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DEUS

FAIVRE, A. Eckartshausen et la théosophie chrétienne. Paris: C. Klincksieck, 1969.

  • Eckartshausen aborda a divindade sob perspectivas distintas que variam de acordo com a natureza de seus escritos teosóficos ou morais.
    • Manifestação do aspecto sentimental na personalidade e no estilo das obras morais.
    • Presença de conceitos sobre a teologia esotérica nos textos de caráter moral.
    • Definição de Deus em si mesmo como o pai da luz.
    • Caracterização de Deus como pura ação, rejeitando a ideia de virtualidade ou energia adormecida.
    • Identificação divina como fonte de sabedoria, força única do Universo, centro da vida e elemento de energias pensantes.
    • Origem de todas as energias ou pensamentos divinos a partir de Deus segundo leis imutáveis.
  • A conceituação de Deus como o Ensoph inacessível afasta a possibilidade de ação autônoma das causas segundas e exige a busca pelo restabelecimento da ordem.
    • Realização de todas as ações divinas voltadas para si mesmo.
    • Destinação das criaturas para a aproximação com Deus, sob pena de caírem no nada e na miséria.
    • Recusa da tese de que Deus permite a atuação isolada das causas segundas, visto que estas dependem do impulso divino.
    • Pervasão e penetração absoluta de Deus em todos os elementos, superando a presença do próprio homem em si.
    • Classificação da neutralidade ou da recusa em apostar na existência de Deus como o maior dos crimes.
    • Crítica à tendência comum de visualizar Deus apenas sob a faceta de um rei justiceiro.
    • Necessidade de elevação espiritual a um estado calmo onde o pecado e o distanciamento do amor geram a própria punição.
    • Imutabilidade e equivalência constante da divindade.
    • Ausência do Senhor no vento ou nos terremotos, manifestando—se em uma palavra calma que sucede a tais fenômenos.
    • Omnipresença e preenchimento de cada coisa pela omnipotência divina por meio de progressões insignificantes da Unidade.
    • Inexistência de oposição entre as faculdades divinas, dado que Deus é unidade e afirmação que exclui a negação.
    • Recusa em atribuir a Deus a razão da negação ou a origem do Mal.
    • Analogia com o sol, o qual não possui responsabilidade pelo frio ou pelas trevas.
    • Isenção do divino em relação à mentira, ao Mal e aos desordens da criação.
    • Definição de Deus como a pureza em si, agindo como lei de sua própria essência e de suas obras.
  • A ausência de influência marcante de Jacob Boehme na formulação da Unidade primordial afasta o pensamento de Eckartshausen das vertentes tradicionais desse teósofo.
    • Evitação sistemática de respostas por parte de Eckartshausen a Kirchberger em sua correspondência sobre o teósofo de Görlitz.
    • Utilização do termo Ungrund por Eckartshausen para designar uma essência pouco acessível aos sentidos, e não como unidade indiferenciada criadora de liberdade.
    • Definição de Ungrund na obra de Boehme como o absoluto e o que não é nada.
    • Distinção entre os conceitos de Urgrund e Abgrund na tradição mística e filosófica.
    • Mistura terminológica realizada por Schelling e Schopenhauer, não atribuível a Eckartshausen pelo uso infrequente do vocabulário.
    • Remissão aos estudos de Alexandre Koyré sobre a filosofia de Jacob Boehme.
  • O emprego da teologia negativa por Eckartshausen delimita o conhecimento direto sobre a divindade, reservando as especulações para o plano da criação e das quedas.
    • Caráter inexprimível do nome de Deus e mistério em torno da compreensão do infinito.
    • Impossibilidade de comparar o espírito divino a qualquer espírito criado ou de conceber a totalidade de suas perfeições.
    • Tendência humana de veneração perante a majestade de Deus.
    • Experiência de incompreensibilidade representativa ao buscar o divino fora das coisas.
    • Associação da teologia negativa de Eckartshausen ao conceito de mysterium fascinans exposto por Rudolf Otto.
    • Necessidade de manter um estado de espanto perante a divindade.
    • Preferência pela penumbra das revelações intencionais divinas em detrimento das trevas totais.
  • A analogia surge como o recurso indireto fundamental para superar a barreira da essência e ascender a um estágio superior de conhecimento.
    • Existência de uma correspondência real entre as qualidades atribuídas a Deus e as que Ele possui de fato.
    • Viabilidade de sentir a divindade através do amor diante da impossibilidade de compreendê—la racionalmente.
    • Atuação da natureza como órgão, intérprete e arauto da existência de Deus.
