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A Subida do Monte Carmelo

Resumo da Introdução à "Subida do Monte Carmelo" em JCOC

Símbolo e Itinerário Espiritual no "Monte Carmelo" de São João da Cruz

  • Significado fundamental do desenho ou esquema gráfico denominado Monte Carmelo como chave para compreensão do itinerário espiritual proposto por São João da Cruz.
    • Origem e autenticidade do desenho: esboço original feito pelo próprio doutor místico por volta de 1578-1579 para as irmãs carmelitas de Béas, especificamente para Madalena do Espírito Santo, do qual se conserva uma cópia notarial.
    • Caráter sintético e programático: o desenho pretende resumir, de forma visual e intuitiva, toda uma sabedoria de vida e um caminho para alcançar o Absoluto, análogo, em sua função, aos mandalas das tradições orientais (tibetana e sufista).
    • Exigência de uma leitura pluridimensional: o esquema deve ser contemplado em seu conjunto, exigindo um olhar de sobrevoo, de frente e em profundidade para captar seu relevo simbólico sugerido pelo traço e pela disposição dos textos.
  • Análise tripartite dos elementos constitutivos do esquema: a Montanha, as três vias e as quatro estrofes da base.
    • Simbolismo da Montanha como eixo central e meta da jornada espiritual.
      • Referência à rica simbologia bíblica da montanha (Sinai, Horeb, Carmelo de Elias) como lugar da teofania e do encontro com Deus.
      • Identificação explícita, na doutrina sanjoanista, da Montanha com a pessoa de Cristo, que é simultaneamente porta e caminho.
      • Representação gráfica da superfície, da face e da profundidade da montanha através de traços e inscrições.
      • Inscrições no cume: a frase circular Introduxi vos in terra Carmeli… (Introduzi-vos na terra do Carmelo…) sugere uma iniciação divina; a frase em forma de frontão Solo mora en este monte honra y gloria de Dios (Só moram neste monte a honra e a glória de Deus) indica o fim último e atrativo da empresa espiritual.
      • Dons espirituais distribuídos após a ascensão, dispostos verticalmente nos flancos: paz, gozo, alegria, deleite (paz, gozo, alegria, deleite) do lado do céu; piedad, caridad, fortaleza, justicia (piedade, caridade, fortaleza, justiça) do lado da terra.
      • Palavra Sabiduría (Sabedoria), situada no vértice superior, aparece como guia e sustentáculo de todo o conjunto, jorrando do cimeiro onde se lê Introduxi…, sublinhando que não há sabedoria sem mestre que inicie.
      • Afirmação central que liga o cume à base: ya por aqui no hay camino, que para el justo no hay ley; él para sí se es ley (doravante por aqui não há caminho, porque para o justo não há lei; ele para si mesmo é lei), apontando para uma etapa de liberdade espiritual que transcende caminhos e normas exteriores.
    • Distinção e descrição das três vias que partem da base da montanha.
      • A superfície da montanha é declarada sem caminho; as vias situam-se em sua base, abertas a todo homem.
      • Duas vias imperfeitas, que se tornam becos sem saída: o Camino de espiritu de imperfección del cielo (Caminho do espírito de imperfeição do céu) e o del suelo (do solo), à esquerda e à direita.
      • Uma via central perfeita: a Senda del monte Carmelo espíritu de perfección (Senda do monte Carmelo espírito de perfeição), que parece conduzir ao círculo do cume, embora haja uma solução de continuidade gráfica, salientada pelo Introduxi… que indica a iniciativa divina.
      • Bens que atraem para o céu (gloria, gozo, saber, consuelo, descanso) e para a terra (poseer, gozo, saber, consuelo, descanso), sendo os quatro últimos comuns a ambas as buscas.
      • Conclusão desiludida sobre ambas as buscas imperfeitas: Cuanto más tenerlo/buscarlo quise, con tanto menos me hallé (Quanto mais os quis ter/buscar, com tanto menos me encontrei).
      • Prática da via perfeita: repetição, perante cada um dos bens terrenos e celestes, da palavra nada (nada), sete vezes no total, e das expressões ni esotro (nem isto outro) e ni eso (nem isso). Esta atitude de recusa não é um juízo de valor sobre as realidades em si, mas uma ascese interior de desapego radical, seguindo o exemplo de Cristo, para caminhar pela senda áspera da Cruz.
    • Função das quatro estrofes poéticas na base do desenho, imbricadas entre as três vias.
      • As estrofes desenvolvem um movimento meditativo inescapável, com beleza musical e lógica do absoluto que fala ao coração, possuindo uma referência vital a Cristo e à Páscoa.
      • Primeira estrofe: ensinamento sobre o absoluto e o olhar para a meta em toda sua sedução. O Todo passa pelo Nada. A plenitude realiza-se através de uma frustração igualmente total do desejo, em relação ao gosto, ao saber, à posse, ao ser mesmo.
      • Segunda estrofe: ensinamento sobre o caminho, a passagem, a Páscoa. Através das múltiplas manifestações do desejo, deve manifestar-se o nosso consentimento à morte, para a vida. É necessária uma metamorfose.
      • Terceira estrofe: reflexão sobre o nosso próprio fracasso na marcha para Deus. O encontro é impossível se se para, se não se lança, se não se renuncia. Do mesmo modo, não se pode apropriar-se de Deus sob pena de o perder.
      • Quarta estrofe: expressão da realização do cristão perfeito. Um desnudamento total consentido, que recorda a mensagem budista sobre o desejo, mas cujo centro de humildade significa não a ruína de si, mas a verdadeira situação de si diante de ou em Deus.
  • Síntese do ensinamento espiritual transmitido pelo esquema e sua relação com a obra escrita de São João da Cruz.
    • Mensagem central: a urgência da opção pela passividade e pelo desapego (nada) como condição para a união com Deus, atravessando a Noite dos sentidos e do espírito.
    • O desenho visa conduzir rápida e sem sofrimento inútil para essa união. Todo o Prólogo da Subida do Monte Carmelo está centrado nessa ideia: o desejo de Deus que o homem frequentemente complica.
    • A ascese do nada não é voluntarista, mas significa que o único horizonte possível para o coração do homem é, na passividade, a adesão a Deus, o deixar-fazer de Deus, a conversão do nosso desejo no próprio querer divino.
    • Acreditando na pente natural do homem para Deus, João da Cruz sabe aliar o rigor da Cruz à facilidade que proporciona o amor.
    • O esquema e os tratados (Subida, Noite, Cântico, Chama Viva) formam um conjunto coerente: enquanto a Chama Viva de Amor é o canto do Espírito na alma para além de todo caminho, o Cântico Espiritual recorda o percurso necessário da alma, partindo do conhecimento de si e da consideração das criaturas como primeiro passo para chegar ao conhecimento de Deus.
    • Há uma lógica inscrita na natureza humana, que Deus, seu autor, respeita, e que o itinerário espiritual deve seguir.


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