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Tresmontant

Cristianismo Estudos — Claude Tresmontant (1927 — 1997)

Tópicos em sua apresentação de sua obra CTMC

  • Apresentação da tese de Émile Bréhier sobre a natureza do cristianismo primitivo
    • Caracterização do cristianismo apostólico como movimento essencialmente prático e não doutrinário
    • Composição social das primeiras comunidades: artesãos e pessoas simples, com predominância de preocupações fraternais e de assistência mútua
    • Expectativa escatológica iminente como horizonte mental fundamental
    • Produção literária circunstancial: epístolas, narrativas sobre Jesus, Atos dos Apóstolos, sem exposição doutrinal sistemática ou coerente
    • Ausência total, nos ensinamentos de Jesus, de visões teóricas e racionadas sobre o universo e Deus
    • Oposição estrutural entre a forma discursiva grega (dialética serrada) e a forma de comunicação de Jesus (parábolas e imagens para ouvintes sem instrução)
  • Formulação do problema historiográfico por Bréhier
    • Questão sobre a importância, para a história das especulações filosóficas, da cristianização da civilização ocidental a partir de Constantino
    • Tese central: inexistência de uma filosofia cristã propriamente dita nos cinco primeiros séculos
    • Negação de uma tábua de valores intelectuais radicalmente original e diferente da dos pensadores pagãos
    • Identificação da verdadeira linha divisória entre pagãos e cristãos: submissão aos cultos legais, especialmente o culto imperial, e não método intelectual ou especulação
    • Cristianismo inicial definido como esforço de ajuda mútua espiritual e material, não como empreendimento especulativo
    • Conclusão peremptória: o desenvolvimento do pensamento filosófico não foi fortemente influenciado pelo advento do cristianismo
  • Reconhecimento, pelo próprio Bréhier, de uma “revolução mental” trazida pelo cristianismo
    • Introdução de uma concepção dramática e histórica da realidade em oposição ao cosmos grego eterno e sem história
    • Ideias cristãs revolucionárias: criação a partir do nada, destino construído pela obediência ou desobediência humana, iniciativa divina imprevisível para a salvação
    • Imagem de um universo onde a natureza se efaz e tudo depende da história íntima e espiritual do homem e de sua relação com Deus
    • Libertação das concepções pagãs de destino eterno, ciclo perpétuo e esquema geométrico imutável da realidade
    • Percepção dessa ruptura pelos primeiros críticos pagãos, como Celso, que a viam como falta de tenue intellectuelle
    • Assunção, por Bréhier, desta oposição fundamental, interpretando o ataque de Plotino aos gnósticos como uma condenação do “caráter cristão” de sua doutrina, ou seja, de seu individualismo religioso anti-helênico
  • Tensão interna na argumentação de Bréhier
    • Admissão de um sentimento de grave desacordo, tanto por parte pagã quanto cristã, desde os primeiros séculos
    • Reconhecimento de que os cristãos rejeitavam como heresia helênica a noção de um ordem imutável e eterna do mundo
    • Afirmação simultânea de que os Padres da Igreja apenas anexaram a filosofia pagã, sem criar uma cultura intelectual nova
    • Exemplo de Santo Agostinho: transmissor da cultura científica e filosófica pagã sem transformá-la, apesar de tomar consciência de incompatibilidades profundas
    • Declaração final de que não se pode falar de uma filosofia cristã, assim como não há uma matemática ou física cristãs
  • Objetivo e posicionamento do presente trabalho face à tese de Bréhier
    • Proposta de demonstração de uma tese diametralmente oposta, fundamentada em pesquisas e documentos
    • Foco na estrutura metafísica do cristianismo e na análise de seu conteúdo filosófico original
    • Investigação da essência do cristianismo do ponto de vista metafísico, como continuidade de estudos anteriores sobre o pensamento bíblico
    • Pressuposto de que teologia e moral cristãs implicam e pressupõem uma determinada estrutura metafísica
    • Premissa de que a própria mística implica uma metafísica correspondente, não sendo qualquer uma
  • Método de investigação adotado
    • Preferência por um método histórico-genético em vez de puramente analítico-dedutivo
    • Análise de como, nos primeiros séculos, o cristianismo tomou consciência de suas próprias exigências metafísicas
    • Estudo dos tateios, hesitações, falsos passos e polêmicas que marcaram essa tomada de consciência
    • Valorização das polêmicas como momentos dialéticos de clarificação dos princípios metafísicos cristãos
    • Identificação, na oposição de teses, dos pontos precisos onde se opera a delimitação da especificidade cristã
  • Delimitação do campo de estudo: Metafísica do Cristianismo versus Teologia Cristã
    • Distinção entre as implicações metafísicas do cristianismo (respostas próprias a questões universais sobre o ser, o múltiplo, o tempo, a liberdade, etc.) e os dogmas propriamente teológicos
    • Inclusão da doutrina cristã do Absoluto no âmbito da história das metafísicas, ao lado das doutrinas upanishádicas, platônicas, hegelianas, etc.
    • Reconhecimento de que o conhecimento do Absoluto transcendente e criador pertence, em direito, à razão natural (filosofia)
    • Exclusão expressa do campo de pesquisa dos dogmas que excedem a razão natural: teologia trinitária, da encarnação, da graça
    • Admissão de que não há separação estanque, mas distinção, entre a ordem teológica e a ordem metafísica
    • Exemplo da noção de criação: abordagem pelo “lado filosófico”, que conduz ao discernimento do mistério da caridade criadora, sem entrar na teologia desse mistério
  • Fundamentação da noção de “filosofia cristã”
    • Identificação, dentro da teologia bíblica e cristã, de um núcleo de doutrinas que pertencem, em direito, à razão natural
    • Caracterização da tradição bíblica como portadora de uma revolução racional de desmitificação e desdivinização do mundo
    • Atividades proféticas e legislativas de Israel compreendidas como trabalho de racionalização no plano ético e cosmológico
    • Em direito, essas verdades são universais e acessíveis à razão; em fato, foram historicamente trazidas pela tradição judaico-cristã
    • Existência factual de filosofias com estruturas não-cristãs ou pagãs (ex.: Hegel, Schelling) que professam teses incompatíveis com os princípios cristãos
    • Conclusão: pode-se falar de uma filosofia cristã como se fala de uma geometria euclidiana, para designar um sistema baseado em princípios específicos
    • As verdades da “filosofia cristã” são, em direito, universais e acessíveis a qualquer razão; sua designação refere-se à sua origem histórica concreta
    • Distinção operacional final: filosofia cristã refere-se às verdades naturais trazidas em fato pelo cristianismo; teologia cristã refere-se aos mistérios revelados que excedem a razão natural

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