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McGinn
Bernard McGinn
Tópicos em sua Introdução a BMPG4
- Natureza da metáfora histórica e sua aplicação ao outono espiritual
- Metáfora como instrumento heurístico para compreensão de períodos históricos, não como explicação exaustiva
- Atração peculiar da imagem da colheita reside em sua ambiguidade constitutiva e dupla significação
- Significação positiva: completude, riqueza intelectual, abundância textual, maturidade doutrinal e excedente produtivo
- Significação negativa: finalidade, término de ciclo, decadência orgânica e prenúncio de morte e renovação
- Exemplo literário da ambiguidade em To Autumn de John Keats: simultânea celebração da plenitude e reconhecimento da transitoriedade
- Aplicação analógica ao misticismo alemão dos séculos XIV e XV como período de maturidade frutífera e, ao mesmo tempo, de esgotamento criativo
- Caracterização do florescimento místico na Alemanha tardo-medieval (circa 1300–1500)
- Produção literária mística notável tanto pela originalidade conceitual quanto pela proliferação quantitativa
- Período de fascinação excepcional pela experiência mística dentro da história do cristianismo ocidental
- Destaque das terras de língua alemã no contexto europeu mais amplo, em criatividade e volume textual
- Figuras paradigmáticas da criatividade: Mestre Eckhart, Henrique Suso, João Tauler e Nicolau de Cusa
- Noção de colheita de plantios diversos: síntese e maturação de tradições místicas anteriores, tanto monásticas quanto escolásticas
- Datação metafórica do período: os marcos cronológicos como indicadores de tendência, não como limites rígidos
- Sinais de problematização e crise no interior da plenitude mística
- Emergência de preocupações institucionais e teológicas sobre formas perigosas de união com o divino
- Crescimento de temores acerca do movimento conhecido como heresia do Espírito Livre
- Preocupação comum entre autores místicos pós-1300 com a distinção entre mística autêntica e falsa
- Reação eclesial e inquisitorial, com casos exemplares como o de Marguerite Porete e o processo contra Mestre Eckhart
- Deslocamento da energia criativa: século XIV como ápice da inovação versus século XV como era de disseminação e codificação
- Exceção notável no século XV: a figura singular de Nicolau de Cusa e sua teologia douta
- Sensação de ciclo concluído: espera por novos impulsos reformadores do século XVI para reconfigurações futuras
- Contexto historiográfico: o debate sobre o caráter dos séculos finais da Idade Média
- Obra seminal de Heiko A. Oberman, The Harvest of Late Medieval Theology, e sua reavaliação do pensamento nominalista
- Revisão da visão tradicional de declínio ou mera preparação para a Reforma
- Defesa do período tardo-medieval como digno de estudo em seus próprios termos, em teologia, filosofia, ciência e arte
- Aceitação progressiva, ainda que diferenciada, desta perspectiva revisionista entre os estudiosos
- Questionamento do ano 1500 como divisor de águas absoluto entre medieval e moderno
- Reemergência do debate Dilthey versus Troeltsch sobre a natureza da ruptura do século XVI
- Prevalência atual de uma visão troeltschiana de longa duração e continuidade nos problemas religiosos
- Convenção periodizadora útil: conceber uma época de transição ampla (circa 1250–1550) ou mais restrita (circa 1400–1600)
- Periodização específica aplicada à história do misticismo cristão
- Ano 1500 como marco pouco decisivo para a tradição da nova mística surgida por volta de 1200
- Estruturação em camadas ou fases sobrepostas para compreensão da tradição mística
- Primeira camada: misticismo monástico da igreja primitiva, enfase na contemplação e leitura divina
- Segunda camada: ordenação do amor no século XII, sistemização da via afetiva
- Terceira camada: irrupção da nova mística no século XIII, com características de excesso e vernaculização
- Quarta camada: misticismo do fundamento (Grund) associado a Eckhart e sua escola, objeto do volume
- Data de 1500 como número redondo e artificial, indicando esgotamento da fase produtiva medieval alemã
- Fim efetivo da criatividade em meados da década de 1460, com a morte de Cusa e esgotamento dos debates sobre amor e conhecimento
- Data de 1300 como marco mais preciso para o início da nova fase: pregação mística de Eckhart e atividade de Marguerite Porete
- Década de 1295–1305 como ponto de virada, exigindo, contudo, retrospectiva para as contribuições de Alberto Magno e Tomás de Aquino
- Legado de Huizinga e Oberman para a interpretação do misticismo tardo-medieval
- Reconhecimento por ambos da centralidade do fenômeno místico para compreensão da época
- Observação de Huizinga sobre o paradoxo do misticismo solitário e sem forma gerar um movimento de dignificação da vida prática
- Conceito huizingniano de misticismo sóbrio como característica do período
- Tese de Oberman sobre a relação negligenciada entre nominalismo e misticismo em autores como Jean Gerson e Gabriel Biel
- Expansão posterior do interesse de Oberman, especialmente em ensaio sobre a relação de Lutero com a tradição mística
- Posicionamento do presente estudo em relação a esses dois paradigmas: diferenças de enfoque e continuidade na reavaliação profunda do período
- Objetivo último: testemunhar, em nível analítico mais profundo, como tais pensadores reconfiguraram a compreensão da Baixa Idade Média
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