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Poemas

Resumo da Introdução aos Poemas em JCOC

Gênese Poética e Experiência Mística na Obra de São João da Cruz

  • Contexto histórico-biográfico da produção poética de São João da Cruz.
    • Inserção no Século de Ouro espanhol e adoção do castelhano como língua poética, gesto audacioso para um clérigo, refletindo influências renascentistas.
    • Formação humanística e teológica na Universidade de Salamanca, sob influência de Luís de León, potencialmente decisiva para despertar sua veia criativa.
    • Experiência crucial do cárcere no convento de Toledo (1577), durante nove meses, imposta por religiosos contrários à reforma carmelita: período de provação extrema que se converte em gestação literária e renascimento espiritual.
    • Condições adversas do cárcere: cela estreita e escura, privação de leitura e escrita, exceto por auxílio eventual de um carcereiro compreensivo, que lhe fornece material para escrever coisas de devoção.
  • Processo de criação e características dos poemas nascidos no cárcere e posteriormente.
    • Testemunho de Madalena do Espírito Santo sobre o caderno escrito na prisão, contendo romances sobre o Evangelho de João (In principio erat Verbum), o poema Sei uma fonte que jorra e flui e os versos iniciais do Cântico Espiritual (Onde te escondeste…).
    • Composição do poema Numa noite escura possivelmente anterior ao cárcere, adquirindo caráter profético; o verso Saí sem ser notada pode traduzir a experiência da fuga.
    • Desenvolvimento posterior do Cântico Espiritual em Granada (1582), com acréscimo das cinco últimas estrofes após diálogo com a religiosa Francisca da Mãe de Deus sobre a Beleza divina.
    • Composição de Ó chama de amor, viva chama entre 1582 e 1584, fruto da oração, já em período de maturidade espiritual e de responsabilidades como superior.
    • Redação dos comentários em prosa aos três grandes poemas (Cântico Espiritual, Noite Escura, Chama Viva), cada um comentado duas vezes com enfoques distintos, atendendo a solicitações de religiosas e como parte de sua missão de direção espiritual.
  • Natureza e fontes da linguagem poética sanjoanista.
    • Gênese dos poemas como consequência da provação exterior e interior, e como tradução metafórica de uma sublimação inefável, dom da graça.
    • Processo criativo baseado na colheita, na memória, de imagens, palavras e frases da Escritura, especialmente do Cântico dos Cânticos e dos Evangelhos.
    • Moldagem da experiência espiritual segundo modelos da nova versificação castelhana, utilizando combinações de heptassílabos e hendecassílabos (lira) para Noite Escura e Cântico Espiritual, e estrofes de seis versos para Chama Viva.
    • Adoção consciente da linguagem simbólica e metafórica como a única universal, capaz de expressar o encontro com o Divino, que é O Todo-Outro e inominável.
    • Ausência dos nomes de Cristo e de Deus nos grandes poemas (exceto nos romances) não indica secularidade, mas antes uma expressão da plenitude da experiência onde Deus está eficazmente presente, porém além de qualquer conceito.
    • Estrutura profunda do Cântico Espiritual, que repete a lógica tríplice do Cântico dos Cânticos: a prova do êxodo e do exílio (sofrimento do desejo), o sonho da união pacificada e o cumprimento das núpcias (triunfo do amor compartilhado).
  • Questão do gênero poético e sua recepção.
    • Aparência de textos profanos para o neófito ou o esteta, levantando até mesmo questionamentos sobre o caráter cristão do autor.
    • Explicação dessa aparente secularidade: a linguagem do amor humano, herdada da tradição do Cântico dos Cânticos, é o veículo privilegiado para exprimir a intensidade e a totalidade da experiência do amor divino.
    • O crente pode perceber, em negativo, nas metáforas, a experiência dos profetas, de Cristo e dos personagens bíblicos.
    • A beleza e autenticidade dos poemas possuem força intrínseca que arrasta o leitor para o caminho espiritual do autor; suas palavras tornam-se palavras do discípulo, clamando a Deus na transparência do homem e da criação.
    • Aprender os poemas de coração é já comungar com sua experiência.
  • Traduções para a língua francesa e desafios de transposição.
    • Reconhecimento da tradução do carmelita Cipriano da Natividade (século XVII) como insuperável, elogiada por Paul Valéry.
    • Traduções contemporâneas, como as de Mère Marie du Saint-Sacrement e do Père Pierre Sérouet, buscam ser literárias e de acesso fácil.
    • Dificuldade extrema de traduzir os poemas, levando à opção, nesta edição, por uma tradução em prosa ritmada, mantendo, no Cântico Espiritual, a medida de oito sílabas nos quatro primeiros versos da estrofe francesa e de doze no último, sem pretender reproduzir as combinações métricas originais dos versos espanhóis.

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