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Livro 1 (91 a 120)

I, 091: Deve-se agradecer por tudo.

HOMEM, se ainda te acostumas a agradecer a Deus isto ou aquilo,
ainda não transpuse­ste as barreiras da tua fraqueza.

I, 092: Quem está inteiramente deificado.

QUEM é como se não fosse, e jamais tivesse chegado a ser:
esse, (ó bem-aventurança!), tornou-se puro Deus.

I, 093: Em si, ouve-se a Palavra.

QUEM está em si, ouve a Palavra de Deus,
(nega-o quanto quiseres) ainda sem tempo e sem lugar.

I, 093: Em si, ouve-se a Palavra.

QUEM está em si, ouve a Palavra de Deus,
(nega-o quanto quiseres) ainda sem tempo e sem lugar.

I, 094: A humildade.

A humildade é o fundo, a cobertura e o cofre,
no qual se erguem e se encerram as virtudes.

I, 095: A pureza.

QUANDO, por meio de Deus, cheguei a ser pureza,
não me dirijo a lugar algum para encontrar a Deus.

I, 096: Deus nada pode sem mim.

DEUS não pode, sem mim, fazer um só verminho;
se eu não o sustento com Ele, ele se desfaz de imediato.

I, 097: Estar unido a Deus é bom para a dor eterna.

A quem está unido a Deus, Ele não pode condenar:
Ele mesmo se lançaria à morte e às chamas.

I, 098: A vontade morta reina.

TÃO logo a minha vontade está morta, Deus deve fazer o que quero:
eu mesmo Lhe prescrevo o modelo e a meta.

I, 099: Para o abandono tudo é igual.

ABANDONO-ME a Deus por inteiro; se Ele quisesse dar-me penas,
eu Lhe sorriria tanto quanto pelas alegrias.

I, 100: Um sustenta o outro.

IMPORTO tanto a Deus quanto Ele a mim,
ajudo-O a guardar a sua essência, como Ele a minha.

I, 101: Cristo.

OUVI o milagre! Cristo é o cordeiro e também o pastor,
quando Deus nasce homem na minha alma.

I, 102: A crisopeia espiritual.

O chumbo torna-se ouro, o acaso caduca,
quando, com Deus, sou transmutado em Deus por Deus.

I, 103: Sobre a mesma.

EU mesmo sou o metal, o Espírito é fogo e lar,
o Messias é a tintura que transfigura corpo e alma.

I, 104: Também sobre a mesma.

TÃO logo posso ser fundido pelo fogo de Deus,
tão logo Deus imprime em mim a sua própria essência.

I, 105: A imagem de Deus.

EU porto a imagem de Deus: se Ele quer contemplar-se,
isso só pode acontecer em mim e naquilo que se me assemelha.

I, 106: Um é no outro.

EU não sou fora de Deus, nem Deus fora de mim;
eu sou o seu brilho e a sua luz, e Ele é o meu ornamento.

I, 107: Tudo ainda está em Deus.

SE a criatura se derramou de Deus:
como a mantém Ele ainda então, encerrada no seu seio?

I, 108: A rosa.

A rosa que aqui vê o teu olho exterior
floresceu assim desde a eternidade em Deus.*)
$1)
*) idealiter.

I, 109: As criaturas.

VISTO que as criaturas permanecem na Palavra de Deus:
como poderiam jamais perder-se e perecer?

I, 110: A busca da criatura.

DESDE o seu primeiro princípio, e ainda até hoje,
a criatura nada busca senão a paz do seu Criador.

I, 111: A deidade é um Nada.

A terna deidade é um Nada e Sobrenada:
quem em tudo não vê nada — homem, crê-o —, vê-a.

I, 111: A deidade é um Nada.

A terna deidade é um Nada e Sobrenada:
quem em tudo não vê nada — homem, crê-o —, vê-a.

I, 112: É bom estar ao sol.

QUEM está ao sol não carece da luz
que falta àquele que, extraviado, anda fora dele.

I, 113: Jeová é o sol.

TIRA-ME a luz do sol: Jeová é o sol
que ilumina a minha alma e a enche de gozo.

I, 113: Jeová é o sol.

TIRA-ME a luz do sol: Jeová é o sol
que ilumina a minha alma e a enche de gozo.

I, 114: O sol já é bastante.

A QUEM o seu sol brilha, não precisa olhar
se, em algum lugar, a lua e outros astros resplandecem.

I, 115: Tu mesmo deves ser sol.

EU mesmo devo ser sol, devo pintar com os meus raios
o incolor mar da deidade inteira.

I, 115: Tu mesmo deves ser sol.

EU mesmo devo ser sol, devo pintar com os meus raios
o incolor mar da deidade inteira.

I, 116: O orvalho.

O orvalho refresca o campo: se há de corroborar o meu coração,
deve cair do coração de Jesus.

I, 117: Nada doce no mundo.

QUEM pode chamar algo no mundo de doce e encantador
deve ainda ignorar a doçura que é Deus.

I, 118: O espírito permanece livre em todo tempo.

APRISIONA-ME com o rigor que quiseres em mil ferros,
que estarei por inteiro livre e sem cadeias.

I, 119: Deves ir à origem.

HOMEM, na origem a água é clara e pura;
se não bebes da fonte, estás em perigo.

I, 120: A pérola nasce do orvalho.

O caracol lambe o orvalho, e eu, Senhor Cristo, o teu sangue:
em ambos nasce um bem precioso.

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