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Salvação do Mal

Henri-Charles Puech. Sur le manichéisme et autres essais. Paris: Flammarion, 1979.

A concepção maniqueísta da salvação.

  • I — Concepção gnóstica e concepção maniqueísta da salvação. A experiência maniqueísta do mal.
    • A concepção maniqueísta da salvação deve ser situada no interior da gnose, pois o maniqueísmo é apresentado como religião de salvação, apostolado missionário e sistema no qual todos os elementos do universo recebem função redentora.
      • A documentação sobre o maniqueísmo é vasta, dispersa e desigual, incluindo testemunhos gregos, latinos, siríacos, iranianos, árabes, persas, armênios e chineses.
      • Tito de Bostra, santo Agostinho, Teodoro bar Konai, Ibn an-Nadim e al-Biruni são mencionados entre os informadores indiretos.
      • Fragmentos em iraniano médio, uigur e chinês foram descobertos no Turquestão chinês, na região de Turfan, e materiais coptas foram encontrados perto de Medinet Madi, no Fayum.
      • O maniqueísmo é caracterizado como uma das religiões de salvação mais complexas e completas.
      • O sistema tem por fim único a Salvação, e o universo é concebido como máquina destinada a produzi-la e garanti-la.
      • O homem possui apenas uma vocação: ser salvo.
  • A exposição da salvação maniqueísta deve partir da experiência concreta do mal, pois é dela que nasce o desejo de salvação e a necessidade de uma explicação mítica.
    • A primeira conferência procura mostrar a identidade entre a concepção gnóstica e a concepção maniqueísta da salvação.
    • A experiência do mal é tomada como fato afetivo e concreto do qual surgem a ideia e o desejo de salvação.
    • A segunda conferência é dedicada ao aspecto teórico, cosmológico e antropológico, da doutrina maniqueísta.
    • A terceira conferência trata do mecanismo efetivo da salvação, das atitudes religiosas e morais, dos Salvadores, da Igreja, dos instrumentos salvíficos e dos fins últimos.
    • O maniqueísmo deriva de antigos gnosticismos e é, em sua essência, uma religião de salvação do tipo gnóstico.
  • A gnose é conhecimento salvador porque implica, por si mesma, a salvação e transforma radicalmente quem a recebe.
    • Gnosis significa conhecimento, mas não designa simples saber comum nem ciência racional ordinária.
    • A gnose é consciência, ciência, revelação do caminho da salvação e posse dos segredos que salvam.
    • O saber gnóstico identifica o sujeito conhecedor às realidades transcendentes, ao fazê-lo participar delas por hênosis.
    • A gnose integra o gnóstico ao conjunto humano, cósmico e divino, unindo sua substância à de entidades míticas ou de um personagem salvador.
    • A consciência gnóstica restitui o homem à sua origem verdadeira e revela sua consubstancialidade com o mundo divino.
    • A regeneração gnóstica é designada por termos como segunda ou divina natividade, palingênese, metamorfose, transformação, renascimento, reforma e transfiguração.
  • A gnose tende a bastar-se a si mesma como princípio, meio e fim da salvação, embora alguns sistemas lhe associem ritos secundários.
    • Nos gnosticismos cristãos do fim do século II e do século III, discutiu-se o valor de sacramentos como batismo de água, imposição das mãos, unção, matrimônio sagrado e apolytrosis.
    • A escola valentiniana discutiu se a redenção sacramental era necessária àquele que já possuía a gnose perfeita.
    • Alguns afirmavam que a iniciação ritual era indispensável para a regeneração na Potência suprema.
    • Outros sustentavam que a gnose do Mistério da Potência inefável dispensava práticas sensíveis e corporais.
    • A teleia gnosis, isto é, a Conhecimento perfeita, é também teleia apolytrosis, ou redenção perfeita.
    • A Pistis Sophia afirma que sem mistérios ninguém entra no Reino da Luz.
  • O desejo de salvação nasce da experiência de escravidão, inferioridade e queda no mundo, na qual o homem se percebe estranho àquilo que vive.
    • Os adversários cristãos atribuíam a heresia gnóstica a uma meditação excessiva sobre a origem do mal.
    • A pergunta traduzida aparece como: “De onde vem o mal?”
