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ESTADO PRIMORDIAL

Pierre Gordon: A REVELAÇÃO PRIMITIVA — OCULTAÇÃO

René Guénon: MISTÉRIOS MAIORES E MISTÉRIOS MENORES

Se considerarmos a história da humanidade tal como é ensinada pelas doutrinas tradicionais, em conformidade com as leis cíclicas, devemos afirmar que, no início, o homem, ao possuir plenamente seu estado de existência, detinha naturalmente, por esse mesmo motivo, as possibilidades correspondentes a todas as funções, antes de qualquer distinção entre elas. A divisão dessas funções ocorreu em um estado posterior, que já representa um estado inferior ao “estado primordial”, mas no qual cada ser humano, embora já não tivesse mais do que algumas possibilidades determinadas, ainda possuía espontaneamente a consciência efetiva dessas possibilidades. Foi somente em um período de maior obscurecimento que essa consciência se perdeu; e, desde então, a iniciação tornou-se necessária para permitir ao homem recuperar, com essa consciência, o estado anterior ao qual ela é inerente; tal é, de fato, o primeiro de seus fins, aquele que se propõe mais imediatamente. Isso, para ser possível, implica uma transmissão que remonta, por uma “cadeia” ininterrupta, até o estado que se trata de restaurar, e assim, sucessivamente, até o próprio “estado primordial”; e ainda, uma vez que a iniciação não se detém aí, e uma vez que os “mistérios menores” não são mais do que a preparação para os “mistérios maiores”, ou seja, para a tomada de posse dos estados superiores do ser, é necessário, em definitiva, remontar ainda mais além das origens da humanidade; é por isso que a questão de uma origem “histórica” da iniciação se apresenta como inteiramente desprovida de sentido. Aliás, o mesmo ocorre no que diz respeito à origem dos ofícios, das artes e das ciências, considerados em seu sentido tradicional e legítimo, já que todos, por meio de múltiplas diferenciações e adaptações, mas secundárias, derivam igualmente do “estado primordial”, que os contém a todos em princípio, e, por essa via, ligam-se às demais ordens de existência, para além da própria humanidade, o que, aliás, é necessário para que, cada um em seu lugar e segundo sua medida, possam contribuir efetivamente para a realização do “plano do Grande Arquiteto do Universo”.

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