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Memória, Vontade e a Ascese na Leitura Agostiniana
STOCK, Brian. Augustine the reader: meditation, self-knowledge, and the ethics of interpretation. Cambridge (Mass.) London: Belknap press of Harvard university press, 1996.
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A Alma como Mediadora e o Desejo de Ascensão
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A existência é vista como uma “escada” de níveis de ser, baseada em princípios neoplatônicos.
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No topo está a summa essentia (repouso absoluto); nos níveis inferiores, um movimento contínuo (motus) em busca da unidade.
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A alma humana ocupa o ponto médio entre o divino e o corpóreo, com uma tendência natural para a ascensão ou conversão (conuersio).
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O conhecimento da capacidade da alma de se deslocar é o que motiva a vontade de buscar o divino.
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Linguagem e a Consciência Humana do Tempo
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A percepção do significado de uma palavra depende inteiramente da consciência temporal do homem.
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O significado de uma palavra sobrevive mesmo após o som físico das sílabas cessar, animando e completando a expressão temporal.
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As Escrituras medeiam a linguagem comum e a palavra eterna de Deus, sendo simultaneamente temporais (no pergaminho) e eternas (no espírito).
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O Antigo Testamento é visto como o “autógrafo de Deus”, enquanto no Novo Testamento “ouve-se” a voz de Cristo através dos apóstolos.
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A Memória como Alicerce do Eu e da Cultura
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Agostinho é o pioneiro da noção de memória autobiográfica, essencial para a continuidade pessoal e o autoconhecimento.
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Distinção entre memória “episódica” (eventos vividos) e “semântica” (informação organizada em padrões narrativos).
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A memória externa (livros, registros e instituições) funciona como um arquivo social e base de toda a cultura humana.
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O processo de recordar envolve a reexcitação de “traços” (uestigia) mentais que carregam sinais temporais.
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A Vontade, a Leitura e a Disciplina Ética
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A leitura das Escrituras toma precedência sobre outras formas de prever o futuro (como astrologia ou presságios).
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A vontade divina, embora inacessível em sua totalidade, demonstra-se através do desejo inato do homem de conhecer a Deus pelo texto sagrado.
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A leitura deixa de ser um prazer estético para se tornar um programa ascético de reforma do eu (tecnologia da reforma).
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O estudo bíblico transforma-se em uma “forma de vida” (forma uiuendi), onde preceitos lidos são praticados ao serem recordados.
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Iluminação, Silêncio e a Comunidade de Pensamentos
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Durante a leitura isolada e tranquila, o texto torna-se um objeto de atenção plena, iniciando uma jornada interior.
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A leitura é um convite para habitar temporariamente nos pensamentos divinos, superando a alienação do mundo físico.
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Embora os seres humanos vivam em uma “zona de dessemelhança” (isolados uns dos outros), a meditação cria uma comunidade interna de pensamentos.
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Através da memória, a leitura e a escrita permitem a ascensão intelectual da ciência (scientia) para a sabedoria (sapientia).
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