    • A pergunta traduzida aparece como: “De onde vem o mal, e por quê?”
    • A pergunta traduzida aparece como: “Unde malum et quare?”
    • O gnóstico sente-se esmagado pelo Destino, submetido ao tempo, ao corpo, à Matéria, às tentações e à degradação.
    • A queda, o exílio e a estraneidade produzem revolta diante do mundo e nostalgia de uma existência anterior, pura e livre.
    • A experiência do mal converte-se em exigência intelectual de explicação e em desejo de possuir a Verdade absoluta.
  • A definição valentiniana da gnose apresenta a salvação como resposta a perguntas sobre origem, queda, destino e regeneração.
    • Teódoto, no Extrait 78, formula uma das definições mais completas da gnose.
    • As perguntas traduzidas são: “Quem éramos nós? Que nos tornamos? Onde estávamos? Onde fomos lançados? Para onde nos apressamos? De que somos libertados? Que é a geração? Que é a regeneração?”
    • A gnose explica a situação presente, insuportável à experiência, anormal e absurda à inteligência.
    • A primeira revelação esclarece as origens e desdobra-se em mito cosmológico.
    • A segunda revelação esclarece o destino e exprime-se em mito soteriológico.
    • A centelha divina, o pneuma ou o nous deve ser despertado para retornar à Entidade consubstancial.
  • O conhecimento de si implica conhecimento do mundo e das hipóstases divinas, pois a gnose abraça teogonia, cosmogonia, astronomia, geologia, botânica e história.
    • Os capítulos 92 e 93 da Pistis Sophia associam a revelação do Mistério a uma ciência total.
    • O saber gnóstico pretende ser exaustivo, mas sua forma efetiva é mítica.
    • As respostas intelectuais da gnose são respostas míticas aos problemas nascidos da experiência afetiva.
    • O saber gnóstico orienta-se segundo a salvação do espiritual, do pneumático e do gnóstico.
    • A gnose identifica o salvo com uma condição eternamente dada, que precisa apenas ser reencontrada.
  • A salvação produzida pela iluminação gnóstica é libertação e regeneração, mas sua relação com o tempo permanece paradoxal.
    • A libertação tem sentido negativo, pois é destacamento da tirania do Destino, da escravidão do corpo e da Matéria.
    • O homem liberto adquire licentia, ou poder absoluto de fazer o que lhe agrada, acima da Lei, das leis e dos senhores deste mundo.
    • A regeneração significa retorno à substância luminosa e divina, recuperação do verdadeiro eu e restauração do estado primitivo.
    • A salvação ocorre no tempo, mas o ato de conhecimento que a funda é intemporal.
    • A gnose considera o tempo como fantasma, pseudoeternidade e caricatura mentirosa da eternidade.
    • Mesmo assim, a salvação gnóstica admite espera, antecipação ritual, escatologia e valor histórico.
  • O salvo participa de uma Entidade divina consubstancial, e o drama gnóstico pode ser reduzido ao mito do Salvador-Salvo.
    • O pneuma ou nous luminoso é consubstancial a uma Entidade transcendente da qual caiu.
    • Os Espirituais representam a substância luminosa decaída e dispersa na Matéria.
    • A recuperação do verdadeiro eu reúne parcelas, membros ou fragmentos do personagem divino.
    • O herói mítico salva a si mesmo ao salvar os pneumáticos.
    • R. Reitzenstein é mencionado pela hipótese de uma fonte comum identificada ao mistério iraniano da salvação.
    • O tema do Salvador-Salvo aparece com particular nitidez na Apocalipse de Nicoteu.
  • A Apocalipse de Nicoteu representa o salvador como Luz e como Fogo que desce à Matéria, torna-se Adão e deve recuperar sua substância dispersa.
    • Porfírio e um escrito atribuído a Bruce são mencionados como testemunhos antigos ligados à Apocalipse de Nicoteu.
    • Zósimo, o alquimista, preserva fragmentos desse mito.
    • O herói único recebe nomes como phos, luz, e luzco, homem.
    • A Luz aprisionada na Matéria torna-se Adão.
    • A salvação exige que a substância luminosa de Adão dispersa entre os pneumáticos retorne ao seu moi luminoso, pneuma ou nous superior ao mundo e ao Destino.
