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Casa sobre rocha

PARÁBOLAS EVANGÉLICAS — Casa sobre rocha (Mt 7, 24-27; Lc 6, 46-49)

A parábola em Mateus apresenta dois passos do homem prudente: escuta do logos e fazimento. Em Lucas, ela apresenta três passos: vir, escutar e fazer. Estes passos, dois ou três, tornam este homem semelhante (v. analogia) àquele que edifica sua morada sobre algo sólido, firme, inabalável, a rocha. Não dar estes passos é construir sobre areia ou terra, a ilusão de firmeza, que só a rocha detém.

As questões se apresentam: o que são estes passos em relação ao logos: vir? escutar? fazer?. Como não estamos falando do mundo sensível certamente vir é voltar-se para si mesmo, escutar é o verdadeiro pensar e fazer é o primeira modalidade de des-velamento, enquanto dar-se conta da verdade como des-encobrimento DO QUE É.

Roberto Pla: Evangelho de Tomé - Logion 32

Maurice Nicoll: CASA SOBRE A ROCHA

Orígenes: CASA SOBRE A ROCHA

Irineu de Lião

(804) 27,3. Mas que pessoa que ama a verdade não percebe que, se as parábolas podem ter tantas interpretações e, a partir delas, busca-se a Deus abandonando o que é certo, indubitável e verdadeiro, está-se optando por uma forma de agir irracional que expõe a pessoa a graves perigos? E não é isso construir sua casa não sobre a rocha firme, sólida e à vista, mas sobre a incerteza da areia movediça? Por isso, tais construções desabam facilmente (Mt 7,24-27). (Irineu, Contra os hereges, Liv. 2, cap. 27)

São Jerônimo

In: Comentário à Mateus, Livro I (1,1- 10,42) — Tradução de Antonio Carneiro

16. Da casa do senhor edificada sobre rocha, e onde Jesus ensina como Senhor

E caiu a chuva e vieram as enxurradas e sopraram os ventos (7,25). esta chuva que se esforça para arrastar a casa é o diabo; as torrentes são todos os anti-cristos, que são sábios contra Cristo; os ventos são as maldades espirituais que se movem nos ares (Ef 6,12).

E não caiu porque estava assentada sobre rocha (7,25). Sobre esta pedra o senhor fundou a Igreja (MT 16,18); desta pedra também o apóstolo Pedro obteve por sorte seu nome (MT 16,18); sobre tal pedra não se encontram vestígios da serpente (Prov 30,19); dela fala confidentemente o profeta: « Assentou meus pés sobre pedra » (Sal 39,3), e em outro lugar: « A pedra, refúgio para lebres ou para ouriços » (Sal 103,18). Porque o tímido animal se refugia em cavernas de pedra e se defende com a proteção da pele áspera e toda armada de puas do ouriço. Por isso se diz também de [Moisés do tempo em que fugira do Egito e era o lebracho do Senhor: « Abriga-te na fenda da pedra, e me verás por trás »(Ex 33, 21-23).

Que edificou sua casa sobre areia (7,26). O fundamento que o apóstolo arquiteto pôs é um Nosso Senhor Jesus Cristo. Sobre este fundamento estável e firme e com volumoso alicerce por si robusto a Igreja de Cristo foi edificada. (1Cor 3, 10-15); sobre areia, que é movediça e não pode se unir nem se converter em massa compacta, foi edificada toda doutrina dos hereges para que caia.

E estava ensinando-os como quem tem poder, não como escriba (7,29). Desde cedo, ensinavam ao povo o que estava escrito por Moisés e pelos Profetas, mas Jesus, como Deus e Senhor do mesmo Moisés, pela liberdade de sua vontade ou acrescentava coisas que não estavam na Lei ou mudando-as predicava ao povo, como também acima lido: Foi dito aos antigos; eu também vos digo (Mt 5, 21-22).

Antonio Orbe, Parábolas Evangélicas em São IrineuEvangelho de Tomé - Logion 32

  • À casa oikia) e a rocha petra) evangélicas se substituem a cidade (polis) e o monte.
  • O monte alto é também rochoso; Deus constrói ao gnóstico sobre monte rochoso para dar-lhe além da visibilidade, firmeza e situação de privilégio; o gnóstico não pode ser dominado por surpresa nem cair ao primeiro ataque, pois está no alto e fortificado.
  • As regiões altas, a cidade superior representam por contraste com o mundo da matéria ou cidade inferior, a índole própria do espírito. A cidade edificada no alto equivale à Jerusalém celeste, não porque tenha morrido mas dado à raiz da iluminação, adquire sua verdadeira cidadania na cidade ideal (= Ogdoada, sophia) e está a salvo das vicissitudes da matéria.
  • Confirma-o um epíteto muito repetido nos Escritos Gnósticos e aplicado ao indivíduo espiritual: asaleutos, incomovível, inacessível às “sacudidas” tentações do espírito do mal (vide apatheia). «Linhagem que não vacila», frase técnica por raça do «homem perfeito». Habitante do «reino incomovível» (basileia asaleutos) fundado sobre o Salvador, o gnóstico (resp. Igreja ou cidade dos escolhidos) estará por cima das flutuações inerentes à psyche (resp. À Igreja dos chamados).
  • Exegese tipicamente gnóstica, expressão da firmeza consequente ao photismos.

ATOS APÓCRIFOS DOS APÓSTOLOS

  • “Persuadidos, pois, também vós, queridos, que não os anunciamos adoremos a um homem, senão a um Deus imutável, a um Deus invencível, a um Deus superior a toda potestade e virtude e a todos os anjos e criaturas sedicentes (kriseon), e anterior e mais forte que todos os eones. Se permaneceis neste e construís nele tereis vossa alma inexpugnável.” (Atos de João).
  • A firmeza da alma radica, entre cristãos, em haver edificado sua casa — sua fé — não em um puro homem, senão em Jesus, imutável e insuperável Deus.
  • “Os ordeno, filhos amadíssimos que edifiqueis firmemente sobre o fundamento estabelecido para vós, incomovível e inacessível a qualquer insídias perversas. Agarrem-se em tal cimento. Mantenha-os firmes, recordando tudo o que ocorreu quando vivia eu convosco…” (Acta Andreae).
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