    • Menção a um sentimento de contemplação sensível que permanece desconhecido por muitos.
    • Possibilidade de pensar o Ensoph cabalístico em suas expressões espirituais e energias manifestadas.
    • Analogia entre a compreensão da unidade pela progressão dos números e o ato de tocar a extremidade das vestes divinas.
  • As expressões das energias divinas, denominadas tradicionalmente como vestes de Deus, constituem a forma pela qual a divindade se torna perceptível aos eleitos.
    • Denominação antiga das expressões de energia como vestimentos de Deus pelos sacerdotes do santuário.
    • Distinção necessária entre Deus como luz inacessível e Deus em seus reflexos apresentados.
    • Identificação dos reflexos com a forma corporal indestrutível e com a substância chamada Charmal ou luz sagrada.
    • Interpretação dos reflexos como os sete Esprits de Deus em relação à criatura, e como o Verbo no princípio em relação a Deus.
    • Manifestação por meio de Nomes sagrados ou qualidades divinas dotadas de um sensorium corpóreo para o conhecimento humano.
    • Percepção do nome El Schaddaï e de suas emanações por Abraham para o reconhecimento do Messias.
    • Visão do nome de Jehova por Moisés através de um sensorium elevado, descobrindo o modelo das cerimônias sagradas.
    • Emprego do conceito de vestes da divindade pelos cabalistas judeus e indicação da obra de Gershom Scholem sobre as origens da Cabala.
  • O dogma da Trindade é integrado de maneira plena por Eckartshausen como um atributo indissociável da energia originária.
    • Ausência de discussões sobre a substituição do ternário por um quaternário divino, diferenciando—se de iluminados contemporâneos como Martines de Pasqually.
    • Menção aos estudos de Antoine Faivre sobre o martinésista Pierre Fournié.
    • Produção do terceiro termo a partir do mergulho do ser divino na ideia de sua própria perfeição ideal.
    • Parábola do poeta que cria o poema ao se submergir na ideia de sua potência criadora.
    • Geração de infinitas essências a partir do reflexo da divindade em sua própria essência.
    • Reconhecimento da influência tardia de Jacob Boehme em textos publicados postumamente em 1819.
    • Presença anterior da imagem do espelho da divindade na obra sobre os Esclarecimentos sobre a Magia.
  • A Sabedoria, Verdade e Bem configuram a tripla energia divina que se desdobra em uma Unidade indivisível e se projeta em toda a criação.
    • Atribuição da sabedoria perfeita ao Pai, da bondade perfeita ao Filho e do amor perfeito ao Espírito.
    • Definição do Pai como vontade eterna, do Filho como vontade manifestada no seio da profundidade divina e do Espírito como a vida dessa vontade.
    • Inexistência de elementos na terra que não representem um tipo ou marca do ser triplo eterno.
    • Natureza tríplice da língua e da escrita da divindade.
    • Inscrição do ternário no coração humano através da correspondência da força ao Pai, da sabedoria ao Filho e do amor ao Espírito.
    • Definição do Espírito Santo como emanação e manifestação permanente do Pai e do Filho.
    • Posicionamento do Cristo antes de sua encarnação como o centro do mundo de Luz.
    • Capacidade da luz cristã omnipresente de conferir imortalidade, perfeição e felicidade.
    • Fruição da felicidade paradisíaca por Adam em decorrência de sua liberdade original.
  • A sophiologia de Eckartshausen desenvolve—se de forma mais estruturada e pessoal em suas produções finais, sob o influxo de termos afetivos e intuições místicas.
    • Evolução da abordagem da Sophia desde os primeiros escritos até a consolidação em Nuvem sobre o Santuário.
    • Emergência de uma influência clara de Jacob Boehme no período final do autor.
    • Necessidade de comunicação divina que gerou uma matéria passiva de suporte para o futuro mundo dos Espíritos.
    • Saída de Deus de si mesmo para conferir à criação sua fundação espiritual primária através do Verbo.
    • Caracterização do Verbo como essência real e animada, ligada a Deus como o órgão vincula—se à força.
    • Identificação bíblica da substância espiritual ou sensorium Dei com a Sabedoria.
    • Atuação da Sabedoria como princípio ativo e espelho passivo ou feminino para a gestação das formas e ideias.
    • Realização dos materiais potenciais da criação por meio dos sete Espíritos que circundam o trono de Deus.
    • Participação do homem na Sabedoria através da substância etérea e do corpo de luz de Jesus Christ.
    • Identificação da Sabedoria com o Messias dos judeus e com a Sophia dos antigos sábios.