    • A última revelação é atribuída a Jesus, e a salvação é ensinada como recusa, destacamento radical e libertação do mundo e do corpo.
  • Os temas gnósticos fundamentais reaparecem no maniqueísmo, ainda que a tradição biográfica sobre Mani deva ser usada com cautela.
    • O fragmento de Turfan M 299 coloca Nicoteu entre os Profetas da humanidade.
    • Seth, Sem, Enos e Henoc são mencionados como Mensageiros e Apóstolos portadores da revelação verdadeira.
    • O maniqueísmo conserva os traços gnósticos da salvação, mas os reelabora em sistema próprio.
    • As narrativas sobre a juventude de Mani podem ter sido deformadas por lenda ou por imagens estereotipadas.
    • Mesmo assim, os textos preservam indícios da experiência originária do fundador.
  • A vocação de Mani é apresentada como revelação progressiva, na qual o Duplo celeste o prepara para receber a doutrina.
    • O Fihrist de Ibn an-Nadim apresenta o pai de Mani, Fouttaq ou Patteg, como membro de uma comunidade abstinente.
    • O pai de Mani recebe o aviso traduzido: “Fouttaq, não comas carne, não bebas vinho e abstém-te das mulheres.”
    • O duplo celeste de Mani, chamado at-Tawm, o Companheiro, o Gêmeo ou o alter ego celeste do Apóstolo, ordena sua separação da comunidade.
    • O aviso traduzido declara: “Abandona esta comunidade. Não te cabe mais pertencer a seus adeptos. Teu papel é purificar os costumes e refrear os desejos.”
    • O aviso traduzido prossegue: “O tempo veio agora para ti de te produzires no mundo e proclamares tua alta doutrina.”
    • O aviso traduzido acrescenta: “Salve a ti, Mani, de minha parte e da parte do Senhor que me enviou a ti e te escolheu por sua Mensagem.”
  • Mani atribui ao Paráclito Vivo a revelação de todos os mistérios cósmicos, antropológicos, eclesiais e escatológicos.
    • O Kephalaion I relata a descida do Paráclito Vivo e a revelação dos mistérios escondidos dos mundos e das gerações.
    • São revelados o mistério da Profundidade e da Altura, o mistério da Luz e das Trevas, o mistério do Combate e da Guerra, e o mistério da Grande Guerra.
    • A revelação explica como a Luz foi misturada às Trevas e como o mundo foi fundado.
    • A doutrina descreve os Vasos ou navios de Luz, isto é, o sol e a lua, que purificam a Luz extraída da criação.
    • A formação de Adão, a Árvore do Conhecimento, os Apóstolos, os Eleitos, os Catecúmenos, os pecadores e as obras são incluídos no saber revelado.
    • O Paráclito revela tudo o que foi, tudo o que será, tudo o que o olho vê, o ouvido ouve e o pensamento pensa.
  • A doutrina maniqueísta organiza todo o saber pela oposição entre Luz e Obscuridade, pelo combate cósmico e pela libertação das almas luminosas.
    • A dualidade primitiva opõe Luz e Obscuridade.
    • O combate inicial resulta na mistura das duas substâncias.
    • A Grande Guerra final realiza a separação definitiva.
    • O mundo visível e os Vasos celestes funcionam como partes da máquina de purificação.
    • A criação de Adão, o envio dos Apóstolos e Mensageiros, a Igreja, os Eleitos e os Catecúmenos compõem a ordem histórica da salvação.
    • A revelação de Mani permite conhecer o começo, o meio e o fim, o passado, o presente e o futuro.
    • A doutrina dos Três Tempos distingue o Momento Inicial, o Momento Mediano e o Momento Final.
  • Os documentos sobre Mani não traduzem diretamente uma experiência vivida, mas mostram o duplo aspecto negativo e positivo do desejo maniqueísta de salvação.
    • O aspecto negativo é a repugnância diante do mundo material e carnal, considerado mau.
    • A atitude prática resultante é a recusa das coisas mundanas, a abstinência, o desapego e a separação.
    • O aspecto positivo é a aspiração ao conhecimento total da Verdade, à posse da gnose e à certeza da salvação.
