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Mordomo infiel

PARÁBOLAS DE JESUS — O Mordomo Infiel (Lc 16, 1-13)

Clemente de Alexandria: QUEM É O HOMEM RICO...

Ambrósio de Milão: MORDOMO INFIEL

Romano Guardini: MORDOMO INFIEL

Joachim Jeremias

V. 1: “anthropos plousios = «um homem rico»: pressupõem-se provavelmente as condições de vida da Galileia; o plousios possivelmente é o proprietário de uma grande propriedade rural e tem ali mesmo um administrador. dieblethe = «foi denunciado»: o Oriente não conhece nem a contabilidade nem um controle regular.

V. 3: Elpen de en eauto = «disse em si mesmo» = meditou; as línguas semitas não têm um vocábulo para pensar, meditar, refletir. skaptein = «trabalhar no campo» não costuma.

V. 4: egnon = «agora me ocorre».

V. 5-7: Às suas malversações (v. 1) acrescenta a falsificação de documentos. Os devedores (kreopheiletes) são ou os arrendatários, que deviam entregar uma determinada parte do produto de sua terra como renda, ou os comerciantes atacadistas, que haviam recebido as remessas contra recibo. Cem «batos» (=36,5 hl.) de azeite correspondem ao produto de 146 oliveiras e a uma soma de cerca de 1.000 denários; cem «coros» (364,4 hl.) de trigo são 275 quintais e correspondem ao rendimento de 42 hectares e a uma soma de cerca de 2.500 denários. Trata-se, portanto, de dívidas muito grandes. A diminuição (18 hl. de azeite, 73 hl. de trigo) é, em ambos os casos, aproximadamente do mesmo valor, já que o azeite é muito mais caro que o trigo; expressa em dinheiro, representa uma soma de 500 denários. Jesus se une, portanto, nesta parábola, à preferência do narrador oriental pelas cifras altas.

V. 6s: Dexai sou ta grammata = «Aí tens o recibo de tua dívida». O mordomo conserva os contratos de arrendamento ou as faturas escritas pelos devedores. Faz com que eles mesmos os modifiquem, porque espera que, com a mesma escrita, não se descubra a fraude, ou manda redigir novos documentos.

V. 7: legei = «diz»: Sobre o presente histórico, cf. págs. 222s. Da mesma maneira procede com os demais devedores (ena ekaston = «um a um», v. 5).

V. 8: kai epenesen o kyrios ton oikonomon = «e o senhor louvou o mordomo injusto»: com kyrios = «senhor», provavelmente, nas origens, quis-se designar Jesus, cf. págs. 56s.

O escândalo, discutido em todo tempo, que esta história sempre ofereceu, porque apresenta um homem facínora como modelo, deve desaparecer se se considera a parábola em seu estado original (vv. 1-8) e se prescinde das ampliações (vv. 9-13). Como na parábola do ladrão noturno, Jesus se refere a um caso concreto que lhe foi contado com indignação. Escolheu-o como exemplo, intencionalmente, pois pode estar seguro da atenção redobrada dos ouvintes que ainda não conheciam o caso. Os ouvintes esperam que Jesus conclua com palavras de severa desaprovação. De modo inteiramente inesperado, em vez disso, Jesus louva o impostor. Estais indignados? Aprendei com isto. Estais na mesma situação que este administrador que tem a corda no pescoço, a quem ameaça a ruína de sua existência; só que a crise que vos ameaça, em meio à qual estais, é incomparavelmente mais terrível. Este homem é phronimos = «sagaz» (v. 8a), isto é, compreendeu a situação crítica. Não deixou que as coisas corressem, agiu no último minuto, antes que a desgraça ameaçadora se abatesse sobre ele — certamente impostor sem escrúpulos (tes adikias = «da injustiça», v. 8), Jesus não o disfarça, mas não se trata disso aqui —, agiu audaz, decidida e sagazmente, criou para si uma vida nova. Ser sagaz: esta é também para vós a exigência da hora! Tudo está em jogo!

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