    • Difusão da corporalidade glorificada de Jesus por toda a natureza, manifestando—se como inteligência, amor, graça, luz e calor.
    • Atração da substância espiritual pela fé em Jesus, operando a regeneração da razão humana.
    • Definição da iluminação como a ação direta do Logos divino sobre o espírito do homem.
    • Orientação do Universo pelo espírito de Deus envolto na substância etérea, distribuindo sua Unidade pelos números da natureza.
    • Simbolismo do sal de Luz e da bebida miraculosa que preencheu o coração de Esdras.
    • Identificação do Urim e do Tummin com a iluminação perfeita da Sabedoria Divina na natureza.
    • Permanência da Sabedoria como raiz do paraíso de Luz e meio exclusivo de transmissão da energia divina aos homens.
    • Antecipação de signos e milagres pela Sabedoria antes de suas manifestações temporais.
    • Coordenação do Universo em termos de espaço e tempo pela Sabedoria através de leis invariáveis.
    • Correspondência com Kirchberger abordando o Verbo físico, a força luminosa, o elemento puro e a Tinctur de Lumière.
    • Abertura dos sete selos e destruição da serpente mortal por meio da ação do Verbo.
    • Citação de passagens dos livros de Henrique Khunrath, de Serge Boulgakov e de Carl Gustav Jung sobre o tema da sabedoria sagrada.
    • Verso bíblico dos Provérbios referente às delícias da sabedoria com os filhos dos homens: Ludens in orbe terrarum, et deliciae meae esse cum filiis hominum.
  • As implicações da Queda sobre o plano sophiológico revelam um plano de sacrifício voluntário para resgatar a semelhança divina perdida.
    • Consentimento divino em descer à humanidade para personificar o ideal de perfeição por meio da Sabedoria encarnada.
    • Perda do Verbe divin, da Sabedoria e do Christ por parte de Adam ao afastar—se da semelhança superior.
    • Descida da Sabedoria infinita ao mundo dos sentidos para amparar o homem em sua decadência animal.
    • Revestimento do elemento puro por uma capa mortal e penetração de suas forças no centro da destruição para restaurar a imortalidade.
    • Concepção do plano de reconstrução do Templo vivo da divindade logo após a devastação provocada pela queda.
    • Revelação da Sabedoria ou Filho de Deus como substância pura apta a vivificar o que estava morto e purificar o impuro.
    • Paralelismo estrito entre o processo descrito por Eckartshausen e a introdução de Saint—Martin para o Ministério do Homem—Espírito.
    • Associação da Sophia à segunda sephira e sua consideração como o vestimentum secundum Dei.
    • Atribuição à Sophia das características de mãe de todas as coisas, perfume da energia divina e tesouro infinito.
    • Obediência dos elementos a Sophia, exemplificada pela travessia do Mar Vermelho por Moisés.
    • Aquisição e merecimento da Sabedoria por meio do cultivo ativo da verdade e da bondade.
    • Súplica do neófito Sophron nos Fragmentos da mais antiga Escola de Sabedoria pela luz da Sabedoria Divine.
    • Facilidade de encontro da Sabedoria pela via da humildade, da doçura e da perseverança.
    • Afastamento da Sabedoria em relação àqueles que priorizam as misérias de um mundo nulo.
    • Manifestação da potência e da magnificência divinas em cada gota do orvalho benéfico e da chuva.
    • Recuperação da dignidade perdida e dos papéis de profeta, sacerdote e rei ao retomar a união com a Sabedoria.
    • Associação entre a busca da noiva mística e os conceitos da Brautmystik descritos por Louis Guinet e Erich Seeberg.
  • A correlação estreita entre a Sabedoria e o amor estabelece a base para a união definitiva entre o ser humano e a esfera divina.
    • Invocação da Sabedoria eterna em textos políticos como fonte de felicidade, luz e verdade para a humanidade.
    • Apelo à Sabedoria no discurso acadêmico sobre a intolerância literária para obter calor e verdade nas palavras.
    • Inclusão de preces dos livros sapienciais em obra de 1787 sobre o tratamento de condenados à morte.
    • Distinção de metas onde a Sabedoria incita o autoconhecimento e o amor promove a união com Deus por uma natureza superior.
    • Identificação do alcance da Sabedoria com a posse simultânea da verdade e do Bem.
    • Localização do Bem no interior da Sabedoria e da Luz, e do Vrai no interior do amor e do calor.
    • Definição da Sabedoria como fonte de beleza e do amor como fonte de felicidade.