    • A experiência gnóstica inclui conhecimento de realidades transcendentes e mistérios do universo.
    • A revelação produz reconhecimento de si, como na identificação com a imagem do indivíduo reencontrado.
  • O maniqueísmo amplifica esses dois polos e transforma a experiência do mal em doutrina da divisão e da reunificação.
    • A prova do mal consiste em dilaceramento, separação e dualidade.
    • A salvação é concebida como reunião, unificação da consciência ou da existência dividida e retorno da totalidade à unidade.
    • O homem presente é intolerável porque é mistura.
    • A mistura é chamada mixis, krasis ou gumecisn.
    • A mistura aparece como aliança artificial e violenta entre Bem e Mal, divino e demoníaco, Inteligência e Espírito da Matéria, Luz e Trevas.
    • Essa condição não é passageira apenas nesta vida, mas se prolonga por sucessivas existências associadas à metempsicose.
  • O mundo e o corpo são, no maniqueísmo, positivamente maus porque estão localizados no interior das Trevas e envenenados pela mistura da Luz com a Matéria.
    • O maniqueísmo não coloca o mundo em zona intermediária entre Luz e Trevas, mas no interior das Trevas.
    • A existência e o devir existem porque há Matéria e corpo.
    • Matéria viva e corpos vivos tornam-se mundo e corpos envenenados pela alma que contêm.
    • O mundo é comparado a vaso sujo que corrompe seu conteúdo.
    • A alma é aprisionada e envenenada pelo corpo.
    • A experiência humana produz imagens de nojo e horror, como cadáveres, excrementos de demônios, reino de morte, fumaça, fogo devorador, vento violento, água lodosa, trevas opacas e cinco abismos.
  • O fragmento de Turfan M 7 apresenta Zarathustra dialogando com sua Alma, imagem da parte luminosa aprisionada na Matéria.
    • O nous é associado ao Intelecto e ao Espírito.
    • A Alma, chamada griw, é a parte de si mesmo engolida pela Matéria.
    • O Salvador diz à Alma: “Se quiseres, eu te revelarei o testemunho dos pais ancestrais.”
    • O Salvador diz: “O virtuoso Zarathustra, o libertador, dirigindo-se à sua Alma, disse: Pesada é a embriaguez em que dormes. Desperta-te e contempla-me! Salve a ti, mundo de paz, de onde outrora te enviei.”
    • A Alma responde: “Sou eu, eu que sou o terno filho inocente de Sroshav. Na mistura eu sofro sofrimentos. Tira-me do abraço da morte.”
    • Zarathustra pede: “Ó origem verdadeira, ó meu membro, da força dos Viventes e dos mais altos mundos, que a salvação te chegue de tua pátria.”
    • Zarathustra acrescenta: “Segue-me, filho de doçura, cinge tua fronte com o diadema luminoso, filho dos Poderosos, tão pobre tornado, que devias mendigar em todos os lugares.”
  • Um hino à Alma Vivente reúne desespero, horror e esperança de libertação diante da existência misturada.
    • O hino declara: “Saído da Luz e dos deuses, eis-me aqui em exílio e separado deles.”
    • O hino declara: “Os inimigos, caindo sobre mim, empurraram-me entre os mortos. Que seja bendito e encontre libertação quem libertar minha alma da angústia!”
    • O hino declara: “Sou um deus e nascido dos deuses, brilhante, cintilante, luminoso, radiante, perfumado e belo, mas agora reduzido a sofrer.”
    • O hino declara: “Diabos sem número me agarraram, horríveis, que me tiraram minha força. Minha alma perdeu conhecimento. Eles me morderam, despedaçaram, devoraram.”
    • O hino declara: “Demônios, yakshas e peris, sombrios dragões inexoráveis, repugnantes, fétidos e negros, fizeram-me violentador e assassino.”
    • O hino declara: “Contra mim eles uivam e se lançam, perseguem-me e assaltam-me.”
  • A consciência maniqueísta sente-se superior por essência à situação presente, pois se reconhece filho de Deus, filho do Rei ou membro do Salvador.
    • A situação atual resulta da mistura entre a alma e a Matéria demoníaca.
