FRANCISCO DE SALES
Francisco de Sales (1567-1622)
Henry Bordeaux
Bispo de Genebra aos trinta e cinco anos de idade depois de diversas missões em países protestantes. Não era uma homem de escritório, escrevendo tratados abstratos. Mais velho de treze irmãos, foi educado no campo em contato com a natureza. De seu país de origem a Savoia adotou o sentido prático e a serenidade. (Notícia extraída da introdução de Henry Bordeaux à “Introdução à Vida Devota”)
Elemire Zolla
Elémire Zolla. I mistici dell’Occidente. 2. In: Gli Adelphi. Nuova edizione riveduta, quarto edizione ed. Milano: Adelphi edizioni, 2013.
Filho de Monsieur de Boisy, titular de um feudo, soldado, diplomata, nasceu em Sales, perto de Annecy (Saboia), em 1567. Estudou no colégio dos jesuítas de Paris e licenciou-se em jurisprudência. Em 1593 seu pai, após longa oposição, resignou-se a que François se fizesse sacerdote. Este, após receber as ordens, participou ativamente na luta contra os calvinistas no Chablais, e inclusive se entrevistou com Beza, o sucessor de Calvino, com a esperança de convertê-lo. Sua pregação exaltou a Paris de Henrique IV, seus livros o fizeram objeto de admiração da protestante corte de Inglaterra. Encontrou-se com Madame de Chantal, viúva natural de Dijón, e a amizade que travaram os transformou aos dois: as cartas de Madame de Chantal serão uma fonte para Molinos. Morreu em 1622; em 1665 foi canonizado.
La Introduction à la vie dévote foi escrita entre 1607 e 1608, e nela se percebe sua dileção pela alma de Madame de Charmoisy, que vivia no mundo secular. O Traité de l'amour de Dieu data de 1616, e nele se reflete o diálogo de amor com Madame de Chantal e com as irmãs da ordem da Visitação, que ele fundou. Os Vrays entretiens spirituels e suas cartas completam sua obra, onde a perfeição especulativa forma um todo com a plenitude das metáforas.
Tal é o espelho estilístico da sobreabundância de amor.
Na Introdução fala ele do fogo de caridade, cujo resplendor é a vida devota, que se obtém com o ato de pôr-se em presença de Deus. A composição de lugar, tão desenvolvida por san Ignacio, tem menos importância para Francisco, todo afetivo e intelectual.
Foi só graças a Madame de Chantal como conheceu ele os estados sublimes da oração, a partir de 1010, até alcançar a imagem da alma perfeita como músico ensurdecido que toca o alaúde na corte de um príncipe indiferente, até ressuscitar a imagem antiquíssima do santo como cigarra.
Que foi a cigarra? Entre céu e terra estava o Deus verdadeiro: fonte da água de vida, árvore, escala, patíbulo do sacrifício; a copa da árvore da vida é uma montanha desde onde se assiste à luta entre a vida e a morte, e na copa da árvore canta a cigarra, que é a regeneração sobre o monte, o calor de julho (yang) que põe fim às chuvas cálidas (yin): é signo de equilíbrio e trânsito (assim o resume Marius Schneider) porque é mero instrumento musical. Algo desses conhecimentos emerge em san Francisco de Sales.