    • Atribuição da verdadeira vida espiritual à conjunção da sabedoria e do amor na forma de luz e calor espirituais.
    • Vinculação da inteligência como órgão da Sabedoria e da vontade como órgão do amor.
    • Dependência da manifestação da Sabedoria em relação à pureza da alma, descrita pelo termo Seelen—Exaltations—Kraft—Annäherung.
    • Definição do desejo humano por Sabedoria sob o conceito de amor.
  • O princípio de que Deus é amor constitui o eixo central repetido de forma sistemática na quase totalidade da produção do teósofo.
    • Citação de Saint—Martin em exergue de discurso de 1793 apontando que Deus imprimiu o caráter de sua unidade nas criaturas por meio do amor.
    • Equivalência entre o verdadeiro amor de si, o amor por todos e o amor celeste.
    • Classificação do amor como a primeira lei do ser na criação, cujas almas funcionam como faíscas destinadas a formar um sol único.
    • Explicação da lei da analogia por intermédio do amor, responsável por estruturar a corrente contínua dos seres.
    • Isolamento dos indivíduos na natureza provocado exclusivamente pelo erro e pelo afastamento do amor universal.
    • Declaração poética sobre o nome divino: Ich ruf zu dir die Liebe ist dein Name.
    • Conceituação de Deus como Urliebe, situando o amor ao próximo como uma nuance derivada desse amor original.
    • Imortalidade e vivificação dos espíritos explicadas pela aspiração contínua que Deus realiza de suas criaturas.
    • Projeção mística baseada no zelo divino para com uma flor para ilustrar os benefícios guardados para os que amam a Deus.
    • Caráter inerentemente criador do amor, que exterioriza a unidade para posteriormente nela se reunir.
    • Presença dos números como vestígios da unidade e de todas as obras como marcas do amor divino.
    • Geração da verdade pelo amor na condição de primeiro número, expressando—se ambos na Sabedoria e na bonté.
    • Fundamentação dos conhecimentos sefiróticos dos sacerdotes com base nas progressões do amor, da justiça e da verdade.
    • Orientação da inteligência pela Fé e governo da vontade por meio do influxo amoroso do Pai.
    • Citação litúrgica alemã sobre a tripla ação do amor divino: Er schöpfte aus Liebe, Erlöste aus Liebe, Heiligte aus Liebe.
    • Definição do amor como a vida da Fé, e da Fé como a luz do amor.
    • Entrega da alma purificada nas mãos divinas para transformá—la em órgão de manifestação do amor.
    • Advertência contra a confusão entre o amor verdadeiro e as paixões efêmeras.
    • Formulação da lei da Aenhlichwerdung como a diretriz de busca por semelhança entre os seres.
    • Classificação da inteligência desprovida de amor como de natureza satânica, e da inteligência unida ao amor como angélica.
    • Definição do Christ como o espírito pleno de amor, liberdade e verdade.
    • Redação de páginas morais, contos e poemas orientada especificamente para sensibilizar o coração dos leitores.
    • Sucesso editorial expressivo alcançado pelo livro intitulado Deus é o amor mais puro.
  • A contemplação estética da natureza é defendida como uma via legítima e direta para despertar a percepção do Criador, distanciando—se de visões puramente catastróficas.
    • Rejeição da perspectiva de outros iluminados contemporâneos que limitavam a natureza a escombros tristes causados pela queda original.
    • Contraponto com a postura de Saint—Martin em O Espírito das Coisas, onde o mundo natural é descrito em estado de sonambulismo ou enfermidade.
    • Divergência com as visões sombrias da natureza expostas por Madame de Krüdener.
    • Reconhecimento da existência de Deus por Aglais por meio da observação das pétalas de uma flor, dos perfumes da primavera e das ondas nos campos de trigo.
    • Redação de narrativa sob o título explicativo de A natureza prova que Deus existe.
    • Manutenção do Criador em um plano infinitamente superior à sua obra, sendo Deus mais belo que o próprio céu.
    • Ensinamento do sacerdote Eloas para Sophron definindo o entorno natural como a letra viva da magnificência divina.
    • Atração exercida por Deus sobre as almas de forma análoga à atração solar exercida sobre a terra.
    • Ascensão gradual à sobrenatureza facultada pelas marcas materiais, visto que todo elemento invisível da Luz projeta uma sombra captável neste mundo.
    • Atribuição de um acentuado caráter poético a Eckartshausen em comparação com Saint—Martin, integrando a beleza física em suas preces para católicos.
