se a noção de “realmente real” pressupunha a exclusão da existência, mas mostrou-se fiel à essência, sacrificando o próprio ser a cada vez que sua crítica da essência fez ver a necessidade de ultrapassá-lo.
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Se o “realmente real” se revela inacessível ao pensamento, resta procurar um além do ser; Platão tentou transcender a ousia ao reduzir o ser ao uno (no Sofista) e ao subordinar todo o “realmente real” ao Bem, que o ultrapassa em poder e dignidade (na República).
Os dois limites do essencialismo
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O neoplatonismo não nasceu do platonismo por dedução lógica; Plotino deu continuidade a Platão ao usar certas conclusões platônicas para resolver problemas estranhos ao platonismo, como unificar a ordem filosófica e a ordem religiosa.
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Erigir os deuses em princípios ou os princípios em deuses transformaria a dialética em cosmogonia, afetando inevitavelmente a ontologia.
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O primeiro princípio, que Plotino declara inominável, foi por ele nomeado como Uno e Bem, palavras que designam algo além do ser, mas das quais é penoso saber o que designam.
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O Uno é uma potência imensa capaz de tudo engendrar, causa da inteligibilidade de tudo o que é; sob o nome de Bem, ele é causa “daquilo que é depois do Uno”, ou seja, da multiplicidade.
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Plotino está em luta com o inefável, pois nada do que se diz do Uno é suficiente para exprimi-lo, já que ele está além do ser e do inteligível, acolhendo todas as contradições.
Para além do ser
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A primeira e mais importante posição de Plotino é a transcendência do Uno sobre o ser: o ser não é o primeiro, mas ocupa uma posição segunda, pois “é porque nada é nele que tudo vem dele; e que, para que o ser seja, ele mesmo não é ser, mas o gerador do ser; e o ser é como seu primeiro nascido”.
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O Uno não é o ser e, precisamente porque não o é, pode causá-lo; a primeira das coisas criadas é o ser (prima rerum creatarum est esse).
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Todo ser é certa unidade, mas cada ser particular é somente uma certa unidade particular e não o Uno; se o Uno fosse “um certo uno”, ele não seria o Uno em si, pois o Uno em si é antes de um certo uno.
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O Uno é verdadeiramente inexprimível, pois o que quer que dele se diga dirá que ele é “algo”, um certo ti, que precisamente ele não é; a antinomia está entre o Uno e todo pensamento em geral.
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É impossível pensar o Uno, e ele tampouco pode pensar-se a si mesmo, pois para se pensar precisaria ser ao mesmo tempo conhecedor e conhecido, ou seja, ser dois; o Uno de Plotino transcende, assim, o conhecimento de si mesmo.
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Citação traduzida: “Se há uma realidade que seja a mais simples de todas, ela não terá o pensamento sobre si mesma; se o tivesse, teria um ser múltiplo. Portanto, ela não se pensa, e não se pode pensá-la.”
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A passagem do Uno ao noûs e ao ser é importante na cosmogonia de Plotino; o que se chama de panteísmo de Plotino é uma ilusão de perspectiva nascida da junção de duas ontologias heterogêneas (a do Uno e a do Ser cristão).
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Numa doutrina do Ser, o inferior só é em virtude do ser do superior; numa doutrina do Uno, o inferior só é em virtude daquilo que o superior não é, pois o superior nunca dá senão aquilo que não tem, visto que para dar essa coisa precisa estar acima dela.
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Citação traduzida: “Como o Uno conferiu o que não possuía?”; a resposta é: “É porque nada é no Uno que tudo vem dele, e, para que o ser seja, é preciso que o próprio Uno não seja o ser, mas aquele que o engendra. O ser, portanto, é como seu primeiro nascido.”
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Quando Plotino diz que o Uno é todas as coisas e não é nenhuma, não se deve concluir que o Uno esteja nas coisas pelo seu ser; o que está nas coisas é o ser, um emanado que não é ele mesmo o Uno.
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A etimologia proposta por Plotino é que a palavra ‘ser’ (einai) deriva da palavra ‘uno’ (hen), ao contrário das filosofias que derivam ens (ente) de esse (ser).
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Citação traduzida: “Nos números, a participação na unidade fazia nascer a quantidade; aqui, o traço do Uno faz nascer a essência, e o ser é apenas a marca do Uno. E se fosse dito que a palavra ‘ser’ (einai) deriva da palavra ‘uno’ (hen), sem dúvida a verdade seria alcançada.”
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Citação traduzida: “Quando se trata do princípio anterior aos seres, o Uno, este permanece em si mesmo”; “O Princípio não é o conjunto dos seres, mas todos os seres vêm dele; ele não é todos os seres; ele não é nenhum dentre eles, a fim de que possa engendrá-los todos.”
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Plotino afirma que “ser e pensar são a mesma coisa”, no sentido de que ser e ser objeto de pensamento são a mesma coisa; o ser surge no ponto em que o pensamento engendra um objeto pensável.
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O Uno transcende o ser porque transcende o pensamento; depois do Uno, o que há de melhor é o conhecimento do Uno, colocado como segunda hipóstase: a Inteligência (noûs), ou conhecimento subsistente de tudo aquilo que o Uno tem o poder de produzir.
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As coisas que vêm do Uno são fragmentos virtuais do primeiro princípio, que a Inteligência divide ao colocar todas as coisas como participações possíveis do Uno.
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Citação traduzida: “E é por isso que essas coisas são essências; pois cada uma delas tem um limite e como que uma forma; o ser não pode pertencer ao ilimitado; o ser deve ser fixado num limite determinado e num estado estável; para os inteligíveis, esse estado estável é a definição e a forma, da qual eles tiram também sua realidade.”
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Os inteligíveis não se distinguem da Inteligência; eles são a Inteligência, e a Inteligência é seus objetos; cada um desses objetos é um ser, e a totalidade deles constitui o ser, podendo-se dizer que “a inteligência ou o ser são a mesma coisa”.
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Plotino aproxima-se de Parmênides (“Ser e pensar são a mesma coisa”), mas toma o cuidado de marcar seu sentido pessoal, ressaltando a necessidade abstrata que a fórmula expressava desde sua origem.
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A cosmogonia plotiniana traduz a inconceptibilidade de que sofre o próprio ser quando reduzido ao estado de essência pura, decretando sua decadência em benefício de um outro do qual ele seja deduzido: para além do ser, em sua própria fonte, há aquele não ser que é o Uno.
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