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Teoria da Leitura e a Reedição do "Eu" em Santo Agostinho
STOCK, Brian. Augustine the reader: meditation, self-knowledge, and the ethics of interpretation. Cambridge (Mass.) London: Belknap press of Harvard university press, 1996.
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Fundamentos Teológicos da Linguagem e Leitura
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Agostinho considerava a leitura e a escrita como trabalhos penosos impostos à humanidade como resultado da desobediência no Éden.
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Antes da queda, não havia necessidade desses instrumentos; Deus falava diretamente aos seres humanos ou manifestava sua vontade sem o uso da linguagem.
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A leitura e a escrita surgiram no tempo e estão destinadas a desaparecer no fim dos tempos, quando a alma for restaurada à unidade divina.
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As habilidades linguísticas e gramaticais são ferramentas temporais que permitem ao homem compreender as verdades eternas contidas na Bíblia.
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O “Eu” como Narrativa e Intersubjetividade
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Se a linguagem depende de uma comunidade de falantes, o “eu” e a mente também dependem de comunidades e vivem em uma “teia de interlocuções”.
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Nas Confissões, a história de Agostinho transita entre o pensamento privado e o mundo público através de palavras destinadas à interpretação de outrem.
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O ato de confessio (confissão) torna-se narratio (narrativa), que é retransformada em uma confissão mental por seus leitores.
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O autoconhecimento é revelado quando os padrões internos de uma vida passam do domínio privado para o público (publicação).
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Diferenciação entre os eventos da vida pessoalmente recordados e o gênero literário inevitável usado para apresentá-los.
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Autodefinição e o Leitor Autoconsciente
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Agostinho vê o processo de escrita como uma constante autodefinição e reinterpretação, e não como uma versão definitiva e estática de sua biografia.
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Ele recusa separar o valor representativo de sua vida da avaliação ética da pessoa que ele se tornou.
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Sua preocupação é primariamente ética: o objetivo de viver na “casa da disciplina” é aprender a viver bem (bene vivere).
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Introduz o conceito do leitor autoconsciente, que se estuda ao questionar autores à luz de suas próprias opiniões e experiências.
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Os Três Estágios do Processo de Leitura
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Nível Empírico: Atividade básica que envolve os sentidos físicos da audição (leitura oral) e da visão.
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Nível Cognitivo: O leitor engaja-se no pensamento intencional e utiliza a memória para compreender o que é significado pelos signos.
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Nível Meditativo: O leitor foca nas sensações criadas pelas palavras, desconecta as imagens mentais e é “ensinado por dentro”.
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A trajetória intelectual deixa o texto físico para trás, servindo como um prelúdio para a experiência mística.
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A Reedição do “Eu” e a Transcendência
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Viver conforme o “homem interior” é como um exercício literário: uma reedição do eu onde uma vida futura é traçada sobre a vida já vivida.
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O processo de leitura é concebido como uma “odisséia” que leva o indivíduo da infância metafórica à maturidade espiritual.
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A transcendência total é exemplificada na “Visão de Óstia”, onde palavras, corpos e gêneros são superados simultaneamente.
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Agostinho rejeita o “Pelagianismo literário”, a crença de que a educação sozinha pode superar a condição humana decaída.
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Debate Historiográfico e Metodológico
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Críticos como Courcelle transformaram a pesquisa agostiniana ao usar ferramentas da filologia e crítica textual para testar a historicidade da narrativa.
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Agostinho opera de forma interdependente entre discussões “narrativas” (histórias contadas a um público) e “analíticas” (investigações sobre cognição e interpretação).
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