    • Leitura do nome divino impresso nas asas de um mosquito, no púrpura de uma rosa ou no tom prateado de um narciso.
    • Versos poéticos alemães sobre a visão viva de Deus na flora primaveril: In dem Silber der Narcissen, In der Rosen Morgenroth, In den Veilchen, die dort spriessen, Seh ich lebend meinen Gott.
    • Estrofe sobre a força primordial única expressa na natureza: Eine Urkraft giebt es nur; Ihr gebührt die Huldigung. Um uns her ist die Natur Dieser Urkraft Aeusserung.
    • Afinidade de pensamento com seu amigo russo Lopouchine a respeito do arrebatamento e da alegria gerados pela ideia da criação do mundo.
    • Paralelo com as homilias de Johann Friedrich Wilhelm Herbst voltadas à elevação do coração humano por meio da observação da natureza.
    • Referência ao texto bíblico da Sabedoria apontando que a grandeza e a beleza das criaturas permitem contemplar seu Autor por analogia.
    • Crítica aos intelectuais da Aufklärung e livres—pensadores que pretendem decifrar o funcionamento do mundo ignorando a presença de Deus.
    • Alegoria de Deus como um pai de família trabalhador e distante, cuja esposa, a natureza, atua como intermediária perante a humanidade.
    • Evocação das intervenções de proteção divinas em favor de Daniel na cova dos leões, dos três jovens na fornalha e de Noé no dilúvio.
    • Meditação frente ao curso do rio Isar observando que o reflexo solar permanece estável a despeito das correntes e ondulações do vento.
  • O ato da criação é concebido sob a ótica teosófica da emanação contínua e da limitação voluntária da energia divina para dar lugar ao plano material e reparar o desordem.
    • Definição da criação como a própria existência, vida e atividade perene da divindade.
    • Circulação de forças atuantes que retornam ao princípio original na forma de uma corrente perfeitamente integrada.
    • Preferência pelo termo emanação em substituição ao conceito dogmático tradicional de criação ex nihilo.
    • Descrição das progressões da Unidade como irradiações e raios infinitos projetados a partir de um centro focal único.
    • Formação do círculo da natureza e do universo dos sentidos por meio da expansão ou explosão do ponto geométrico central.
    • Interpretação do medo da morte como indício da fonte original de onde a humanidade emanou.
    • Estruturação do universo material a partir das Gedanken—Expressionen ou expressões mentais divinas ordenadas.
    • Preexistência da ideia do Verbe na condição de pensamento espiritual antes da manifestação formal do princípio do mundo.
    • Disposição de Deus em se difundir sem restrições no interior das inteligências espirituais criadas.
    • Alusão ao consenso dos primeiros Padres da Igreja sobre a coexistência eterna da vontade e do cumprimento no seio da Trindade.
    • Rejeição da criação ex nihilo na obra de Jacob Boehme, postulando uma condensação mágica a partir da própria essência e sabedoria divinas.
    • Concepção de Saint—Martin sobre a emanação das faculdades divinas sem que ocorra perda ou separação de substância.
    • Transmissão contínua de imagens e planos arquitetônicos contidos originalmente na Ideia primordial da divindade.
    • Aceitação voluntária de uma limitação ou contração da energia infinita para viabilizar a manifestação das criaturas finas.
    • Correspondência com as ideias de contração divina no Adam Kadmon presentes na Porta Caelorum de Knorr de Rosenroth.
    • Menção ao fragmento de Sanchoniaton em carta a Kirchberger comparando o plano da criação ao desenho estrutural de um arquiteto.
    • Atuação das qualidades de bondade, justiça, sabedoria e amor como nomes divinos multiplicadores da percepção da Unidade perante os homens.
    • Raízes do conceito de coagulação sucessiva da matéria espiritual baseadas nas teses de Paracelso sobre a prima materia.
    • Intervenção do princípio divino amoroso para organizar o caos e reverter o desvio e afastamento provocados pela queda dos primeiros Espíritos.
    • Instituição do mundo material descrito na Gênese como um remédio ou meio termo entre as esferas absolutas do Bem e do Mal.
    • Caracterização do universo visível como uma região mista ou Mittelwelt dotada simultaneamente de luz e sombra.
    • Concentração do mistério da criação de seis dias na introdução da Energia Ternária espiritual no interior do caos.
    • Separação conceitual entre o mundo da luz original e a luz material originada a partir de uma substância obscurecida pelo desvio espiritual.
    • Paralelismo das ideias cosmogônicas de Eckartshausen com o sistema de reparação do terceiro princípio em Boehme e com as teses de Franz von Baader.
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