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biblia:filon:opificio-mundi-xxiv

HOMEM, NÃO CRIADO POR UM SÓ CRIADOR

Fuente: Filon. Obras completas de Filon de Alejandría, en 5 volúmenes traducidos del griego al español por José María Triviño. De Opificio Mundi: vol. 1

Não seria errado alguém se perguntar por que razão Moisés atribui a criação do homem não a um único Criador, como no caso das outras criaturas, mas a um número maior, como parece deduzir-se do texto. Ele apresenta, efetivamente, o Pai do universo expressando-se desta forma: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. Porventura, então, diria eu, Aquele a quem todas as coisas estão sujeitas precisa de alguém? Se, ao criar o céu, a terra e o mar, Ele não precisou da ajuda de ninguém, não seria capaz, sem a colaboração de outros, de criar por Si mesmo, Ele pessoalmente, uma criatura tão fraca e perecível como o homem? A verdade plena sobre a causa disso, necessariamente, só Deus sabe, mas aquela que parece ser uma conjectura digna de fé e razoável, não devemos deixar de mencionar.

É a seguinte: dos demais seres criados, alguns não têm parte na virtude nem no vício, como acontece com os vegetais e os animais irracionais, já que os primeiros carecem de vida animada e se desenvolvem regidos por uma natureza incapaz de perceber sensorialmente; os segundos porque foram privados de inteligência e razão, e a inteligência e a razão são como a residência da virtude e do vício, que a natureza criou para habitar neles. Outros, por sua vez, participam apenas da virtude, permanecendo livres de todo vício: tais são os astros. Diz-se, com efeito, que estes não são apenas criaturas animadas, mas criaturas animadas inteligentes; ou melhor, que cada um deles constitui por si só uma inteligência, totalmente reta em todos os aspectos e protegida de todo mal. Outros são de natureza mista, como o ser humano, que admite condições opostas: sabedoria e insensatez, prudência e incontinência, coragem e covardia, justiça e injustiça e, resumindo, coisas boas e más, nobres e vis, virtude e vício.

Bem, em razão da afinidade das criaturas excelentes com Deus, Pai do universo, era muito próprio Dele criá-las. Quanto às indiferentes, não Lhe era estranho fazê-lo, pois também estas estão isentas do vício, que é Seu inimigo; mas criar as de natureza mista era próprio Dele em determinado aspecto, em outro não. Era próprio para Ele, pois em sua composição está contido um princípio superior; mas estranho por causa do princípio contrário e inferior.

Esta é a causa pela qual somente no caso da criação do homem Deus, segundo afirma Moisés, disse “façamos”, plural que revela a coparticipação de outros como colaboradores. O objetivo era que, quando o homem agisse corretamente, com desígnios e ações irrepreensíveis, Deus, o Soberano do universo, fosse reconhecido como a origem deles; e nos casos contrários, a responsabilidade fosse atribuída a outros do número de Seus subordinados; pois não era possível que o Pai fosse causa de mal para Seus filhos, e o vício e os atos viciosos são um mal.

Depois de chamar “homem” ao gênero, Moisés distingue muito acertadamente suas espécies, dizendo que havia sido criado “masculino e feminino”, embora seus membros particulares ainda não tivessem adquirido forma. É que as espécies mais imediatas ao gênero existem desde o início nele e se mostram claramente, como em um espelho, àqueles que possuem acuidade visual.

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