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Resumo Cântico Espiritual
Resumo da Introdução em JCOC
Introdução ao "Cântico Espiritual": Gênese, Estrutura e Itinerário de União Nupcial
- Origem e contexto histórico da composição do poema, na experiência do cárcere e da direção espiritual.
- Composição das primeiras trinta estrofes durante o cativeiro de nove meses no convento de Toledo (dezembro de 1577 a agosto de 1578), em condições extremas, como testemunham Madalena do Espírito Santo e Inocêncio de Santo André.
- Acréscimo das cinco estrofes finais (35-39) em 1579, em Béas, inspiradas por uma conversa com a jovem religiosa Francisca da Mãe de Deus sobre a Beleza de Deus.
- Redação das estrofes 31-34 posteriormente, em Baeza.
- Existência de duas redações principais: Cântico A (primeira versão, com 39 estrofes no manuscrito de Sanlúcar, corrigido pelo próprio autor) e Cântico B (versão expandida e reelaborada, cuja autenticidade é defendida por estudiosos como Marie du Saint-Sacrement).
- Natureza literária e simbólica do poema, inserida na tradição bíblica e mística.
- Gênero: um canto de amor entre a alma e seu Esposo, expressão lírica e incantatória da habitação de Deus no homem, em contraste com discursos modernos sobre a perda ou busca de Deus.
- Enraizamento na tradição da exegese espiritual do Cântico dos Cânticos, seguindo padres como Orígenes e desenvolvendo a terminologia precisa dos esponsais e matrimônio espirituais, já presentes em Teresa de Ávila.
- Simbologia nupcial de alcance universal e bíblico: aplicada primeiramente à aliança Deus-Israel, depois a Cristo-Igreja por São Paulo, e finalmente à relação individual da alma com o Verbo.
- Estrutura e desenvolvimento do itinerário espiritual traçado pelo poema e seu comentário.
- Tema central anunciado desde a primeira estrofe: a alma apaixonada pelo Verbo, seu Esposo, aspira à união com Ele pela visão clara de sua essência.
- Primeira fase (estrofes 1-7): a busca ardente e sofredora do Amado, o interrogatório às criaturas (visíveis e invisíveis) que, ao mesmo tempo que cantam a harmonia da criação, aumentam o desprendimento interior da alma.
- Transição pedagógica: aquele-que-progride, já liberto, pode considerar as criaturas sem dano, diferentemente do principiante da Subida, para quem isso era desproporcional.
- Entrada na via contemplativa (estrofes 10-12): convite a seguir o caminho noturno da fé, baseado na teologia apofática (negativa), onde a luz excessiva de Deus causa um tormento que se tornará paz noturna.
- Alvorada dos esponsais (a partir da estrofe 13): manifestação progressiva de Deus e evolução do amor mútuo, culminando no matrimônio espiritual (estrofe 27).
- Fase da união transformante (estrofes 27-39): características da união de amor: pacificação completa, inocência recuperada, compreensão do mistério Deus-homem, transformação total da alma que se torna Deus por participação.
- Doutrina específica desenvolvida no comentário e sua relação com as obras anteriores.
- Perspectiva trinitária e unitária da vida cristã: o Cântico exprime coerentemente a participação proposta na vida das três Pessoas e a união com Deus em sua essência.
- Continuidade temática com a Subida e a Noite, porém sem repetir certos ensinamentos já pressupostos como assimilados.
- Explicitação da terceira acepção da palavra noite (da Subida I, 2) como contemplação, raio de trevas, seguindo o Pseudo-Dionísio.
- Desenvolvimento do simbolismo da lenha em chamas (estrofe 38), provavelmente inspirado em Tauler, para expressar a fusão transformante da alma em Deus, onde o amor consome e transforma.
- Autenticidade e transmissão textual das duas redações.
- O manuscrito de Sanlúcar (Cântico A) é o testemunho mais seguro da primeira redação, contendo correções autógrafas de João da Cruz que prefiguram os desenvolvimentos da redação B.
- A inscrição autógrafa neste manuscrito (Este livro é o borrador de onde se tirou a cópia limpa) apoia a autenticidade da elaboração posterior (Cântico B).
- Destino dos autógrafos: provável destruição por precaução diante do clima de suspeita da Inquisição; ampla circulação através de cópias feitas por carmelitas e carmelitas.
- Primeiras edições: tradução francesa de René Gaultier (1622), primeira edição espanhola em Bruxelles (1627), possivelmente baseada no manuscrito levado por Ana de Jesus.
- Conclusão sobre o significado permanente do Cântico Espiritual.
- O poema canta o desdobramento da energia amor que explica o homem, seu princípio, seu devir e seu fim, como o embrião carrega as virtualidades que expressará ao longo da vida.
- Amor no coração do homem, rico e pobre de todo o universo, feito para encontrar em Deus sua plenitude.
- João de Yepes se deixou levar pelo encanto da primavera de Deus em sua juventude; seu discípulo, se se deixar guiar, conhecerá também a juventude de Deus.
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