    • A existência atual é sentida como contaminação anormal e aviltamento ocasional.
    • Imagens clássicas como escravidão, exílio, esquecimento, ignorância, embriaguez, sono e morte significam uma condição transitória, destinada a ser apagada.
    • A consciência deseja recuperar liberdade, pátria primitiva, memória, conhecimento, lucidez e vigília.
    • A recusa do contato com a Matéria leva à separação, à renúncia e à purificação.
  • A ética maniqueísta nasce da recusa da mistura, especialmente da repulsa pela sexualidade como expressão da concupiscência e instrumento das Trevas.
    • O mal é sentido como desejo e tentação.
    • As Trevas são fundamentalmente hedone, prazer.
    • A raça das Trevas possui raiz na epithymia, na concupiscentia e no desejo.
    • O ato sexual culmina a concupiscência carnal e concentra o horror do mal.
    • A Matéria é sexo, e a divisão dos sexos e a geração são devidas aos demônios.
    • Somente a abolição da sexualidade e a separação absoluta dos sexos marcam a ruína definitiva das Trevas.
  • A sensibilidade maniqueísta opõe à mistura carnal um ideal de pureza imaculada, traduzido por imagens de claridade, suavidade e refinamento.
    • As miniaturas e frescos de Turfan mostram figuras bem delimitadas, traços finos, cores claras e harmonia visual.
    • O traité Chavannes-Pelliot aplica imagens como o sal, a pérola preciosa, a lua clara, o veniz branco, superfícies delicadamente recobertas de cal, cores brancas e frescas, e flores.
    • O maniqueísmo revela repulsa pelo confuso, brutal, opaco, pesado e desordenado.
    • A alma aspira a reencontrar-se pura, separada, isolada e livre da Matéria.
    • Beleza e som são apresentados como sinônimos de pureza e libertação.
  • A experiência do mal conduz a uma atitude positiva porque a consciência da mistura desperta a certeza de uma realidade superior anterior à queda.
    • A consciência iluminadora do Espírito ou Nous aparece na alma como elemento salvador.
    • A gnose torna-se conscientia e scientia, consciência e ciência.
    • A alma reconhece sua origem, sua má localização atual, os meios de redenção e a possibilidade de reconciliação com Deus.
    • Santo Agostinho menciona Fortunato para afirmar que a alma reconhece sua origem, seu mal presente e sua possível purificação.
    • A fórmula central afirma que a alma não pode ser salva sem participar da gnose.
  • O conhecimento da dualidade transforma a intuição em doutrina e justifica a distinção entre Luz e Obscuridade, Bem e Mal, Espiritual e Carnal.
    • A alma é de substância diferente da do corpo.
    • No corpo, a alma encontra-se misturada, amalgamada e presa ao espírito do corpo, isto é, ao calor, ao desejo e à sensualidade.
    • O Catecismo maniqueísta chinês apresenta o Fragmento Pelliot sobre a entrada em religião.
    • A doutrina exige discernir que os dois Princípios da Luz e da Obscuridade possuem naturezas absolutamente distintas.
    • A tomada de consciência das duas vias permite separar-se do que há de obscuro em si e escolher a via do Bem.
    • A doutrina dos Dois Princípios articula-se diretamente à doutrina dos Três Tempos.
  • A experiência religiosa do maniqueísmo é transposta em saber intelectual, mas esse saber permanece mítico, imaginativo e revelado.
    • O Hino chinês de Londres declara que o ensinamento de Mani revela os mistérios, os dois Princípios, os Três Tempos, o sentido da Natureza e da Glória.
    • Mani afirma no Espírito do Fundamento que o saber recebido mostra o que existia antes da constituição do mundo e como começou a luta entre Bem e Mal.
    • A gnose maniqueísta pretende ser ciência completa, incluindo teologia, cosmologia, astronomia, geologia, botânica, antropologia, história, escatologia e soteriologia.
    • O maniqueísmo insiste numa ciência verdadeira, não na autoridade da fé.
    • Santo Agostinho recorda ter acreditado encontrar no maniqueísmo a verdadeira filosofia.
    • O problema da salvação é intelectual em seu princípio, mas a solução oferecida permanece no domínio da Revelação, da imaginação, da mística e do mito.
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